O Viajante
4 Capítulo III

Depois de três dias adormecido, ele acordou. Rose visitava a cabana todos os dias para limpar e trocar curativos. Sabia que estava abusando muito da sorte em mantê-lo na cabana por tanto tempo, indo visitá-lo todos os dias — mesmo que desacordado, Scorpius representava perigo.
E o perigo excitava Rose. Todas as vezes em que saía com seu cavalo no meio da noite para ir vê-lo, o coração de Rose batia descompassado. Era um segredo que pertencia somente a ela, a primeira vez em toda a sua vida que tinha algo que não precisava de um conselho para decidir seu próximo passo ou que não dependia da opinião da Coroa.
Ainda assim, o surgimento de Scorpius era um mistério para ela, Rose já tinha desistido de procurar pela tal Londres que seu prisioneiro havia dito. Olhou milhares de mapas que possuía em sua biblioteca, todos eles possuíam desenhos de terras que ela conhecia e havia explorado muito bem, mas em nenhum deles constava um reino chamado Londres.
Só haviam duas opções: Scorpius estava mentindo descaradamente para ela ou ele de fato acreditava que morava em um reino chamado Londres. Em qualquer uma das opções, Rose estava encrencada.
Tivera a sorte de encontrá-lo a tempo no bosque e levá-lo para longe antes que alguém o visse, ou pior, que alguém do palácio o visse. Rose estava começando a considerar-se muito sortuda em nunca ter sido pega em suas expedições. Não conseguia imaginar o que o rei e a rainha fariam se soubessem que ela estava perambulando pelas terras do reino, vestida como um forasteiro, sozinha.
Enquanto pensava em todas as suas limitadas possibilidades a cerca de Scorpius, houve uma batida na porta.
— Vendo os mapas mais uma vez?
Rose virou-se para encarar seu pai com um sorriso.
— É o máximo do mundo que posso ver sem que você fique bravo comigo.
O sorriso no rosto do rei sumiu, Ron assumiu uma expressão quase magoada diante do comentário da filha. Ambos permaneceram em silêncio por um tempo. Rose tentava não descontar toda sua frustração nos pais, mas não conseguia evitar.
Os três eram muito próximos quando ela era criança, sempre em expedições por outros reinos, conhecendo pessoas e culturas diferentes. E tudo mudou quando Rose se tornou uma mulher aos olhos deles, agora ela não podia sair do castelo sem supervisão, não tinha mais o privilégio de estar em expedições e deveria se concentrar apenas em encontrar um marido.
— Você pode sair do castelo quando quiser, sabe disso — murmurou ele, num sussurro entrecortado.
— Na companhia de inúmeras babás — sorriu ela desanimadamente.
— Rose, já tivemos essa conversa antes…
— E é por isso que não a teremos mais uma vez, estava procurando por mim?
Ron assentiu, não tinha razão para continuar aquela briga com Rose, nenhum dos lados cederia, nunca retornariam ao que eram antes.
— O jantar está sendo servido, me disseram que você pediu para não ser incomodada.
— Sim, ao menos os criados respeitaram essa ordem — retrucou Rose com um sorrisinho zombeteiro nos lábios — Podem começar sem mim, já estou indo.
Ron assentiu e se afastou da filha sem se despedir. Rose aguardou que o barulho de seus pés estivessem inaudíveis para que retornasse sua atenção aos mapas. Agarrou o mapa mais recente e o enrolou com rapidez.
Não desistiria de procurar o lugar de onde Scorpius viera, não poderia desistir.
×
Rose rosnou para a costureira que a pinicou com o alfinete. A mulher se encolheu diante da ameaça, mas continuou a ajustar o vestido mesmo sob os protestos da princesa. Diante do enorme espelho, Rose fitava a si mesma em um vestido verde e longo, havia um corte modesto em seu busto que não revelava muita coisa e a saia do vestido cobria graciosamente suas pernas, a cintura não era muito marcada. Rose quase se parecia com um prêmio consolação.
