O amor é um mistério
10 Capítulo 9
Notas iniciais
— Mãe, por favor! – Continuava implorando. – Eu já passei na prova, preciso aprender a dirigir.
— Eu sei Anna, mas nossos horários são incompatíveis, e não quero sair a está hora da noite, é perigoso. – Ela explicou pela milésima vez.
Estava agindo como uma garotinha mimada eu sabia, mas queria muito aprender. Ter minha habilitação era um sinal claro de independência. Mas mamãe tinha razão, sexta feira, quase meia noite, não era o horário ideal para isso.
Desisti de convencê-la e fui para o meu quarto descansar. Joguei-me em minha cama e bufei tamanho era minha frustração.
No dia seguinte, como era sábado, eu havia decidido acordar bem mais tarde. Iria trabalhar de 14h00min às 22h30min e confesso que estava um pouco ansiosa por saber que Derek estaria lá. Desde o episódio em que ele havia me chamado de “minha garota” não havíamos conversado mais.
Almocei sozinha, minha mãe estava trabalhando hoje, depois fui trabalhar. Derek não havia chegado ainda, o movimento pós-almoço estava tranqüilo, então pude pegar meus cadernos e sentar-me junto ao balcão para fazer alguns exercícios de geografia.
Eu o senti, antes mesmo de vê-lo. Pelo canto do olho, eu o vi caminhar direto para mim, agora não havia nenhum cliente. Senhora Jones estava no escritório e Billy havia saído para comprar alguns condimentos.
— Boa Tarde Anna. – Derek me cumprimentou, olhando por cima de meu ombro o caderno em minhas mãos. – Adiantando o dever de casa? – perguntou.
— Oi. – Cumprimento. – Sim, aproveitando agora, pois no fim da tarde isso aqui sempre lota. – Explico.
— Não sei como consegue fazer tudo assim tão bem. – Ele comenta, puxando um banco e sentando ao meu lado.
— Como assim?- pergunto finalmente erguendo meu olhar para ele.
— Escola e trabalho, você manda bem nos dois. – Ele explica.
— Em compensação não tenho amigos e passo pouco tempo com a minha mãe. – Digo sincera, voltando a me concentrar em meu caderno.
— Não parece triste com isso. – Ele comenta pensativo.
— E não estou. Amigos dão trabalho para se manter e minha mãe com todos os problemas que tinha dava muito trabalho também. – Digo, era incrível como me tornava um livro aberto para este garoto. Ficamos em silêncio, ele encarou as janelas a nossa frente e eu continuei a escrever em meu caderno.
— Estou magoado. – Comentou, e a tristeza em sua voz pareceu ligar uma sirene em minha cabeça.
— Por quê? – Perguntei, encarando-o séria.
— Pensei que fosse seu amigo. – Ele responde encarando-me de volta. Limitei-me a rir, só podia ser brincadeira aquilo. – Qual a graça? – Ele perguntou, com um sorriso malicioso.
Encarei-o por alguns segundos cogitando se eu deveria dizer tudo o que pensava, e como sempre optei pela sinceridade.
— Eu pensei que éramos, mas você é bipolar. É gentil e me trata bem, tem vezes que parece me querer por perto e em outros momentos apenas ignora minha existência. Nunca sei como estará seu humor. – Digo e vejo seu sorriso desaparecer.
— Anna... – Ele começa, mas somos interrompidos pela entrada de duas garotas na lanchonete. – Eu atendo. – Ele disse, quando me viu levantar do banquinho.
Caminhei para cozinha, afinal quando Billy não estava, eu e senhora Jones nos revezamos para preparar os pedidos.
Após alguns minutos, depois que as garotas jogaram charme para Derek e então finalmente realizarem seus pedidos, ele veio para cozinha. Dois X-bacon, duas porção grandes de fritas e dois refrigerantes.
— Quer ajuda? – Ele perguntou indeciso.
— Pegue as bebidas e vá servir. – Digo compenetrada jogando os hambúrgueres e o bacon na chapa.
