O assassino da Caneta de Pena
2 Passado obscuro
Seus sapatos ribombavam no piso de madeira de lei, fazendo com que o zumbido em sua cabeça aumenta-se de forma alarmante, “ porque eu tinha que vir ao trabalho hoje”, uma reclamação sem sentido, de um Investigador em ressaca, pois alem do mais, era segunda feira.
Mesmo sendo cinco horas da manha, o transito de pessoas com pilhas imensas no quartel da Interpol não diminuiu, em realidade, aumentou; o que, mesmo para um grupo muito dedicado de pessoas era surpreendente, não que o Investigador chefe, fosse uma delas.
Seu nome era Roger Rupern, e como de costume, estava em seu velho e surrado sobretudo , com todas as manchas de café e rasgos mais evidentes do que de costume, “ talvez seja a falta do que fazer na segunda, isso isso” ribombou em sua mente essas palavras, enquanto se encaminhava a sua sala, como sempre, com sua companheira: a velha e surrada caneca de café, com suas letras gastas de tanto que já foi usada, mas mesmo assim, ainda tendo sua frase visível: The Best Daddy!!!!
“Hoje fazem três anos” divagou enquanto se encaminhava para sua sala, “ como o tempo passa rápido” cada vez que esses ecos do passado apareciam, aumentavam cada vez mais a crônica depressão do possuidor de tais informações; quando meso esperava, já tinha atravessado todo o caminho até sua sala, e nesse momento notou, não pela primeira vez, que era hora de voltar a realidade. “Spruffff!!!”, ouviu Roger, já formando uma idéia de quem estaria em seu gabinete, nisso enquanto imaginava quem seria essa pessoa, bruscamente abriu a porta:
- Chubs! Eu já não disse para não mexer nas minhas coisas?? – indagou furiosamente, ao mesmo tempo, procurando pelo atarracado, secretario trapalhão. Por fim, distinguiu uma característica careca despontando de um dos cantos da mesa, como se tentando se esconder:
- Eu já te vi! Saia logo daí, senão juro que te coloco para limpar os banheiros da sede! E acredite quando falo que não são os banheiros dos agentes! – pego de surpresa como foi, resolveu por fim se revelar, em tal vestimenta que por um ínfimo segundo, até o detetive ficou sem palavras.
“ detesto esses filinhos de papai que vivem aparecendo “, com um leve pigarro, foi desperto de seu estado momentâneo de torpor, e se focou na imagem de seu atrapalhado secretario, que por sua vez parecia impaciente para revelar algo:
- Fale logo! – resmungou o agente, entre um gole e outro de café, fazendo pouco caso do assunto que viria a ser discutido, porem logo reconsiderou ao ver a face de desespero que apresentava, seu não tão humilde, servente:
- Senhor! Ele atacou novamente!- essas palavras foram mais que suficientes para despertar Roger de seu estado de letargia matinal:
- POR QUE NÃO ME FALOU ANTES ! – berrou o detetive enfurecido.
“Ele” pensou com ódio, “finalmente você resolveu mostrar as caras novamente”. A amargura do que sucedeu anos antes voltou com extrema força, fazendo com que o rosto de Roger se contrai-se de dor e pesar. “safado, sem matar por mais de 5 anos, e recomeça logo agora?” enquanto as palavras reverberavam em sua mente, e a xícara de café fumegante queimava sua mão, tirou um breve momento, para voltar ao passado de suas memórias:
Era sexta feira, o ultimo dia de vigia no período da manhã que teria que cumprir, ele e seus amigos relaxavam e provocavam uns aos outros, enquanto viam o começo das atividades matinais se suceder na pequena viela onde se situava a entrada de veículos da delegacia:
- Caras, não vejo a hora dessa porra de serviço matinal terminar! – reclamava impaciente, como de costume, Roger, com seu típico olhar brincalhão e sonolento; enquanto se espreguiçava.
- Humpf! – indignação era um sentimento comum em Conor, sempre de mal humor e principalmente, brigado com a sogra ( que para sua infelicidade, morava com ele e sua mulher), “um homem azarado, certamente” tomas olhava com um olhar de misericórdia para o amigo enquanto via o detetive chefe entrar pelo portão, com seu típico sobretudo bege, “igual ao do homes” dizia ele, orgulhoso de se chamar de grande detetive, mesmo não podendo correr atrás dos bandidos na pratica, tendo como empecilho sua pequena montanha particular, que seria sua poupança descomunal – se vive se gabando, isso sim, só porque o detetive vai com sua cara – neste momento, Erik avista a chegada do dito cujo:
- E falando no diabo – proferiu enquanto via a lenta e trôpega caminhada de seu pomposo, e um pouco bêbado, chefe – bom, mudando de assunto... Como vai aquela sua esposa? – seu sorriso ficava cada vez maior, como o de um bêbado que acabou de se dar bem com uma prostituta qualquer, o que deu a Roger, um leve, porem evidente acesso de náuseas – sabe, se não cuidar bem dela, alguém pode tirá-la de você – e Erik ria de forma descontrolado enquanto objetos voavam em sua direção, só para acertarem o nada.
