O Verão que Você me Deu
4 Quarto Sol
Notas iniciais
17 de julho de 2016
Sua tia era, no mínimo, imprevisível.
Naquela manhã de domingo, ela foi acordada com o choro fingindo de Harumi invadindo o quarto de hóspede. O peso do corpo da tia sobre o seu, a abraçando fortemente enquanto a mais velha dizia o quanto era uma tia insensível e desatenta, que não se dignou a leva-la para um passeio desde que chegou no Japão, foi o seu inusitado “bom dia”.
Agora, ela e casal responsável por si naquela viagem estavam no parque aquático, com o intuito de aplacar o calor, que já se encontrava intenso logo pela manhã.
— Sério, tia. Não precisa pedir tantas desculpas.
— Mas eu sou a pior tia do mundo. – Fungou.
— Claro que não. Eu estou me divertindo muito desde que cheguei aqui.
— Eu nem te levei para conhecer a cidade. – Lamentou, a abraçando.
— Sasuke-kun e os outros fizeram isso. Além do mais, você estava trabalhando. – Tentou se soltar do aperto da tia, pois havia muita gente ao redor delas.
— E falando nele. – Ouviu a voz de seu tio, num tom risonho.
— O que é um pontinho rosa no meio do parque aquático? – A voz animada de Ino se fez presente. – É a Sakura de biquíni de cereja! – Exclamou, pulando na Haruno. – Bom dia, senhora e senhora Kagawa. – Cumprimentou os mais velhos e se soltou da garota. – É um prazer conhece-los, me chamo Yamanaka Ino! E estes são nossos amigos.
E, cada um foi se apresentando, apesar de alguns já conhecer o homem por ser aluno do mesmo.
— Então são vocês que estão tomando conta da minha adorável sobrinha! – Harumi lançou um olhar analítico aos onzes jovens parados em sua frente. Um meio sorriso foi solto por ela ao notar o olhar abobalhado de Sasuke em Sakura, mesmo que ele tentasse disfarça.
— Somos nós mesmos! – Respondeu Tenten.
— Obrigada por serem tão acolhedores!
— Disponha, Kagawa-san. – Falou Hinata.
— Agora, podemos pegar a Sakura-chan emprestada?
— Claro, mas me devolvam ela as quatro da tarde, inteira e sem nenhum arranhão! – Exigiu, lançando um olhar divertido a Sasuke. – Se divirta, querida!
O casal acompanhou com o olhar as costas da sobrinha se distanciando. Um sorriso zombeteiro se formou nos lábios femininos quando visualizou o Uchiha andando ao lado da Haruno.
— Não está preocupada com ela?
— Estou, mas Sakura sabe o que faz. Além do mais, ela é bem perceptiva ao seu redor, mesmo não parecendo. Se algo acontecer, ela me contará.
— Eles não são ruins, de todo modo.
— Já me deixa tranquila saber disso, querido.
...
20 de julho de 2016
Dois dias após o encontro – totalmente ao acaso – no parque aquático, Sakura foi arrastada para um dia na praia na região de Chiba. Ela só conseguia imaginar a adorada tia Mi pasma, enquanto lia a mensagem que mandou a ela naquela manhã, avisando que aproveitaria a água salgada e o sol.
O grupo de amigos foi muito bem preparado, levando enormes guarda-sol, churrasqueira elétrica, cadeiras de praia e muitos isopores com comida e bebida, tudo devidamente colocado na carroceria do carro de Temari. Os amigos que não couberam no automóvel, foram de trem, com suas bolsas e mochilas contendo mudas de roupas, toalhas e protetor solar.
Era uma praia com pouco fluxo de pessoas, então podiam falar e rir alto sem se preocuparem se estariam incomodando as pessoas próximas. Rapidamente, descarregaram tudo e se acomodaram sobre a areia.
O dia na praia renovaria as energias daquela turma.
— Então, o que está achando do verão japonês?
— Oh, Sasuke-kun! – Saudou com um sorriso, o assistindo se sentar ao seu lado, debaixo da sombra de um dos guarda-sol. – Abafado, como dizem por ai. Você demorou para se acostumar?
— Um pouco. Mas era se acostumar ou se acostumar, né?
— Não é como se você tivesse escolha em não se acostumar com esse calor diferente. – Deu de ombros. – Conseguiu terminar a música daquele dia?
— Ainda não. Eu quero muito colocar no estilo da banda para poder cantar.
— Ainda bem que sugestões também são de graça, assim como conselhos. – Zombou.
