Notas iniciais
As coisas começam a ficar estranhas no abismo. Na verdade, já estavam estranhas à muito tempo...

Meus olhos se abriram lentamente. Levantei-me e tentei descobrir onde estava. Era aquela pequena torre, na qual eu havia parado para descansar. Senti um alívio imenso ao ver que Serene, Mary e meu braço ainda estavam lá! Eu estava com fome, da mesma forma que estava naquela noite na qual fiquei acordado. Peguei um pacote de biscoitos para comer, e novamente Mary se acorda e me faz a mesma pergunta:

–Pode me dar uma?

–Claro... – Respondi.

Mary de novo havia caído no sono depois de comer, e eu de novo havia passado uma noite acordado, pensando. Não pensando no que Umberg havia dito, mas sim naquele pesadelo, obra das artes negras dos Krazuamen. Eu tentei dormir um pouco antes de Mary e Serene se acordarem, mas eu apenas não conseguia. Tudo aquilo havia sido uma experiência tão surreal e agonizante, que meus olhos não conseguiam se fechar sem que ativasse minhas lembranças daquela escuridão aterrorizante. Eu abri minha mochila, para registrar aquela nova criatura, junto com Umberg e os Krazuamen.

Ao abrir o caderno encontrei algo um tanto estranho: Na página onde eu iria desenhar e escrever sobre Pesadelo estava sua descrição e desenho que com toda certeza não havia sido desenhado por mim. Aquele desenho não seguia meu estilo, que era algo mais suave e colorido. Ele era mais realista, sem cor alguma além do vermelho que representava meu sangue na boca do monstro. Sua descrição estava escrita naquele alfabeto Krazuiano:

541: O grande aniquilador negro, composto de Umbranium reforçado com Aço, essa besta tem alto poder destrutivo e não descansará até que sua presa esteja morta. Alto potencial em sua mordida, usada solenemente para arrancar o braço dos desavisados”

Duas coisas podiam ser afirmadas acerca do desenho: O Krazuamen que fez isso desenha muito bem e tem um grande senso de humor. Eu cheguei a rir daquilo, depois de toda aquela vista inquietante, por que não rir?

Ao acordarmos Mary me perguntou:

–Está pronto para explorar a torre?

Dei uma longa pausa, depois olhei para seus olhos e disse:

–Acho que não é nela que acharemos o sobrevivente...

–Como assim, Zach, nós nem entramos nela!

–Confie em mim, esse território é muito perigoso. Vamos seguir para o sul dessa vez.

Ela confusa resolveu seguir para o sul comigo. Nunca mais voltarei para aquele lugar!

Chegamos ao shopping, mas ignoramos as lojas, pois já tínhamos muitos suprimentos de sobra. Alguns Tribals e Caninus apareceram, ignoramos alguns e decapitamos outros. Durante nossa caminhada ao shopping eu me sentia inquieto, com a sensação de estar sendo observado. Serene também estava alerta, voando sobre nós. De repente Serene aparentou ter visto algo. Voltou para baixo e bicou levemente meu ombro, que era seu sinal de alerta.

Algo estava em nossa frente, algo desconhecido. Avisei Mary para preparar seu rifle. Tirei a faca de açougueiro de minha mochila e a coloquei em minha mão direita, que eu me alegrava em poder usar novamente. Em seguida peguei a PSTL-49KW, que provou ser uma arma extremamente eficiente, tendo matado duas criaturas imensas e poderosas. A coloquei em minha mão esquerda e fui para a batalha!

Ao atravessar um pilar que impedia minha visão eu vi um vulto. O vulto era humanoide, também percebi um grande bico e asas, junto com um manto. Ele correu para a loja de roupas, na qual estava barricada. Eu não me lembro de ter feito aquilo! Talvez seja o sobrevivente, e o suposto Krazuaman está indo em sua direção! Preciso impedi-lo já!