Antes mesmo de soar o alarme, era evidente que algo não corria como devia com todos esses agentes correndo de um lugar a outro, desesperados e com os rostos em um tom avermelhado e ao mesmo tempo eufórico, mas não era uma euforia propriamente dita, era algo... mais similar como o desespero:
- Meu deus! Meu deus! Ele atacou novamente
- Horrível! Macabro!
- Que degenerado faria algo assim! – o turbilhão de informações que percorriam o quartel, somado ao berrante alarme, uma perfeita pintura de caos se formava perante aos olhos de um observador.
- Hey amigo! Que esta acontecendo? Porque to alvoroço? – uma pergunta tão ingênua a inocente que o agente teve que conter um riso de desgosto ao perceber que se tratava de um simples e jovem cadete.
- Meu Jesus! Como as pessoas dessa nova geração são desinformadas! – repreensões, por mais que bem intencionadas, não eram uma coisa apreciada por Roger – ELE, atacou novamente. Aquele assassino doentio deu as caras novamente.
O medo inundou seu coração, forçando ele a recuar um passo do homem que estava a sua frente, com receio de que suas palavras desencadeassem algum mal, mesmo só por serem proferidas. Depois que o investigador se foi, e Roger consegui se acalmar, se esgueirou e se misturou com o primeiro grupo de registros de assassinatos que encontrou, seguindo a massa para o local do então famigerado ato. Realmente Londres estava linda, alem do mais, eram já os dias antecedentes ao natal. Com o passar do tempo, Roger começou a notar uma agitação na rua, como de um formigueiro que acaba de perder sua rainha. A cada passo que dava, mesmo com as intermináveis cotoveladas que recebia, continuou seguindo adiante, aprofundando-se cada vez mais na massa de pessoas ao redor de um estreito beco.
Só o cheiro de café tostado fora o suficiente para denunciar o local como sendo a cena do crime. “Raposas velhas, devo admitir que esse é um truque que vocês realmente foram expertos ao criar”, como dito, era somente um truque, um dos velhos, porem eficiente. Queimar grãos de café para sumir com o cheiro de morte. Aos poucos, começou a perder o controle de seus movimentos, sendo arrastado com a multidão que se aglomerava atrás da faixa de isolamento. Seu coração deu um solavanco. Estava com a atenção completamente focada no crime que nem notara onde estava. Esta era sua rua, a rua onde morava.
Um pequeno aglomerado de casas compunha o quarteirão oposto a cena do crime, e logo em frente, se alguém caminhasse do beco em linha reta, iria dar de cara com a porta de um simples chalé, que mal poderia abrigar duas pessoas. Mesmo sendo tão pequeno, ainda assim, era estranhamente pitoresco; com sua estrutura de madeira e concreto, paredes de um vermelho vivo, que lembravam muito os temperos indianos, mesmo estando rachadas em alguns pontos, e existirem claros sinais de infiltração, não deixava de parecer aconchegante.
A cada passo que o aproximava do funesto local, ficava com mais e mais receio de seu pior temor, ter se tornado realidade. Com o coração saltando de seu peito, como um cavalo a galope, fugindo do estábulo em chamas, levantou a vista e fez um tremendo esforço para conseguir ver na penumbra, dois detetives cobriam o corpo, era só uma prostituta. Estava para se virar e ir embora, quando um movimento captou sua atenção, se aproximou mais do beco, para ter certeza do que vira, mas ao chegar mais perto, concluiu que deveria ser só sua imaginação, ‘não tem como uma pessoa não autorizada entrar aqui’, sem que notasse, alguém pusera uma mão em seu ombro, e esse alguém não era ninguém menos que seu chefe, o detetive chefe:
- Bom companheiro! Estou surpreso de ver você aqui! – franziu o cenho, enquanto maquinava algo em sua mente, o que Roger, mesmo não sabendo o que deveria ser, tinha certeza que iria odiar – então, já que está aqui, porque não se junta a nós? – seu tom autoritário deixava claro que não tinha escolha, a pergunta era uma mera cortesia, assim como seu rosto sorridente e despreocupado – é como eu sempre digo, só se aprende praticando, ainda mais em uma situação real!
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