— Mas eu vou seguir a sua sugestão do dueto.
— Uau, então o que eu falei serviu de alguma coisa. Estou honrada. – Disse, fingindo comoção, e para frisa-la, até baixou a fronte.
— Boba. – E riu.
No segundo seguinte, os olhos verdes se cruzaram com os pretos. Ela vinha negando a sensação calorosa e gostosa, que passou a sentir desde que se viram pessoalmente. Já fora difícil admitir que isso estava presente desde que começaram a amizade virtual, em uma pequena intensidade, mas que a medida que foi o conhecendo, aumentava de tamanho.
Por trás de uma tela de notebook ou celular era fácil ocultar os sentimentos, mas estando cara a cara com o protagonista de seus pensamentos, a Haruno se questionava se estava conseguindo disfarçar a cara de boba e as reações do corpo quando o via, o ouvia e o sentia.
Sentiu suas bochechas esquentarem e o coração disparar ao vê-lo sorrir.
— O que foi?
— De repente, você ficou séria, depois ficou vermelha. – Sasuke respondeu, oferecendo uma garrafinha com suco de laranja. – Está tendo pensamentos indecentes só por que eu estou mostrando o meu abdômen definido? – Provocou.
— O quê? – Sobressaltou-se, ainda mais corada.
No entanto, não se conteve e desceu o olhar sobre o corpo masculino, percebendo que uma camiseta branca de zíper cobria poucas partes da pele alva dele, deixando o tronco a mostra. E, em baixo, uma bermuda verde escura de tactel.
A sonora risada do Uchiha provocou o conhecido frio na barriga.
Ela podia contar nos dedos das mãos as vezes que escutou a risada dele. Os sorrisos ou curtos risos anasalados eram muito presentes durante as vídeo-chamadas via Skype, porém a risada propriamente dita era raridade. E, poder escuta-la, ao vivo e a cores, com toda a certeza desestabilizou o coração da Haruno.
— O sol só pode estar fazendo efeito nessa sua cabeça! – Exclamou, virando o rosto para frente. – Eu não sou uma tarada. – Resmungou baixo, bebendo o primeiro gole da garrafa.
— Não precisa ser uma tarada para ter pensamentos indecentes.
Sakura entalou com o suco, começando uma crise de tosse.
— Ei, calma! – Bateu de leve nas costas femininas. — Eu estou brincando.
— Da próxima vez, me avise quando for fazer esse tipo de brincadeira. Assim, eu posso me preparar e retrucar! – Disse entre tosses, lançando um olhar irritado a ele. – Eu quase morri agora!
— Não foi essa a minha intenção. – Fez uma expressão de culpa. – Além do mais, eu não deixaria você morrer engasgada.
— Claro que não! Se eu morresse assim, voltaria para te assombrar.
— Até que não é uma ideia ruim você vir puxar meu pé a noite. – Disse num tom brincalhão e a trouxe para mais perto de si, ao abraça-la de lado. – Assim, você não precisa voltar para o Brasil.
— Com certeza você já está com insolação. – Sentiu o abraço se apertar e a cabeça de Sasuke sobre a sua. — Idiota! – Balbuciou, sentindo a sensação calorosa aumentar ainda mais.
“Será que você sente tudo isso também, Sasuke-kun? Será que a tia Mi tem razão? Ou, eu estou entendendo tudo errado? ” – Perguntou-se mentalmente, confusa.
...
21 de julho de 2016
Um sorriso animado desenhava os seus lábios enquanto assistia Naruto e Sai montando a grande mesa de tênis de mesa, no espaçoso cômodo do estúdio da banda Kyuubi.
Após explorar o bairro Shibuya com as garotas, Sasuke, Shikamaru e Naruto, tirando várias fotos no maior cruzamento do planeta, Gaara ligou para irmã, avisando que estavam organizando um torneio de tênis de mesa, e que eram para todos aparecer no estúdio as duas da tarde.
O grupo almoçou o mais rápido que conseguiram em um restaurante de comida caseira e partiram para o estúdio animados. Afinal, possuíam um grande espirito competitivo.
Porém, tiveram que parar na melhor sorveteria do Japão, no intuito de fazer Sakura provar o milk-shake de flores de cerejeiras. Era uma edição especial da primavera, mas a sorveteria resolveu estender mais um tempo pelo sucesso que o sorvete fez.
— Meu pai fez parte do clube de ping-pong da cidade dele, quando ele era jovem. Então, me ensinou a jogar. – Contou Sakura, depois de sugar uma porção do milk-shake, que já estava em seu final.
