Paul estava ansioso.

Ainda eram 5 horas da manhã. Entretanto o jovem rapaz mostrava-se mais atento do que nunca estivera em sua vida. Andava de um lado para o outro na sala de espera da Maternidade São Lucas. Fazia pouco tempo que sua esposa entrara para dar à luz a sua primogênita.

Sua primeira filha... Sarah.

Sua princesinha.

Olhou para o relógio, atordoado, só haviam passado 30 minutos. Parecia que cada segundo era um infinito em que ele tinha que vencer o nervosismo. Enxugou suas mãos úmidas, pelo que parecia ser a décima vez, na calça jeans. Era óbvio que sua preocupação atingiria o pico naquele momento. Sua criança estava para nascer. E ele a amava.

Lembrava-se de quando começou amá-la.

Júlia, sua esposa, havia chegado mais tarde do trabalho naquela noite e ele estava preocupado. Em dois meses de casamento, aquela havia sido a primeira vez que ele não a encontrou em casa quando chegou do escritório. Recordava o momento em que a viu entrar na sala, jogar o violão no sofá e, sem sequer fechar a porta, cair nos seus braços, chorando, enquanto segurava um papel.

– Calma amor... – Ele dissera com o tom paciente que costumava usar quando ela chorava. Não perguntou nada. Sabia que ela falaria o que precisava no tempo certo.

Júlia soltou-se do abraço e, mesmo com aqueles olhos avermelhados e o cabelo escuro bagunçado, conseguiu olhar nos olhos de Paul e sorrir.

– Eu e-estou feliz – Ela falou entre soluços e gaguejos, entregando o papel para ele. – Olhe.

Paul abriu o papel, sem entender nada de início. Mas o mundo pareceu parar quando a informação contida ali se semeou em sua mente. Ele já não pensava mais nos problemas da empresa, nas vendas do novo disco de Júlia ou no guarda roupa que tinha consertar. Parecia que tudo o que ele era havia dado lugar a um único pensamento:

Júlia estava grávida.

Grávida!

Seu coração acelerado parecia querer sambar dentro de si quando a primeira lágrima escorreu por sua face. O misto de alegria, amor e medo o preenchiam de modo que ele achava que ia transbordar.

E transbordou.

Deu um beijo casto na testa da esposa, mas logo seu corpo pediu, com urgência, algo mais forte. Os dois tiveram um ao outro naquele beijo como se fosse à primeira vez, deixando as emoções transbordarem entre lágrimas e risos.

Tocou, então, o ventre de Júlia, como que para estar o mais perto possível do novo ser que despertava nele tanta coisa. Ele mal sabia... Mas já o amava.

– Senhor? – A voz do enfermeiro fez Paul acordar de seus devaneios.

Ainda atordoado, o rapaz enxugou as mãos novamente e respondeu.

– Elas estão bem?

O enfermeiro deu uma leve risada diante de seu olhar preocupado.

– Estão sim... Parabéns papai. Acompanhe-me para vê-las.

Seguiram se um suspiro de alívio e umas poucas lágrimas simultâneas a um sorriso. Acompanhou o jovem de jaleco até o quarto em que as viu. Júlia segurava-a em seus braços e, no momento em que seus olhares se encontraram, ele percebeu que estavam sentindo a mesma coisa. Transbordando de amor.

Não demorou, então, a aproximar-se das duas mulheres da sua vida.