O chefe

20 Alma atribulada


Notas iniciais
Oi sumidos, tudo bem? rs. Bom, quero começar agradecendo a Ellen Gerassi e a Rockise pelas recomendações lindíssimas que fizeram. Amei cada palavra e vocês encheram meu coraçãozinho de amor. Muito obrigada e dedico esse capítulo a vocês ♥ Obrigada tambem a todos que comentaram, favoritaram e acompanham a fic. Vocês fazem uma autora muito feliz ♥ Bom, sei que eu meio que sumi, mas como eu disse, como estou viajando, fica meio difícil sentar pra escrever e postar, tanto que eu tive que baixar o word no celular pra escrever porque mesmo trazendo o notebook, ainda fica ruim escrever nele por aqui. Enfim, pra compensar minha ausência, o capítulo hoje está um pouquinho maior. Espero que gostem e boa leitura ♥

Alma atribulada

▬ Bella ▬

Ai, droga, droga, droga. Que merda que eu fiz? Sério. Não estou me reconhecendo. Tudo bem que de vez em quando eu esqueço de enviar a agenda do meu chefe, raras vezes preencho um documento errado ou algo assim, mas de um todo, eu não sou irresponsável com o meu trabalho. Eu fui displicente e acabei deixando meu lado pessoal e movido pelo ciúme e irritação interferir em minhas funções. Eu não sou tão incompetente assim.

Rosalie tentava falar com Natalie que a ignorava e Esme olhava fixamente para a tal Tanya e olha, se olhar matasse, ela já estaria morta agora. Respirei fundo. Era hora de vestir minha calcinha de menina grande e assumir a responsabilidade por meus atos... mas eu gosto tanto da minha calcinha de menininha, é confortável e não entra na bunda. Bom, é como dizem né, um leão por vez.

Vou começar com a filhote de gato. Aproveitei que nenhuma das três olhavam em minha direção e cheguei de mansinho por trás de Nat e coloquei a mão na boca dela para abafar seu grito e a puxei para longe dali. A filha da mãe mordeu minha mão com força e meu grito foi abafado pelo som alto da música.

— Ai sua filhote de cruz credo – exclamei esfregando a mão na perna – Isso doeu – Nat me olhou com o cenho franzido e depois deu de ombros.

— Culpa sua. Não deve chegar assim em uma pessoa. Eu achei que estavam me sequestrando e me defendi.

A garota tem razão.

— Certo – concordei – Preciso falar com você.

— Vai admitir que você e meu pai tão se pegando e que você gosta dele? – perguntou animada, a empolgação brilhando em seus olhos.

— O que? – questionei confusa – Não. Da onde você tirou isso demônia filha? Está louca?

— Eu não sei se você mente pra você mesma ou se você só é lenta demais pra perceber as coisas – revirou os olhos – Mas o que você quer falar?

— Bom, eu... –

— Se me permite dar um conselho – falou me interrompendo – Você devia estar é com meu pai. Minha mãe e a Glenda estão aqui. Minha mãe nem gosta do meu pai, mas ela não gosta da Glenda e gosta de brincar com meu pai quando estão sozinhos, você sabe... os dois são solteiros e nada os impede... – frisou a palavra ‘solteiros’ e deixou a frase no ar me deixando pensativa.

Resolvi usar a razão, Edward e eu temos um acordo de exclusividade, assinado e registrado em cartório... creio eu. Vou confiar que ele vai manter seu amiguinho preso em suas calças. Já usei a emoção e só me ferrei. É difícil admitir, mas sim, eu estava com ciúmes de Glenda e raiva por Edward a ter recebido, por isso enviei o convite sem querer. Balancei a cabeça para pôr meus pensamentos em ordem. Isso fica pra segundo plano.

— Nat, fofinha, me escuta – me agachei para ficar na sua altura e segurei seus pequenos ombros para que ela olhasse pra mim – Infelizmente, fui eu quem enviou o convite da festa pra sua mãe.

Ela me ouviu atentamente e sua expressão antes serena se transformou em raivosa. Ela empurrou minhas mãos para longe dela e eu já soube que ela queria me matar.

— Por que você fez isso? Você é retardada? Pra que chamou minha mãe? Por que me odeia tanto? O que eu te fiz? – pelo seu tom eu sabia que ela estava magoada comigo.

Partiu meu coração a ver triste comigo, eu tinha que explicar pra ela que foi sem querer. Segurei sua mão, mas ela tentou soltar, quando eu não soltei, ela tentou me morder, mas mantive sua mão na minha e com a mão livre segurei em seu ombro fazendo ela me olhar.

— Fofinha, foi sem querer. Desculpa.

— Pra você é Natalie – falou raivosa – Mas já que você tá me prendendo aqui, tem cinco minutos pra se explicar senão eu grito e digo que você me bateu.

Nossa, que almazinha mais atribulada a dessa garota hein.

— Não foi de propósito – comecei falando – Jane havia me avisado que o convite dela havia sido feito, mas que não devia ser enviado. Eu tinha separado ele para descartar, mas foi na hora que a Glenda chegou – Nat fez uma careta ao ouvir o nome da carrapato ruiva – Ela como sempre foi uma cadela comigo e eu fiquei um pouco irritada com seu pai por ter sido simpático com ela.

— Papai falou que você ficou estranha aquela tarde depois que a antipática da Glenda foi lá. Você tava com ciúmes né? – riu animada – Continua – revirei os olhos pra ela, mas continuei.

— Quando lembrei dos convites peguei todos, vi o de Tanya, achei o nome bonito e coloquei na pilha junto com os que seriam enviados. É isso – respirei fazendo o ar circular por meus pulmões – Eu sei que sabe-se lá por qual motivo você não é a fã nº 1 da sua mãe e inclusive, eu sabia o nome dela, mas na hora da raiva eu só não lembrei.

— Verdade? Você não tá mentindo pra mim? – perguntou desconfiada.

Sorri com sua pergunta. Ela ficou tão fofa toda desconfiada que eu tive que abraçar ela e apertar sua bochecha.

— Oh fofinha, se eu fosse mentir ia começar pela mentira básica da omissão. Ia ficar quietinha na minha e só falar alguma coisa quando eu visse que ia prejudicar alguém.

— Faz sentido – concordou – Tá bom, eu te desculpo, mas você tem que falar com minha avó. Ela quer demitir a Jane. Bom, ela não vai demitir, só está com raiva e quer arrancar a cabeça dela.

