O Voo Do Passarinho

15 Capítulo 15 - Revelações


Notas iniciais
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Sandor desceu pelo mesmo corredor que o levara até o convés de volta para os seus aposentos. Alíria vinha as suas costas dando risadinhas típicas de mulheres levianas. Clegane não conseguia compreender porque ele estava sendo relutante em aniquilar a mulher que ameaçava lhe causar problemas. Talvez fosse relacionado a sua moral, talvez porque não acreditasse que Alíria cumpriria as suas palavras ou ainda porque ele de certa forma desejava o que estava acontecendo. Tudo isso era independente. Ele estava procurando um lugar longe dos olhos da multidão onde pudesse possuir a camponesa e assim cumprir com o que ela lhe pedia e esquecer os toques de Sansa.

– Não aí — Alíria o advertiu quando ameaçou abrir a porta de seu próprio quarto — No outro será mais seguro.

Não entendeu como o aposento dela podia ser mais seguro do que o seu, mas preferiu não questionar. Cada segundo perdido em discussões vãs era um tempo precioso que ele desperdiçaria a mais na presença dela; não que ele estivesse ansioso para retornar à festividade, mas tinha pressa em suas obrigações.

Deixando-se ser guiado, Sandor caminhou até a porta ao lado e a adentrou. O quarto estava impecável como se era esperado de garotas. Todas as cobertas estavam perfeitamente dobradas sobre as camas e próximo à lareira haviam roupas secando. Ele reconhecera a calça que Sansa estava utilizando quando a possuíra e a sua capa da Guarda Real, agora tão branca quanto no dia que a ganhara. As coisas podiam ter sido diferentes. E teriam, se ele tivesse decidido lutar contra os seus medos na Batalha de Blackwater e não os utilizar como uma desculpa para fugir e levar Sansa consigo. Agora que o Rei Joffrey estava noivo da garota das flores, sabe-se lá o que aconteceria com Sansa. Eu podia devolvê-la para Joffrey, pensou. Mesmo eles não estando mais noivos, ela ainda é uma Stark e será uma prisioneira valiosa para o reino. Os Lannisters provavelmente a casariam com algum de seus homens para garantir o poder e ele nutria esperança de que talvez pudesse ser o escolhido, já que o seu irmão mais velho estava sendo procurado para execução e Clegane's Keep seria transferida para si por ordem de hierarquia se ele não retornasse à Guarda Real. Mesmo depois de ter mandado literalmente e explicitamente o rei e o reino se foderem, Clegane sabia o quanto o jovem rei era afeiçoado à ele por ser uma das poucas pessoas em quem podia confiar, então não era difícil de imaginar que o seu cargo de guarda juramentado do rei seria restituído e que ganharia alguns benefícios se levasse o passarinho consigo.

O que estou pensando? Sandor se repreendeu. Joffrey jamais deixaria Sansa sair de Porto Real durante uma guerra, mesmo que fosse para ela viver com o seu marido, independente de quem ele fosse. Ela ainda continuaria a sofrer agressões físicas e verbais e os poderes de defesa dele seriam ainda mais limitados, podendo facilmente ser acusado de traição por já tê-lo feito anteriormente. Aja o que houver, eu não a devolverei para os Lannisters, decidiu.

– Uma moeda pelos seus pensamentos — Alíria havia fechado a porta do quarto para garantir a privacidade e agora abraçava Clegane pelas costas, como uma criança que não era.

– Solte-me — Ordenou, sem mover um músculo contra a mulher.

– Você prometeu que me amaria– Rebateu, recusando a se afastar dele. Os braços de Alíria se fecharam ainda mais ao redor do corpo de Sandor, contudo pelo peitoral dele ser demasiado grande para condizer com sua altura e a sua profissão, ela não conseguiu entrelaçar as pontas de seus dedos.

– Eu disse para ser rápida, o que não está sendo — A repreendeu, forçando os braços dela a lhe liberarem do abraço e voltou-se para a camponesa, com o semblante fechado.