Isso porque aquele vestido foi costurado com a intenção de fazê-la arranjar um marido com rapidez.
— Você está linda! — disse sua mãe, do outro lado do salão. Hermione girou em volta de Rose, a fitando da cabeça aos pés — Que tal deixarmos o busto mais justo?
A costureira ficou de pé e pregou um alfinete na parte de trás do vestido. Rose sentiu-o ficando mais apertado na cintura, mas não disse uma palavra.
Quanto menos falasse, mais rápida seria aquela tortura.
Enquanto Hermione e a costureira discutiam detalhes do vestido, Rose se pegou pensando em Scorpius. Não trocaram muitas palavras naquela manhã, quando ela fora trocar o curativo dele. Scorpius estava quieto e pensativo e ela não era do tipo que gostava de conversar, então ambos se mantiveram num silêncio desconfortável. Rose lhe preparou um café da manhã, poderia ensiná-lo a mexer no forno a lenha em outra oportunidade.
Era intrigante que aquele homem estivesse ali… Não conseguia pensar em outra coisa que não fosse Scorpius. Ninguém entrava ou saía do reino sem que fosse anunciado, o reino era cercado por uma enorme muralha que o separava das outras terras, todos os possíveis locais de entrada e saída eram vigiados durante todo o dia por guardas.
Alguém o havia trazido, e se esta fosse a resposta correta, então o problema era muito maior do que Rose acreditava. Se essa linha de raciocínio estivesse certa, então Scorpius era apenas uma cortina de fumaça para distrair o rei e a rainha.
Rose foi espetada por um alfinete mais uma vez, mas grunhiu de raiva tão alto que a própria rainha achou melhor acabar com os ajustes do vestido por ali mesmo.
Uma criada a ajudou a se vestir com um de seus vestidos de primavera e logo, a princesa e a rainha estavam indo embora em direção aos jardins.
— Você parecia avoada hoje.
— Deve ser impressão sua — mentiu Rose.
Se a relação com seu pai não era das melhores, a que tinha com a mãe era mil vezes pior. Era Hermione quem depositava todas as expectativas de que Rose seria uma princesa perfeita, esculpida pelas mãos de um poeta.
Não conseguiam trocar três palavras sem que uma delas saísse magoada.
— Está preocupada com o baile?
— Hm?
— Será daqui um mês, imagino que esteja ansiosa para conhecer seu marido.
O estômago de Rose se revirou de desgosto.
— Não tanto quanto você, pode ter certeza.
Hermione suspirou.
— O casamento é uma benção, querida! Um presente divino dado aos homens, quando seu pai e eu nos casamos…
— Mãe — suplicou Rose — Será que posso ficar o resto da tarde sozinha?
Ambas se encararam em silêncio. Hermione assentiu sem discutir e deixou que Rose fosse embora em direção a biblioteca.
×
Rose trancou a porta da biblioteca no momento em que entrou no cômodo. Precisava sair daquele castelo o mais rápido possível.
Ela não tinha um plano, então agarrou um livro qualquer entre as prateleiras e abriu a passagem escondida atrás de um baú velho.
O castelo havia sido projetado com inúmeras passagens subterrâneas para serem usadas em caso de invasão. Rose gostaria de agradecer quem quer que teve essa ideia, porque só assim ela conseguia sair sem ser vista.
A princesa correu por entre os corredores subterrâneos até encontrar a bifurcação com três passagens diferentes. A primeira dava em uma casa abandonada no centro da cidade, a segunda era a mais longa, dava para uma caverna com a margem do rio Tantos do lado de fora do reino e a última dava para os estábulos.
Rose se embrenhou na terceira passagem e emergiu nos estábulos com rapidez. Sua túnica de viagem e seu cavalo já a aguardavam.
Logo em seguida ela partiu.
