O amor é um mistério
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Domingo fiz jornada dupla. Pela manhã fui assistente de minha mãe em suas fotografias e a ensinei como vender pela internet. Pelo restante do dia trabalhei na lanchonete. Então na segunda-feira durante última aula, estava contando os minutos para voltar para casa e descansar.
Aproveitei que a professora estava fazendo chamada para verificar meu celular. Havia duas mensagens.
Max: Mandei mal aquele dia, mas me arrependo Anna. Não consigo parar de pensar em você.
Tudo que eu não precisava em minha vida era de um homem problema como Max. Ele me matou de medo em sua última visita. Nem mesmo responderia aquilo, não quero ter mais nada a ver com ele.
Derek: Oi! Não esqueceu do nosso trabalho não é mesmo parceira?
Droga! Eu tinha sim me esquecido. E não me imaginava na casa de Derek, era simplesmente a maior casa da cidade, uma verdadeira mansão. Além da carreira política, seu pai possuía um vinhedo que estava se tornando mundialmente famoso.
Respondi rapidamente sua mensagem e pedi para que fosse em minha casa. O fato de estar trocando mensagens com ele e Max era bem estranho, nos três estávamos na mesma sala.
Naquela tarde, antes de ir para casa passei em uma autoescola para verificar do que precisava para minha habilitação. Eu precisaria de um carro para treinar e alguém habilitado para ir comigo. Talvez se eu consertasse o carro de papai, minha mãe topasse ir comigo.
Ajeitei a minha escrivaninha no quarto, para que eu e Derek trabalhássemos ali. Eu já havia feito uma pesquisa sobre o assunto. Teríamos que montar um slide e preparar nossa apresentação que seria na próxima semana.
A campainha tocou e eu atendi esperando ser Derek, mas era Patrick. Ele estava sério, me encarou sem dizer nada.
— Oi. Posso ajudá-lo? – Perguntei tentando acabar com aquele silencio constrangedor.
Patrick me empurrou contra parede e me segurou com uma das mãos sobre o pescoço com força. Tentei desesperadamente me livrar dele, mas não tinha força suficiente.
— Quero saber o que você sabe sobre mim. O que Derek contou? – Ele rosnou para mim.
— Nada. – Respondi.
— Mentirosa! – Ele gritou e me empurrou para o chão. – Não vou deixar que essa história do passado, estrague meu futuro.
— Eu não estou entendendo, que história? – Pergunto apavorada e confusa.
Meus olhos começaram a arder, sentia extrema dificuldade para respirar. Quando escuto um barulho alto vejo Patrick ser lançado em direção ao chão. Derek havia dado um murro em seu rosto e agora bufava como se estivesse prestes a estourar.
Patrick levanta-se rapidamente e eles se encaram. Olho os dois atordoada, massageando com uma de minhas mãos minha garganta.
— Que merda você pensa que está fazendo? – Derek rosna, sem tirar os olhos de Patrick.
— Contou a ela? – Patrick retrucou ignorando a pergunta.
— Eu já disse que não. – Derek responde.
— Contou o que? – Me intrometo recuperando o folego.
Derek finalmente desvia o olhar para me encarar, ele avalia-me rapidamente e vejo algo inimaginável. Seus olhos se tornam duas bolas completamente negras, minha boca se abre com o choque. O que era aquilo? O que Derek era afinal?
— Uau, deve realmente gostar dela. – Patrick diz com ironia. Viro-me e vejo também em seu rosto duas bolas completamente negras no lugar de seus olhos normais.
— O que são... O que...- Tento formular uma pergunta, mas palavras coerentes não saem de meus lábios. Sinto meu corpo ficar leve e uma estranha paz toma conta de mim, meus olhos começam a se fechar e sou tragada para a escuridão daqueles olhos negros, que já foram azuis como o mar.
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Toc, toc, toc...
Batidas fortes me despertam. Estava deitada em minha cama, a luz acesa. As batidas insistentes obrigam-me a levantar. Desço as escadas rapidamente e abro a porta. Na soleira encontro Derek sorrindo.
— Oi! Achei que tinha se esquecido de mim. – Ele cumprimenta, dando-me um beijo suave em minha bochecha e entrando em minha casa.
— Como assim? – Pergunto. – Cadê o Patrick?
— Como vou saber? – Derek retruca olhando-me confuso.
Havia tudo aquilo sido um sonho? Eu estava ficando louca a ponto de confundir fantasia com realidade?
— Anna, você esta bem? – Ele pergunta aproximando-se de mim. Encaro seus olhos azuis, tentando acalmar minha respiração e meus pensamentos.
— Sim, estava cochilando, acordei assustada com as batidas na porta e um pouco confusa. – Digo afastando-me dele e indo em direção a cozinha. – Quer beber alguma coisa? – ofereço-lhe.
— Água. – Derek pede acompanhando-me de perto.
Sirvo-lhe um copo de água e outro para mim. Evito seu olhar pois não quero que perceba o medo que eu ainda estava sentindo com a cena que pensava ter sido real, quando terminamos de beber enxaguo os copos e viro-me em direção a ele.
— Pronto para trabalhar? – Pergunto dando-lhe um sorriso.
— Mais pronto do que nunca. – Ele responde.
Caminhamos em silêncio em direção ao meu quarto. Pelo resto do dia, concentramo-nos em nosso trabalho e não dei brecha para que minha mente vagasse por meu estranho sonho.
As vezes sentia seu olhar em meu rosto, mas recusava-me a encara-lo de volta e o silencio para mim estava sendo extremamente incomodo.
Quando o sol estava começando a se por, finalmente concluímos nosso trabalho e soltei um suspiro aliviado.
— Foi mais rápido do que eu pensei. – Derek comentou recolhendo seu material e colocando em sua mochila.
— Foi mesmo, mas ainda temos que ensaiar pelo menos uma vez. – Comento, limpando minha escrivaninha.
Derek não diz nada, mas posso sentir seu olhar me examinando. Eu finalmente olho para seu rosto, ele solta abruptamente sua mochila e aproxima-se de mim, colocando suas mãos, uma de cada lado do meu rosto.
— Anna, me diga o que está lhe incomodando. – Ele ordena. Tudo que consigo fazer é encarar seus olhos e controlar minha respiração. – Você esteve nervosa durante toda a tarde, está me deixando louco. – Ele emenda.
— Não é nada demais. – Consigo dizer, sua respiração batia levemente em meu rosto e seu cheiro me inebriava.
— Por favor, me diga. – Ele suplica.
— Tive um sonho estranho, com você e Patrick. – Digo e observo sua reação, inicialmente Derek parece surpreso, logo em seguida um pouco irritado.
— Quero saber tudo sobre seu sonho. – Ele diz soltando meu rosto e segurando uma de minhas mãos. Me guia em direção a minha cama e sentamo-nos um de frente para o outro.
Solto um suspiro derrotado e conto a ele sobre tudo que me lembrava do sonho.
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