O abismo sem Fim
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Hawter havia finalizado o treinamento de Serene. Ela aparentava estar mais forte, apesar de não ter ocorrido nenhuma mudança em seu físico. Ela parecia a mesma, apesar de eu ainda estar perplexo por ter a visto conversando em uma linguagem estranha.
Meu filho. Sinto que você ainda tem algumas dúvidas sobre esse vasto universo que lhe aguarda. - Disse Hawter de forma inesperada.
Sim...Eu gostaria de saber como saio dessa cidade. Além disso, onde está o último sobrevivente? Por que você me escolheu?Como chegarei a Vazachor, por acaso terei de esperar que o invoquem?
Tenho a resposta para todas essas perguntas, meu filho. Primeiramente, antes de querer sair da cidade, encontre o último sobrevivente, depois venha falar comigo aqui no Shopping. O último sobrevivente está o está ao leste da cidade. Tenham cuidado, pois mesmo essas poderosas armas vocês ainda correm o risco de virar o café da manhã de alguma criatura. Aquele lugar contém os mais perigosos experimentos dos Krazuamen.
Zach, escolhi você não pelo seu físico, mas sim pelo seu alto nível de poder especial e a capacidade de usar Unichacks. O próximo visitante lhe explicará melhor sobre eles. Enquanto a como chegar a Vazachor, outra coisa que eu poderei lhe responder quando você conseguir resgatar o sobrevivente.
Muitas de minhas dúvidas haviam sido respondidas, mas ainda havia uma que me incomodava muito, e tenho certeza que também incomodava à Mary:
E por que você não nos ajuda? Você é o Deus Onipotente! Você não pode simplesmente nos mandar para o lugar onde o sobrevivente está com seus poderes?
Desse jeito você não poderá melhorar seu conhecimento em batalhas. Acredite, você precisará.
Mas..ugh, ok. –Respondi à Hawter.
Ótimo. Sem mais questionamentos, vá para o leste da cidade, resgate o último sobrevivente, enfrente uma criatura gigantesca e mortal que provavelmente irá lhe machucar severamente e então volte aqui!
Mas o que você quer dizer?!- Perguntou Mary, de forma espantada.
Hawter simplesmente desapareceu. Sem fumaça, sem nada, apenas deixou de estar lá. Acho que será saudável para minha saúde mental esquecer essas maluquices e ir para o leste. Assim seguimos, encontrando vários Caninus, Tribals e uma nova criatura: Um ser cinza-claro que assumia a forma de um alce, porém era escamoso e não tinha os seus enormes chifres, ao invés disso ele possuía um grosso e longo único chifre, que se assemelhava a o de um rinoceronte.
A criatura não era agressiva. O ser era herbívoro, portanto comia as estranhas plantas que haviam crescido na cidade, mesmo com luz solar escassa. Vi um desses sendo atacado por uma alcateia de Caninus, correndo furiosamente contra a indefesa criatura, que se defendia como podia dos quinze Caninus. O número era alto, mas eu me sentia bem mais confiante, mesmo depois de ter sido brutalmente derrubado por cinco desses. Olhei para Mary e balancei minha cabeça verticalmente, que era a minha forma rápida de dizer que íamos atacar. Puxei a faca de açougueiro, na qual eu havia apelidado de “Azmarol”. Sim, eu realmente gosto de dar nome para as coisas.
Serene, em uma velocidade absurdamente rápida voou para os céus negros, desaparecendo na escuridão. Achei que isso era um truque que Hawter havia ensinado a ela, portanto parti para o ataque. O primeiro Caninus a nos atacar, que também havia sido o primeiro a nos perceber, avançou estrategicamente em minha direção. Era aquela mesma velha tática: Enganar o inimigo, fingir que o ataca e então aplicar o verdadeiro golpe na abertura.
Por puro impulso eu o ataquei, em um golpe horizontal com a faca de açougueiro. Por algum motivo que desconheço, a faca havia acertado o Caninus em seu tórax, partindo-o no meio de uma forma impressionante. Sangue havia se espalhado por todo o lado, mas por algum motivo tão misterioso quanto o acerto no Caninus, a lâmina de Azmarol não havia sido manchada.
Por que meu ataque havia sido tão rápido? Apesar da reação ter sido imediata, sua velocidade ainda era inexplicável. Talvez seja devido a arma ser leve e alguma espécie de influência que ela exerce sobre minhas capacidades o responsável disso. Enquanto à lâmina que não mancha, eu não pensei muito nisso. Era algo completamente estético e não iria me levar a lugar algum.
Os quatorze Caninus haviam se afastado de nós, provavelmente iam fugir.Que seres mais patéticos, não merecem respirar o mesmo oxigênio que eu respiro.
Mate os Mary! Mate os agora!- Demandei.
Mas Zach... eles estão fugindo, nós não ganharemos nada com isso!
Eu disse para você atirar neles! Ficou surda ou algo assim? Não pode obedecer uma simples ordem?!
Ela olhou triste para mim.
Zach....
As criaturas havia aproveitado nossa distração e tentam atacar Mary, mas novamente Serene veio. Caindo como um meteoro, Serene voava agilmente em direção ao grupo de Caninus, com uma espécie de aura azul-claro envolvendo ela. Ela simplesmente se jogou contra o chão, causando um grande impacto que arremessou as criaturas em diversas direções. Apesar de ainda vivas, elas desistiram de seu ataque e fugiram.
Mesmo diante de tudo aquilo, havia coisas bem mais importantes naquele momento...
O que deu em você Zach?!Eu sei que você não é assim. –Perguntava Mary
Eu... eu não sei o que deu em mim... Desculpe...
Andamos em silêncio pela rua. Eu realmente não conseguia explicar o que tinha dado em mim... Talvez seja apenas o efeito de viver anos sem ter um contato humano tão próximo quanto esse...
Nas ruas daquela parte da cidade havia várias carcaças, tanto de Caninus quanto daquele Unicórnio-Alce. Aquele cheiro era nauseante! Mas continuamos seguindo em frente, até que chegamos em uma área que aparentava ser o parque da cidade. Sua única entrada continha um grande portão triangular. Apesar da forma estranha, funcionava como os portões normais, era apenas empurrá-lo que ele se abriria, nada de mais.
Havia duas estátuas com criaturas de pedra que aparentavam serem gárgulas, até que dei uma examinada mais minuciosa. Não eram gárgulas, eram outro ser. Continham largos e curvados chifres, sua face era quase humana, se não fossem as duas presas e olhos pequenos e circulares. Suas pernas eram normais, como as humanas, mas seus pés continham três dedos ao invés de cinco, três longos dedos com unhas afiadas como a de uma águia. Suas mãos eram da mesma forma, excluindo o fato de que tinham cinco dedos igualmente afiados, mas não igualmente longos, eram curtos. Suas asas de morcego eram grandes. Diante de tudo isso, nada dessas características eram tão estranhas quanto essa que irei lhe contar: Elas tinham quatro braços, ao invés de apenas dois.
Elas estavam segurando lanças, usando duas mãos, enquanto seus outros dois braços estavam cruzados, com uma pose intimidante e autoritária. Definitivamente, aquela era o tipo de criatura na qual não deveria se mexer!
Entramos no parque, esperando encontrar o último sobrevivente. Estava escuro, portanto ligamos a lanterna. Estranhamente, os raios solares não aparentam chegar nesse lugar.
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