— Vou falar – olhei para Esme e ela parecia um pinscher tremendo de ódio – Mas enquanto eu crio coragem conversa comigo. Qual sua treta com sua mãe?

— Ah – ela pareceu desanimada – Ela as vezes é malvada comigo. Nada tá bom, tudo tá ruim. Ela é malvada e rígida demais e diz que é ‘pra eu não crescer um ser humano frouxo’. Ninguém pode fazer nada pois ela ameaça pedir minha guarda integral se tentarem ‘se meter’ na minha educação. Só meu pai a enfrenta, mas ele é meu pai. Ele pode.

— Que coisa mais feia de se fazer – disse e ela assentiu concordando.

— Ela até me cria bem... bem não, de forma decente. Mas ela não gosta muito de mim e meio que em outras palavras já falou isso algumas vezes. Algo como ela ter ‘perdido a juventude’ por engravidar cedo – deu de ombros.

Fiquei de coração partido pela diaba filha. Tentei a consolar, mas ela disse que não precisava de consolo pois já tinha uma família maravilhosa e seu pai já amava o suficiente. Após algum tempo conversando com ela, criei vergonha na cara e fui falar com Rosalie e Esme.

Claro que nenhuma das duas ficaram contentes com minha ‘falha grave’, como Esme nomeou, na verdade, acho que decepcionada é a palavra que ela queria ter usado. Ela disse que não me demitiria pois todos eram passíveis de erro, mas por ter desobedecido uma ordem superior, eu levaria uma advertência. Achei justo, porém ainda fiquei decepcionada comigo mesma por isso.

Pra mim não era algo grave, mas vá saber que tipo de problema essa família tem com aquela mulher. O fato de eu saber que receberei uma advertência, a primeira desde que vim trabalhar aqui, já foi suficiente pra broxar minha noite. Eu gostava bem mais quando a família enviada dos infernos não participava da festa.

Não estava mais me divertindo, não me importava se meus pais estavam se engalfinhando, me fazendo passar vergonha ou com uma lanterna enfiada no rabo fazendo cosplay de vagalume, eu só estava esperando o tempo passar para eu poder ir embora dali.

— Esmeralda, querida – a tal Tanya apareceu em nossa mesa apenas para fazer eu me sentir pior com tudo isso – Achei que com a idade viesse a sabedoria, mas vejo que me enganei, no seu caso vem a falta de bom senso, visto que em idade tão avançada está vestida – a olhou de cima abaixo fazendo cara de desprezo – Desse jeito.

— Tem razão, como é halloween eu devia ter me fantasiado de Tanya, seria assustador e mais propício pra ocasião – Esme respondeu com um sorriso irônico fazendo Tanya torcer o rosto em uma careta de desgosto.

— Carlisle... – ela começou, mas ele a cortou.

— Sem paciência Tanya, vá ver se eu não estou na puta que te pariu fugindo de você – falou impaciente.

— Poxa sogrinho, está tão estressado. Posso te ajudar a desestressar... – falou sugestiva e vi Esme cerrar os punhos.

— Aceito sua ajuda. Comece ficando o mais longe possível de mim.

— Nossa, as pessoas aqui estão precisando transar, quanto mau humor.

— É que sua cara transforma qualquer coisa boa em medonha – Rosalie disse atraindo a atenção para si.

— A conversa ainda não chegou no galinheiro, Rosalinha.

— Mas pelo visto está no chiqueiro junto com você, Putanya.

— Não vou discutir com você galinha de quinta – Tanya se virou novamente para Esme e Carlisle – Cadê a pirralha? Quero ver se vocês não quebraram minha filha de vez, sabe, psicologicamente.

— Vovó olha esse doce em formato de... – Nat chegou empolgada mostrando algo para Esme, mas seu rosto e animação desmoronaram ao ver a mãe parada ali próximo – Ah, oi mamãe – falou desanimada.

— Só esse ‘oi’ sem graça? Não tem mais dente não? Sorri mostrando os dentes pirralha – Nat fez o que ela disse, mas o resultado foi uma careta – Vem me cumprimentar direito.

Desanimadíssima, Nat foi abraçar a mãe que se abaixou a abraçando e beijando sua bochecha. Esme imitou o gesto de vômito, Rosalie e Carlisle reviraram os olhos. Eu estava super aleatória ali naquela mesa. Até pensei em levantar e sair para os dar privacidade, mas queria ver os babados e já que minha presença estava sendo ignorada mesmo, ficaria por aqui.

— O que isso no seu rosto – Tanya questionou olhando o rosto da filha de perto – Que maquiagem horrível é essa? Quem fez isso em você?

— Meu pai que fez – falou com a voz baixa – Ele viu muitos tutoriais na internet pra conseguir.

— Tá péssimo, ele não serve pra isso.

— A maquiagem foi inspirada em você queria – Rose se meteu na conversa – Edward queria ver se conseguia deixar a Nat uma bruxa autêntica e usou uma cara feia como inspiração.

— Poxa que pena, mirou em mim e acertou em você. Que decepção.

Eu acho que essa família já tem seu próprio inferno pessoal e por isso transforma a vida dos outros num inferno também.

Tanya tirou a máscara de mulher gato e só então eu pude a visualizar bem. Apesar do salto bem alto que ela usa, ela é inegavelmente alta. Seu cabelo loiro cai perfeitamente liso até a altura de sua bunda e nossa, ela tem o corpo de modelo, só que com mais curvas e peito.

Mesmo com a iluminação reduzida do ambiente, ainda podia ver claramente seu rosto. Lábios cheios, maçãs do rosto altas e bem desenhadas e grandes e brilhantes olhos azuis. Natalie não parece em absolutamente nada com ela. É a cópia perfeita do pai. Os mesmos olhos verdes, mesmos cabelos acobreados, mesmo sorriso encantador, mesmo jeito endiabrado. Ela é mesmo filha de Tanya? Parece até difícil de acreditar.

— Oi querida. Tira uma foto, assim você consegue me olhar melhor e por mais tempo – a voz irritante da loira a minha frente me tirou do transe.

NOSSA. Em minha mente está fervilhando com respostas mal criadas pra responder pra essa mulher gato xing ling, mas me calei. Isso era briga do alto escalão e por conta dessa loira gema de ovo, eu já tinha ouvido meu sermão, não me colocaria no fogo cruzado de novo. Com toda má vontade do mundo, apenas sorri pra ela e desviei o olhar.

MAS É CLARO QUE O UNIVERSO IA QUERER FODER COM MINHA CABEÇA DE VEZ.

