Notas iniciais
Boa leitura!!

Caí no chão, com uma hemorragia forte me enfraquecendo aos poucos.

— O punhal do inferno é letal a um Cérbero! – Gritou um dos três, enquanto vinha até mim.

— Eu estou morto? – Gemi, sem forças.

— Não...como está no inferno, acho que o seu tormento eterno é ser imortal. – O moreno de dreadlocks respondeu.

— Sente dor? – Perguntou o careca me levantando.

— Muita. Acho que minha tortura eterna é suportar vocês três.

— Precisamos curá-lo. Não vai aguentar muito tempo. Se ficarmos unidos de novo, pelo menos por um tempo, teremos força de novo. Eu sei que não quer mais isso... – o cão de moicano social explicou.

— Não. Eu me enganei. – O interrompi. – Eu estava enganado, não conseguiria viver sem ouvir as baboseiras que vocês falam. Seria um tédio. Eu quero ser um Cérbero de novo. Desta vez para sempre. – Sorri.

— E nós não viveríamos sem assistir seus truques fajutos de mágica. – Zombou o rapaz barbudo, rindo.

— Estamos juntos nessa, amigo. – O careca falou me olhando profundamente nos olhos.

— Irmão é melhor. – Respondi. O mesmo pôs a mão em meu ombro, e com a outra segurava o braço do próximo cão, que por sua vez estava de mãos dadas com o terceiro; assim sendo o trio se desfez de suas formas humanas, se dissolvendo como um vapor que saia de um café quente, e voltaram para dentro de mim, preenchendo a minha alma e fazendo a tatuagem de cabeça de cachorro infernal se formar de novo nos meus braços, e a dor da impressão se espalhava como uma agulha afiada de uma tattoo real.

Pouco a pouco meus ferimentos cicatrizavam e meu sangramento diminuía até minha saúde voltar ao normal.

“Bom, estamos de volta a rádio do cão-infernal-de-três-cabeças! ”

— Onde foi parar o Hades...ou melhor o pastor impostor? – Perguntei aos três.

“Fugiu. ”

Respondeu um.

“Não me surpreende. ”

Disse o outro.

“Como devemos chamar o mau elemento? ”

“Meliante. ”

“Tratante. ”

“Convertido. ”

“Enrustido. ”

— Já chega seus chatos! – Gritei, ouvindo ecos da minha ordem.

“Acho que agora sabe porque sua visão mudou desde que se tornou um Cérbero? ”

Uma das vozes soou em minha mente.

— Porque me tornei um cão...então...minha visão evoluiu para uma visão de cão. – Falei sozinho.

“Um cão enxerga preto e branco. ”

Outro som masculino disse.

“E quando as cores apareciam na sua visão, elas avisavam que o que você via se originava do submundo. Por isso o Coringa, o Rei e todos os outros, eram coloridos. Eles vieram do inferno. ”

— Eu entendo agora. – Respondi, ouvindo ecos da minha voz enquanto meus calçados emitiam barulhos altos pelo salão da igreja, atravessando até chegar na porta, e alcançar o lado de fora.

“Tem mais uma coisa que precisa entender. ”

“Que precisamos pensar em como sair daqui. ”

Os cães afirmaram em meu cérebro, e estavam certos. O lado de fora era uma bagunça, uma confusão incalculável, almas vagavam como em um desfile, em desordem enquanto alguns demônios, os únicos com corpos físicos e palpáveis, e os únicos com cores vibrantes que eu identificava, dançavam, balançavam armas em suas mãos, alguns voavam e gritavam, e o resto eram animais, eles apenas acasalavam em meio aos outros, em todos os lugares, sendo ignorados praticando suas obscenidades sem nenhum pudor ou vergonha.

O cenário era noturno, e não parecia que haveria dia.

Eu estava no inferno.

Notas finais
Agradeço a todos que leram♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!