Notas iniciais
Muitas emoções aguardam você neste capítulo....

Alguns dias depois....

Derek e eu não nos falamos mais, ele habitualmente apenas me cumprimentava pela manhã quando nos víamos no colégio. Assisti as aulas, tentando manter o maior foco possível nos professores. Mas uma vez ou outra me flagrava observando-o, ou pelo menos a nuca dele.

Desde o acidente, eu não havia deixado de notar que ele mudou de carteira, sentando o mais longe possível de Patrick e de sua namorada Joyce. Alias Joyce era a irmã gêmea de Derek e pelo pouco que conheço dela, pude notar se tratar de uma garota carente e mimada.

O professor de biologia dava detalhes sobre o próximo trabalho, que seria feito em duplas. Eu detestava esse tipo de coisa, preferia fazer sozinha pois não tinha tempo para me encontrar com ninguém. Como não tinha dupla fixa, eu sempre fazia com quem sobrasse, geralmente os nerds mandões ou os geeks que só falavam sobre séries, quadrinhos e outros vícios.

No intervalo o almoço, algo inusitado ocorreu, Patrick e Joyce discutiam aos cochichos em uma das mesas, a garota teve uma crise de choro e todos começaram a olhar. Quanto mais escândalo ela fazia, mais irritado ele parecia ficar. Quando Derek entrou no refeitório, todos esperavam que ele fosse interferir, era comum ele tomar o partido da irmã.

Porém, desta vez surpreendendo a todos os presentes inclusive a mim, ele serviu-se de seu almoço e veio em minha direção. Como eu sempre me sentava sozinha, com a companhia de meus fones de ouvido e livros, todos fizeram um silencio constrangedor o observando sentar-se a minha frente.

Joyce ao ver que seu irmão a tinha ignorado, levantou-se e saiu abruptamente, deixando seu namorado falando sozinho. Antes de sair atrás dela, não pude ignorar o olhar de ódio que Patrick direcionou a mim.

Quando voltei a atenção a Derek, ele me encarava enquanto mastigava seu almoço. Eu retirei meus fones de ouvido e fechei meu livro, para finalmente dar atenção a ele e ao meu almoço.

— Todos estão olhando. – Comentei, sem coragem de tirar os olhos dele, mas sentindo todos os olhares que estavam direcionados a nós.

— Eu sou bem popular por aqui. – Ele retrucou em tom de deboche. – E estou sentado com minha heroína, não se esqueça. – Ele emendou sorrindo um pouco.

Não pude deixar de sorrir também.

— A única coisa que fiz foi ligar para polícia, você se salvou sozinho saindo do carro. – Eu digo.

— Mas ninguém precisa saber dos detalhes – Ele disse ainda sorrindo.

Revirei os olhos e voltei minha atenção novamente para minha comida.

— Quais seus planos para hoje? – Ele perguntou descontraidamente.

— Trabalhar. – Respondi sem demonstrar nenhuma emoção.

— Você trabalha demais, não tem folga nunca? – Ele pergunta parecendo um pouco indignado.

— As segundas, e eu trabalho porque preciso. – Digo sem dar mais detalhes.

— Precisa tanto assim? – Ele insiste.

— Nem todo mundo é privilegiado com você. Algumas pessoas precisam trabalhar duro para conseguir ir embora de um lugar como este. – Digo sendo mais fria do que o necessário, odiava quando alguém criticava o tempo que passava trabalhando.

— Então esse é seu plano? Quer ir embora daqui? – Ele perguntou parecendo realmente interessado.

— Não existe futuro para mim aqui. – Respondo amargamente.

Derek me encara, acho que pensando no que dizer, mas somos interrompidos pelo sinal. Já era hora de voltar para aula.

No corredor, ele corre para me alcançar e caminhar ao meu lado em direção a sala.

— Quer fazer comigo? – Ele pergunta.

— Fazer o que? – Pergunto sem entender, mil besteiras passando por minha mente.

— O trabalho de biologia. – Ele conclui com um sorriso malicioso.

— Não tenho muito tempo. – Digo logo de cara.

— Podemos fazer na sua folga, é só para daqui a duas semanas mesmo. – Ele insiste.

— Tudo bem. – Sorrio agradecida.

Pela primeira vez em muito tempo eu estava fazendo trabalho com alguém que me queria como dupla.

