—- Afinal de contas,como foi criada essa menina? Não tem respeito nem gratidão? -esbravejou Thranduil furioso.
—- Tragam-na agora a minha presença! -- disse entre os dentes.
Thanys olhou apavorada para Eldir, fez reverência ao rei e saiu atras de Ayla. O pobre Eldir todo atrapalhado garantiu ao rei que Ayla seria trazida até ele ,Thranduil lhe lançou um olhar frio e lhe deu as costas.
Ayla voltou para casa com um só pensamento ,fugir, deixar Mirkwood, por mais que amasse seu lar, Thranduil o estava transformando em uma prisão. Estava com tanta raiva dele, como pudera admira-lo por toda sua existência? Quando seus pais haviam lhe contado oque ele tinha feito quando era um bebê, tinham transformado ele em um herói para ela, ele cuidara de seu conforto ,segurança, tinha lhe dado uma família, e agora tudo tinha desmoronado, Thranduil era frio,arrogante, tirânico, ele a tinha salvo mais não era dono de sua vida , ela não devia obediência a ele, como tinha deixado bem claro ela era uma humana e como tal não era comandada pelo rei dos elfos silvestres!
Iria embora , para Valfenda ou Lorien , ou quem sabe até a vila dos homens ,lá seria tratada como uma igual.
Perdida em seus planos de fuga não ouviu Thanys entrar em seu quarto.
—- Oque pensa que está fazendo mocinha?
—- Arrumando minhas coisas, vou embora!
—- E vai para onde?
—- Ainda não sei, mais prefiro morar em uma caverna nas montanhas doque ficar no reino de Thranduil -- respondeu toda dramática. Pegando na mão de Ayla, Thanys se aproximou.
—- Minha filha oque você fez hoje foi muito imprudente, o rei está furioso, quer que a levemos a ele novamente!
—- Eu não vou! Nunca mais quero olhar para ele ou ouvir sua voz!
—- Ah você vai sim, senão pelo rei você vai pelo seu pai, e chega de drama vamos resolver isso logo!
—- Não sou uma elfa, não devo obediência ao rei e nem a Eldir, ele não é meu pai!
—- Então -- disse Thanys tristemente, -- eu não sou sua ammë?
Ayla olhou para a elfa que a tinha criado com tanto amor e dedicação e se arrependeu de tudo oque tinha dito, correu abraçar Thanys.
—- Mamãe me desculpe, eu não queria magoar você, eu te amo , você é Eldir são minha família, os únicos pais que conheci, não queria ter outros jamais!
—- Minha querida menina, nos também amamos você,só queremos o seu bem, mais seu comportamento hoje foi terrível, agora o rei vai decidir oque vai acontecer. Volte e se desculpe , não por você, mais por seu pai que ficou em uma situação muito constrangedora por causa de suas ações, por mais de duzentos anos ele serve ao rei, não o desonre!
Ayla colocou as mão na cabeça e sentou na cama.
—- Mais mãe, eu vou me tornar oquê? Vou ficar sempre à mercê do rei? Não tenho direito a escolher meu destino?
—- Tudo a seu tempo, tenho certeza que seu pai vai achar uma solução, e conversaremos com o rei.
Assim espero -- pensou Ayla, secando rosto Ayla engoliu seu orgulho e se levantou Então vamos, por você e pelo papai.
Thanys a abraçou novamente e se dirigiram para o palácio.

Thranduil estava furioso,menina insolente, uma humana que havia sido salva por ele . Ele um rei élfico! Poderia ter deixa ela morrer nos portões, dá-la aos lobos ou pior devolvê-la ao seu povo! Ele tinha lhe dado um lar, segurança, uma família,mais parecia que nada tinha importância para aquela rebelde. Bebendo seu vinho e tentando controlar seu humor, Thranduil ouviu seu guarda pessoal avisar que Ayla tinha retornado. Dirigindo-se para a sala do trono Thranduil pensava noque fazer com Ayla. Quando entrou ,dirigiu-se para seu trono sem olhar para eles, mais mesmo assim sem perder ninguém de vista.
Thanys deu um leve empurrão em Ayla para que ela fosse se desculpas ao rei.
—- Senhor Thranduil, peço perdão pela minha falta de respeito para com sua majestade, peço que perdoe Thanys e Eldir pelos meus atos.
Thranduil a olhou com frieza ,só a presença dela já o deixava irritado ,ignorando-a dirigiu-se a seus pais.
—- Eldir, Thanys, pela consideração que o reino tem para com vocês, a insubordinação da humana(ele procurou dar ênfase a palavra humana) a quem cuidam será perdoada.
—- Obrigado meu senhor.
—- Contudo, apartir de agora até seu próximo aniversário, ela será educada no palácio sobre minhas ordens e vigilância.
—- Eu não... -- Ayla começou a falar, mais recebeu um olhar tão gelado e duro de Thranduil que se encolheu e ficou calada.
—- Se no término deste ano ,nada for decidido sobre seu futuro, então caberá a vocês decidirem para onde vão manda-la. -- Terminou o rei arqueando as sobrancelhas e olhando diretamente para Ayla.