Entramos rapidamente na loja, apontando nossas armas para a criatura encapuzada. Diferente de minha expectativa, a criatura não era um Krazuaman e não havia nenhum sobrevivente lá. Era um Eazman, um homem águia.

Meu filho... tenho uma tarefa para você.

Falou comigo- Perguntei.

Não, falei com a coruja. Sim, falei com você!– Disse o Eazman com um tom irônico.

Quem é você e o que você quer?– Perguntou Mary, encarando seriamente o Eazman, ainda com o rifle apontado para ele.

Acalmem-se crianças, não farei nenhum mal para vocês. Pelo contrário. Sou Hawter, o Onipotente Deus-Águia. Raramente apareço para mortais, sendo que minha última aparição foi no ano 612, quando tive de interromper atividades Krazuianas.

H-Hawter?! O que o todo poderoso Deus-Águia está fazendo nessa loja de roupas?!

Você se pergunta isso, Zach? Eu irei lhe responder.

Não foi uma grande surpresa que ele tivesse o poder de ler mentes, mais ao menos teríamos respostas agora.

Uma grande guerra está ocorrendo na terceira dimensão, apesar de eu não ter o costume de me envolver com guerras no mundo mortal, o que eu direi vai além de mero espaço físico. Vazachor e seu exército de almas negras estão atacando o império de Owlazar, no qual mal pode se defender, desde que poucos realmente têm almas que merecem ir para o império coruja.

Terceira dimensão, almas negras. Explique-me melhor isso! –Perguntei para Hawter. Talvez aquela fosse minha saída daquele lugar! Mas por outro lado eu havia me envolvido em uma grande guerra... Uma guerra que sem dúvidas era maior e mais violenta do que a que os humanos criam.

Existem três dimensões ao total, nos quais dois eu tenho poder sobre: O reino físico, no qual existe tempo e espaço, onde os mortais vivem, sendo controlados por nós, os três deuses soberanos. A segunda dimensão ninguém além de Vazachor sabe o que habita ela. É um lugar onde existe apenas entrada e não existe saída, ou pelo menos é o que aparenta... Já a terceira é onde o reino espiritual existe. Os mortos, divindades maiores, divindades menores e outras forças não-físicas o habitam. Também fiquei sabendo que estão tentando invocar Vazachor... terrível.Eu não devia ter o banido para aquela dimensão... mas eu não tinha outra escolha.

Espíritos, mortos e divindades. No que eu me meti?

Se eles conseguirem invocar Vazachor para a terra mortal é provável que venha junto com ele os seres que habitam a segunda dimensão, e isso é horrível! Não podemos arriscar perder o reino mortal, além disso, não podemos destruir Vazachor, ele é quem mantém o equilíbrio entre o bem e o mal junto com Owlazar. Percebi que ele se tornou mais maligno daquele lugar...

Antes de tudo isso Vazachor era apenas egoísta e grosseiro, não causava muita violência na terra, mas agora que ele foi banido para a segunda dimensão...

Talvez exista algo o manipulando a cometer todas essas brutalidades. Ele pode ser mal, mas apenas para estabilizar o mundo. Vocês precisam deter o que estiver causando tudo isso, acreditem, existe algo acima das guerras, acima de Vazachor e seus Krazuamen, isso irá destruir tudo que você conhece e que nunca conheceu. Zach, Mary, eu gostaria de fazer uma pequena pergunta a vocês...

Vá em frente. –Foi e que eu disse.

Sem problema. -E foi o que Mary disse.

Suas armas são patéticas contra seres não-físicos. Eu preciso que vocês as deixem aqui, pois farei as alterações necessárias para que causem algum dano!

Deixamos nossas armas lá. Lavanda, o Rifle Sniper de Mary, PSTL-49KW,a Katana e a faca de açougue. Estávamos prestes a sair do lugar, quando fomos chamados por Hawter dizendo:

Esperem! Zach, eu gostaria que você também deixasse sua coruja aqui, preciso ensinar alguns truques novos a ela.

Ei! Se Serene ficar eu ficarei também! –Foi o que disse.

