O Velho Kaije
2 Capitulo 2 - "Um Templário Diferente"
Ele estava em um quarto escuro pegando um item que lhe fora mandado. Enquanto procurava, um enorme barulho fez tremer o teto de onde estava. Parou por alguns instantes. Saiu correndo. Subiu dois lances de escadas e entrou em um corredor largo. Diante de si estava uma figura misteriosa, de costas, empunhando um espada com seu cabelo loiro esvoaçante.
Enquanto a poeira do lugar baixava o coração de Kaije acelerou freneticamente. Temia o que veria assim que a poeira sumisse de vez.
- NÃOOO!!! — A voz do Templário ecoou pela floresta.
Era um sonho. — Pensou consigo mesmo após cair em si — Não. Era "o sonho" — terminou de concluir em pensamento.
O velho Kaije olhou a sua volta — Onde estou? — se perguntou.
- Pelas árvores devo estar próximo da Vila Orc. Não me lembro de ter vindo aqui.
Pegou sua espada e escudo que estavam caídos ao lado e rumou para o leste voltando para Prontera. Pensava em como fazia tempo que não saia da cidade. Talvez alguns anos. Da última vez que saiu foi pouco antes do padre o excomungar da Igreja — É isso foi triste! — pensou.
Com a cabeça doendo, sentia-se com um pouco de náuseas. Mas o velho Kaije sempre tinha uma cura para a ressaca — Beber mais! — pensou novamente, enquanto pegava um frasco de bebida escondido na armadura. Foi erguendo o frasco até a boca inclinando a cabeça para trás para tomar o líquido. Algo esbarrou nele o assustando. A garrafa escorregou de suas mãos e caiu no chão. Ele ainda tentou segurar mas a garrafa caiu aberta e derramou toda a bebida.
- Mas oras, não olha por onde anda!?! — ladrou bravo com a pessoa que o fizera derrubar a garrafa. Segurando-a pelo ombro a afastou para longe de si. Era uma menina, uma jovem templária pra ser exato. Talvez muito jovem, bem mais jovem do que a maioria.
- O que foi? — Perguntou ao ver os pequeninos olhos pretos da templária mareados de lágrimas.
A garota segurou na armadura velha e toda amassada de Kaije e apontou para trás. Correndo vinham três Guerreiros Orcs.
- Há é só por isso? Estava fugindo? — Olhou a templária com um sorriso no rosto. Ela não respondeu. Apenas olhou para a espada do velho templário na cintura.
- Ahhh! Tá Bom. Ai ai ai. Nem me lembro direito como se faz isso! — O Velho templário Kaije retirou sua espada da bainha e a empunhou — Argh! Orcs, fujam da justiça divina, da coragem, do valor. — Sua voz foi ficando mole — ...e de todas essas coisas fofinha e bonitinhas que todo mundo fala antes das lutas! — terminou seu discurso deixando nítido que ainda estava sobre efeito da bebida.
O Orcs, por sua vez, não pararam para fazer dicursso. Com seus machados atacaram violentamente o templário enquanto, por detrás de uma árvore, a garota observava tudo. Na realidade Kaije estava mesmo muito enferrujado. Isso nos dois sentidos da palavra. Seu escudo amassado e opaco mal refletia o sol e sua armadura, igualmente em péssimo estado, parecia que ia cair aos pedaços a cada golpe que levava. Mas isso não era tão ridículo quanto ao fato de Kaije errar a maioria dos golpes e acabar sendo jogado para o lado apenas pelo peso da espada.
Isso até passaria como normal se não fosse o fato do velho não usar suas habilidades de templário e resumir-se a aplicar Impacto Explosivo e Golpe Fulminante, técnicas da escola dos espadachins, durante todo o longo combate. Não longo porque Kaije não desse conta dos Orcs.Na verdade os ataques dos Orcs não lhe causavam dano algum. Mas sim devido o Velho errar noventa porcento dos golpes.
O Templário saiu vitorioso.
- Pronto garota. Pode sair daí e ir para seu grupo. — Falou olhando pela última vez a garrafa vazia caída no chão. Ele virou a costas e saiu andando enquanto guardava sua espada. Deu alguns passos até notar que a templária o seguia.
- Pronto. Já não tem perigo. Pode ir embora. — falou apontando o caminho oposto ao que iria — O que foi? Não fala nada? O poring comeu sua língua?.
A garota abaixou a cabeça. Kaije sentiu uma pontada no peito. A menina era muda.
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