O Vingador Infernal
10 Guerra – Parte 2
Notas iniciais
Como tinha prometido, o cão de dreadlocks investiu na rainha, ou melhor, uma aberração feia e demoníaca; o rapaz conseguia pular alto como se não pesasse nada e chegar rápido a inimiga, desviando das suas laminas cortantes, enquanto colocava as mãos na sua pele pálida e enrugada, apertando seu pescoço com uma expressão de batalha. A expressão no rosto da monstra não mudava, era uma bruxa velha dentuda, que tentava sem sucesso morder o barbudo, porém de morder ele entendia.
Do outro lado do cenário, o moreno de moicano social guerreava com o Rei, ou melhor o Lula Molusco. Passando os dentes pelo corpo deslizante e molhado do demônio, ele arrancava algumas gotas de sangue, escuro, mas não vermelho, eu imagino se pudesse identificar cores, que escorriam entre arranhões. Enquanto escalavam as paredes da igreja, se pendurando em pilares e sustentações, quebravam alguns vitrais espalhando cacos de vidro em uma chuva barulhenta. Os tentáculos longos enrolavam o corpo do cão, que gemia de dor.
— Auuuuuu! – Uivou o mais velho e alto dos três, sendo cercado pelo Valete e pelo Coringa.
— Dois contra um, isso será moleza. – O Valete provocou, em sua voz mais engrossada e monstruosa.
— Eu dou conta disso brincando. – Respondeu, sorrindo.
O primeiro golpe veio da gorda lagarta que o demônio segurava, sendo lançada e facilmente desviada. Porém com essa distração o careca levou uma rasteira do obeso Coringa e foi empurrado com força pela sua espaçosa barriga, sendo jogado a quilômetros de distância chocando com vários assentos do local de culto.
Depois de se levantar, o monstro gorduroso não conseguia cobrir muita distância com seu corpo lento, e o outro capanga fortão, também não pelo fato de estar carregando uma lagarta pesada.
O cão teve tempo de ficar de pé e planejar o próximo passo. Correndo de quatro como um lobo, ele segurou em um dos chifres do monstro, usando a super força para quebra-lo e arrancar um grito de dor do mesmo, usando para perfurar a pele do mesmo. Depois foi rápido o suficiente para acertar mais um com a mesma arma, no outro adversário.
No entanto ele se distraiu, sendo acertado em cheio por uma substancia que saiu da boca da lagarta, o imobilizando como se fosse uma teia de aranha. O mesmo tentou se soltar, se rebelando, ineficaz, e logo o Valete agiu, enrolando a lagarta como se fosse uma bola gigante, e em questão de segundos um casulo se formou, e precocemente se chocou eclodindo uma colossal borboleta, ou mariposa, não sei, com amplas asas que flutuavam e ventilavam o cenário gótico da igreja.
Um som agudo que saia do animal fez uma chuva de pólen, aparentemente, girar em círculo, em torno do cão infernal o fazendo fechar lentamente as pálpebras dos olhos, como se fosse dormir sendo hipnotizado, e hematomas cresciam no seu rosto, além de uma vermelhidão, como bolhas, como se o elemento fosse tóxico e venenoso.
— Não! – Gritei. – Deixem ele em paz! – Infelizmente eu estava fraco e não havia muito o que fazer pelo meu irmão.
Por sorte o outro cão, o de estilo de surfe, já havia enterrado seus dentes afiados na garganta da rainha, mesmo que tendo alguns cortes pelo corpo feito pelas lâminas que ela tinha no lugar das mãos, e suas roupas já estavam rasgadas e sujas de sangue, amassadas, pelo menos a vitória era dele, era tudo que importava. A cabeça rolava no chão e o liquido jorrava pelo corpo e pelo piso inteiro.
O rapaz correu com pressa até o seu líder, tentando libertá-lo. Passou suas garras pela teia que o prendia, mesmo não tendo muito sucesso, se adiantou indo até o inseto voador, se agarrando em suas asas, penetrando suas garras fundo e impedindo o animal de voar, o fazendo cair e com as presas dentarias o canino rasgou o resto da ampla asa, tirando gritos de dor do bicho que se mexia em agonia no chão sem saber como reagir e sofrendo. O cabeludo aproveitou e arrancou as antenas do adversário também, as esmagando com os pés.
Enquanto isso, o moreno, que tinha uma cicatriz facial, distribuía socos no rosto do rei, depois de enfim se soltar de seus tentáculos, ainda que sem fôlego, lutava como homem. Seus pés também trabalhavam, golpeando com força chutes e coices. O monstro estava perdendo, mas era esperto quando esguichava um liquido escuro no corpo do cão, que ficava lambuzado e tingido, porém uma fumaça soltava do liquido, o que indicava que era ácido...ou veneno também.
— Ei! – O cabeludo roubou o pedaço de chifre da mão do líder, ainda sonolento e imobilizado, e jogou para o cão de moicano social.
O irmão segurou e começou o trabalho de rasgar a pele dos tentáculos do monstro com o chifre quebrado, um por um devagar pelo fato de estar sujo do liquido escuro venenoso e ficando mais lento com o passar do tempo.
O rapaz com ares de surfista abriu a boca em frente ao demônio soltando um berro alto e ensurdecedor, eu teria tapado os ouvidos se não estivesse amarrado. As banhas flácidas do rosto do Coringa estremeceram e um vento varreu seu cabelo e todo o cenário em volta, enquanto os ecos paralisavam a todos, deixando os inimigos tontos, ouvindo o som canino como um uivo de batalha.
Com um soco, o barbudo virou a cabeça do gorducho, a deslocando, e puxou o seu cabelo escasso, até romper a pele e a carne, quebrando os ossos do pescoço e cortando fora o membro, mas não por completo, ficando pendurado a face sem vida e derramando sangue, escuro, porém não sei se vermelho, não tinha como ter certeza.
O corpo caiu aos poucos duro no piso da igreja quente enquanto o som do grito do cão parava de ecoar lentamente.
Fale com o autor