Seus lábios de prontidão encontraram com os dela e a silenciou em um beijo profundo utilizando a língua. A moça não era inocente como o passarinho e ao invés dessa atitude despertar-lhe o instinto de recusar o beijo, ela o retribuiu apaixonadamente, movimentando a sua cabeça para onde Sandor a conduzia. Sem cessar o contato dos lábios de ambos, o homem desceu as suas mãos pelas coxas da mulher e erguendo a sua vestimenta, percebeu que Alíria não estava utilizando a sua anágua e tocou-lhe o sexo. Alíria gemeu em sua boca quando os dedos rústicos de Clegane encontraram a sua vulva e arqueou-se quando estes tocaram em seu clitóris, escorregando para o seu canal vaginal.

Ela estava quente e molhada. Havia se esquecido de como a camponesa se excitava com facilidade. As paredes vaginais dela se contraiam sobre os seus dedos enquanto entravam e saiam de dentro dela, o que era o suficiente para excitar qualquer homem. Em menos de um quarto de hora ele conseguiria satisfazê-la e comprar o silêncio dela por mais um tempo, mas isso parecia estar longe de acontecer. Ao contrário de Alíria, Sandor não estava excitado, não estava nem meia bomba, na verdade, estava bem longe dessa fase e o pseudo-cavaleiro estava extremamente irritado com esta condição que afetava a sua masculinidade.

– Oh, Sandor... — Alíria gemeu o nome dele, demonstrando a sua grande intimidade com o mesmo, embora fosse a primeira vez que o chamasse pela forma como fora batizado pela luz dos Sete — O que você tem para mim, hein? — Abriu um sorriso em sua expressão de prazer e passando a mão por cima da calça de Sandor, pôde perceber que não havia nenhuma sombra de tesão — Isso não é bom... — Reclamou — ... Mas eu sei exatamente como solucionar o seu problema — O sorriso no rosto de Alíria se alargou.

Sandor retirou a sua mão do meio das coxas da mulher enquanto ela desatava o nó de sua calça por de baixo de seu gibão. Sua calça agora mais frouxa ameaçou despi-lo, todavia a mulher foi mais rápida, retirando o que escondia o sexo do homem até a metade das coxas dele e ajoelhou-se em sua frente. Sandor ergueu o seu gibão no exato momento em que a mão áspera de Alíria tocou-lhe o pênis. O contato dela fê-lo tremer. A mão da mulher estava fria enquanto o seu corpo estava quente. A mão dela deslizou por toda a extremidade do membro do homem até chegar em suas bolas, apertando-as na palma de sua mão com força o suficiente para excitá-lo sem o ferir. Ainda assim, não houve resposta da parte dele. Isso nunca havia acontecido, Sandor ainda era jovem, talvez não tão jovem assim, visto que as batalhas o endurecera, porém por outro lado o seu apetite por mulheres crescera e Alíria não era uma mulher indesejável.

– Maldita seja, mulher! Não consegue nem me dar tesão!? — Esbravejou, colocando a culpa de sua limitação na camponesa. No fundo ele sabia que o que acabara de fazer não era justo, a razão de não conseguir uma ereção estava relacionada ao seu cérebro. Ela não é o passarinho, refletiu. Se fosse Sansa, só o fato dela estar parada em sua frente desejando foder já seria o suficiente para excitá-lo. Entretanto, se Alíria fosse realmente boa na sedução, então ele não conseguiria pensar em mais ninguém além dela, por tanto, em certa parte a culpa também podia ser atribuída a mulher.

A camponesa não respondeu, ao invés disso ela intensificou as suas carícias. Mantendo uma mão nas bolas dele, com a outra auxiliou o pênis a se levantar até a altura de sua boca, onde então deu uma pequena lambida em sua cabeça antes de introduzi-lo entre os seus lábios. Sandor não conseguiu evitar e um pequeno gemido lhe escapou. Seu corpo aos poucos começou a esquentar, o calor da boca da mulher estava sendo transferido para o seu membro. Alíria passeava com a língua pelo pênis de Clegane fazendo meio círculos por toda a região que estava em sua boca. Aos poucos a mulher foi criando espaço para que o membro dele que era maior do que o normal pudesse descer por sua garganta.