Coloquei as batatas na fritadeira e enquanto tudo estava fritando, fui montando os sanduíches. Após uns 15 minutos toquei o sininho e Derek apareceu para buscar os pedidos prontos.
Não tivemos oportunidade de conversar pelo resto do dia, sábado e domingo sempre eram os melhores dias de movimento ali. Numa cidade pequena, com poucos atrativos, ali era um ponto conhecido e freqüentado por clientes de todas as idades.
Naquela noite, já havia passado da hora de fechar, mas os últimos clientes ainda estavam por ali comendo, bebendo e conversando. Imprevistos como esses aconteciam às vezes, eu já nem me importava mais. Acabamos por fechar quase meia noite.
Estava morta, troquei de roupa rapidamente e juntei meus livros que estavam debaixo do balcão principal. Quando me levantei, soltei um gritinho de susto ao ver Derek parado do outro lado do balcão bem a minha frente.
— Quer me matar? – Perguntei irritada.
— Desculpe, geralmente não causo esse tipo de reação nas garotas. – Ele comenta malicioso.
Limito-me a revirar os olhos para ele, despeço-me de Billy e da Senhora Jones saio para a noite escura e fria.
— Então, animada para o próximo fim de semana? – Derek pergunta me assustando novamente. Nem havia percebido que estava bem atrás de mim.
— Deveria? – Pergunto confusa. Ele devia estar mesmo gostando do emprego para se animar assim.
— Estou louco para ver você de vestido. – Ele diz, caminhando ao meu lado.
Parei de caminhar e o encarei mais confusa ainda.
— Como assim? – Balbuciei indecisa.
Agora foi a vez de Derek me olhar confuso, como se fosse à coisa mais óbvia do mundo.
— Baile de primavera. – Ele responde.
— Não vou ao baile. – Respondo sem dar mais detalhes para minha decisão.
Derek correu um pouco a frente e abriu a porta do carona, um convite sutil para que eu entrasse. Continuei a caminhar, quando ia passando direto por ele. Derek esticou uma de suas mãos e segurou meu braço.
— Anna, por favor, aceite minha carona. – Ele suplicou. – Está tarde e quero conversar com você. – Emendou.
Suspirei, sabia que ele tinha razão, estava exausta e curiosa sobre o que ele teria para me dizer. Entrei no carro sem protestar.
No caminho ficamos em silêncio escutando apenas as noticias da radio local.
— Porque não vai ao baile? Não tem par? – Ele pergunta finalmente. Então era esse o assunto? Revirei os olhos antes de responder.
— Só fui a um baile até hoje e foi com o Max, nem preciso dizer que foi uma experiência bem traumatizante. – Expliquei, olhando pela janela.
Ele pareceu refletir um longo momento sobre minha resposta. Então soltou um suspiro profundo e tirou os olhos por um breve momento da estrada, para me olhar.
— Acho que cabe a mim quebrar essa primeira impressão ruim. – Ele começou. – Você quer ir comigo?- Olhei para ele desconfiada.
— Porque não vai com uma de suas fãs? – Perguntei com desdém.
— Prefiro ser esnobado por você. – Ele responde com um sorriso brincalhão. Não consegui resistir e sorri para ele também.
Eu sabia que podia ser uma furada, sabia que o mundo dele era o inverso do meu, mas por um momento queria me permitir ser uma dessas garotas que não precisam se preocupar com os problemas em casa, trabalho, entre outras coisas. Por um momento quis ser uma adolescente normal.
— Anna? Já chegamos. –Derek disse chamando minha atenção. Olhei em volta e vi minha casa com as luzes apagadas.
— Obrigada pela carona. – Agradeci, tirando meu cinto e abrindo a porta para sair. – Derek, eu gostaria de ser seu par no baile. – Disse sorrindo e não esperei sua reação.
Corri para dentro de casa, subi correndo para meu quarto e me joguei em minha cama.
Podia negar, mas podia sentir o sentimento crescente que tinha por aquele garoto. Queria viver o agora e parar de pensar somente no futuro
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