Notas iniciais
— Você tem que ir! — Diz a serviçal, arrumando bem os curativos em meus pés.
— Meu pai vai matar vocês se eu fizer isso. — Digo enquanto subo mais na cama.
— Você tem que ir, o Castelo não é mais um lugar seguro.
Elas diziam com tanta seriedade que comecei a acreditar, então as deixei que calçassem bem meus pés e mudei de roupa, indo então junto a elas, Não haviam guardas pela descadaria da torre e muito menos nos corredores. o que me era bastante estranho. Como o castelo estava tão vazio assim? Me perguntei e vi que saiamos pelas portas dos fundos, Havia uma carruagem me aguardando, embora meus pés estivessem doendo eu conseguia andar, era como pisar em nuvens de tão leve que era. Quando entrei na carruagem, vi que havia uma mulher sentada em minha frente,Seus cabelos eram longos em um tom de castanho, era como um vermelho beirando ao barro. Pude ver o brilho de seu olhar, seus lábios eram vermelhos como sangue em excesso. ela me olhava mas mantinha o silêncio. Nix vinha comigo, caminhando e me seguindo, eu não a deixaria, então a deixei subir sobre meu colo.
Por um longo tempo, quando olhei pelas janelas da carruagem que já estavamos fora do centro do reino eu resolvi falar alguma coisa.
— Para onde estamos indo? — Questiono.
— Para o inferno.
A mulher simplesmente desaparecia da carruagem, senti um grande aperto no peito por conta do susto, Nix pulava de meu colo indo para o assento onde ela estava, fui para as janelas e vi que a carruagem não estava mais sendo guiada pelos cavalos, sem cocheiro, apenas estava indo em beira a decida de um desfiladeiro. Comecei a empurrar com as mãos a porta, que não se abria ou tinha uma maçaneta, quando finalmente então a abri, pude pegar minha gata e a jogar para o campo, e a poucos metros da queda me joguei na grama, O som da carruagem ao cair do precipício, e eu tentando não rolar mais até a beira, consegui parar com o peito doendo e as pernas, cheia de arranhões em meus braços, mas ela estava ao meu lado, minha pequena Nix.
— Ah! — Digo tentando me levantar, mas meu corpo latejava de dor e meus pés não davam mais para ficar em pé.
— Persistente. Tipico de uma Dama de Vênus. — Dizia a mesma voz, e quando me virei lá estava ela, a mesma mulher com aquela postura e aquele olhar frio.
Eu senti medo, um medo que nunca havia sentido antes, mas eu não iria desistir de minha vida assim. Ela mantinha aquele olhar fixo em mim, mas não agia ou falava nada. tentei me por em pé, mesmo com meus pés agora estavam sem os tecidos e a dor que vinha me atormentava, fazendo minhas canelas tremerem.
— Essa não será a última vez que nos veremos, princesa.
Palavras ditas quando então ela se desfez como uma fumaça em um vento, e então eu pude cair de joelhos com a dor. Nix continuava a miar e se roçando a mim. tentando me acalmar, Eu não sabia onde estava, ou para onde ir, na verdade mal conseguia por meus pés no chão, apenas de longe vi cavaleiros, eram guardas de Astrid. Héctor era um deles, abri então um sorriso quando os vi se aproximarem cada vez mais. Eles gritavam meu nome Não pareciam acreditar ao me verem. e com eles vinham em um cavalo um homem.
Alto, de madeixas vermelhas e em sua garupa vinha uma jovem menina de cabelos dourados agarrada com as mãos envolta dele, eu não sabia quem eram, porém eu tinha a estranha sensação de ter o visto antes, A menina sozinha desceu do cavalo e veio até mim, ela viu meus pés e rasgou uma tira de tecido de sua saia e começou a enrolar em mim.
— Oi! — Dizia ela gentilmente — Eu sou Melody, eu gosto de cuidar de feridas.
— Melody, não incomode a princesa. — Dizia ele ainda montado no cavalo, parecia de certa maneira feliz em me ver. mas disfarçava virando o rosto contrário ao meu.
— Como veio parar aqui? — Questiona Héctor vindo até mim,pegando Nix no colo e entregava ao homem ruivo.
