Notas iniciais
Olá Aproveitem o capítulo!

Derek

Aquela havia sido a ligação mais perturbadora que havia recebido em toda a minha vida. Sai correndo até a garagem sem tirar o pijama e dirigi em alta velocidade para casa de Anna. Depois de ter ameaçado Max, não acreditava que ele havia ido lá perturbá-la novamente.

Eu iria mata-lo essa noite.

Quando encostei em frente sua casa, percebi luzes acesas em todos os andares. Bati incessantemente na porta, mas ninguém me atendeu. A porta estava trancada, então fui andando pela lateral da casa e encontrei uma das janelas da sala aberta, entrei por lá mesmo.

Andei com cuidado, a casa estava silenciosa, exceto pelo choro que parecia vir do andar de cima. Uma olhada rápida e percebi que não havia ninguém ali no andar de baixo. Subi rapidamente e fui em direção ao barulho que estava escutando.

A cena era mais estranha do que eu esperava. A mãe de Anna estava deitada no chão, parecia ter acabado de vomitar e chorava baixinho. Um homem, deitado de bruços também no chão, porém desacordado e com sangue saindo de sua cabeça.

Anna estava olhando em choque para o homem, e sem sua calça. Ela nem sequer parecia ter me notado ali, mas pelo pouco que vi já podia imaginar o que houve.

Tirei meu celular do bolso e liguei imediatamente para o Xerife.

Anna

Quando Bart retirou totalmente minha calça e abriu o zíper da sua, desisti de lutar, pensei em meu pai e nas lembranças felizes que ele havia me proporcionado. Só queria que aquilo terminasse de forma rápida, já não me importava se ele me matasse depois.

— Seu desgraçado! – Minha mãe esbravejou, não pude vê-la, mas ouvi o barulho alto e senti quando Bart caiu pesadamente no chão, fazendo um estrondo.

Mamãe havia acertado o desgraçado com um taco de beisebol do papai, o golpe foi certeiro na cabeça de Bart. Logo em seguida ela deixou o taco cair, ajoelhou-se e vomitou no chão.

— Perdão filha, perdão meu amor. – Ela choramingou.

Eu nem sequer consegui mais olha-la, deixei que todo o meu medo se transformasse em ódio. Fiquei encarando Bart e pensando em como queria matar aquele homem nojento para que ele nunca mais tocasse em outra mulher na vida.

Fui desencorajada ao ouvir passos rápidos subindo pela escada. Não precisei me virar e sinceramente não conseguiria, estava direcionando a Bart todo meu ódio através daquele olhar de choque, mas sabia perfeitamente quem era.

Depois de ligar para chamar ajuda, Derek agachou-se próximo de minha mãe e colocou uma de suas mãos em seu ombro.

— A senhora está bem? Ele te machucou? – Perguntou preocupado.

— Estou bem, eu sinto muito, não queria que isso tivesse acontecido. – Ela choramingou novamente.

— Eu chamei ajuda, não se preocupe ele invadiu a casa da senhora, foi legitima defesa. Vai ficar tudo bem. – Ele disse para tranquiliza-la.

Logo em seguida, Derek veio para perto de mim, agachou-se em minha frente para quebrar meu contato visual com o corpo inerte de Bart.

— Anna? Anna? – Ele me chamou, com um pouco de relutância encarei seus olhos e instantaneamente me permiti sentir paz. – Você está bem? Ele...ele...

Ele não conseguia perguntar, não conseguia usar a palavra, mas eu já havia entendido sua pergunta.

— Não, ela o acertou a tempo, ele não conseguiu consumar o abuso. – Respondi e deixei as lágrimas rolarem por meu rosto.

Derek me abraçou tentando consolar-me, e apoiei meu rosto em seu peito, soluçando alto e deixando todo o medo e a sensação de impotência se transformarem em lágrimas.

Ele ficou ao meu lado durante toda a madrugada, Bart foi levado por uma ambulância, infelizmente estava vivo. Eu e minha mãe respondemos todas as perguntas dos policiais. Eu não necessitei ir para um hospital, mas minha mãe sim, o xerife suspeitou que Bart há havia drogado para que ela ficasse desacordada e solicitou que ela passasse por exames.

— Você devia descansar Anna. – Derek disse quando todos foram embora. – Já está de manhã e você virou a noite. – Ele parecia bem preocupado.

— Não vou conseguir. – Digo com sinceridade, e realmente acho que não iria ficar em paz tão cedo naquela casa.

— Eu vou ficar com você, prometo não sair pra nada. – Derek diz, colocando uma de suas mãos em minhas costas e me conduzindo até o sofá. – Deite-se aqui. – Ele pediu.

O obedeci e me deitei, Derek sentou-se no chão e acariciou meus cabelos, eu não queria dormir, mas todo o cansaço daquela noite infernal apossou-se de mim e acabei fechando os olhos para finalmente descansar.

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Quando acordei, senti meu corpo inteiro dolorido, olhei pelas janelas e percebi que já estava escuro lá fora. Havia trocado o dia pela noite, e pasmem, a primeira coisa que me preocupei foi em avisar a Senhora Jones sobre o motivo de não ter ido trabalhar.

Estiquei minha mão para pegar o telefone fixo, mas uma voz conhecida me alertou:

— Não se preocupe, eu já cuidei de tudo! – Derek disse lá da cozinha e caminhou em minha direção.

Estava usando um avental de cozinha e parecia tão doméstico, nada da habitual aparência de bad boy mimado.

— Como está? – Perguntou, agachando-se em minha frente.