×
Scorpius estava tremendo de frio, mas não sabia vestir a droga da camisa que Rose havia lhe dado e não fazia ideia de onde ela havia colocado a roupa que ele usou quando chegou ao reino.
Agora que Scorpius conseguia se manter em pé sozinho e estava um pouco mais forte correu para tomar um banho. Foi um banho gelado visto que não conseguia usar o forno a lenha, mas a sensação de limpeza superava o frio.
Scorpius estava pensando em como esquentar o leite que Rose deixou para ele quando ouviu os cascos de seu cavalo se aproximarem da cabana. Pela janela da cozinha ele conseguiu distinguir Rose coberta pela vestimenta que usava no dia em que ela o golpeou com um punhal.
Rose não parecia tê-lo visto. Entrou na cozinha de supetão e quase caiu para trás ao ver Scorpius ali. Ela definitivamente não esperava vê-lo na cozinha. Na verdade não esperava vê-lo de maneira alguma. Saiu galopando com o cavalo sem rumo algum e acabou parando na cabana sem que percebesse. Mas definitivamente não esperava encontrar Scorpius daquele jeito em sua cozinha. De pé, com os cabelos loiros bagunçados e úmidos e sem camisa.
— Você está de pé — murmurou ela, sem conseguir dizer algo mais racional que isso. Não estava preparada para se separar com um homem seminu.
Seu prisioneiro seminu.
— Estou — ele sorriu triunfante, parecia verdadeiramente orgulhoso de conseguir levantar da cama sem a ajuda de ninguém. A ferida que Rose abriu em suas costelas já estava consideravelmente melhor, tinha criado uma casca e não precisava mais de um curativo cobrindo-a o tempo todo.
— E seu cabelo está molhado — constatou Rose, fitando o emaranhado de fios loiros que compunham o gracioso corte de cabelo de Scorpius.
— Eu tomei um banho.
Rose voltou a fitá-lo, parando de tentar entender o cabelo de Scorpius, franziu o cenho.
— Como?
— Você deixou a banheira cheia antes de sair.
Rose não se lembrava de ter deixado a banheira cheia, mas as portas da cabana estavam trancadas quando ela chegou e se Scorpius tivesse conseguido pular a janela não teria voltado para seu cativeiro.
— Você tomou um banho gelado.
— É.
— Você poderia ter morrido de frio.
— Eu estou morrendo de frio agora.
E Rose percebeu que ele estava mesmo com frio, os lábios estavam levemente azulados, as unhas arroxeadas e o corpo trêmulo. Rose revirou os olhos. Como homens poderiam achar que eram capazes de dominar o mundo se não conseguiam se manter vivos por um dia inteiro?
Rose abriu a porta para o quarto onde Scorpius estava, tinha deixado uma muda de roupas para ele, porque diabos ele só vestiu as calças?
A garota pegou a primeira roupa quente que encontrou entre as peças e jogou para ele.
— Vista-se, vou fazer algo quente para você tomar e se esquentar logo.
Scorpius colocou as roupas sem questionar, estava mesmo com muito frio.
— Obrigado.
Rose não se deu ao trabalho de responder, focou toda sua atenção no forno a lenha. Após se vestir, Scorpius voltou até a cozinha e se sentou em uma das cadeiras de madeira. Ficou observando Rose mexer habilmente com o fogo e com as panelas de barro.
Só naquele momento Scorpius percebeu o quão estranha era aquela situação. Rose era bonita, bem cuidada, usava roupas de materiais que pareciam caros, foi a primeira vez que ele cogitou que Rose poderia ser da realeza.
— Porque você voltou? — perguntou ele. Os ombros de Rose tencionaram — Não há necessidade de me ameaçar com um punhal novamente se não quiser responder.
Rose ficou em silêncio. Encheu uma caneca de leite quente e entregou a Scorpius.
— Não devo nada a você.
— É claro que não, você nem me conhece, só estou curioso.
