O amor do rei
4 Capítulo 4
Os dias passavam muito rápido, Ayla estava completando doze anos e estava ansiosa para começar seu treinamento com os outros jovens elfos. Na manhã de seu aniversário, levantou correndo toda eufórica, aquele seria o dia mais especial de todos , logo chegaria o festival das estrelas e ela seria chamada para ir aprender em outro reino élfico , ela amava Mirkwood, amava as árvores, os bosques internos, a floresta( que ninguém sabia, mais ela ia escondida para um refúgio só dela), amava seus pais, mais ela queria saber oque havia além da floresta sombria. Ela queria ir para Lorien aprender com a senhora Galadriel, ou para Valfenda com o senhor Elrond ( esses eram seu preferidos), sabia que o filho do rei ,o príncipe Legolas, havia sido treinado por Elrond, e ele era um guerreiro perfeito, mestre das espadas, super mestre do arco e flecha , e além de tudo era lindo, com aquele cabelo loiro ( que ela morria de inveja) aqueles magníficos olhos azuis tão parecidos mais ao mesmo tempo totalmente diferentes dos do rei, ah ele era tudo ele bom, o sonho das jovenzinhos de Mirkwood. Ela é claro ,como suas amigas ,fantasiavam com o príncipe ou com Luther o chefe da guarda, que também era maravilhoso! Bem como todos os elfos, não tinha lugar para qual ela não olhasse que não visse beleza,todo o povo de Mirkwood era belo.
Ela lembrou do ano anterior quando estava sozinha na fonte interna do palácio, seu lugar favorito ( o mesmo onde tinha encontrado Galadriel), ela estava em volta da fonte quando pegou duas folhas pontudas e as colocou atrás das orelhas, ficou se observando na água para ver seu reflexo ficar parecido com o de um elfo, estava tão distraída em sua encenação que só percebeu que não estava sozinha quando ouviu:
—- Temos que aceitar quem somos.
Rapidamente ela fez reverência ao rei assustada.
—- Meu senhor me desculpe, não sabia que estava aqui.
Thranduil a observou e disse ríspido:
—- Está zombando dos elfos, filha de Eldir?
—- Não meu senhor, jamais!
Então porque estas folhas? -- ficou a encarando o rei.
Ayla olhou para Thranduil, tão alto e sério, ele realmente era a verdadeira tradução de beleza, ele era magnífico, aqueles longos cabelos platinados, os olhos azuis tão claros que pareciam duas pedras de gelo, ela tinha certeza que nunca veria um azul como aquele, e as sobrancelhas escuras fazendo contraste com todo o resto, e as roupas ,por Eru, que era aquele manto escarlate sobre o conjunto chumbo,tudo isso formava uma figura poderosa e intimidadora.
—- Então criança,responda-me!
Saindo de seu devaneio Ayla baixa a cabeça novamente e responde:
—- Eu fingia ser um elfo senhor.
—- Fingia? Porquê,não gosta de ser humana?
—- Sim ,gosto.
—- E...
—- Eu queria ser como meus pais!
—-Mais você é como seus pais, já que eles eram ou são humanos!
Ayla olhou para o rei, com raiva nos olhos e segurou o olhar do rei por exatamente três segundo, pois parecia que aquele olhar ia sugar sua alma, baixou a cabeça e respondeu submissa:
—- Meus pais de criação senhor, queria ser como eles e todos os outros!
Thranduil a olhou e um sorriso contido surgiu em seu lábios.
—- Não deseje o impossível e nem oque não pode ser, não pode ser um elfo mais pode aprender conosco a não se tornar uma selvagem como os de sua raça, fortaleça-se pelo que é, e não pelo que imagina ser?
Dizendo isso,Thranduil lhe deu as costas e saiu do jardim, mais não sem antes olhar para trás e ver a menina jogando com força e raiva as folhas na fonte, sorrindo se afastou.
Sempre que lembrava daquele dia, ficava com uma raiva absurda de Thranduil, depois daquele episódio ela procurou evitar o máximo que podia o palácio, não queria encontrá-lo mais, tinha ficado muito magoada com o rei.
Sua audiência anual estava chegando, sempre em seu aniversário ela e seus pais se apresentavam ao rei, ela não sabia o porque desse interesse nela, mais sempre esperava ansiosa por esse dia, mais este ano ela não queria se aproximar do rei, mais infelizmente não consegui fugir a essa obrigação.
—- Ayla -- sua mãe chamou -- Venha tomar seu café, não podemos nos atrasar!
Ayla desceu emburrada, e se jogou na cadeira como todo adolescente contrariado faz.Toda sua euforia tinha passado, já não era mais um dia perfeito.
—- Que cara é essa, você sempre gostou de suas audiências com o rei!
—- Eu não quero ir, não quero ficar ouvindo o rei Thranduil ficar me dizendo o quanto humana eu sou.
—- Minha querida, -- falou Eldir -- Você ainda não esqueceu do episódio do ano passado, com certeza o rei não se lembra disso!
—- Não ada , não esqueci, o rei e frio e amargo como todos dizem!
—- Ayla , não fale assim, pois foi graças a bondade desse rei frio e amargo que estamos juntos!-- disse Thanys
Ayla olhou para seus pais, tão belos e bondosos, seu pai era forte , alto , olhos verdes sorridentes, seus cabelos sempre estavam trançados, a moda dos soldados, como sua mãe dizia, ele era tão meigo e carinhoso, já sua mãe e uma animação só, sempre sorrindo e brincando, era um pouco mais baixa que seu pai, com longos cabelos ruivos que iam quase até os quadris, e olhos cinza claros que quando estava brava ficam chumbo, eles eram seu mundo, tudo que conhecia, e ela os amava tanto.