Sandor logo nas primeiras carícias de Alíria sentiu necessidade de grudar-lhe nos cabelos e a atitude foi bem executada quando o pênis enrijeceu ao entrar em contato com a garganta dela. Não, pensou; ele não iria deixá-la guiar a situação. Tendo certeza de que o cabelo dela estava bem preso entre os seus dedos, fez movimentos de vai e vem com a cabeça dela para sincronizar com o de seu quadril. A princípio Alíria se assustou, mas logo tratou de colaborar, ficando com a boca bem aberta e a garganta receptiva para acolhê-lo.

– Maldição! — Exclamou. Para quem não estava conseguindo excitar-se, ele estava indo muito bem. A força o fazia sentir poder e o poder trazia consigo o tesão. Seus olhos se fixaram no espelho pregado atrás da porta do quarto. Sansa estava na mesma posição que ele estava agora quando fez o sexo oral nela um pouco antes de ter lhe deflorado. Seus pensamentos tornaram a vagar até a moça e o gosto do mel da garota lhe veio a boca junto com tudo o mais relacionado à ela. Clegane estava prestes a explodir de prazer, a garganta de Alíria era tão apertada quanto a vagina de Sansa — Maldição! — Tornou a repetir, aumentando os seus movimentos. Algumas penetrações a mais e ele gozaria na boca da camponesa. Faltava realmente muito pouco para entregar-se ao prazer quando o seu reflexo no espelho foi distorcido com o abrir da porta por uma jovem de cabelos escuros, pele pálida e olhos azuis o encarando horrorizada — Sansa... — Ele a chamou em um gemido no exato momento em que despejara sua semente.

Sendo liberta das mãos de Clegane, Alíria tombou de lado e limpou o resto da ejaculação que ficara em sua boca no dorso da mão, os seus olhos se viraram para onde Sansa estava. Foi inevitável que ela abrisse um sorriso de satisfação. Era isso que ela queria, Sandor constatou. A camponesa queria que Sansa os pegassem juntos, por isso sugestionara que o seu quarto era melhor. Ele sempre fora inteligente, então por que deixara ser enganado à esse ponto? Após o susto inicial, o homem tratou de vestir imediatamente a sua calça a modo de tampar-lhe o sexo.

– D-desculpem... E-eu n-n-não... — A frase não fora terminada. O rosto alvo de Sansa se tornara avermelhado em questão de segundos e a sua voz estava fragilizada, demonstrando o estado de espírito dela. O passarinho correu, voou da porta para o corredor a fora, muito envergonhada para ficar um instante a mais na presença dos dois amantes.

Passarinho..! — Sandor a chamou, fazendo menção de segui-la. Havia quase alcançado a porta quando Alíria que ainda estava ajoelhada no chão grudou-lhe a perna.

– Deixe-a — Ordenou.

Clegane já estava cansado de receber ordens daquela mulher. Ele compreendeu que a única razão que o impedia de matá-la era o fato de conhecê-la, como suspeitara desde o princípio, mas agora que ela ameaçara a sua relação com o seu passarinho ele não pouparia esforços e pondo a mão no cabo de sua espada que ainda tinha as costas, lhe dirigiu a palavra.

– Afaste-se — Mais nenhuma palavra ou ação foi necessária para convencer a camponesa a deixá-lo ir. Alíria achava que tudo aquilo não passava de uma grande brincadeira que estava fazendo com Clegane, contudo pelo jeito que ele estava reagindo, a situação havia ido longe de mais.

Sandor deixou os aposentos, seguindo os passos de Sansa. Ele olhou para o sentido no corredor que levava até o convés, mas não era para lá que Sansa estava indo; ela escolhera o lado que descia.

Passarinho! — Ele a chamara, correndo em sua direção. Não sabia exatamente o que lhe dizer e nem porque estava indo ao seu encalço, ele só sentia que tinha de fazê-lo — Passarinho! — Tornou a repetir o nome dela, mas ela mais uma vez o ignorara e só parou a pequena corrida que iniciara quando ele segurou-lhe o antebraço já no andar dos aposentos da tripulação.

– Você está me machucando, Sor! — Seus olhos estavam baixos e o seu tom indicava o que estava se formando em sua garganta. O passarinho quer chorar, Sandor constatou e seus dedos suavizaram a força no braço dela, porém não chegou à soltá-la.

Passarinho... — O apelido dela mais uma vez fora pronunciado, dessa vez mais como uma lástima do que um chamado.