Foi só eu desviar o olhar que eu tive o desprazer de ver Edward conversando animadamente com Glenda. Bom, ela tagarelava sem parar e gesticulava freneticamente, mas ele ainda estava lá exibindo seu irritante, lindo e fodidamente sexy sorriso de canto de boca. Maldito seja você, Edward Cullen.

Assustei-me ao ver Tanya ali próxima deles. Ué gente, a mulher não tava aqui agorinha? Quando a diaba loira se materializou ali?

Fiquei ainda mais irritada ao ver a forma íntima como ela tocava o braço dele e se aproximava encostando a cabeça em seu ombro. Bufei irritada e tenho certeza que bufei alto. Para manter o foco em outra coisa, olhei na outra direção.

— Bella, me companha no banheiro? – Nat me chamou.

Sem responder com palavras apenas assenti concordando e levantei a acompanhando. A mini lúcifer desviou caminho ao chegar próximo do banheiro indo ate uma mesa e sentando por ali.

— Ué diaba filha, você não ia ao banheiro?

— Bella, senta aqui amada, precisamos conversar – Natalie falou séria me olhando nos olhos. A olhei sem entender, mas sentei ali a acompanhando – Vamos conversar de mulher pra menina. Eu vou ser a mulher porque você não tem maturidade emocional para isso – a olhei sem entender onde ela queria chegar – Vamos falar sobre os seus sentimentos.

— Eu acho que tô me sentindo meio inchada com essa roupa – olhei para baixo vendo a roupa que eu vestia – Tô inchada com essa roupa?

— Foco Bella, deixa de ser lenta – a diaba filha estalou os dedos na frente do meu rosto – Tô falando dos seus sentimentos pelo meu pai.

— Ah tá. Ele me irrita, mas não posso fazer nada porque ele é meu chefe. Vida que segue – suspirei alto – Pareço ou não inchada nessa roupa?

— Eu tô ficando irritada com você – ela me olhava séria.

— Até falando você parece com seu pai. Eu hein. É muita alma atribulada junta nessa família. Vocês já pensaram em procurar ajuda profissional?

— Vou te ignorar – falou irritada – O que você sente por ele?

— Raiva, uma constante vontade de meter a mão na cara dele e um pouco mais de raiva – admiti.

— O pior é que eu sei que isso é verdade – fez uma careta de desgosto – Mas você não me deu alternativas, vou ter que ser mais direta... eu sei que vocês estão se pegando.

Arregalei os olhos em surpresa. Abri a boca para falar algo, mas nada saiu. Filho da puta, ele disse que não tinha falado isso pra ninguém. Ah Edward, nós vamos ter que ter uma séria conversa.

— Eu vi vocês se beijando aquele dia no estacionamento da empresa – falou esclarecendo as coisas que se passavam em minha mente – Olha, eu não tenho muito pra falar. Eu tenho 10 anos e no momento o amor da minha vida é o meu pai, mas segundo tudo o que eu já vi em filmes, se vocês estão se pegando devem sentir alguma coisa um pelo outro. Você acha que meu pai não tem coração e nem sentimentos e ele não tem mesmo, mas quando acontece de ele ter, é verdadeiro. Pensa no que você sente.

Para o mundo. Eu estou mesmo recebendo conselhos de uma garota de 10 anos que tem como amor a vida dela o próprio pai? A que ponto da minha vida eu cheguei meu pai?!

Indo contra toda minha vontade, minha mente me levou àquele dia onde meus pais estavam em minha casa e Edward e eu ficamos confinados em meu quarto. Eu não posso negar que naquela noite, eu senti algo diferente. Não sei explicar ao certo, mas senti que algo em mim estava diferente. Não sei em relação a que, mas está.

Tudo bem que eu passei a semana inteira fugindo disso e tentando não pensar no que eu tenho sentido, mas não sei, apenas me lembrei disso agora.

— Ei ruivinha – me surpreendi ao ouvir a voz de Jake e ele estava agachado na cadeira ao lado da de Nat e ela o olhava de cara feia – Tudo bem com você? Ainda não gostando de mim?

— Jacob – ela disse com desprezo na voz – Eu já falei que nosso relacionamento só vai dar certo se você se manter a pelo menos 1 km de distancia de mim. Eu não gosto de você e sua fantasia é ridícula.

— Eu tô vestido de caçador – respondeu prendendo o riso – Já viu como seu pai tá vestido?

— Eu que escolhi a fantasia dele – respondeu irritada e com a cara mais fechada ainda.

— E você não foi bondosa com ele – tocou a ponta do nariz dela, mas ele acabou ganhando um belo tapa na mão por isso – Já que você ainda me odeia, me dá cinco minutos com sua amiga?

— Não.

— É rápido ruivinha – insistiu.

— Eu tô procurando a intimidade que eu te dei pra me chamar assim – falou irônica – E lembrei que não te dei intimidade. Me deixa lobo falso.

— Tudo bem. Então eu vou sentar aqui do seu ladinho e ficar grudadinho em você – falou sentando na cadeira ao lado dela.

Isso fez com que ela fechasse –ainda mais– a cara pra ele e levantasse da cadeira murmurando algumas coisas incompreensíveis antes de se afastar.

— Por que ela te odeia? – questionei assim que Nat se afastou.

— Sabe Deus. Ela é louca – deu de ombros.

— Ei – bradei irritada – Não fala assim dela, principalmente perto de mim ou eu meto a mão na sua cara, lobo falso – disse repetindo o apelido que Nat deu a ele.

Ele riu erguendo as mãos em sinal de paz.

— Foi mal – se desculpou – Mas hey, como você está?

— Sentada e você? – respondi sem vontade, Jake riu arqueando uma sobrancelha brincalhão – Estou bem, na medida do possível e você?

— Tô na mesma – deu de ombros – Tenho sentido sua falta.

— Jake... –

— Você não sente a minha? – questionou

— Ai Jake – falei desconfortável – Se eu for honesta com você, na verdade eu não senti e nem lembrei da sua existência. Desculpe, tenho ficado com a mente tão cheia de coisa... – tentei não soar rude.

Ele respirou fundo e assentiu concordando.

— Tinha esquecido do quanto você é direta – riu sem graça – O mais triste nisso tudo é que eu sinto mesmo sua falta pois eu realmente gosto de você.

Nossa, imagina se ele não gostasse. Ia me fazer assinar um contrato dizendo que eu não queria o dinheiro dele. Revirei os olhos mentalmente com isso. Ele tem uma forma estranha de demonstrar que gosta... ou deixar de demonstrar né, já que ele basicamente sumiu, o que eu de um todo não achei nada ruim.