Scorpius bebericou o leite, suspirando aliviadamente ao sentir a onda de calor se espalhar pelo seu corpo.
— Quero saber quem é você — confessou Rose, num sussurro envergonhado.
— Bem, eu também quero saber quem é você — Scorpius a fitou nos olhos.
Por um momento, ambos se perderam nos olhos um do outro. Era a primeira vez que tinham uma conversa amigável sem que se ameaçassem com facas ou que discutissem sobre feridas, comida e mapas.
— Você… — Scorpius não sabia como perguntar isso sem acabar com uma faca no pescoço, mas decidiu que teria de fazer essa pergunta a qualquer minuto — Você é da realeza não é?
Rose deu um passo para trás, atordoada.
— O que disse?
Ela já estava aproximando as mãos do punhal em sua bota quando Scorpius ergueu as mãos, apavorado.
— Não, olha eu posso explicar… Eu fiquei te observando durante esses dias e percebi alguns detalhes, é só isso.
Rose não estava convencida mas ergueu o queixo desafiadora.
— O que quer dizer?
— Você é educada, usa roupas e armas de excelente qualidade, meu primeiro palpite era o de que você fosse uma assassina, mas você vive chegando e indo embora daqui às pressas, tenta não ser reconhecida e esse anel no seu dedo — apontou Scorpius em direção as mãos dela — Parece muito caro, eu aposto que tem um brasão ou algo do tipo aí.
Rose engoliu em seco, assustada.
Ele era inteligente. A situação em que havia se enfiado era mais perigosa do que imaginava. Se Scorpius havia deduzido aquilo tudo apenas em observá-la, o que mais poderia fazer se tivesse a oportunidade?
Talvez as histórias do rei Ronald não fossem mentira, talvez Rose realmente deveria começar a temer por sua segurança.
Ainda assim, não havia nada em Scorpius que inspirasse medo, ele não era nada convencional, não se parecia com qualquer pessoa daquele reino, era único, mas definitivamente não era perigoso e se quisesse mesmo matá-la, estaria portando uma arma.
Rose o revistou por completo quando o golpeou, teve de tirar suas roupas sujas para fazer o curativo e não viu nada que ele pudesse usar contra ela.
— Você está certo — disse ela a contragosto, fazendo Scorpius sorrir, como se tudo não passasse de uma brincadeira.
— É claro que estou!
Rose revirou os olhos.
— E que diabos é você?
— Um jornalista.
— E o que isso significa?
— Significa que eu conto histórias reais para as pessoas.
— Então você é um bardo.
Scorpius riu.
— Sim, quase isso.
Houve um momento de silêncio. Scorpius voltou sua atenção para o leite em cima da mesa, já não estava tão quente quanto antes, mas ainda era prazeroso.
Foi só naquele momento que ele percebeu que Rose havia colocado um livro sobre a mesa. Tinha uma capa de couro escura, parecia trabalhado a mão, não havia título na capa.
— Que livro é este?
Rose viu Scorpius aproximar as pontas dos dedos da capa de couro. Havia pego o primeiro livro que encontrou na biblioteca antes de sair, pretendia encontrar um lugar calmo para ler e esquecer da vida pavorosa de provas de vestido, mas acabou levando a si mesma de volta para aquela cabana.
— É um livro infantil — respondeu — Meu pai costumava lê-lo para mim.
— E qual é a história? — perguntou Scorpius, passando as pontas dos dedos pelo relevo do desenho da capa, se permitindo abri-lo um pouco para fitar as páginas.
— Uma rosa que decide fugir de seu jardim… até encontrar uma cobra.
— Cobra?
— É uma cobra boa — garantiu ela — Mas o resto do ninho não é, e esse é que é o problema.
Scorpius folheou o livro, fitou o título e passou os dedos pelas páginas amarelas. Havia algumas runas impressas nas primeiras páginas, mas ele não lhes deu atenção e continuou a folhear até encontrar o primeiro capítulo.
