Notas iniciais
Oi pessoal! Desculpem a demora, espero que gostem.

Semanas depois...

O restante da semana passou relativamente tranqüilo. Quanto mais me concentrava no colégio e em meu trabalho, menos tempo tinha para me meter em confusões.

Minha mãe estava se mantendo focada em suas reuniões dos Alcoólicos Anônimos e até um pouco animada demais para meu gosto. Reparei nisto enquanto ela se arrumava para sair no domingo.

— Está bonita. – Comentei, enquanto tomava meu café da manhã. Era domingo de manhã e eu teria uma longa jornada de trabalho logo mais.

— Obrigada filha, vou para reunião e depois vou almoçar fora. – Mamãe comentou e eu olhei desconfiada. – Quer carona? – Ela emendou tentando mudar de assunto.

— Quero sim, vou escovar meus dentes. – Respondi animada.

Mamãe nunca me oferecia carona e eu não via motivos para me preocupar com seu novo “namoradinho” desde que ela estivesse bem e se mantivesse sóbria por mim estava tudo bem.

No carro não conversamos muito, ainda era bem cedo 06h30min e havia poucas pessoas abrindo os comércios nas ruas.

Domingo era um dia bom na lanchonete, os clientes gostavam de aproveitar sua folga para tomar café da manhã e almoçar conosco. Entrei pelas portas do fundo e cumprimentei Billy, fui direto para o vestiário e entrei sem bater como de costume, apenas eu o usava.

Infelizmente (ou felizmente), naquela manhã ombros largos e bem definidos estavam de fora, deixando uma enorme tatuagem em forma de duas asas à vista.

— Desculpe. – Digo corando e virando-me de costas para o intruso. Ele estava usando apenas um jeans preto e colocando a blusa do uniforme.

— Sem problemas colega. – Retruca e posso perceber o sorriso em sua voz.

— Derek? Você é o novo funcionário? – perguntei ainda sem me virar, sorrindo também igual uma tonta.

— Sim, começo hoje. – Ele diz aproximando-se de mim. – Pode entrar, já estou de saída. – Emenda e vai embora para o balcão.

Nas últimas semanas tivemos pouco contato, tanto Derek e Patrick pareciam estar me evitando. Após apresentarmos nosso trabalho de biologia, minha relação com Derek se resumia apenas aos cumprimentos educados pela manhã. Patrick mudava até de lado nos corredores ao me ver, o que sinceramente para mim era um alivio.

A senhora Jones havia me dito que pretendia contratar alguém para me ajudar aos fins de semana, mas nunca imaginei que o filho do prefeito seria o escolhido, ele não precisava disto.

Terminei de me trocar e me encaminhei para o balcão, onde a senhora Jones dava as instruções sobre ao atendimento ao novato e Billy abria as portas.

Limpei rapidamente as mesas, para retirar a poeira da noite anterior. Podia sentir o olhar de Derek em mim, mas iria evitá-lo assim como ele vinha fazendo comigo nas ultimas semanas.

O dia foi bem agitado, como sempre era nos fins de semana. Derek confundiu alguns pedidos e derrubou alguns copos, mas pegou bem rápido o trabalho e estava se saindo bem.

Ocasionalmente nos esbarrávamos levemente, pois não havia muito espaço para circulação, e quando sua pele tocava na minha, tinha a estranha sensação de estar tomando um choque bem leve.

No fim do dia estávamos todos exaustos, felizmente aos domingos fechávamos às 18h30min, e podia aproveitar o restante da noite para deitar no sofá e assistir uma de minhas séries. Depois de limparmos tudo, troquei de roupa, me despedi de todos e fui embora.

Ao contrário do que pensei, ficar o dia todo ao lado de Derek foi surpreendentemente tranqüilo. Eu podia ignorá-lo, afinal não tínhamos nada em comum mesmo. Sua estranha amizade parecia ter terminado tão depressa quanto começou.

No dia seguinte...

Segunda feira era sempre o melhor e pior dia ao mesmo tempo para mim. Ruim porque teria de ir à aula, bom porque era minha folga. Depois do colégio iria fazer minha prova teórica na auto-escola, se tudo desce certo poderia começar a treinar direção, só precisaria convencer minha mãe a ser minha tutora.

Por falar nela, não havia dormido em casa, coisa que habitualmente fazia após beber, torci para que eu estivesse errada quanto a isto desta vez.

No colégio todos pareciam animados com a chegada do baile de primavera, eu, no entanto só havia ido há um baile e com Max de companhia, nem preciso dizer que foi um desastre aquela noite e no que dependesse de mim nunca mais iria se repetir.

