O abismo sem Fim
4 Capítulo 4
Era difícil saber se era dia ou noite, os raios solares eram muito escassos. De qualquer maneira, comi o bife que eu havia encontrado no açougue junto com Serene. O gosto não era bom, mas era tolerável.
Percebi que Serene estava cansada e havia dormido depois de comer, coitada, estava exausta! Com certeza ela merece esse descanso, salvou minha vida tantas vezes!
Enquanto ela dormia, tirei minha Lavanda da mochila e comecei a treinar com os manequins. A madeira era fofa e muito frágil, facilitando bastante o treinamento. Passei grande parte do tempo lá espetando manequins, aprendendo diversas táticas que eu considerava efetivas.
Decidi então dormir, deitei-me no chão, fechei meus olhos e em um piscar de olhos já havia apagado. O sono não durou muito, foi interrompido por um som que se assemelhava com vidro sendo quebrado vindo do andar inferior.
Eu pensei em voltar a dormir, mas fui dominado pela curiosidade e fui ver o que era. Desci as escadas e empunhei Lavanda, observando cada centímetro do andar inferior, procurando pela fonte do barulho.
Ouvi passos pesados, como se algo colossal estivesse vindo em minha direção. Percebi uma sombra imensa me cercando, seguida de um rugido muito fino e ensurdecedor. Virei-me e tive certeza que era mais uma daquelas aberrações. E era mesmo.
Uma criatura humanoide de quatro metros, magra e esguia, usava uma mascara estranha e uma espécie estranha de chapéu com formato cilíndrico, que se assemelhava a um balde. Ela carregava em sua mão direita um vergalhão longo de ferro. Usava roupas rasgadas e velhas de couro. A cor de seu corpo era cinza escuro, acompanhada de pelos curtos.
Era com toda certeza mais poderosa que um daqueles Caninus havia matado. Eu quase fico paralisado de medo, mas eu sabia que nem um segundo deveria ser perdido naquela batalha.
A criatura avançou em minha direção e me atacou com o vergalhão, não como se ela quisesse me empalar, mas sim como se ela quisesse me esmagar!
Eu desviei facilmente do ataque, o vergalhão era fino demais para ser usado eficientemente como arma de impacto. Que criatura mais estúpida!
Sabendo da inteligência microscópica daquela besta, resolvi primeiro a desarmar, desviando do ataque que ela lançou e espetando sua mão, fazendo com que o vergalhão caísse rapidamente no chão.
A criatura resolveu apelar para a força bruta, me surpreendendo com um soco. Eu consegui desviar facilmente daquilo, pois o soco requeria que a criatura se abaixasse e então me atacasse. Além disso, os punhos dela eram muito pequenos, reduzindo drasticamente a chance dos socos me acertarem para um nível muito baixo.
Esse ataque a deixou vulnerável, pois agora eu poderia alcançar sua cabeça. Corri para o espaço entre os dois braços da criatura e então a ataquei com a Lavanda.
O dano foi desastroso. Eu havia acertado o seu olho esquerdo e a deixado em severa agonia. A Lavanda continuava em minha mão como eu esperava. Vendo a criatura se debater de dor e então se jogar no chão, rastejando na direção oposta da que eu estava, eu corri em direção a ela e a finalizei, inserindo a Lavanda em sua cabeça, provavelmente perfurando pelo crânio e acertando seu cérebro. Removi minha espada da criatura, que passou de ser da cor lavanda para vermelho, manchada pelo sangue bestial daquelas criaturas abissais.
Feliz com minha vitoria, voltei para a loja de roupas. Eu não estava com sono, portanto, resolvi treinar minhas habilidades com o cutelo em manequins, desde que não havia consciência de como usar propriamente aquela arma.
Serene acordou depois algumas horas, se deparando com braços e pernas de madeira que eu havia cortado. Ela parecia bem disposta e feliz. Desde quando ela era apenas um filhote fraco e indefeso eu tive a habilidade de reconhecer o que essa coruja sente. Um fato um tanto curioso, mas era cotidiano para mim.
Exploramos o shopping a procura de suprimentos. O que eu mais dava prioridade no momento eram suprimentos para se utilizar no combate. Achamos uma loja de equipamento militar enquanto procurávamos. Achei poucas armas de fogo, agarrei uma PSTL-49KW, uma pistola fabricada não para matar, mas para imobilizar. Ela atirava um projétil muito engenhoso que ao penetrar no sistema muscular de determinada entidade o desativa, desabilitando qualquer movimento possível da criatura.
Era de fato uma arma magnífica, infelizmente havia pouca munição, apenas sete balas. Enfim, coloquei-a em minha mochila e resolvi procurar mais. Nessa procura achei uma espada de esgrima. Ela continha uma ponta bem fina. Era longa, possibilitando ataques de uma distância maior do que a Lavanda. Eu a comparei com Lavanda, testando-a em manequins e vendo sua eficiência. Notei que Lavanda conseguia penetrar nos manequins mais efetivamente do que a espada de esgrima. Resolvi então descartar essa espada. Nada adianta a espada ser tão bem feita se ela não é efetiva em combate.
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