— E como você percebeu que gostava de mim? – questionei curiosa.

— Ah sei lá. Acho que só gosto – deu de ombros, mas logo me olhou com o cenho franzido – Por que a pergunta? Você tem sentimentos por outra pessoa?

– Não sei dizer ao certo – falei sincera. Não queria conversar sobre isso com Jacob, mas no momento só tenho ele pra falar, então vai ele mesmo – Você já esteve comigo, sabe como é difícil pra mim essa coisa de sentimentos e deixar outra pessoa entrar eu não... só não é pra mim. Não sou o tipo de pessoa que se apaixona ou coisa assim, até porque nunca me apaixonei, então... nem sei em que direção estou indo ou devo ir.

— Não sei se entendi – franziu o cenho confuso – Você não quer se apaixonar ou não quer deixar outra pessoa entrar em sua vida?

Refleti um pouco sobre sua pergunta. Não sei se tenho uma resposta pra isso.

— Não sei – respondi ainda presa na confusão de pensamentos que cercavam minha mente – Acho que é 50/50 sabe? Acho que no fundo, eu não quero nenhum dos dois. Eu já tenho minhas próprias complicações, lidar e dividir as complicações de outra pessoa não parece coisa pra mim.

— Creio já saber a resposta, mas não custa perguntar... alguma chance de eu ser a pessoa que te deixou confusa? – não respondi com palavras. Meu sorriso sem graça já lhe serviu como resposta. Ele balançou a cabeça rindo pensativo – Ouch, essa doeu, foram quase três anos... mas eu entendo – respirou fundo – Mas se me permite dar um conselho, se puder evitar se apaixonar, evite.

— Por que? É tão ruim assim? – questionei.

— É desnecessário sabe? Você tem razão quando diz que partilhar a vida com outra pessoa é ruim. Você deixa a pessoa entrar, ela causa uma bagunça, você acaba ficando dependente dela, muda seus planos em função da pessoa, fica que nem um louco tentando fazer dar certo, se perde de você mesmo e quando a pessoa vai embora, você fica destruído porque já estava acostumado com a presença dela, então... é melhor evitar esse tipo de coisa. Você fica melhor se só evitar passar por esse tipo de coisa. Se apaixonar é sempre sinônimo de tomar no cu. Não é exceções, essa coisa e 'pessoa certa pra você' é coisa de filme, não existe, todos são peças quebradas que não se encaixam a ninguém.

Refleti sobre suas palavras. Não sou a pessoa mais experiente com relação a estar com outra pessoa pois eu nunca estive seriamente envolvida com outra pessoa e nunca senti mais do que atração sexual por alguém. Aquela noite em que eu senti algo diferente e hoje Natalie me dizendo para “pensar no que eu sinto” apenas serviram para me deixar confusa.

Senhor, eu vou mesmo escutar uma garota de 10 anos? Convenhamos, na vida das crianças tudo é fácil, ela não sabe como as coisas se complicam depois de certa idade. Não que eu seja velha, claro, eu continuo sendo um neném, mas... aí droga. Vou ter que assistir muito filme de romance pra ver se consigo me entender. Oh vida, cansei de lutar, eu que apanhe.

— Obrigada Jake, vou considerar seu conselho – agradeci.

— Disponha – sorriu educado.

Acho que pela convivência com a família demônio, quem virou uma alma atribulada fui eu. Com tudo isso acontecendo e se passando em minha mente, eu só sei dizer que eu preciso de uma bebida. Urgente.

▬ Edward ▬

— O que você quer e o que veio fazer aqui? – questionei impaciente a Tanya assim que ficamos sozinhos em um canto do salão.

Eu estava em uma conversa, bem desagradável, com Glenda quando Tanya nos interrompeu dizendo que precisava conversar a sós comigo. Eu não estava gostando da conversa com Glenda, mas isso não significa que eu gostaria de falar com Tanya, mas entre as duas, eu tolero essa última um pouco mais. Se fosse falar sobre o que eu gostaria de estar fazendo, eu gostaria de estar no salão com Bella, mas por ser uma festa da empresa, ela de certo não gostaria da proximidade, então resolvi lhe dar espaço por hoje.

— Parece que sua mãe tem razão Edward, você é mesmo um gatinho arisco – riu divertida me fazendo revirar os olhos – Ou melhor, uma abóbora arisca. Que porra de fantasia é essa Edward?

— Aparentemente Natalie deve querer me punir por alguma coisa. Diga o que quer.

— Você deixa ela falar tudo o que ela quer. Assim você estraga toda educação e ensinamentos que dei a ela, sabia?

— Diga o que quer ou vá embora. De preferência, volte pra Londres ou para o inferno de onde você veio.

— Quanta agressividade – revirou os olhos – Mas ainda sim, venho sempre em seu socorro. Toma – me entregou uma sacola preta – Tem uma fantasia decente aí. Imaginei que você fosse deixar Nat fazer tudo o que quer.

— Não vou trocar de fantasia. Ela ficaria chateada – disse ao pegar a sacola de suas mãos e abrindo, vendo que nela havia uma calça preta como parte da fantasia – Embora eu realmente vá colocar a calça, essa laranja e preta que Nat arranjou pra mim é humilhante.

Tanya apenas assentiu concordando. Peguei a maldita calça e fui em direção ao banheiro do salão. Eu estava ridículo com essa fantasia de abóbora, mas Nat ficou tão contente que não tive coragem de dizer a ela que não usaria. Pelo visto Tanya tem razão, eu faço mesmo umas vontades dela, mas isso não é algo que eu queira ou vá mudar.

Fui até o banheiro tirar a calça listrada laranja e preta, que inclusive era completamente humilhante, e fiquei me questionando porque eu deixava Natalie fazer esse tipo de coisa comigo. Eu estava ridículo nessa fantasia de abóbora ridícula. ‘Representa o halloween’. Bufei irritado ao lembrar das palavras da minha filha. Meu saco que isso representa o halloween.

Ao sair do banheiro, em meio ao som da música que ecoava pelo ambiente, ouvi vozes conhecidas. Pude identificar a voz de Tanya e junto a voz de... Glenda? De o de ela surgiu? As duas pareciam discutir por alguma coisa e curioso, aproveitei do fato de que elas não prestavam atenção em mim para me aproximar e ouvir sobre o que falavam.

