O brilho dos seus Olhos
2 Capitulo 1
Notas iniciais
Capitulo 1
O despertado toca me puxando pra realidade, relutante eu abro os olhos estou novamente com aquela sensação de vazio. Ao lado da cama uma foto da família repousa, com rostos felizes de tempos distantes.Com um suspiro resignado me levanto cruzo a porta do quarto a anos fechado. Quando a saudade fica insuportável e a minha mão encontra a maçaneta ,o covarde que há em mim me leva pra longe. Se um dia tiver coragem de abrir aquela porta outra vez, o pensamento de rever o que há depois daquela porta me quebraria. No banheiro olho para o meu reflexo e não pareço tão ruim, parte da mascara que criei para acalmar amigos e familiares. Um mês de luto é normal, seis meses razoável, mas quando anos se passam e você ainda parece quebrado ,todos ao seu redor parecem não compreender e acabam por se afastar. Ninguém gosta de estar perto de uma pessoa constantemente triste, com tempo fiquei ótimo em mascarar e aprisionar minha dor ao ponto de não ser mais incomodo. Agora a única marca externa de tudo é a cicatriz que carrego no antebraço direito.Com a família forço sorrisos o máximo que eu posso. Mas a minha mãe sabe melhor que isso, e sempre que me vê sussurra no meu ouvido que um dia a dor passaria. Algumas vezes torço pra que ele esteja certa, outras penso que se a dor é a única maneira de me ligar a eles, que eu sofra pelo resto dos meus dias. Há dias em que eu realmente me sinto melhor e há dias como hoje. Aniversário de morte do Thomas. Depois de um longo banho pego um jeans e camiseta me visto em direção ao Rose´s ,a melhor floricultura da cidade, pelo menos era isso que dizia o slogan. Saio de lá carregando um buque de rosas amarelas e um de brancas. O sol ainda estava frio quando eu entrei o cemitério. Dando uma sensação gélida onde repousava minha família. Sentei , as rosas amarelas preferida da Daiane foram colocadas em frente a sua lápide e as brancas na do meu anjinho. Durante duas horas eu converso com a minha família banalidades sobre a minha vida, fingindo que debaixo daquela terra ainda há alguma parte deles. Ao sair dali fui ao bar do meu melhor amigo, comemorar. Afinal de contas aquilo era um aniversário. Dois anos desde o dia que eu comecei a matar a minha família. O meu lugar cativo no bar estava a minha espera .Joaquim meu melhor amigo serviu uma dose de tequila e ao meu pedido deixou a garrafa. Algum tempo se passou do momento em que eu tomei a primeira dose ao que a garrafa estava vazia. Poderia ter sido duas horas, uma,trinta minutos pra ser franco eu estava começando a ficar craque em acabar com uma garrafa. Fiz sinal para que o garçom trouxesse a próxima mas Joaquim decidiu que não ia mais me deixar beber.
—Me deixa em paz, Joca. Exclamei
— Eu não vou deixar acontecer o que aconteceu ano passado, eu vou ligar pra Sophia.
—Não, eu não quero ver ela, eu vou embora.
—Você não vai sair desse jeito, você vai esperar a Sophia.
O Tempo passa e o álcool começa a sair do meu sistema, me dando uma terrível enxaqueca, Eu encosto a minha cabeça sobre o balcão do bar e é assim que a Sophia me encontra quando chega. Ela sorri, ela sempre sorri quando me encontra não importa o quê. Ela senta na cadeira ao meu lado,me olha da cabeça aos pés ,seu sorriso desaparece e eu sei que vou levar uma bronca da Diretora Castilho.
—Quando voltarei o garoto alegre e divertido que eu conheci?
— Ele morreu junto com eles.
— Ela era minha amiga Benjamin, e eu sei que ela não ia quere te ver nesse estado.
— O que você quer que eu faça? Que eu continue fingindo estar tudo bem?
— Não, eu quero que você realmente fique bem. Eu quero que você lute, eu não quero que você desista de viver.
—Por que você não desistiu de mim?
—Por que... ela hesita. – Por que eu sou sua amiga e não quero ver você se destruir, estáa na hora de levantar a cabeça.
Ambos ficamos em silêncio
—Eu quero voltar a trabalhar. Digo em voz baixa
—Você não pode voltar desse jeito. Me prove que está tentando e eu te dou teu emprego de volta.
—Como?
—Isso cabe a você descobrir!
Ela levanta indicando que a conversa acabou e nós seguimos para o carro. Eu paro na porta, e resolvo que eu já sei como começar.
—Eu acho que eu vou andando, eu preciso organizar as coisas na minha cabeça.
—Você tem certeza?. Ela me olha desconfiada
—Tenho. Eu sorrio tentando convencê-la
— Você sabe que eu te conheço não é, e que essa sua cara não engana ninguém.
—Eu não vou voltar a beber, Sophie.
—Eu espero que não.
— Eu falo sério.
—Eu também.
Um pensamento me ocorre
—Você acha que ela me amava? Questiono
—Como assim?
—No final, Você acha que ela ainda me amava?
—Nunca questione o amor que ela sentia por você.
— È so que, os olhos dela ficam aparecendo na minha cabeça e ela não conseguia olhar pra mim.
—Ela tinha perdido um filho ben , ela não souber como lidar. Mas eu não tenho duvida de que ela te amava.
Confirmo, sem convicção e começo a andar. Eu vago pelas ruas agora totalmente sóbrio, criando coragem para fazer o que eu tinha que fazer. Chego em casa no final da tarde , e antes que eu perca a coragem eu vou em direção a porta, respiro fundo e abro. Acendo o abajur de ursinho e percebo que eu nunca ia ficar pronto pra esse momento. Diversas figuras de animais cobriam as paredes, bichos de pelúcia cobriam o quarto. Meus olhos focalizam em uma foto posicionada na pequena cômoda. Eu pego e meu coração parece falhar, na foto ele dava uma gargalhada enquanto eu o fazia cócegas. Eu sempre amei essa foto, era aquele tipo de foto que não se conseguia duas vezes. E pela primeira vez em dois anos eu me permito chorar. Eu quebro, com a lembrança da primeira vez que o ouvir dizer “papai’’ . Eu vim resignado a desmontar completamente esse quarto, doaria suas roupas , cobriria as pinturas da parede. Mas e se eu esquecesse? E se eu não conseguisse mais lembrar do seu cheiro, e se a memoria das suas risadas desaparecerem.Com o quarto eu tinha lembranças, eu tinha provas físicas. De que o Thomas viveu.De que eu havia sido pai dele. Como eu nunca poderia ser novamente. È abraçado a foto do meu filho que eu prometo lutar, e viver pra honra-lo.
Fale com o autor