Como quiser.

As próximas horas poderiam ser descritas como entediantes e monótonas. Hawter estava treinando Serene de uma forma tão boba. Além disso, tudo que ele fazia nas armas era examiná-las e então passar um pó azul-claro estranho que não modificava nada na aparência da arma. Mary observava atentamente a o que Hawter estava fazendo, mas eu não aguentei toda essa chatice e peguei no sono, dormindo de novo por uma quantidade indeterminada.

Fui acordado por alguém, que falava uma estranha língua. Abri os meus olhos e para meu espanto era Serene. Ela e Hawter estavam conversando em uma língua completamente desconhecida! Minha coruja, ela fala! Eu sinceramente, não sei como isso pode ficar mais estranho. Levantei-me da cadeira na qual eu havia dormido.

Olha só quem acordou! Estou acabando de ensinar alguns últimos truques para Serene, depois disso tudo estará pronto!

Apenas sorri levemente de forma forçada e virei-me rapidamente, indo em direção à mesa onde ficavam as armas. Em toda minha vida nunca havia visto armas mais bem feitas e ameaçadoras! Lavanda tinha um cabo dourado, fácil de manusear, sua lâmina estava mais longa aparentava estar bem mais pontiaguda. Também notei que ela brilhava e me deixava com uma boa sensação ao olhar.

O rifle Sniper de Mary estava completamente modificado. Sua composição era de um metal branco e alumínio, ao invés do velho design de madeira e ferro. Esse metal brilhava da mesma forma que Lavanda brilhava. Talvez ela também tenha sido revestida do mesmo metal... Também havia algo escrito nele: “Visumaster”.

A Katana não havia mudado muito, apenas havia tido sua lâmina reforçada e composta daquele metal branco. PSTL-49KW havia recebido melhorias bem interessantes. Sua cor havia mudado de amarelo e branco para branco e azul-claro. O lugar onde se colocava as balas havia desaparecido...

Hawter! Como se recarrega a PSTL-49KW? Onde está o lugar para inserir balas?!

Ele se virou e me respondeu:

Primeiramente, não é mais PSTL-49KW, um nome um tanto extenso. Agora a chame de Parain, algo bem mais curto e prático. Segundo, balas são muito limitadas e acabam rápido, por isso pus um sistema de energia em suas armas de fogo, fazendo com que elas disparem balas de energia espiritual, na qual se acumula com o tempo.

Ao menos não precisaríamos usar balas agora...

E então tinha a faca de açougue... aquela arma patética que eu fiquei horas com o pensamento de me livrar desse peso. Ela não estava mais tão patética assim...

Seu tamanho havia aumentado, apesar de ainda ser bem leve, até mais leve que antes. Sua lâmina serrilhada brilhava, mas o mais impressionante era uma interessante espécie de alavanca que ficava em seu cabo, que fazia a incrível troca de faca de açougueiro gigante para uma poderosa lança espiral. Talvez eu comece a usar essa arma...

Fiquei experimento as armas novas nos manequins. Ainda havia os manequins no qual eu havia treinado anteriormente, que estavam perfurados e alguns sem membros. As armas funcionavam perfeitamente bem, mil vezes melhores que antes! A faca de açougue conseguiu cortar um manequim inteiro no meio de cima para baixo em um só golpe! Apesar da madeira fofa, era um feito um tanto grande devido a sua velocidade.

Hawter ainda estava conversando com Serene, ensinando algo que não tive conhecimento até mais tarde para ela. Ela parecia estar alegre ao lado de Hawter, se dando muito bem com ele. Chamei Mary para treinar ao meu lado. Ela havia aceitado e com um lindo sorriso que só ela podia reproduzir levantou-se da cadeira, agarrou a Katana e começamos um pequeno treino, atacando levemente o outro com suas armas. Enquanto as lâminas se batiam, eu conversava com Mary. Começo a considerá-la como uma amiga, talvez a única que eu consegui em minha maioridade, sem contar Serene, é claro.