— Me poupe Tanya – Glenda dizia irônica – O único motivo no qual Edward ainda lembra da sua patética existência e te dá atenção é porque você foi burra o suficiente pra engravidar e trazer ao mundo aquela coisinha pequena e irritante que você chama de Nata... – Glenda não teve a chance de terminar de falar.

Tanya espalmou sua mão no rosto de Glenda em um tapa tão forte que de onde eu estava pude ouvir o som do choque de sua mão na pele de Glenda que agora a olhava com fúria nos olhos.

— Você lave sua boca pra falar da minha filha – Tanya disse com a ira evidente na voz – Você tem razão e eu posso ser uma mãe relapsa como for. Posso ter mil e um defeitos, mas isso não lhe dá o direito pra achar que pode abrir sua boca imunda pra falar dela tá me ouvindo? Se eu ao menos sonhar que o nome de Natalie está saindo dessa sua boca nojenta, seja por qual motivo for, eu juro por cada fio de cabelo ruivo da minha filha que eu arrebento a sua cara.

— Você ainda vai me pagar por isso, Tanya – Glenda disse irritada com a mão no rosto antes de se virar irritada para sair dali.

— Late mais cadela ruiva falsa – Tanya gritou de volta vendo-a se afastar.

Eu senti cada pelo do meu corpo se arrepiar de raiva, fúria e revolta. Sempre soube que por Nat ser filha de Tanya, Glenda não simpatizava muito com minha pequena, mas a ouvir falando desse jeito, a chamando de “coisinha irritante”, meu sangue ferveu.

— Que merda acabou de acontecer aqui? – questionei furioso olhando na direção em que Glenda se afastou.

— Você como sempre escolhendo pessoas erradas para se relacionar profissionalmente – revirou os olhos – Você viu. Não se faz de sonso que comigo não cola – respirou fundo – Preciso me acalmar, vou atrás de uma bebida pra isso e tenho que ir atrás de Esme a lembrar o quanto ela está velha e sua fantasia não é própria para a idade.

— Qual o motivo da sua implicância com minha mãe? Por que vocês não conseguem e dar bem?

— Não gosto dela, sua irmã me irrita e sua prima é estranha. Eu só gostava do seu brinquedinho – apontou para o meio das minhas pernas – Mas daí você me engravidou e perdeu toda graça... se bem, que não exatamente. Ainda lembro de uns 6 meses atrás. Você continua com a mesma disposição ou a idade já pesou nos seus ombros? Podemos repetir aquela semana, o que acha? – perguntou sugestiva passando a mão por meu peito por cima da fantasia – Aí essa fantasia é broxante. Deixa pra lá.

— Nem se não fosse. Sempre tivemos algo casual, era conveniente, mas acabou. Não quero mais – dei de ombros.

— Você recusando sexo? – me olhou incrédula – Eu sempre desconfiei que você fosse meio gay mesmo – revirei os olhos pra ela que gargalhou em seguida – Qualquer coisa sabe onde me encontrar. Eu sempre fico no mesmo hotel. Agora eu vou atrás de uma bebida e fazer dona Esmeralda passar um pouco de raiva, ela merece – piscou pra mim antes de sair do meu campo de visão.

Perturbada. Essa era a única definição que eu consegui atribuir a ela. Ainda me questionava o que tinha feito com que eu me envolvesse com Tanya, mas me lamentava ao lembrar era minha resposta era resumida a: eu era novo e ela era gostosa.

— Papai? – fui tirado dos meus pensamentos por Nat que me olhava com os olhinhos raivosos.

— Oi boneca – me abaixei ficando na sua altura e beijando sua bochecha – Amo você sabia filha? Mais que qualquer coisa no mundo.

— Também amo você bobinho – ela me abraçou beijando minha bochecha em seguida e deitando a cabeça em meu ombro – Mas você é burro, deixou a Bella sozinha e agora o falso Lobo do seu amigo falso tá lá cercando a ovelha.

— Filha, se você for mais objetiva eu vou ficar bem contente – pedi.

Natalie revirou os olhos pra mim e deu um tapinha em minha testa.

— Você já foi mais espero papai. Jacob tá lá cercando a Bella. Os dois estão de papinho sentados numa mesa na maior intimidade – fiquei olhando pra ela absorvendo suas palavras, até que ela bufou irritada e começou a me empurrar – Seja homem pai. Faz alguma coisa. Interrompe os dois, sei lá. Vai deixar ele tirar ela de você? Qualquer coisa se precisar sabe como me contatar – falou levantando seu próprio celular e me mostrando.

Acabei concordando e me deixei seu empurrado, até certo ponto, por Natalie. Sim, eu estava com ciúmes e não tinha vergonha de admitir isso. Mas o ciúmes ficou em segundo plano quando enquanto ia até o de Bella e Jacob conversavam, vi Glenda com cara de poucos amigos tomando uma bebida.

— Glenda – a chamei assim que me aproximei dela.

— Edward – falou sorridente – Eu estava procurando você... –

— Vou falar apenas uma vez – a interrompi antes que ela progredisse com o que dizia – Eu pouco me importo se você e Tanya não se batem, se amam ou se odeiam, mas se você envolver minha filha nisso e caso eu saiba que você abriu a boca para se referir a ela como se referiu mais cedo. Eu vou esquecer da relação profissional que mantemos por conta das nossas empresas e será a mim que você vai responder, fui claro? – falei sério vendo a cor deixar seu rosto.

— Edward, eu apenas...

— Fui claro? – repeti impacientemente pergunta – Ótimo – falei ao ver que ela apenas assentiu em concordância.

Após resolver o assunto com Glenda, fui até onde Bella conversava com Jacob. Os dois estavam sentados em uma mesa e de vezes quando, Bella ria de alguma coisa que ele falava., Vi que ela tomava alguma bebida colorida que com certinha tinha álcool, e aparentemente não era a primeira bebida dela, e ele tomava apenas água. Ela não está dirigindo essa noite? O que ela faz com uma bebida na mão?

— Hey Jake – me aproximei dos dois e cumprimentei meu amigo... bom, talvez não tão amigo assim – Se divertindo na festa?

— Claro – concordou com um sorriso – Sua empresa sempre sabe como dar festas. Alice e Rose fizeram um excelente trabalho.

— Eu não esperava menos delas – dei de ombros.

— Por que você não senta aqui com a gente, chefe? – Bella perguntou com um sorriso um pouco exagerado.