Sansa deve ter sentido que Sandor não a liberaria e dessa vez, juntando toda a sua coragem, ergueu a mão livre e em seguida deu-lhe um tapa no lado bom do rosto. Na ação, Clegane por fim a soltara, dando dois passos para o lado e levou a própria mão a face. Fora a primeira vez desde a sua infância que alguém teve a chance de esbofeteá-lo, sendo que pela primeira vez apanhara de uma mulher. Ambos se entreolharam atordoados por alguns instantes antes do homem romper o silêncio.

– Mas que porra! O que...? — Começou.

– Eu não sou um maldito passarinho! — Esbravejou, deixando transparecer todas as suas emoções.

Sansa não esperou resposta e voltou a descer ainda mais no navio. Ela não sabia para onde estava indo, mas Sandor compreendeu que ela só queria ficar sozinha. Se o desejo dela iria ou não ser realizado, já era outra coisa. Ele tratou de segui-la, cada passo seu equivalia a dois dos dela e ainda assim não estava indo rápido o suficiente para alcança-la devido a vantagem inicial de tempo no início da perseguição.

– Onde diabos você pensa que está indo!? — Sandor gritou e a sua voz ecoou pelo corredor escuro. Ele estava bravo, frustrado e confuso, enquanto Sansa estava claramente assustada. Ela corre como uma corsa durante uma caçada, a comparação só o fez ficar mais disposto a alcança-la. Clegane como a maioria dos homens do reino apreciavam caçar, fosse animal ou fosse mulher, a caçada fazia com que o seu sangue esquentasse em todas as partes de seu corpo, inclusive em seu pênis, mesmo este tendo liberado o seu leite pouco tempo atrás.

Não importou o quanto Sansa correu, no fim ela fora pega por Clegane e atirada de costas na direção um enorme caixote de madeira na altura de uma mesa, mas não chegou a cair ou a se sentar no objeto, ficando em pé com as batatas da perna em contato com a madeira áspera. Eles haviam chego no andar das mercadorias que estavam sendo transportadas, não havendo vivalma no lugar e nenhuma luz além da que vinha de um archote que queimava a poucos passos deles com iluminação suficiente para clarear boa parte do espaço.

– Mas que porra, por que me bateu!? — Sandor gritou, exigindo uma explicação. A respiração de ambos estava descompassada pela corrida.

– Você é um mentiroso! — Sansa esbravejou e os dedos de Sandor se fecharam ainda mais ao redor de seus braços — Você mentiu pra mim, me enganou, traiu a minha confiança! — As palavras pronunciadas doeram mais em Clegane do que o tapa que recebera. Durante todos esses dias a garota guardara consigo os seus sentimentos e agora, somente neste instante ela achara a oportunidade de lidar com as suas emoções com quem era a causa de suas aflições.

– Eu não... — Sandor começou, entretanto suas explicações se perderam nos olhos azuis frios que pareciam capazes de ler a sua alma, tamanha era a intensidade com a qual o encarava.

– Você o fez! — Atirou-lhe a verdade — Disse que me levaria de volta para Winterfell, mas não há mais Winterfell, meus dois irmãos mais novos caíram junto com o castelo! E tudo isso foi obra do seu irmão!

Ela soube! O ódio percorreu suas veias. Alíria disse que Sansa não sabia o que ocorrera em sua terra natal, as ameaças da mulher se provaram vazias e para piorar, a verdade fora contada de forma distorcida.

– Quem foi que lhe contou essa história? Foi Alíria, não foi!? — Acusou — Ela está mentindo. Meu irmão não teve nada a ver com a queda de Winterfell — Essa fora a única vez que se levantara a favor de Gregor. Seu irmão possuía um caráter duvidoso, ainda assim não era o responsável pela morte dos filhos mais novos do Lorde Eddard Stark.

– Você alega saber que Winterfell foi destruída? — O rosto de Sansa exibia desprezo. Antes de ouvir dele, ela não tinha certeza absoluta sobre a veracidade da história.

– Sim — Sandor respondeu, liberando os braços de Sansa. A jovem não se moveu.

– Então você é igual ao seu irmão — A frase fora dita com frieza. Sansa não estava chorando e nem mais ameaçava derramar uma lágrima com a situação. Suas memórias e os seus sentimentos não a deixaram vulnerável, ela estava tão dura quanto o aço de uma espada.