No intervalo, fui ao refeitório em busca de algo doce para comer. Como não tinha amigas e raramente estava em companhia de alguém, todos costumavam me tratar como se fosse invisível e com o tempo passei a gostar disto.

Porém aquele dia em meu caminho, alguém estava me esperando.

— Oi Anna. – Patrick disse, sorrindo amável para mim. Ele nunca sorria para mim, NUNCA, então fiquei parada encarando ele de boca aberta como uma idiota. – Gostaria de te perguntar uma coisa... – ele emendou, vendo que não ia retribuir seu cumprimento.

— Pode falar. – murmurei.

— Você tem par para o baile? – Ele perguntou ainda sorrindo. Escancarei minha boca em choque novamente, por que isso interessaria á ele afinal?

— Porque quer saber? – Foi o que respondi. Esse metido a inteligente só podia estar preparando alguma armadilha para mim.

— Bom eu estive pensando que nos poderíamos ir juntos. – Ele respondeu.

— E sua namorada? – perguntei desconfiada.

Por cima do ombro de Patrick, olhos azuis que reconheci imediatamente me encaravam do fim do corredor em que estávamos.

— Estamos dando um tempo. – Patrick respondeu. Eu parei de encarar os olhos de Derek e voltei minha atenção para Patrick.

— Não sei se é uma boa idéia, sei como Joyce é e sei que ela pode fazer da minha vida um inferno. – Respondi. Sabia que garotos com ex-namoradas como aquela garota só traziam problemas.

Derek começou a caminhar em nossa direção, mesmo distante, parecia poder ouvir toda a nossa conversa.

— Eu posso te proteger... – Patrick começou a dizer, mas fomos interrompidos por Derek que se aproximou de mim e colocou um de seus braços sobre meu ombro.

— Oi pessoal, estou interrompendo? – Ele perguntou com um sorriso cínico.

— Sim! – Patrick respondeu ríspido, o sorriso sumindo de seu rosto.

— Que pena, mas quero aproveitar o intervalo com a minha garota. – Derek retrucou com o mesmo sorriso no rosto. Agora eu o olhava em choque, como assim “minha garota”? – Vamos Anna. – Ele emendou e foi andando me puxando pela mão para o refeitório.

Nem preciso dizer que quando chegamos lá juntos e de mãos dadas, todos nos encararam como se fossemos de outro planeta.

Tentei soltar minha mão e sair dali, mas Derek a segurou com firmeza. Fomos juntos até o balcão comprar nosso lanche. Ele pediu um almoço completo, enquanto eu só quis um pudim.

— Vai comer só isso? – Ele perguntou em tom de reprimenda assim que nos sentamos frente a frente.

— Não estou com muito apetite. – Respondi com sinceridade. Estava ansiosa para minha prova e não iria arriscar comer muito e passar mal.

— E como vai aquentar trabalhar só com isso no estomago? – Ele perguntou enquanto comia seu almoço.

— Estou de folga hoje. – Respondi, comendo meu pudim, sem encará-lo.

Ficamos em silêncio por alguns minutos e tudo o que eu conseguia pensar era em como esse garoto era instável. Ele tentava deliberadamente me ignorar, mas estava sempre por perto para se intrometer nos meus assuntos. Eu era grata por tudo que Derek havia feito por mim, mas seu comportamento me deixava bem frustrada.

— Em que está pensando? – Ele perguntou, tirando-me de meu devaneio.

— Nada de especial, só em como você é esquisito. – Digo sarcástica.

Derek solta uma risada alta e chama ainda mais atenção para nos, fazendo-me corar. Eu levanto-me para sair, e ele levanta-se também. Seu prato estava vazio, ele comia bem rápido pelo visto.

Enquanto caminho pelo corredor eu posso sentir seu olhar em minha nuca. Entro no banheiro feminino e fico aliviada por saber que ele não irá atrás de mim ali.

Faço minhas necessidades com calma e escuto uma movimentação no banheiro. Dentro da cabine, por uma fresta as vejo. A última pessoa que eu precisava ver agora estava ali.

— Ele volta, precisa de você. – Sara, uma das cobras populares dizia com sua voz esganiçada.

— Dessa vez é diferente, Derek e ele não se entendem mais. – Joyce choramingou com a amiga.

— Seu irmão está mesmo mudado. – Sara comentou com desprezo.

— Estão com remorso desde o que aconteceu com Tomas. – Joyce comenta.

Elas saíram juntas do banheiro e me deixaram ainda mais confusa com aquela conversa. Remorso por Tomas? Só podia ser Tomas Hacklin, o garoto que havia desaparecido a alguns meses da cidade.

Mas o que Derek tinha haver com isso?

Notas finais
Quanto mistério, afinal quais segredos Derek e seus amigos escondem? Até a próxima!