— Quantas coisas a mais você tem escondendo? – Perguntou Inuzuka Kiba, instalando a rede. – Você canta, é fluente em japonês e sabe jogar tênis de mesa.
— Sou fluente em mais duas línguas, inglês e espanhol, toco teclado e estou aprendendo a jogar tênis. – Respondeu, chocando a maioria dos jovens presentes no cômodo.
— E eu me achando por ter concluído o nível avançado de inglês. – Shikamaru lamentou-se.
— Eu vou roubar ela de você, Sasuke, seu desgraçado! – Exclamou Kiba, após estalar a língua no céu da boca, numa seriedade fingida. Estava abismado como aquela garota baixinha.
O Uchiha se remexeu com uma expressão sem graça. A Haruno voltou a tomar o seu milk-shake, na tentativa de disfarçar o constrangimento, mas ele era evidente pelas bochechas avermelhadas, os ombros encolhidos e os olhos indo de um lado para o outro, evitando qualquer um ali.
As ações dos dois arrancaram risadas dos dez jovens.
— Você é impossível, Kiba! – Sasuke disse e voltou sua atenção à Sakura. – Só finja que ele não existe. Na maioria das vezes, ele só fala idiotices. – Aconselhou, sorrindo timidamente.
Ela apenas conseguiu balançar a cabeça em afirmação, sem olha-lo nos olhos.
— Aqui. Terminamos de montar a chave do torneio! – A voz de Ino chamou a atenção de todos.
— Lembrando que os perdedores vão pagar a comida do nosso camping da semana que vem. – Disse Gaara, ajudando Ino a colar o papel na frente da televisão.
— Sasuke. – Neji o chamou entre risos. – Já pode deixar sua contribuição na caixa. – Apontou para uma caixa de sapato sobre a rack.
Mais risadas ecoaram pelo estúdio.
— Vocês escolherem esse jogo para me sacanear, né?!
— Nós não temos culpa se você é péssimo! – O Sabaku deu de ombros, lançando um olhar divertido ao amigo.
— Mas é tão fácil jogar. – Comentou a mais nova do grupo, para completar a zoação e recebeu um olhar incrédulo de Sasuke.
No final, uma disputa acirrada entre Sakura e Tenten aconteceu para decidir o primeiro e segundo lugar do torneio. O terceiro lugar ficou com Sai.
Sasuke, comprovando que era ruim em tênis de mesa, perdeu na primeira rodada para Shikamaru, que também não era um bom jogador do esporte. Mas pelo menos com a derrota, ele pôde assistir a performance de Sakura com uma expressão maravilhado. O que não passou despercebido pelos amigos.
Aquela amizade virtual se tornaria algo a mais.
...
23 de julho duae 2016
— Feliz aniversário, Sasuke! – O grito do grupo de amigos ecoou por todo o estúdio, que se encontrava iluminado apenas pelas dezenove velas sobre o bolo de aniversário.
A canção de parabéns foi cantada com entusiasmo. No centro da roda dos jovens, sacolas com salgadinhos e doces, isopores com refrigerante, água e suco, e uma bacia com frutas da estação estavam postos, para a pequena comemoração.
Apesar do aniversariante ser estrangeiro, desde que ele e sua família se estabeleceram em Tóquio, fora bem aceito naquele grupo de amigos. E, isso ele agradecia a cada ano completado ao lado deles, pois vivenciou a maioria das loucuras e experiência com eles. Então, seu aniversário era muito apreciado por ele.
E este ano, Sasuke arriscava dizer que era apreciado em dobro, por poder passa-lo junto de Sakura, a figura baixinha que há um bom tempo tomava conta de seus pensamentos.
— Corta logo esse bolo. – Tenten o apressou. – Ainda temos que ir à loja de yukatas*.
— Vocês tiverem ontem o dia inteiro para fazer isso. – Resmungou Neji, separando os pratinhos descartáveis em uma lentidão proposital.
— Ontem, as comprometidas do grupo estavam ocupadas.
— E também a Harumi-san não deixou a Sakura sair com a gente. – Completou Ino, fazendo bico. – Porque não estava bem.
— O que aconteceu? – O Uchiha indagou no segundo seguinte, encarando-a preocupado. Não estava sabendo disso.
— Eu acordei querendo vomitar, ontem. E fiquei mal o dia inteiro, enjoada, indisposta e morrendo de dor de cabeça. – Contou. – Minha tia acha que foi algo que comi e o calor. Desde o parque aquático, eu não tenho descansado direito.