– Eu não sou! — Rugiu a sentença bem próximo ao rosto da jovem. Ela podia acusá-lo de várias coisas, menos de ser parecido com Gregor, essa era a única coisa que não permitiria.

– Você é — Disse, permanecendo firme. Um mantinha contato visual com o outro — Vocês não merecem o cão como símbolo de sua Casa, o cão é um animal nobre, o que vocês não são.

Um cão morrerá por você, mas nunca mentirá para você, se recordou de ter dito esta frase uma vez pra ela e agora encontrava a inconsistência entre suas palavras e suas ações, ainda assim, ele estava disposto a morrer por ela.

– O que eu fiz foi para o seu bem! — Esbravejou. Essa Sansa que estava na sua frente era a que ele sempre idealizara, porém ele não gostava do que via, ele queria o seu passarinho de volta, queria ouvi-la falando sobre donzelas e cavaleiros, espalhando seus cumprimentos exagerados da maneira como fora ensinada a fazer pela Septã que a treinara.

– Foi para o seu bem! — Retrucou e Sandor não encontrou palavras para rebater. O silêncio reinou por alguns minutos que pareceram durar horas. O ar havia se tornado denso pela hostilidade que circulava entre eles. Foi Sansa quem voltou a falar e o seu lado frágil ameaçara aparecer, sendo que foi a sua voz suave quem a delatou — Você tinha ela... — Seus olhos estudavam Clegane, passando rapidamente por entre o lado deformado do rosto do homem para o lado bom — ... você não precisava... — Por fim abaixou o olhar e a voz dela não estava mais alta do que um sussurro — ...ter feito o que fez... comigo...

– Eu não me orgulho do que fiz, mas tinha todos os motivos para fazê-lo — Confessou e o peso que carregava em seus ombros todos esses dias começava a ser aliviado — Sansa, eu não sou um cão, eu sou um homem. E eu sei que você não é um passarinho, pelo menos não mais, você é uma mulher, é normal que um homem sinta-se inclinado a conseguir os favores de uma mulher — Sandor sentia-se horrivelmente estranho por ser ele a lhe contar a relação entre um homem e uma mulher, ainda mais tendo lhe tirado a virgindade e dito palavras semelhantes enquanto o fazia.

– Mas... Isso só pode ser feito por duas pessoas que se casaram perante os Deuses... — Disse Sansa, com o rosto avermelhado e ainda evitando contato visual — ...e apenas para reprodução...

Que a Septã queime nos Sete Infernos! condenou. A garota Stark era uma verdadeira Lady, pensava e agia como tal, era inevitável que ele se sentisse mal por estar corrompendo a inocência dela com a verdade sobre o mundo. Isso não o teria afetado há um ano atrás, naquela época ele não tinha sentimento algum por Sansa, se não o desprezo pelo os seus chip chip de passarinho.

– Quem andou lhe dizendo essas merdas? — Questionou, já imaginando a resposta — Se isso fosse verdade, não haveriam putas! — O silêncio ameaçou voltar entre eles, todavia Sandor não permitiu — Um homem não deita com uma mulher apenas pra fazer um filho e nem porque são casados, você deveria saber disso, seu pai teve um bastardo — Recordara da vez em que fora com a caravana do Rei para Winterfell e conhecera o bastardo de Lorde Eddard, um garoto de não mais do que dezessete anos na época com traços físicos bem diferentes dos Starks, semelhante apenas a irmã de Sansa, pois eles eram os únicos de cabelos castanhos — Quando seu pai se deitou com a mulher que lhe gerou o bastardo com certeza não foi na intenção de ter um filho, foi porque ele queria outra coisa, fosse sentir o calor de uma mulher, fosse para comemorar o fim da guerra... — Seus olhos encontraram o rosto de Sansa e teve de usar toda a sua força de vontade para evitar tocá-la e fazê-la olhar em seus olhos e interpretar o significado das palavras que diriam a seguir — ...ou porque tinha sentimentos por ela.

– Você fez pelos seus sentimentos? — Sansa perguntou de imediato e como se estivesse lendo os pensamentos dele, tornou a encará-lo. Sandor abriu a boca para responder-lhe de forma positiva, porém foi obrigado a se calar, porque a jovem não havia terminado de falar — Foi por isso que esteve com Alíria antes e agora pouco?