—- Sinto muito ammë, sei que tem razão , mais estou tão ansiosa para o banquete das estrelas, para saber para o de eu vou, mais ao mesmo tempo não quero ficar longe de vocês !
Os dois a abraçaram e a beijaram.
—- Ayla, não importa onde você vá ,sempre estaremos com você!
—- Eu amo vocês! -- disse chorosa.
—- Bem venha comer, e aí vamos logo para o palácio.
Ayla deu um longo suspiro e começou a comer.
—- Ayla , pare quieta, não consigo arrumar seu cabelo!
Impaciente,esse era seu humor continuo.
—-Pronto mamãe,assim está bom.
—- Ayla, você vai como uma lady, e não como uma arqueira que acabou de vir da batalha! -- terminando de falar Thanys admirou seu trabalho, ela estava linda, com o cabelo trançado, com pequenos miosótis espalhados pela cabeleira negra, com um vestido amarelo para combinar com o tom levemente bronzeado de sua pele.
—-Olhe só -- disse Eldir -- Então temos uma mocinha em casa, tinha quase que certeza que tínhamos um garoto!
—- Sim meu amor, venha Ayla, ou nos atrasaremos !
—-Não sem antes me dar um beijo, você também está maravilhosa!
—- Por Eru, vocês têm que fazer isso na minha frente -- reclamou a mal humorada Ayla.
—- Isso você diz, -- respondeu Eldir voltando a beijar a esposa.
—- Argh, vocês são tão ...
—-kkk, agora você diz isso ,quero ver daqui a pouco se a sua opinião vai continuar a mesma!
—- Como assim, -- Eldir se pronunciou -- Vai demorar pelo menos uns duzentos anos pra essa mocinha pensar em beijos.
—- Eu não vou viver tanto ada. -- Ayla falou tristemente.
Eldir parou e pensou noque havia dito, esquecia-se da condição humana de sua filha, sua garotinha não era um elfo e provavelmente ele viveria muitos séculos depois que ela se fosse.
Thanys percebeu a tristeza no olhar do marido e apressou a todos para sair e assim dissipar toda aquela amargura.
—- Vamos vocês dois.
Chegando ao palácio, Ayla sempre ficava observando o grande carvalho que crescia no centro tudo, seus galhos fortes se espalhavam por todos os lugares,ninhos de pássaros, casas de esquilos e outros pequenos animais se abrigavam nesta árvore milenar,era como se ela abraçasse a todos os protegendo.
—- Meu senhor Thranduil, -- ouviu seu pai dizer, -- trouxemos Ayla.
—- Aproximen-se.
O casal e a menina subiram mais um pavimento, ficando ao pé da escada que levava ao trono.
Thranduil ficou os observando, Ayla estava crescendo, seu rosto e corpo estavam mudando , logo seria encantadora, era muito inteligente, mais tinha um gênio forte, que a deixava mais interessante, a algum tempo pensava emboque faria com ela? A deixava em Mirkwood, ou a mandava para algum reino humano para procurar
um marido? Sabia que era costume dos humanos casarem suas filhas muito jovens,mais uma comprovação da selvageria desta raça. E também havia que Galadriel havia dito a alguns anos atrás, ele ficava esperando alguma manifestação mística da garota mais nada tinha acontecido, a não ser um pequeno acidente com seu alce no inverno passado, em um treinamento o animal tinha se ferido e uma infecção tinha se instalado em sua pata, ele soubera através de seu cavalariço que após uma visita de Ayla o animal tinha se recuperado do dia para a noite. Um mistério que ele iria descobrir.
—- Vamos começar a pensar no futuro de sua filha Eldir, já está no tempo.
—- Sim majestade.
—- Como ela não é um elfo,precisamos arrumar uma solução .
—- Me desculpe senhor, mais como assim uma solução? -- adiantou-se Ayla.
Thranduil a olhou e desceu alguns degraus do trono.
—- Eu vou para Lorien ou Valfenda com os outros.
—- Não, você não vai -- respondeu um Thranduil surpreso com a impertinência da garota.
—- Mas todos vão, eu também tenho o direito de ir!
—- Você se tornou muito insolente Ayla, você não vai porque não é uma elfa, e porque também não é meu desejo, humanos devem aprender com os de sua raça,os ensinamentos de Lorien , Valfenda ou qualquer outro lugar são somente para o povo élfico.
Eldir e Thanys ficaram sem ação ao presenciar a discussão de sua filha com o rei.
—- Você não pode fazer isso! Todos vão!
—- Parece que você não quer entender sua situação,você foi criada por elfos, mais não é um, eu permiti sua presença em meu reino, mais isso não quer dizer que tenha os mesmos direitos do meu povo!
—- Então porque estou aqui?
Thranduil a olhou, a menina estava chorando e muito brava.
—- Está aqui porque os de sua raça à abandonaram, e eu não sou como eles ,não abandono indefesos.
—- Não sou mais um bebê indefeso, não tenho mais que fazer aqui!
Dando as costas Ayla estava saindo da presença do rei quando ouviu:
—- Você da as costas para seu rei?
Ela olhou para Thranduil, magnífico e cruel, essa era a imagem que tinha dele agora.
—- Como você mesmo disse, sou uma humana, sendo assim você não é meu rei!
Saiu correndo da sala do trono deixando todos perplexos com sua atitude.
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