Ela não está bêbada, mas com certeza está um pouco alegre. Também não recusei, concordei com um aceno e puxei uma cadeira sentando com eles. Ficamos todos em silêncio e um clima estranho se instaurou na mesa. Nunca me senti tão empata foda como estava me sentindo agora é pior, na história toda, Jacob era o verdadeiro empata foda. Senti me celular vibrar logo em seguida e conferi vendo algumas mensagens.

Emmett

22:57

“Caralho. Sua irmã tá muito gostosa. Eu não tenho nem talher pra comer uma mulher dessas”

Claro que a mensagem de Emmett foi ignorada por mim. Ela é minha irmã e gêmea. Não me interessa como ele acha que ela está. É nojento. .

Jake Black

23:52 pm

“Porra cara, para de ser empata. Tava aqui quase convencendo a Bella que é uma péssima ideia se apaixonar por alguém”

Fiquei surpreso ao receber essa mensagem. Mas que filho da puta. Eu tenho todo um trabalho pra fazer Bella ver que sente algo por mim e ele tenta desfazer tudo que estou fazendo?!

Edward Cullen

23;53 pm

“Certo. Mas teve algum progresso com isso?”

Jake Black

23:53 pm

“Não sei. Ela disse que iria considerar meus argumentos. Aparentemente ela conheceu algum babaca e acha que pode vir a sentir algo por ele”

Fiquei tão enfurecido com sua mensagem que apenas conseguia pensar que eu realmente tinha que apelar. Respirei fundo me recusando a acreditar que faria isso, mas teria que recorrer à ajuda de uma mente ‘superior’.

Filha

23:54 pm

“SOS”

Não levou nem dois minutos e Nat veio até onde estamos, o que me fez agradecer sua rapidez pois Jacob já estava me olhando impaciente e eu estava a um passo de o mandar ir à merda.

— Jake, mudei de ideia – Nat falou se aproximando do seu desafeto com um sorriso amarelo no rosto – Resolvi dar uma chance pro nosso relacionamento. Vem dançar comigo.

— Agora você resolve querer gostar de mim, ruivinha? – questionou com um sorriso no rosto.

— Não, eu estou te dando uma chance de me conquistar e mostrar que você é mais que um lobo falso. Agora vem, vamos dançar? – Nat o puxava impaciente pela mão.

Jacob olhou para Bella como quem pedia de desculpas e ela apenas riu o incentivando a ir. Meio sem jeito em recusar, ele acabou concordando e eu soube que estava em dívida com a pirralha. Sacrifícios.

— Ah, então o bonitinho resolveu aparecer nessa festa? – Bella perguntou irônica se virando para me olhar – O que faz aqui? Achei que a presença de Tanya e de Glenda fosse deixar sua noite mais animada e te distrair por um bom tempo – disse com a voz carregada de sarcasmo, me fazendo rir. Isso tudo era ciúmes?

— Na verdade, tem alguém nesse salão que deixa minha noite bem animada, mas não é nenhuma das duas – respondi olhando em seus olhos vendo que ela ficou sem palavras.

— Que cantada mais... – ela foi interrompida de continuar por uma Nat que chegou toda sorridente a mesa – Cadê seu amiguinho, fofinha? – perguntou fazendo minha filha abrir um enorme sorriso travesso.

— Eu disse que a calça dele tava suja e que parecia que ele estava cagado. Ele foi ao banheiro e eu tranquei ele lá – respondeu com um grande e orgulhoso sorriso no rosto – Eu tenho ranço dele. Não da pra evitar.

— Filha- falei em tom de repreensão – Você não pode trancar as pessoas nos banheiros. Vai tirar ele de lá.

— Tá bom – concordou com uma careta e fazendo o mesmo caminho que veio.

Assim que ela se afastou, olhei novamente para Bella que olhava para onde Natalie foi e começou a rir.

— Quando você virou o rosto ela foi na direção contrária – falou limpando o canto do olho enquanto rua – Ela vai deixar ele lá preso à noite toda.

— Eu sabia que ela ia fazer isso – ri – Mas como eu sou um pai responsável e não posso incentivar esse tipo de comportamento, tive que chamar a atenção dela.

Nat merecia um aumento na mesada dela. Essa é minha garota.

— Agora que Tanya está aqui, graças a mim de nada, já pode ir brincar de casinha com ela – voltou a falar com seu mau humor terminando de beber sua bebida que já estava quase no fim.

— Quantos desse você já bebeu? – perguntei apontando com o queixo para o seu copo.

— Não sei, não estou contanto – deu de ombros – Ei, você quer dançar?

— Eu não quero dançar – respondi – Você acabou de terminar sua bebida. Se for honesto, tudo que eu quero fazer é ir embora dessa merda de festa e te levar junto.

— Chama a Tanya pra ir com você.

— Se eu quisesse estar com ela, eu já estaria.

— Bom saber que você honra nosso contrato – falou ácida – Vai à merda, Edward.

— Prefiro ir pra casa e te levar junto – ela me olhou sem saber o que responder – Vem comigo – pedi mesmo sabe do que ela dificultaria muito minha vida antes de aceitar – Nat vai dormir com Rosalie e Gianna vai virar a noite com Esme e possivelmente será sequestradas amanhã por minha mãe. Vamos ficar apenas nós dois.

— Não quero.

— Vem comigo – pedi novamente.

Ela pareceu pensar um pouco, mas acabou concordando. Mandei uma mensagem para Rose pedindo para que ela levasse Nat com ela. Claro que ela se recusou pois achou que eu estaria com Tanya e só após fazer todos os loucos juramentos que ela impôs para garantir que não era com a mãe de Nat que eu estaria que ela concordou. A parte de Esme sequestrando Gianna isso era verdade, não tive com o que me preocupar.

Bella quis ir dirigindo até minha casa, mas eu literalmente tive que a arrastar para dentro do meu carro pois não a deixaria dirigir após ter consumido álcool. Durante o caminho, ela parecia incomodada com algo, mas ela nada disse e eu achei melhor não pressionar.

— Nunca estive no seu quarto – Bella comentou assim que chegamos em minha casa – Vem vamos subir. Quero ver se é tão impessoal quanto o resto da sua casa.

Não contive uma risada ao ver que ela se convidou para ir explorar a casa e foi explorar os cômodos sem me esperar. A segui e aparentemente, meu quarto foi o primeiro cômodo que ela achou e quando entrei, ela estava sentada na cama olhando tudo em volta.