—- Agora podem ir, tragam os pertences dela ,a sua verdadeira educação começa hoje!
Ele simplesmente se virou e saiu deixando os três atônitos.
—- Mãe , pai , eu não vou ficar aqui, ele me quer como prisioneira, quer me afastar-se todos!
Eldir a olhou e respondeu:
—- Infelizmente esta foi uma situação que você criou, agora terá que arcar com as consequências, Thanys leve Ayla para casa e arrume suas coisas, quando estiver pronta eu a trago para o palácio.
—- Mais ada...
—- Sem mais Ayla, hoje sua insubordinação me envergonhou perante o rei, sua atitude nos mostrou indignos da confiança de nosso rei! Agora não discuta mais e faça oque foi ordenado.
Terminando de falar, Eldir deixou as duas e se dirigiu para o alojamento dos soldados.
Ayla sentiu uma tristeza tão grande por ter decepcionado seu amado pai que ficou em silêncio.
Seguiu para casa com sua mãe, e começou a chorar arrumando seus pertences, como ela odiava Thranduil, todo o seu mundo estava de cabeça pra baixo por causa dele, ele achava que era dono de sua vida? Agora tinha que deixar seus pais e viver sob mesmo teto que o rei, sob vigilância,como uma criminosa!
Enquanto ela remoía sua raiva, coçava sem parar a marca de sua mão, sempre que se irritava ou ficava eufórica demais a marca coçava de uma forma que parecia que uma carga de eletricidade passava pelos seus braços e acabava em suas mãos , neste momento principalmente tinha impressão que a sua mão ia se transformar em uma labareda de fogo, parecia que o calor irradiava de suas veias. Ayla tentava se acalmar ,mais cada vez que lembrava de Thranduil, começava tudo denovo.
Thanys entrou no quarto e achou sua filha perdida em meio de uma bagunça de roupas .
—- Temos que terminar logo Ayla, seu pai já vai chegar!
—- Você não vai dizer nada mamãe, vai me deixar ir?
—- Não posso fazer nada meu bem, mais nunca a deixarei, estarei com você todos os dias no palácio, seu pai também, ele está aborrecido agora, mais vai passar. Não podemos ir contra as ordens do rei.
Ayla suspirou e finalmente terminou de arrumar suas roupas. Pegando seus pertences mais pessoais ela desceu e ficou esperando seu pai.
Quando Eldir chegou, ficou olhando sua filha, ela estava triste , ele chamou Thanys e colocaram as coisas de Ayla no transporte.
—- Vamos Ayla, despeça-se de sua mãe.
Abraçando a mãe, Ayla só pensava em como seria daqui pra frente.

Tudo era diferente no palácio, todos eram muito educados, mais distantes, Ayla sentia falta do calor de sua casa, não era atoa que Thranduil era tão frio e distante, pois era assim que seu palácio era. Ayla procurava se manter o mais distante possível do rei, mais todas as noites ela tinha que se apresentar no jantar e seu tutor Cathus passava ao rei o relatório de suas atividades do dia, Thranduil nunca falava com ela, nem ao menos a olhava.
Tinha muita saudade de casa, via seus pais todos os dias, já seus amigos somente nos treinamentos de armas que passara a ter, não ia mais a escola comum como antes, tinha que aprender com seu tutor. Era estranho mais Thranduil estava dando a ela a oportunidade de aprender tudo como uma elfa da nobreza. Aprendia tudo com seu tutor, matemática,filosofia, história, música,poesia. Todos os dias tinha treino de arco e flecha, como também estratégia e luta corporal e com adagas, e estava ficando muito boa em luta com adagas já no arco e flecha era um fracasso, sua visão era limitada, ela não enxergava como os elfos, e muito menos tinha a habilidade de atirar flechas correndo, saltando, se jogando de árvores,os treinos eram muito puxados e ela estava dando o máximo de si. Thranduil estava indo contra tudo que tinha dito, pois ela treinava com os melhores e estava adquirindo todo o conhecimento dos elfos silvestres. Ela sabia que ele estava sempre lhe observando, quando estava na biblioteca ele sabia os livros que lia, sabia suas dificuldades com a dança e música, mesmo não estando presente nas aulas, nos últimos seis meses tinham sido assim:
* levantar , comer
* treino de armas
* treino e música e dança
* almoçar
* biblioteca( aulas de línguas: élfico e comum; matemática,ciências,botânica...)
* 2 horas livres( que ela fugia pra floresta)
* jantar e dormir
Até que era uma rotina boa, a deixava ocupada o tempo todo e querendo ou não, estava aprendendo muitas coisas.
Nesta tarde, ela iria aprender alguns passos novos de dança para um baile que seria feito em homenagem ao príncipe Legolas, que tinha retornado a pouco de uma batalha com os terríveis orcs. Era fácil esquecer que a terra média não estava livre desses seres terríveis morando em Mirkwood.
Ayla sem sucesso tentava acompanhar seu tutor.
—- Que raiva, parece que meus pés não acompanham meu cérebro!
—- Você tem que prestar mais atenção e ter paciência, a dança é leveza,não é pra sair correndo pelo salão, mais sim flutuar como uma borboleta!