— Mas agora está tudo bem, certo? Sente algo?
— Sim. Hoje, eu acordei bem. Sem sentir nada.
Sasuke arqueou as sobrancelhas.
— É sério, Sasuke-kun, eu estou bem. Tudo o que eu precisava era de um dia para descansar. – Sorriu. – Mas, minha tia falou para tomar cuidado e não exagerar.
— E ela tem razão.
Sakura lembrou-se de Harumi histérica de preocupação no dia anterior, dizendo que a levaria para o hospital, que avisaria à irmã e que era uma tia irresponsável por deixa-la passar mal.
— Mas agora eu estou bem. – Reforçou, na tentativa de fazer a expressão preocupada de Sasuke suavizar.
Ela não sabia se conseguiria conter a vontade de abraça-lo, se ele continuasse a demonstrar que se importava com ela, num nível acima do que a amizade permitia.
— E vai poder ir com a gente no festival de verão de Asakusa, hoje à noite! O maior da região de Kanto. – Ino comemorou animada.
— É por isso que precisamos ir atrás de yukatas. – A Hyuuga explicou.
— A Sakura já é toda kawaii, com yukata então... – Suspirou Ino. – O que você acha Sasuke? – Provocou, surpreendendo a mais nova do grupo.
— Acho que vai ficar mais linda do que já é... – Respondeu sem pensar, pegando todos desprevenidos. Principalmente a garota referida, que se encontrava paralisada, de olhos arregalados e sem respirar.
Sakura não ficaria surpresa se desmaiasse naquele momento.
Gaara, o primeiro a se recuperar do susto, assoviou, lançando um olhar travesso ao vocalista da Kyuubi.
— Depois dessa você não tem chances, Kiba. Desiste. – Provocou Neji, causando uma onda de risadas.
E foi então que Sasuke se deu conta do que acabara de falar. Abaixou a cabeça para esconder o rosto vermelho. Certamente, o rosto de Sakura estaria uns tons a mais, mas ele não iria verificar agora, não gostaria de deixa-la mais sem graça do que estava.
Apesar de ter dito apenas a verdade.
— Sinto cheiro de mais um casal no grupo. – Naruto enrugou o nariz, fingindo estar cheirando algo no ar.
O que resultou em mais risadas.
Na mente do Uchiha, a imagem de ele e Sakura agindo como namorados tomou forma, o fazendo sorrir em deleite, ainda de cabeça baixa. Já ela tampava o rosto quente com as mãos, mas também permitiu um pequeno sorriso desenhar em seus lábios.
“Daqui algumas semanas você vai voltar para o Brasil, não se empolgue. “ — O lado racional de Sakura se manifestou.
...
Desta vez, ela não precisou pegar o trem ou ir andando. Estava indo ao festival de verão no espaçoso carro de Temari, junto de Ino, Hinata e Tenten.
Elas combinaram de encontrar os rapazes onde aconteceria o festival, pois, assim que terminaram de comer o bolo, saíram às pressas em busca de yukatas. E, quando encontraram as peças que lhes agradavam, faltava menos de uma hora para o horário marcado, então decidiram se arrumar na casa da Sabaku, a mais próxima de onde estavam, e partiram para o ponto de encontro.
— Digam xis! – A voz de Hinata soou uma oitava mais alta. O dedo encostou na tela do celular, tirando a famosa ‘selfie’, onde as cinco garotas posavam em frente à entrada do festival.
Estavam à espera dos amigos.
Mesmo com um tempo apertado para se arrumar, elas conseguiram tomar banho, vestir os yukatas, arrumar os cabelos, se maquiar e chegar em cima da hora e, eram os garotos que se atrasavam.
— Olhem, se não são as moças mais lindas deste festival! – Ouviram a voz alegre de Naruto.
— Estão atrasados! – Esbravejou Temari, lançando um olhar impaciente ao namorado.
— Foi mal, os trens estavam lotados pelo horário de pico. – Explicou Gaara. – Teríamos vindo mais cedo, mas o Neji e o Sasuke tinham que hidratar as madeixas.
— E o Gaara passar a maquiagem. – O Hyuuga retrucou.
— Isso não são desculpas! Nós também tivemos que fazer tudo isso e conseguimos chegar na hora. – Disse Tenten, rindo pelas provocações.
— Tudo bem, tudo bem. – Kiba mostrou as palmas das mãos, em sinal de rendição. – A verdade é que o Sasuke e o Naruto estavam tendo uma DR, é por isso que nos atrasamos.