Comecei então a contar o que houve, Héctor pareceu assombrado, já o homem respirou profundamente e revirou os olhos. Mandando que Héctor levasse a tal menina com ele junto ao gato. Já a mim, ele mesmo desceu do cavalo me pegando, pondo-me sentada, apenas observei e o vi montar. Eu estava muito perto dele, próxima até de mais. Tentava não olhar para ele, mas ao começar das galopadas busquei evitar o contato visual, sua aparência era encantadora, mas seu rosto me era bastante familiar.
— Eu te conheço... de algum lugar?— Pergunto enquanto o olhava.
— Não sei. — Ele dava um riso bobo enquanto me olhava, mas eu me perdia em seus olhos verdes. — Talvez nos conhecemos de outras vidas.
— É sério, eu acho que te conheço de algum lugar. — Digo enquanto o olhava, com a mão gentilmente toco em seu rosto, tinha uma barba rala e uma pele macia, ele fechou os olhos por um momento e quando os abriu foi junto a um sorriso.
— Talvez conheça mas não se lembre. — Ele responde em um tom mais gentil, com a voz amaciada.
— Eu acho que me lembraria de você.
— Princesa, ele é Leonhardt Durkheim, O herdeiro da coroa de seu pai. e também o seu noivo. — Dizia Héctor passando por nós em um cavalo, com a menina Melody sentada atrás segurando minha gata.
— Você... é o Raposa Vermelha? — Questiono e ele me olha como se risse de mim.
— Sim, eu sou. É um trato antigo que eu tenho com seu pai, e sou como um parente, já que ele não se casou depois de sua mãe e todos os parentes dele morreram de maneira inesperada.
— Entendo. — Digo virando meu rosto — Escuta, você me parece ser um homem bom... eu quero te avisar que, não quero me casar com você.
— Não te julgo por isso. — Ele diz dando um tapa contra minha coxa — Mas uma princesa deve fazer tudo pelo bem de seu reino.
— Eu me importo com o reino, mas não quero me casar com quem eu não amo. e eu não tenho nenhum acordo com você, não sou uma moeda de troca.
— Gosto do seu pensamento, Princesa Katherine. — Ele diz e sua mão sai de minha coxa, ele então segura em meu rosto fazendo meu rosto todo corar ao tê-lo tão perto de mim, sua mão era calorosa e repousava os dedos gentilmente baaixo de meu queixo.— Façamos um acordo então.
— Um acordo?
— Não tenho interesse em casar com ninguém, ainda mais se a pessoa se sentir obrigada a isso. Então, façamos assim. Um duelo, de espadas ou de arco-flecha. você escolhe o que quer, e então competiremos. Se você ganhar, eu te deixo em paz e é livre para casar-se com quem quiser. Agora, se eu ganhar... você se casa comigo mas eu não tocarei em você.
— Parece ser um bom acordo. Eu aceito, Leonhardt de Durkheim. — Digo em um tom satisfeito, evitando o olha-lo, apenas focando na estrada qual entravamos, já estávamos próximos ao castelo.
Quando chegamos no castelo era quase noite, Leonhardt observou a grande quantidade de prostíbulos e não poupou expressões para demonstrar o quanto era incômodo para ele. Passamos então pelas ruas principais até que chegamos ao castelo, alguns guardas estavam em minha busca, havia um alerta, O exército de Heindal havia sido avistado a poucos quilômetros de Astrid. Pelo visto Guilhermino havia pegado um atalho naquele dia. E por essa razão fui levada para a torre, e dessa vez com guardas para que me protegessem. Estranhamente meu pai não estava bem, Eu adoraria contar mais detalhes , mas presa na torre eu estava impossibilitada.
— Você está com medo? — Questiona a menina Melody, me dando um susto. ela estava sentada na beira da janela com Nix sobre suas coxas.
— Ah, não... eu confio que tudo dará certo.
— Vai sim. — Diz a menina sorrindo para mim.— Você é feliz, sendo uma princesa?
— Não tenho tanta coisa para reclamar, fora o fato de meu pai estar louco.
— Eu pensei que ser princesa fosse algo divertido.
— Tem muita coisa sobre ser princesa que não é verdade. — Digo encolhendo-me na cama, abraçando-me com um travesseiro.
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