—- Bem , eu estou mais para um morcego! -- rindo ela não percebeu e pisou mais uma vez nos pés de Cathus.
—- Aí Ayla, mais leveza!
—- Leve , pensamentos leves, eu sou uma pluma, -- e saiu rodando sozinha pelo salão, -- eu sou uma pluma -- repetia de olhos fechados, foi rodando até bater em um peito duro e largo. Abriu os olhos ainda rindo achando que tinha atropelado Cathus.
—- Você devia treinar com um par mais ágil que seu tutor. -- disse sorrindo o príncipe Legolas, -- e de olhos abertos ajudaria muito mais — continuou sorrindo.
—- Meu senhor me desculpe -- veio Cathus correndo, --Ayla precisa treinar mais e brincar menos.
—- Desculpe-me príncipe Legolas, Cathus tem razão.
—- Pois eu acho que não tem, a dança e pra divertir, brincar realmente, claro que se você não quebrar uma perna e nem esmagar o pé de alguém -- continuou divertido -- e também depende muito do seu par, você tem que ter afinidade com quem dança ou pelo menos simpatia, venha vou lhe ensinar como minha mãe me ensinou, Cathus você me permite?
—- Mais e claro senhor, só tome cuidado!
—- Venha Ayla, me de sua mão, agora fique relaxada e suba em meus pés.
—- Como assim subir em seus pés? Não meu senhor, vou machuca-lo! E se seu pai descobrir, aí fico trancada em meu quarto para sempre!
—- Me machucar? Criança você não deve pesar nem quarenta quilos, pode ter certeza que não vai esmagar meus pés, e quanto a meu pai, oque o rei não vê, o rei não sabe!
—- Esse e o problema , ele vê e sabe tudo, acho que se eu parar de respirar agora, ele vai saber quantos segundos eu fiquei sem ar!
Balançando a cabeça e sorrindo , Legolas continuou:
—- Venha, esqueça meu pai, porque parece que vocês dois tem fixação um no outro. Agora você vai aprender a dançar!
E saiu rodopiando devagar com Ayla pelo salão , era fácil seguir os movimentos do príncipe, sem contar que a companhia dele era bem melhor que a do mal humorado Cathus.
Depois de mais de uma hora de rodopios, Ayla estava cansada, mais feliz, como nunca estinha estado até então no palácio, desde que tinha vindo morar lá, era a primeira vez que se sentia bem, Legolas era muito atencioso, tinha uma conversa leve, não carregava a mesma nuvem negra constate como seu pai, devia ser parecido com sua mãe. Não fisicamente e claro, ele era uma cópia perfeita do pai, só era um pouco mais baixo e a cor de seus olhos, que não eram dois cubos de gelo transparente mais sim dois pedaços do céu. Quando contasse as garotas que tinha tido uma aula particular de dança com Legolas, todas teriam um ataque de inveja.
Ele devia ser parecido com a mãe no humor, ele era sério, até um pouco melancólico, mais isso tudo se dissipava quando ele sorria, era muito bom estar na sua companhia. Ela não sabia nada sobre a mãe de Legolas, na verdade quase ninguém sabia, mais tinha certeza que ele devia ser como a mãe.
—-Então ,por hoje chega! -- disse Ayla cansada. -- Eu não tenho a mesma resistência que vocês elfos, preciso descansar!
—- E claro que sim, então gostou, está mais segura?
—- Com certeza, não querendo te desmerecer Cathus, -- o tutor apenas baixou a cabeça -- Assim fica bem mais fácil, apesar que não sei se vai ser permitido minha presença no baile, mais mesmo assim ,obrigado senhor!
—- Claro que você vai ao baile mocinha, e a primeira dança será minha!
—- Seria maravilhoso senhor!
Fazendo reverência ao príncipe se retirou do salão com Cathus.
—- Vamos Cathus, estou morta de fome!
—- E quando não está Ayla -- retrucou Cathus revirando os olhos.
Ayla sorriu, o abraçou e deu um beijo estalado em sua bochecha, oque deixou o elfo sem ação com a demonstração de carinho.
—- Comporte-se senhorita, -- falou todo sem jeito. -- Se vai mesmo ao baile deve se comportar como uma dama, o rei terá convidados ilustres.
—- É mesmo, quem vira?
—- A senhora Galadriel e seu marido, o senhor Elrond e seus filhos, lady Arwen e os gêmeos.
Ayla ficou animada, poderia falar com Galadriel e pedir a ela que a levasse consigo quando voltasse para Lorien!
—-Não sabia que o senhor Elrond tinha filhos. E a esposa dele não vem?
—- O senhor é viúvo, sua esposa era filha de Galadriel e Celeborn.
—-Nossa quantos anos eles têm então, ja que são avós e o senhor Elrond não é tão jovem, acho que até e mais velho que o rei!
—- Que indelicadeza Ayla, acho que vamos reforçar suas aulas de etiqueta.
Ayla não ligou para a reprimenda, tinha que dar um jeito do rei deixá-la ir ao baile e se aproximar de Galadriel!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.