Um tapa atrás da cabeça do Inuzuka foi acertado.
— Vamos entrar logo. – Disse Naruto. – Já perdemos tempo demais aqui. Foi só o horário de pico. – E pegou a mão da namorada, sendo os primeiros a adentrar o festival.
— Acho que a nossa brincadeira com o Sasuke e o Naruto não tem mais graça. – Sai falou para Kiba e seguiu os amigos.
Por fim, acabou restando apenas Sakura e Sasuke, na entrada do festival. O constrangimento de horas atrás estava amenizado, o que permitiu uma troca de sorrisos quando ficaram um de frente para o outro.
— Yoo! – Os olhos negros passaram por ela, analisando e constatando que o yukata laranja com estampas de tulipas, combinava muito bem. – Você está linda.
— Obrigada. – O meigo sorriso se destacou ainda mais pelas bochechas coradas. – É uma honra ser elogiada por um universitário. – Disse jocosa, tentando disfarça o quanto estava afetada por ele.
— Puff! – Tampou a boca com as costas da mão esquerda, sem graça. – Assim, você faz parecer que eu estou cometendo algum crime.
Sakura riu da expressão masculina.
— E você acha que está cometendo? – Ela assistiu os olhos dele se arregalaram em espanto. – Viu como é ficar do outro lado da provocação? – E caiu na gargalhada. – Vem, vamos entrar, Sasuke-kun. Antes que nossos amigos resolvam tirar uma com a gente. – Disse, começando a andar.
Ele a seguiu com um sorriso de lado, pensando em como devolveria a provocação.
Enquanto isso, a Haruno deixou o ar de seus pulmões sair aos poucos, no intuito de acalmar o coração. Não acreditava que disse aquilo ao Uchiha, mas havia gostado, afinal havia decidido que não ficaria mais quieta quando fosse provocada, entraria na brincadeira, e quando percebesse que estava ultrapassando o seu limite era só se fingir de desentendida.
Pelo menos assim, estaria ocultando os seus sentimentos e suas reações a eles. Foi a conclusão que chegara durante a procura de um yukata.
— O que você me recomenda comer primeiro, Sasuke-kun? – Indagou ao chegarem no corredor das barracas de comidas típicas de festival, onde os amigos se encontravam.
— Takoyaki*, se você estiver com vontade de comer algo salgado, ou Taiyaki*, se quiser doce. – Respondeu próximo à orelha dela, por ter muitas pessoas ao redor deles e, também, para provoca-la.
Ela só sentiu um arrepio passar por todo o seu corpo.
Assim, entre provocações e risos, os dois curtiram o festival de verão de Asakusa, comendo as deliciosas comidas das barracas, rindo com os amigos de alguma piada e competindo nas barracas de jogos.
Num determinado momento, Sakura estava se deliciando com algodão doce, ao mesmo tempo em que conversava com as amigas. Estavam andando para o local da queima de fogos de artifício. Os rapazes andavam logo atrás delas. Distraída com o assunto da conversa, não percebeu que um jovem casal vinha em sua direção, resultando em um esbarrão. O pacote de algodão doce foi ao chão e, ela teria sido atingida por dois copos de raspadinhas, se não tivesse sido puxado para trás por Sasuke.
— Me desculpe. – Falou assustada. Não acreditando que o episódio no bar universitário se repetiria ao perceber que a moça a olhava zangada.
— Preste mais atenção, garota! Você tem olhos para quê?
— Calma, querida. – Pediu o rapaz. – Ela não teve um bom dia no trabalho. – Tentou explicar.
— Não fiz de propósito, me desculpa. – Tentou não se irritar com a hostilidade da moça. – Tome. – Estendeu o braço esquerdo.
— Você não precisa fazer isso, Sakura. – Falou Sasuke ao ver que ela tinha a intenção de pagar pela raspadinha. – Foi um acidente.
— E quem é você para dizer isso?
— Esqueça, eu te compro outro. – O rapaz tentou novamente. – Guarde seu dinheiro, moça. Nós também temos culpa por não prestar atenção. Vamos, Aiko.
— Esses jovens de hoje em dia. – A moça resmungou, lançando um olhar irritado aos dois. – É melhor você me comprar o maior okonomiyaki* deste festival, Hiro. – E deixou ser conduzida pelo companheiro.
Somente quando as costas do casal sumiram na movimentação de pessoas que suspirou em alívio, atraindo a atenção dos amigos.