— Dolorida. – Respondi com sinceridade. – Você ainda está aqui. – Emendei com incredulidade.

— Sim, eu te prometi, até limpei seu quarto, agora a porta iremos precisar de uma nova. – Ele diz com pesar.

— Não precisava fazer isso, obrigada! – Agradeci, ainda em choque por estar sendo cuidada por alguém.

— Eu fiz porque quis, estou preparando o jantar. Que tal tomar um banho para comermos juntos? – Ele pergunta.

— Claro, só tenho que avisar a Senhora Jones... – Comecei a falar, mas ele me interrompeu.

— Já avisei a ela e no colégio também, não se preocupe. – Ele diz com firmeza.

Subo para o meu quarto e percebo que ele realmente cuidou de tudo, até meus livros voltaram para as prateleiras. Pego uma blusa e uma calça no guarda-roupas e vou para o banheiro.

Eu estava realmente precisando de um banho, a água quente pareceu ser um calmante para meu corpo. Fiquei ali pelo tempo necessário, para que todo cheiro de Bart que parecia impregnado em mim fosse embora. Depois de me vestir, desci e encontrei um Derek descontraído escutando a rádio local.

— Acabou de ficar pronto, chegou na hora. – Ele diz me entregando um prato. Havia feito arroz, batatas fritas e strogonoff de frango.

— Nossa, você se virou bem! – Digo impressionada.

— Depois de encontrar as coisas tudo ficou mais fácil. – Ele diz modesto.

Nos servimos e quando provo a comida prepara por ele fico ainda mais impressionada.

— Está uma delícia! Muito obrigada! Por tudo! – Digo agradecendo não somente pela comida, mas por tudo que ele fez.

— Imagina. Fico feliz que tenha ligado para mim. – Ele diz com um sorriso franco.

Comemos em silêncio e quando termino sem querer solto uma risada sem graça, estava realmente atordoada com Derek. Às vezes ele se comportava como o rapaz dos sonhos, às vezes me ignorava completamente, era muito difícil acompanhar suas variações de humor.

— Algum problema? – Ele pergunta se inclinando levemente em minha direção.

— Nada. – Minto, levantando-me para lavar meu prato.

Derek me acompanha em silêncio, e pego seu prato de suas mãos para lavar também.

— Deixa comigo, é o mínimo que posso fazer depois de você ter cozinhado para mim. – Digo sem olhá-lo.

Ele não faz nenhum comentário, apenas retira os talheres da mesa e guarda o suco e as panelas na geladeira. Depois da cozinha limpa, seco minhas mãos no pano de prato e me viro, encontrando-o me observando em pé do lado da bancada.

— Eu vou indo embora então. – Ele diz caminhando em direção a entrada. – Você vai ficar bem aqui sozinha? – Ele pergunta me encarando.

— Sim, vou descansar mais um pouco. – Digo o acompanhando.

— Já ia me esquecendo, isto é, para você Billy da lanchonete trouxe mais cedo. – Ele diz estendendo-me um envelope com dinheiro. Hoje era sexta, Senhora Jones nunca falhava com o meu pagamento.

— Muito obrigada! – Agradeço segurando o envelope.

— Anna, pode me dizer o que te incomoda em relação a mim? – Ele diz soltando o envelope.

Quando Derek me encarava daquela forma, eu sentia muita dificuldade para me concentrar. Ele era lindo, bem alto cerca de 1,80 de altura, braços fortes, abdômen bem definido, cabelos negros lisos e curtos, pele levemente bronzeada e aqueles olhos que tinham a cor do mar.

— Você só me confunde as vezes sabe, é bipolar ou algo do tipo? – Pergunto, sentindo minhas bochechas esquentarem. Droga! Eu estava ruborizando.

Derek solta uma gargalhada, parece descrente com o que acabou de ouvir. Ele olha para os lados e coça a cabeça e aproxima-se de mim, nossos narizes quase se tocando.

— Eu tenho personalidade difícil Anna. Não estou sempre de bom humor. – Ele se justifica. – Mas existe uma coisa que não muda. – Ele emenda.

— O que? – Pergunto num sussurro, seu hálito me confundindo.

— Eu gosto de você. – Ele diz, dando um sorriso inédito para mim, um sorriso carinhoso. Estica uma de suas mãos e toca em meu rosto.

Era isso, Derek iria me beijar e eu mal conseguia respirar tamanha era minha expectativa por isso. Nossos lábios se aproximam, mas o barulho da porta se abrindo nos interrompe.

— Boa noite crianças! – Mamãe diz estranhamente bem-humorada.

— Oi, como a senhora está? – Derek pergunta afastando-se de mim.

— Bem, tive de ficar em observação no hospital, mas agora me sinto bem melhor. – Ela responde.

— Fico feliz por você, e agora que está aqui me sinto aliviado por não deixar Anna sozinha. – Ele emenda.

Para minha surpresa, Derek aproxima-se novamente e dá um beijo de despedida em minha testa. Ele aperta a mão que minha mãe estende em sua direção e vai embora. Eu me viro para subir para meu quarto, mas sou interrompida.

— Anna, quero conversar com você. – Mamãe diz em um tom sério.

— Pode ser amanhã? – Pergunto friamente, eu a culpava internamente pelo que aconteceu.

— Agora. – Ela ordena e sei que não adianta discutir.

Sento me no sofá e ela senta-se na poltrona em frente a mim, aquela conversa era mesmo inevitável.

Notas finais
Eu particularmente amei esse capítulo, e vcs?? Te vejo nos reviews. Super Beijo