— "O amor que foi à primeira vista" — murmurou Scorpius, lendo o nome do capítulo.
— Não acredito nisso.
— Você não acredita em amor à primeira vista?
— Não — Rose balançou a cabeça — Como se ama quem você não conhece?
Scorpius sorriu.
— Grandes histórias de amor não são escritas sobre pessoas que já se conhecem — retrucou ele.
— É por isso que são tão difíceis.
Rose ergueu os olhos para Scorpius. Não percebeu o quão intensamente ele a observava. O rosto de Rose enrubesceu, não pela intimidade com um homem mas porque os olhos de Scorpius não desgrudavam dos seus.
Eram acinzentados como névoa, firmes como os de alguém que já passou por muito e que ainda estava ávido por viver mais. Quentes, ardendo como pólvora e não paravam de olhar para ela.
Ela.
Rose teve de quebrar o contato visual. Era pessoal demais, quase indecente toda aquela troca de olhares.
Ela baixou os olhos para o livro novamente e se afastou, o mais devagar possível, de Scorpius.
— Posso ler?
— Pode pegar para você, se quiser.
— Jura? — Ela assentiu — Obrigado.
— Você vai fazer mais proveito dele do que eu — murmurou — Não pretendo te deixar sair daqui tão cedo.
Scorpius sorriu, não imaginava que fosse ter a sorte de ir embora naquele momento, então se agarrar ao pouco de diversão que podia parecia uma escolha sábia.
— Vou cuidar bem dele.
Rose assentiu mais uma vez, e então murmurou:
— Vou caçar algo para comermos, volto logo.
E saiu pela porta antes que Scorpius pudesse lhe dar adeus.
×
Scorpius terminou de ler o livro muito mais rápido do que esperava. Passou a noite deitado com o livro no colo e com Rose em sua mente. Ainda não entendia bem todos os eventos que o trouxeram até aquela cabana.
Um porre, um desmaio, uma apunhalada e uma mulher estranha lhe mantendo cativo — não que ele estivesse reclamando da última parte, na verdade, a situação poderia ser terrivelmente pior-. Nada fazia sentido em toda essa história, a cabeça de Scorpius doía só de tentar entender.
Como fora parar ali? Onde estava?
Enquanto passava a noite em claro tentando digerir tudo o que tinha lhe acontecido, chegou a algumas poucas, e improváveis, conclusões.
Não estava no mundo que conhecia antes, entretanto, não saberia dizer se tudo aquilo não passava de uma alucinação pós-álcool ou se realmente havia encontrado um jeito de viajar entre mundos. O fato era que Scorpius não estava em seu mundo, o mapa que Rose deixou para trás deixava isso absurdamente claro: eram reinos, províncias e cidades que ele nunca tinha ouvido falar, e Scorpius era um aluno particularmente bom em História, se algum daqueles nomes realmente existisse em seu mundo no passado, ele o teria reconhecido.
Sua segunda conclusão era a de que estava completamente à mercê de Rose, o que era um enorme problema visto que ela havia tentado lhe matar poucos dias atrás. E para sua surpresa, a ideia de ficar sob os domínios de Rose não o assustava nem um pouco. Rose era turrona, lhe encarava com dúvidas demais (o que Scorpius acreditava ser algo natural, visto que ele era um homem estranho para ela), mas ela parecia extremamente cautelosa e confiável.
Sua terceira e última conclusão era a de que estava enlouquecendo.
Se era magia ou algo além ele não saberia explicar, mas disso ele estava certo, e o modo como ele e Rose se olhavam… Como se tivesse de estar ali, eram a prova disso.
Estas três conclusões, fizeram Scorpius entender uma coisa: muito provavelmente estava ali por causa de Rose, não poderia ser coincidência que a encontrou — entre todas as pessoas que moravam naquele reino — por acaso, no meio de uma floresta.
E se isto realmente fosse verdade, ele deveria descobrir o porquê.
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