— Por que eu tenho a impressão que nada aqui combina com você? – questionou assim que me viu – Sabe, você é o próprio Lúcifer manifestado. Estava esperando coisas que refletissem mais isso da sua personalidade. Mas é tudo tão cinza e monótono. Cinza é a cor do inferno?

— Vou assumir que isso foi uma pergunta retórica – falei me aproximando dela e a segurando pela mão – Vem, você precisa de um banho. Está um pouco alegre demais.

— Que safado. Você só quer me ver pelada que eu sei. Não tem vergonha de se aproveitar de uma jovem alegre e inocente?

—Eu sempre quero te ver sem roupa, Isabella – respondi sério vendo ela fazer uma careta – Mas vou deixar você tomar banho sozinha. Vou tomar banho o outro banheiro e vou ver algo pra você comer.

— Eu não quero comer. Como tanto salgadinho na festa que se você apertar minha barriga eu vomito em você.

— Ok, então eu vou só te deixar tomar banho.

A deixei sozinha no quarto e fui ao banheiro social tomar um banho e tirar essa fantasia ridícula. Por mais que eu realmente quisesse fazer algo com ela, ela não estava 100% sóbria e eu estava pois não bebi, então não acho justo, sentiria como se estivesse me aproveitando dela.

Esperei impaciente um tempo considerável até que eu concluísse que já deu tempo de ela terminar seu banho e eu poder manter meu auto controle para não pular nela como um louco. Era bom manter um pouco do meu controle.

— Puta que pariu – exclamei assim que entrei no quarto e a vi.

Ela estava com o cabelo molhado e vestia uma das minhas camisas sociais. A camisa era branca, não tinha todos seus botões abotoados, as mangas ficavam maior que seus braços e ia só até metade de suas coxas.

— Eu não tenho roupa e não quis vestir minha fantasia de novo – explicou – E como fui obrigada a ser uma das três espiãs demais, tive que abrir mão da roupa íntima porque se a calcinha entrasse na minha bunda, eu não ia ter como tirar e ela marcava o sutiã, então por isso eu estou sem roupa debaixo da blusa, então não olha pra minha bunda tá bom?

Eu não queria, mas assim que ela mencionou estar sem roupa íntima, meus olhos recaíram para seus seios onde pude ver que eles marcavam a blusa e talvez devido a ela ainda estar molhada e ao frio, seus mamilos estavam rijos sob o fino tecido da blusa. Respirei fundo tentando manter meu controle. Eu com certeza ia olhar muito pra bunda dela e pra onde mais minha vista alcançasse.

— Você tem uma varanda tão grande no quarto. Que inveja – ela praticamente saiu correndo se inclinando sobre o parapeito da varanda.

Isso só fez com que sua bunda realmente ficasse exposta e eu olhasse. Tive que balançar a cabeça para afastar todos os pensamentos impuros que me vieram à mente pois todos envolviam ela sem roupa e nós dois fodendo nessa varanda até suas pernas ficarem fracas.

Também não me preocupei com ela estar inclinada no parapeito pois minha varanda tem tela de proteção, algo que eu mandei colocar apenas quando Nat veio morar comigo novamente.

— Ei, vai com calma, não precisa tentar se jogar dai – falei a segurando pela cintura e afastando um pouco já que ela tentava olhar para o chão vendo “o quão alto nós estávamos”.

Tá bom. Mesmo com a tela de proteção, eu me preocupei sim. Me sentei no sofá que tinha na varanda da puxei para sentar em meu colo. Ela não mostrou resistência quanto a isso me permiti abraçá-la pela cintura e apoiar-me-ia queixo em seu ombro. Achei que fôssemos ficar em silêncio pois eu sinceramente não sabia o que falar, mas Bella parecia não goste do silêncio e começou a falar. Não percebi como ou quando, mas já estávamos falando dos seus planos, mesmo que ela insistisse em os manter apenas em sua mente.

— Eu não sei – ela dizia olhando para o movimento da rua pela varanda – Eu meio que sempre gostei do estilo francês, sabe? Lembro que uma vez, quando eu era pequena assisti com minha mãe um filme e eles mostraram um bistrô francês. Eu fiquei tão encantada pelo lugar. Acho que eu queria não era nem exatamente uma confeitaria e sim um lugarzinho aconchegante, tipo um bistrô francês do século XX.

— Eu acho que esse é exatamente o tipo de lugar que falta em Seattle – incentivei – Por que não investe nisso?

— Ah é gênio? E como eu faria isso? Eu nunca estive na França e nem sei como é um autêntico bistrô francês. Ia sair um negócio fake e americanizado demais. Seria um fracasso.

— Eu acho que seria uma ideia autêntica. Você é caprichosa e faz as coisas com eficiência. O resultado seria excelente, tenho certeza. Já pensou em como seria o nome?

—Não – respondeu, mas como vi que suas bochechas estavam coradas, sabia que estava mentindo.

— Sua mentirosa – acusei – Qual seria o nome?

— Promete que não vai rir?

— Eu provavelmente vou rir pra caralho – ela me deu uma cotovelada – Aí porra. Isso dói.

— Bem feito.

— Não me enrola. Qual seria o nome?

Confiserie rose blanche— disse com a voz tão baixa que eu não ouvi.

— Isso significa ‘confeitaria Rosa branca’ – franzi o cenho confuso.

— Como pode ver, eu não sou a pessoa mais criativa do mundo – sorriu sem graça – Pensei nesse nome quando eu era menor e acabei me afeiçoando ao nome. Quem fala inglês só vai achar o nome bonito, o problema é quem fala o idioma... tipo você. Almofadinha.

Não pude conter um riso ao ver que suas bochechas estavam coradas e que apesar da timidez por falar sobre um sonho antigo, ela tinha um brilho no olhar que poderia iluminar uma cidade inteira ao falar sobre isso.

— Não sei se serve de consolo, mas o nome apesar de não ser la de grande originalidade, é bonito – ela revirou os olhos entediada – Sério, eu já posso até imaginar o local pintado em tons de rosa pastel e algumas rosas brancas decorando as mesas... O que? – perguntei ao ver que sua boca estava aberta e seus olhos arregalados em surpresa.

— Foi o que eu pensei pra decoração, tons pastéis e rosas brancas como centro de mesa.

— Hum... então parece que é verdade o que dizem sobre mentes brilhantes pensarem iguais – pisquei pra ela que em uma atitude muito madura...me mostrou a língua.

— Bom, vamos mudar de assunto porque eu não quero falar sobre isso porque me dá esperanças e não quero pensar nisso agora – pediu descansando a cabeça em meu ombro – Vamos falar sobre o sol.

