O amor de um Deus é uma mortal
21 A ilha de Delos
_pode abrir os olhos agora – falou Apolo para Barbara – e conheça seu novo lar.
_nossa! É tudo tão lindo. – disse Barbara
Apolo a pegou no colo e a rodou. Eles deram um longo e demorado beijo e Apolo disse:
_eu amava essa ilha quando nasci. Morávamos eu, minha mãe e minha irmã aqui. Quando elas se foram essa ilha ficou seca e sem vida e eu nunca mais voltei aqui. Agora eu tenho você e minha vida tem sentido novamente.
_isso foi tão lindo! Onde estamos exatamente?
_estamos na ilha de Delos, na Grécia.
_essa ilha é sua?
_sim, herança de meu pai.
_Você deve ser muito rico.
_digamos apenas que eu tenho trabalhado por séculos para conseguir isso.
_você trabalha com o que?
_ Faço muitas coisas. Sou meteorologista quando faz sol, sou artista, treinador físico, medico e de vez em quando trabalho no circo como vidente.
_por isso você é tão rico. Você faz de tudo.
_mais do que você imagina.
Já era noite e eles estavam em uma ilha com muitas colunas gregas derrubadas e um palácio enorme dourado, que poderia ser feito de ouro de tão brilhante, se erguia no meio delas.
_aqui é o meu palácio, atrás dele corre um rio e seguindo o seu curso tem uma cachoeira. Do outro lado do rio fica a área onde tem mais animais. Eles não atravessam o rio. Só vá para lá quando quiser caçar. Mais adiante tem as montanhas e a fonte de néctar. Ao lado do palácio fica o pomar e para o outro lado tem... Ruínas antigas de uma cidade que tinha aqui muitos anos atrás. Elas são tão interessantes que não quis tira-las. A frente do palácio fica a praia. Alguma pergunta? – disse Apolo
_tenho uma. O que quer dizer com néctar? – falou Barbara
_como? – disse Apolo fingindo que não entendeu a pergunta
_você disse: “Mais adiante tem as montanhas e a fonte de néctar”. O que quer dizer com néctar?
_como eu posso lhe explicar? Já ouviu falar de fontes de cerveja e vinho?
_sim.
_néctar é uma bebida deliciosa que eu inventei. Mas não beba mais do que um copo por dia e divida esse copo em pequenas doses. Mais do que isso faz mal.
_quanto mais conversamos mais eu vejo o quanto você é incrível.
_venha conhecer o palácio. – falou Apolo
Barbara entrou e o palácio que era incrível por fora era maravilhoso por dentro.
_me segue – falou Apolo subindo a escada para o andar superior – quero te mostrar uma coisa.
Barbara subiu junto com Apolo e eles entraram no quarto.
_é aqui que iremos dormir. – falou ele deitando na cama – porem creio que ainda é muito jovem para eu fazer o que quero.
_e o que você quer?
_casar com você! Esperarei você completar dezoito anos e então selaremos nossa união em matrimonio.
_Ai meu deus Apolo, você quer mesmo se casar comigo?
Nunca – pensou Apolo, mas em vez disso disse:
_é claro!
_obrigada – respondeu Barbara deitando-se ao seu lado (apenas deitando, não pensem besteira).
_preste atenção. Amanhã eu vou trabalhar bem cedo e volto ao por do sol. Saia do palácio, explore a ilha, banhe-se na cachoeira e divirta-se. Apenas volte ao palácio antes de eu voltar.
_e se aparecer alguém aqui?
_não seja tola, ninguém vira. Eu prometo.
_certo então. Boa noite. – disse Barbara dando um beijo na boca de Apolo
_boa noite. Vejo você amanha.
Barbara dormiu profundamente e teve um sonho que mudaria sua vida:
Ela estava em uma caverna escura e havia um trono ali. Um homem estava sentado ali a encarando.
_Barbara? – perguntou o homem
_como sabe o meu nome? – perguntou a menina assustada
_sou seu pai Barbara, sei de coisas que você nem imagina.
_você é meu pai?
_sim Barbara. Alguém ou alguma coisa fez você esquecer-se de mim, de seu irmão e de seus amigos. Não deixe que eles alcancem seu objetivo.
_do que está falando? – perguntou Barbara enquanto um estranho vento a empurrava fortemente para longe do homem em direção a uma porta.
_lembre-se de quem você é.
Barbara acordou assustada. O sol brilhava lá fora e Apolo havia saído.
Ela levantou se e tomou um banho frio. Enquanto a água escorria ela lembrou-se do sonho. Lembre-se de quem você é, palavras que ficaram gravadas em sua cabeça. Será que aquele homem era mesmo seu pai. Saindo do palácio ela encontrou um arco e uma aljava com três flechas encostado-se a uma árvore. Ela viu uma macieira e escolheu a maior e mais vermelha maça. Apontou e disparou a primeira flecha contra o alvo. Na mosca. A maça exatamente na mão de Barbara.
_bela mira – disse uma voz grossa atrás dela
Ela olhou assustada para trás e viu o menino que disse ser seu irmão.
_o que faz aqui? Como me encontrou? O que quer comigo? – perguntou Barbara apontando o arco para ele
_calma, eu só quero conversar com você. Por favor. – pediu ele
_por que devo confiar em você?
_porque quando você estava dormindo aquele dia eu poderia ter te machucado. Mas não fiz nada. Quero te explicar por que.
_entre – disse Barbara abaixando o arco
_Apolo esta? – perguntou o Nico
_não, ele foi trabalhar.
_como é namorar um deus?
_do que está falando?
_ah você sabe.
_não, não sei. Apolo é muito legal, mas não sei se chamaria ele de deus.
_ele não contou a você?
_contou o que?
_vamos entrar Barbara. Temos muita coisa para conversar.
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