– Alíria? — A frase que já havia terminado de criar como resposta teve de ser totalmente refeita. Clegane não conseguia acreditar no que ela havia acabado de indagar — O que você está dizendo? Acha que eu tenho sentimentos por Alíria!? — A suposição era ridícula, ele queria rir do que estava sendo questionado, mas a sua frustração pelo o que desejava contar-lhe o dominava — Não seja estúpida! Eu não sinto nada por ela!

– Por que você fez aquilo com ela!? — Exigiu saber e a voz da moça estava carregada de emoções que com muito custo tentavam ser contidas.

– Sua idiota! A pergunta deveria ser: Por que eu fiz sexo com você!? — Sansa ameaçou desviar o olhar, entretanto dessa vez Sandor a impediu, segurando o queixo dela elevado de modo que os olhos continuassem fixos nos seus.

– A-aquilo n-não f-foi... — Sansa não conseguia dizer a palavra com a mesma segurança que diria qualquer outra, era como se ela estivesse pecando só por mencioná-la — ...s–sexo... — Ela estava vulnerável, Sandor estava rompendo as estruturas de defesa dela. As mãos da jovem seguravam com firmeza a beirada do caixote as suas costas — ...V-v-você m-me... — Respirou fundo antes de concluir — ...e-estuprou... — Acusou.

– Sim, eu a estuprei — Sua consciência estava a caminho de perdoá-lo, ele precisava aceitar as verdades de suas ações e precisava dizê-las em voz alta. O fardo de seus sentimentos o estava afundando — Você sabe por quê? — Seu rosto se aproximava lentamente do da jovem e parou com um espaço de uma mão entre eles.

– Você é um homem..., você queria o calor de uma mulher... — Arriscou o que pensava em um fio de voz.

– Eu queria o seu calor — Confessou. Os lábios de Sansa estavam secos, Clegane sentiu um impeto de umedecê-los com sua própria saliva. Ele queria possuí-la ali e agora.

Os olhos de Sansa estavam arregalados e as suas sobrancelhas franziram. Sandor não mais segurava o queixo de Sansa a esse ponto. Suas mãos estavam apoiadas no caixote ao lado de Sansa e ele conseguia sentir o calor que vinha das mãos da garota que estavam bem próximas às suas.

– ...V-você...? — Ela compreendera o que ele vinha tentando lhe dizer.

– Sim, Sansa– O nome dela era a mais bonita canção que aprendera, era tão precioso que não deveria ser dito em vão, por isso que ainda preferia o pseudônimo de passarinho — Eu tenho sentimentos por você, foi por isso que a possuí, foi por isso que a tirei de Porto Real, eu não podia deixá-la para o Joffrey e não posso suportar a ideia de que tem afeição por aquele bastardo — Suas mãos encontraram-se com as delas em um gesto possessivo. Eu quero que você olhe para mim e veja além de minhas cicatrizes, continuou em pensamentos, quero que seja comigo que você sonhe todas as noites e que seja no meu braço que acorde todas as manhãs. Sendo assombrado novamente pelo silêncio, proferiu: — Eu não sou um cavaleiro e nem nunca o serei, bem sabe que cago para o título de Gregor — Rangeu os dentes ao mencionar o irmão -, mas prometo ter a conduta de um como aquele das canções que tanto gosta, perdoe o mal que lhe causei e deixe-me levá-la em segurança para a sua família.

Sansa estava boquiaberta, a confissão que escutara de Sandor não lhe fazia sentido algum e para melhorar, ele não lhe dava tempo para mastigar o que ouvia, esperando uma resposta imediata para o seu pedido de cavaleiro.

– Faz parecer que eu tenho uma escolha... — A frase veio com pesar.

– Você tem, passarinho– Tornou a chamá-la pelo apelido.

– Eu não posso perdoá-lo, apenas os deuses o farão — Advertiu.

– Fodam-se os deuses! — Esbravejou.

– Como espera que eu confie em você se tudo o que eu vejo na minha frente é o homem que me violentou!? — Retrucou na mesma impassividade.

