O Vingador Infernal
11 Fim
Notas iniciais
Caí no chão, com uma hemorragia forte me enfraquecendo aos poucos.
— O punhal do inferno é letal a um Cérbero! – Gritou um dos três, enquanto vinha até mim.
— Eu estou morto? – Gemi, sem forças.
— Não...como está no inferno, acho que o seu tormento eterno é ser imortal. – O moreno de dreadlocks respondeu.
— Sente dor? – Perguntou o careca me levantando.
— Muita. Acho que minha tortura eterna é suportar vocês três.
— Precisamos curá-lo. Não vai aguentar muito tempo. Se ficarmos unidos de novo, pelo menos por um tempo, teremos força de novo. Eu sei que não quer mais isso... – o cão de moicano social explicou.
— Não. Eu me enganei. – O interrompi. – Eu estava enganado, não conseguiria viver sem ouvir as baboseiras que vocês falam. Seria um tédio. Eu quero ser um Cérbero de novo. Desta vez para sempre. – Sorri.
— E nós não viveríamos sem assistir seus truques fajutos de mágica. – Zombou o rapaz barbudo, rindo.
— Estamos juntos nessa, amigo. – O careca falou me olhando profundamente nos olhos.
— Irmão é melhor. – Respondi. O mesmo pôs a mão em meu ombro, e com a outra segurava o braço do próximo cão, que por sua vez estava de mãos dadas com o terceiro; assim sendo o trio se desfez de suas formas humanas, se dissolvendo como um vapor que saia de um café quente, e voltaram para dentro de mim, preenchendo a minha alma e fazendo a tatuagem de cabeça de cachorro infernal se formar de novo nos meus braços, e a dor da impressão se espalhava como uma agulha afiada de uma tattoo real.
Pouco a pouco meus ferimentos cicatrizavam e meu sangramento diminuía até minha saúde voltar ao normal.
“Bom, estamos de volta a rádio do cão-infernal-de-três-cabeças! ”
— Onde foi parar o Hades...ou melhor o pastor impostor? – Perguntei aos três.
“Fugiu. ”
Respondeu um.
“Não me surpreende. ”
Disse o outro.
“Como devemos chamar o mau elemento? ”
“Meliante. ”
“Tratante. ”
“Convertido. ”
“Enrustido. ”
— Já chega seus chatos! – Gritei, ouvindo ecos da minha ordem.
“Acho que agora sabe porque sua visão mudou desde que se tornou um Cérbero? ”
Uma das vozes soou em minha mente.
— Porque me tornei um cão...então...minha visão evoluiu para uma visão de cão. – Falei sozinho.
“Um cão enxerga preto e branco. ”
Outro som masculino disse.
“E quando as cores apareciam na sua visão, elas avisavam que o que você via se originava do submundo. Por isso o Coringa, o Rei e todos os outros, eram coloridos. Eles vieram do inferno. ”
— Eu entendo agora. – Respondi, ouvindo ecos da minha voz enquanto meus calçados emitiam barulhos altos pelo salão da igreja, atravessando até chegar na porta, e alcançar o lado de fora.
“Tem mais uma coisa que precisa entender. ”
“Que precisamos pensar em como sair daqui. ”
Os cães afirmaram em meu cérebro, e estavam certos. O lado de fora era uma bagunça, uma confusão incalculável, almas vagavam como em um desfile, em desordem enquanto alguns demônios, os únicos com corpos físicos e palpáveis, e os únicos com cores vibrantes que eu identificava, dançavam, balançavam armas em suas mãos, alguns voavam e gritavam, e o resto eram animais, eles apenas acasalavam em meio aos outros, em todos os lugares, sendo ignorados praticando suas obscenidades sem nenhum pudor ou vergonha.
O cenário era noturno, e não parecia que haveria dia.
Eu estava no inferno.
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