— Eu pensei que ia apanhar. – Guardou o dinheiro na pequena bolsa que levava consigo e voltou a andar.
— Como se nós fossemos deixar ela bater em você. – Temari disse. — O vocalista da Kyuubi seria o primeiro a te proteger. – Falou apenas para a Haruno ouvir, encabulando-a.
— Além do mais, você não tem culpa se o trabalho dela é uma merda! – Exclamou Ino, revoltada.
As cinco garotas pararam quando chegaram ao local da queima de fogos. Os rapazes a alcançaram no segundo seguinte. Naruto e Shikamaru abraçaram as respectivas namoradas, o restante se sentou no gramado, iniciando uma conversa de quanto tempo seria o show de fogos.
— Acho que não estou com sorte quando esbarro em alguém. – Comentou Sakura, fazendo Sasuke se virar para ela.
— Você acha? – Como estava na ponta, ele deu três passos para trás, se afastando um pouco dos amigos e chamando-a com o um gesto. — Eu tenho certeza. – Disse com um meio sorriso, lançando um olhar divertido, após ela se aproximar. — Mas se você esbarrasse em mim, não seria grosseiro, como Kawashima, e muito menos hostil, como a mulher de minutos atrás. – Falou sério.
— Ah, é?
— Sim. Porque esses esbarrões são acidentes, na maioria das vezes. Não tem motivo para irritar-se com isso. – A encarou paciente.
— Mas Sasuke-kun, você tem cara de quem condena até a décima geração da pessoa que esbarra em você. – Falou divertida, o fazendo rir.
Ela apreciou risada dele, sentindo um frio na barriga. As conhecidas borboletas no estômago estavam marcando presença.
De repente, os olhares se encontram. Como se fossem atraídos por uma força magnética, Sakura levantou a cabeça no mesmo momento em que Sasuke abaixava a sua.
O primeiro fogo de artifício é lançado e estourou no céu, iluminando as pessoas que assistiam. Os rostos dos dois também se contrastam em meio a cor brilhosa, deixando o momento mais intenso.
— Ah! – A Haruno exclamou ao ouvir o segundo fogo subindo e tirando-os do transe. Rapidamente, puxou um pequeno embrulho da bolsa. – Esqueci de entregar o seu presente nessa tarde. – Estendeu o embrulho azul marinho com notas musicais, em dourado. – Quando o vi, na hora, lembrei de você.
Sendo pego de surpresa, Sasuke olhava de Sakura para o embrulho, do embrulho para Sakura por alguns segundos, até que decidiu aceitar o presente. Mas um sorriso de canto se desenhou em seus lábios, e sem pensar duas, a puxou pelo presente, acabando com o espaço entre eles.
Cobriu os lábios dela com os seus.
A Haruno sentiu seu coração falhar uma batida ao se dar conta do que estava acontecendo. Só entreabriu os lábios, permitindo que o Uchiha aprofundasse o beijo. O abraçou, sendo correspondida prontamente.
Estavam tendo o momento deles. Finalmente, só o momento deles. O momento que vinham desejando secretamente. E, não se importavam se as pessoas ao redor e seus amigos os veriam, só queriam disfrutar daquele momento.
Porém, o oxigênio fez falta para eles, os obrigando a separar os lábios. Ainda de olhos fechados, suas testas se colaram e ouviram a agitação e provocação dos amigos. Provavelmente, os viram curtindo o momento deles.
— Nos deixem em paz! – O Uchiha exclamou, após descolar as testas e descansar o seu queixo no topo da cabeça de fios cor de rosa.
O som de explosões de fogos de artifício voltou a chamar a atenção de todos. E também foi o que trouxe Sakura de volta a realidade. Seu corpo todo estremeceu ao perceber o que tinha acabado de acontecer.
Ultrapassara o limite que tinha estabelecido.
Se afastou do abraço de urso de Sasuke, o deixado confuso pela sua mudança repentina.
— O que houve?
— Por que fez isso? – Questionou.
— Ainda não está óbvio, Sakura?
— A gente não pode ter feito isso. – Disse e sentiu um nó se formar em sua garganta, causando ardência.
— Como não? – Franziu o cenho. – Não finja que não percebeu, Sakura. Eu gosto de você, e você gosta de mim. Que mal tem nisso?
“O que tem de bom nisso, Sasuke-kun? ” – Gritou em pensamentos, sentindo a visão embaçar pelas lágrimas. Baixou a cabeça e começou a se distar dele, a passos apressados.
...
Fale com o autor