— O sol? – repeti irônico – O que porra tem o sol?

— Não sei. Eu gosto do sol. Outubro vai chegando ao fim, novembro vai começando e o clima em Washington vai esfriando. Eu não gosto do frio. Eu gosto do calor, gosto do dia ensolarado, gosto de sentir o suor escorrendo por minha pele...

— Eu posso te ajudar com relação ao suor escorrendo por sua pele – disse sugestivo e ganhei um beliscão no braço como resposta – Aí, você tem que parar de ser agressiva.

— Então para de falar besteira e cortar o momento que tá agradável.

—Grossa.

Ela continuou falando sobre como gostava de dias ensolarados e enquanto eu acariciava sua coxa desnuda, fiquei pensando sobre ela gostar do sol. Talvez eu pudesse fazer algo em relação a isso... quem sabe?! Acho que meu próximo final de semana está livre...

Quando Bella começou a sentir frio, fomos para o quarto e ficamos deitados em minha cama. Foi impossível não rir quando ela invadiu minha gaveta de meias pegando um par e pondo-as em seus pés para logo em seguida se enfiar debaixo do edredom. Ela realmente não gostava do frio.

Eu não conseguia manter minhas mãos apenas para mim, eu tinha que pegar nela, estávamos deitamos um de frente para o outro e embora ela estivesse toda empacotada, eu segurava uma de suas mãos por baixo do lençol e com a mão livre tocava seu rosto em uma carícia suave. De vez em quando beijava seu rosto também... não conseguia evitar.

Ficamos ainda conversando sobre muitas coisas, inclusive sobre o fato de ela ter enviado sem querer o convite para Tanya para a festa de halloween da empresa.

Ela não disse o motivo no qual cometeu o erro de enviar por engano, estranhei pois ela não é de fazer algo assim. Sempre confere os destinatários das correspondências e verifica esse tipo de coisa.

—Não seja absurda, não vou te brigar por isso – falei quando ela pediu para que eu não brigasse com ela por Tanya ter aparecido na festa.

Claro que eu não estava contente com a presença dela. Para mim, ter Tanya perto sempre era sinônimo de ela levar minha filha para longe, mas também não faria um escândalo por ela estar aqui.

— Tem certeza? Porque você é meu chefe, pode fazer isso, sabe disso né?!

— Bella, agora, nesse momento, eu não sou seu chefe – falei,

— E é o que?

Essa é uma boa pergunta e gostaria muito que você a respondesse.

— Edward – respondi simplesmente – Agora eu sou apenas o Edward.

— Eu nem estou bêbeda, mas amanhã eu com certeza vou culpar a bebida, mas sabe que tá bem agradável ficar aqui deitada com você? – falou em meio a um bocejo.

— Vou tomar isso como um elogio. Obrigado.

— Para descer convencido – riu – Vou falar outra coisa.

— Estou ouvindo – a incentivei a falar.

— Eu estou muito confusa agora. Tipo, eu estou confusa pra caramba – admitiu com a voz baixa, quase como se estivesse assustada.

—Confusa sobre o que? – perguntei sentindo meu coração acelerar em expectativa por sua resposta.

— Só... confusa. Estava conversando com a Nat. Ela me fez perceber que eu tenho que assistir alguns filmes pra entender melhor algumas coisas...

— Você está confusa sobre quais filmes escolher pra assistir?

— Não, os filmes eu já tenho selecionado pra fazer maratona. O motivo no qual eu estou confusa é que são a razão pra eu precisar assistir esses filmes – explicou e agora quem estava confuso era eu.

— Hã?

— Só deixa pra lá – revirou os olhos – Tudo que você precisa saber é que eu estou confusa, assustada e com muito sono.

— Já que pelo visto você se recusa a me falar o motivo dos dois primeiros, pelo menos com o sono eu posso ajudar – peguei o controle ao lado da cama e apertei no botão desligando a luz – Melhor assim?

— Sim – afirmou – Edward?

— Hun?

— O que você vai pedir por ter ganhado a aposta?

Por um momento, considerei em falar com ela, mas sabia que agora não era o momento certo pra isso.

— Quando chegar a hora certa eu reivindico meu prêmio – respondi aproximando seu corpo do meu e a abraçando pela cintura vendo que ela não demonstrava nenhuma resistência quanto a isso.

— E quando vai ser a hora certa?

— Infelizmente minha bola de cristal quebrou e eu não tenho como saber essa resposta – respondi com uma de suas respostas que em muitas ocasiões ela já usou comigo ela ouvi bufar irritada me fazendo rir – Essa resposta é irritante pra caralho né?!

— Vai à merda Edward – falou mau humorada – Tenha uma péssima noite.

Era impressionante como perto dela eu não conseguia me controlar e sempre acabava rindo. Não sei, algo em seu jeito descarado, petulante e atrevido era algo que me atraía nela. Ela era quem era e apenas isso. Isso me fascinava e a forma como ela não tinha medo de ser quem era independentemente da situação ou de com quem conversava era sua melhor qualidade e maior charme. Quis responder “também gosto de você”, mas ao invés disso, minha resposta foi simplesmente um:

— Boa noite pra você também, Bella.

Notas finais
Aaaa parece que temos alguém bem apaixonadinho né?! Por isso que dizem 'cuidado com quem você conta seus planos'. Jacob foi falar pro Edward e só se ferrou, tudo que eu amei, rsrsrsrs. Nat dando um tapa na cara de realidade na Bella e fazendo ela ver que sente alguma coisa pelo Edward foi tudo pra mim. Eu amo uma personagem ♥ Gente, eu só volto pra casa dia 30 então é quando vai regularizar as postagens, rsrsrsrs. Não me abandonem, juro que vou tentar postar mais um capítulo segunda, espero conseguir, rsrsrs. Aaaa, gente, pra quem mora no RJ, olha, força guerreiros pois não sei como vocês estão aguentando essa situação da água. Estou aqui há 3 dias e já quero ir embora pois não sei como está na casa e vocês, mas aqui onde eu fiquei a água tá com cheiro de terra e eu já deixei um rim por aqui pra pagar a quantidade de água mineral que eu tive que comprar. Então... forças pra vocês. Aaaa outra pergunta... por que vocês do sudeste não põem sal na comida de vocês? rsrsrsrs. brincadeiras a parte. Enfim é isso, espero que tenham gostado do capítulo, comentem e digam o que acharam ♥ Vejo vocês no próximo ♥ 23.01.2020