– Eu não voltarei a tocá-la, a não ser que você me peça que o faça — Ele a desafiou. Em seu íntimo o homem tinha a expectativa de um dia ser requisitado por ela, ainda mais agora que a moça já havia tido a sua primeira experiência sexual.

Sansa o esbofeteou mais uma vez como resposta. A garota sentia que ele estava zombando de seus sentimentos, de sua condição. Sandor a fuzilou com o olhar e teria tomado uma medida drástica se um barulho vindo do lugar onde se encontravam não os tivessem pegos de surpresa.

Eles estavam dentro do depósito das mercadorias por quase uma hora e desde o começo pensaram estarem sozinhos. O aposento sendo iluminado pela luz do único archote possuía pontos cegos e o que se enxergava era um mar de caixotes de madeiras, a maioria empilhados em colunas de três no máximo para economizar espaço.

– Olá..? — Sansa ousou chamar. Clegane por impulso tampou-lhe a boca com a mão e murmurou um shiu.

O barulho novamente foi ouvido pro ambos. Era um som muito baixo, indicando que vinha da distância e agora se fazia mais constante. Parece choro humano... Pensou estar ouvindo coisas e piscou algumas vezes, procurando uma silhueta entre as caixas ou pelo menos uma sombra diferente. Não conseguiu enxergar nada além do normal e Sansa demonstrou a mesma coisa. Soltando-a, caminhou até o meio dos caixotes na parte mais escura do local. Teria pego o archote se o seu pavor do fogo não o tivesse impedido.

– Quem está aí!? Apareça neste exato momento e pouparei a sua vida! — Falou alto o suficiente para ecoar em todo o lugar, ainda que fosse uma mentira o que prometia. Ele havia pronunciado o nome de Sansa, se a verdadeira identidade deles fosse reveladas os dois estariam perdidos e não havia para onde correr estando em algum lugar desconhecido no Mar Estreito. O barulho de choro mais uma vez foi ouvido dessa vez mais próximo à ele. Sandor virou-se na direção de um caixote que estava fora de uma pilha.

– ...Socorro... — Pensou ter ouvido saindo das frestas da madeira que formavam a caixa. Sua visão não estava sendo grande coisa na escuridão e abaixou-se ao lado do objeto procurando ver algo nos buracos. Estando com o rosto bem próximo da estrutura, levou um dos maiores sustos da sua vida quando os dedos mais brancos e mais secos que vira saiu do vão do caixote, fazendo-o cair de bunda — ...Socorro... — A pessoa dona daqueles dedos voltara a repetir.

O que um humano está fazendo dentro dessa caixa? Não conseguiu pensar em mais nada, no exato momento que aquela voz tornara a ecoar o navio sofrera uma forte turbulência como se tivesse batido em algo e fez vários caixotes deslizarem no chão. Dentro do andar em que estavam, um barulho alto próximo onde deixara Sansa foi ouvido. Quando Sandor se pôs em pé ele pode perceber que a garota havia se desequilibrado e caído sobre um caixote que se arrebentara com o impacto.

Passarinho!– Exclamou, correndo ao socorro da jovem que soltara um grito estridente de medo. Estando agora novamente no alcance da luz sua visão o presenteou com uma cena horripilante: Sansa estava sobre as tiras de madeira do caixote que minutos antes estava apoiada e dentro dele foi revelado o corpo seco de um cadáver do sexo feminino que trazia uma expressão assustada na face no momento da morte e tinha na mão que fora decepada na colisão uma pulseira de identificação. Este navio transporta escravos, constatou, ajudando Sansa a se por em pé e quando olhou novamente ao redor, percebeu que os choros de ajuda haviam se intensificado e várias mãos e olhos arregalados de diversas cores pela fome e pela sede apareciam dos vãos das caixas que estavam espalhadas por todo o lugar.

Notas finais
N/A: Este capítulo foi recortado do anterior. Críticas e sugestões são bem aceitas. Sinto muito para quem não curte smut explícito, mas é a única forma que sei escrever as cenas mais calientes, por favor, mesmo que você não goste, dê uma chance para a minha história. Sandor e Sansa estão amadurecendo e aos poucos irão se afastar das personalidades originais, mas não irei descaracterizar as personagens (tentarei não fazer)!