Na minha caminhada pelo shopping encontrei algumas bestas conhecidas, alguns Caninus e dois Tribals (Sim, nomeei essa criatura colossal que eu havia acabado de encontrar), sendo que eu optei por passar despercebido de todas elas.

No caminho eu achei uma loja em completa ruína, restando apenas tabuas de madeira que haviam caído. Naquele momento tive uma ideia. Removi uma boa quantidade de tabuas (Todas que eu pudesse aguentar) e as carreguei para a loja de roupa.

Chegando lá, cansado de carregar peso, deixei-as lá e prossegui em minha exploração. Resolvi sair do shopping e ir procurar sobreviventes, quem sabe eu não acho um?

As ruas estavam vazias. Esburacadas e elevadas são duas características precisas sobre elas. Isso não me desanimou, pelo contrário, eu não teria de que enfrentar mais bestas!

A quietude das ruas me deixou com certa suspeita, mas prossegui com cautela, enquanto Serene voava a alguns metros de minha cabeça, procurando por ameaças.

A tranquilidade da rua em que estava logo cessou quando um uivo que se assemelhava bastante a o de um lobo foi ouvido por mim. Em cima de um telhado de uma casa, um Caninus apareceu, mas ele não estava sozinho...

Um grupo de cinco Caninus aparece, me cercando. Eu sabia que aquilo era o meu fim, mas eu iria lutar até a morte! Puxei minha Lavanda e meu Cutelo, cada um em uma das minhas mãos.

Eu olhei para aquele Caninus que havia chamado às outras bestas, ele havia um machucado em sua cabeça. Era evidente que ele era aquele que havia fugido no açougue. Eu e Serene iríamos eliminá-lo de uma vez por todas!

A primeira besta avança em minha direção. Ela tentou me atacar, porém, foi apenas um fingimento. Dessa vez eu não havia caído nessa. Aquelas criaturas são as mais inteligentes que encontrei até agora!

Eu resolvi mudar de tática para uma mais ofensiva, avançando em sua direção a ela e então lançar um ataque muito fraco, que serviria apenas para enganar a criatura, forçando-a a desviar. No momento que ela acabar de se esquivar eu usarei um ataque mais forte, matando-a com facilidade.

A estratégia não foi tão bem sucedida, pois a criatura era rápida demais e desviou do meu segundo ataque.

Perdi minha paciência em lutar de forma defensiva ofensiva e parti para a puramente ofensiva, atacando-a diversas vezes com minhas duas armas.

Foi um erro terrível. A criatura desviou de todos meus ataques e aproveitou as aberturas que eu havia deixado, arranhando diversas vezes meu tórax.

Naquele momento eu desmaiei, estava muito fraco. Antes de cair eu vi Serene tentando atacar aquele Caninus. Logo depois ouvi um tiro, que aparentemente espantou todos os Caninus.

Eu acordo e me encontro em um quarto completamente fechado. Sem janelas, sem portas. Apenas as paredes e a cama. Eu me desesperei, procurando freneticamente por uma saída.

Quando minhas esperanças se esgotam, eu ouço uma voz dizendo meu nome.

Zach...

Virei-me horrorizado e vi aquela criatura. Era a mesma criatura que havia me atacado no cemitério. Eu estava desarmado dessa vez, a luta teria que ser verbal.

Você! Você foi quem me trouxe a este inferno abissal! Que tipo de aberração e você?

Poupe sua voz, Zach. Me chamo Malphas, sou um Krazuman. O governo russo me contratou para sequestrar você. Você e mais algumas centenas de pessoas. Temos grandes planos para você, ou ao menos, eu tenho.

O homem corvo falava de uma maneira calma. Suas palavras bem usadas indicavam que ele não era um simples experimento bestial criado pelo governo russo.

O que você pretende fazer com essas centenas?

Apenas espera para ver, Zach. Você ficaria surpreso com o número de bestas nessa cidade que você está.

A criatura começou a emitir uma aura negra, impossibilitando minha visão. Antes da sala ficar completamente escura eu senti alguma coisa ciscando levemente minha cabeça.

Era Serene, tudo aquilo havia sido apenas um pesadelo bobo. Era o que eu esperava.

Nós estávamos em uma casa, ainda na cidade. Não que isso tudo possa ser um sonho, pois é praticamente impossível ter um sonho tão extenso assim.

O quarto que eu me encontrava era feito de uma madeira escura e rígida. Olho pela janela e vejo o shopping a uma distância. Antes mesmo de eu pensar em sair daquela construção fui surpreendido por uma pessoa que acabara de abrir a porta. Fiquei tão feliz ao ver um ser humano no meio daquele amontoado de bestas!

Vi você caído no meio da rua enquanto fazia a proteção da minha área. Tenho que dizer que você foi bem corajoso! Porém, bem idiota. Mudando de assunto, meu nome é Mary Wolfhent. Qual é o seu?

Zachary Axis, mas pode me chamar de Zach.

Ela sorriu para mim, pegou minha mochila e me deu.

Acho que isso aqui é seu, Zach.

Sim, é meu! Obrigado... Mary.

Seu tamanho era médio, mais ou menos uns 1,68 metros, cabelos longos, morenos e lisos, olhos azul, postura firme, era parda e carregava uma mochila em suas costas. Vestia uma bata branca, com algumas manchas vermelhas.

E essa coruja? Só acho um pouco estranho alguém ter uma coruja como animal de estimação.

Ela se chama Serene, foi minha única companhia por muito tempo. Na verdade, ela é a minha única companhia. Eu morava sozinho na Noruega, tenho 25 anos e sou, ou pelo menos era, designer de armas.

Designer de armas? Eu tinha um primo que exercia essa profissão. Eu tenho 22 anos, também morava sozinha, mas na Inglaterra. Eu era programadora de nano-robôs.

Programação de nano-robôs? Juro que vi poucos em minha vida. Uma profissão desejada de qualquer um que esteja no ramo da informática.

Nós conversamos por alguns minutos, trocando ideias sobre informática. Apesar de nova, ela tinha mais experiência com computadores do que eu tinha. A conversa foi interrompida por uma batida forte na porta. Descemos rapidamente a escada e nos dirigimos à cozinha. Com minha Lavanda na mão e pronto para o que aparecesse, abri a porta. Era apenas um Tribal. Eu avancei em direção a ele, porém, meu ataque foi interrompido por tiro, disparado por Mary.

O gigante mal havia dado as caras e já estava no chão. E pensar que eu havia tido uma luta imensa com ele no shopping. Acho que tudo isso é uma questão de prática...

Voltamos para o quarto e continuamos nossa conversa, como se fosse normal ser atacado por uma criatura dessas. Aquilo tinha virado uma situação normal.