No trabalho tudo estava correndo bem e pelas minhas contas teria grana o suficiente para pagar aluguel por pelo menos 6 meses quando fosse embora dali. Agora tinha que dar um jeito de arrumar o carro e tirar minha carteira de motorista.

No fim do expediente, estava caminhando de volta para casa e pensando em com Derek era instável. Ele ficou dias sem nem olhar para mim, porem hoje foi gentil novamente.

As luzes em casa estavam acesas e como mamãe estava de folga já esperava a típica ceninha dela. Quando entrei a encontrei desmaiada no sofá da sala, na mesa de centro uma garrafa de whisky vazia e a TV ligada com o volume nas alturas. Desliguei a TV e a cobri com a manta do sofá. Quando me virei para ir para meu quarto, havia um homem parado ali.

Bart Thomas, um dos “amigos de bar” da minha mãe, ele me encarou com um sorriso nojento.

— O que faz aqui? – Perguntei tentando não demonstrar nervosismo.

— Não seja má educada Anna. Sou convidado de sua mãe. – Ele disse em um sussurro.

— Vou acordá-la então para nos fazer companhia. – Disse e fui em direção a minha mãe balançando-a levemente.

— Sabe... – Bart começou a dizer aproximando-se de nos duas. – Eu tentei acordá-la, mas não consegui.

— Ela esta bem? – Perguntei preocupada, há tempos não há via apagada assim.

— Sim. – Ele começou e agora pude sentir seu hálito de álcool em minhas costas – Não se preocupe com ela, porque não passamos um tempo agradável a sós? -Ele disse agora tocando meus ombros.

— Vou dormir. Boa noite. – Disse me desviando de suas mãos e correndo para entrada. Ele foi mais rápido, bloqueando o caminho e trancando a porta.

— Pretendia dormir lá fora? – Perguntou com um sorriso malicioso.

Não me dei ao trabalho de responder, subi correndo para o segundo andar, trancando a porta do meu quarto. Imediatamente ouvi os passos de Bart, subindo as escadas. Ele estava vindo atrás de mim.

Eu devia ter ligado para a polícia, mas imaginei que eles demorariam como na última vez com Max e sinceramente não acho que a porta do meu quarto fosse resistir por muito mais tempo, Bart a estava esmurrando.

Então liguei para ele, eu disse que nunca ligaria, mas quebrei a promessa que fiz a mim mesma.

— Alô? – Derek disse parecendo sonolento.

— Sou eu, desculpe, eu não devia ter ligado...- Comecei a dizer, mas fui interrompida por minha porta que desabou com Bart em cima.

Deixei o telefone cair sobre minha cama e comecei a pegar os livros na prateleira próxima e atirar no homem que se aproximava lentamente.

— Some daqui! – Eu berrava em desespero.

Fui andando para trás e continuava a acertá-lo com os livros, o que sinceramente não parecia estar adiantando muito.

O desespero se apossou de mim, avancei para cima dele e o empurrei com minha máxima força. Ele se desequilibrou um pouco, mas conseguiu me segurar e me prender junto a seu corpo.

— Me deixe em paz! – Esbravejei.

Bart me jogou na cama e sentou-se em cima de minhas pernas, segurou minhas duas mãos acima de minha cabeça e aproximou seu rosto do meu.

— Eu gosto de uma brincadeira selvagem. – Ele diz, e passa a língua pela minha bochecha, em direção ao meu pescoço.

Ele segura minhas mãos com apenas uma das suas e com a outra começa a levantar minha blusa.

— Por favor não faça isso, por favor. – Comecei a implorar, eu não tinha mais o que fazer. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.

— Você vai gostar Anna, sua mãe sempre gosta. – Ele disse e sinto seus dados tocando meu sutiã.

Me contorço tentando desvencilhar-me dele, mas como peso de seu corpo sobre mim é praticamente impossível.

— Você me dá nojo! – O insulto, cuspindo em seu rosto.

Bart se ergue e acerta um tapa em meu rosto, o quarto em minha volta gira um pouco pela força do golpe. Ele então desabotoa minha calça e gira meu corpo, me deixando de bruços sobre a cama. Sinto quando ele começa a descer minha calça e deixo escapar meus soluços chorando copiosamente.

Não podia acreditar que isso estava realmente acontecendo.

Notas finais
Que tristeza... :,(