Notas iniciais
"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
1 Coríntios 13:4-7""
Era pensando nessa passagem Biblíca que eu pensava nela, em seu rosto, seus traços, seus olhos castanhos que me olhavam bastante curiosa...Ainda me lembrava da noite que a conheci. Exatamente quatro anos atrás, quando o reino de Astrid enfrentava uma pequena fase de pragas nas plantações, Eu estava desenvolvendo um antídoto para os enfermos por ingerir os grãos contaminados, e em uma noite.
Lá estava eu na bibliotéca do castelo, Sentado com um livro por trás da prateleira, quando senti um cheiro diferente. Sim, um sangue jovem estava ali, olhei por uma pequena brecha e vi que era a jovem princesa Katherine, uma donzela com seus dezessete anos que era dita como uma rebelde pelo pai. Fingi demência ao sentir sua presença e continuei minha leitura. Mas, quando a vi pegando algumas anotações dei um suspiro. Me manifestar ou simplesmente tomar de suas mãos? Optei por uma terceira opção, a deixar ir.
Quando um curto tempo de minutos se passou, me levantei de minha cadeira de madeira e fui caminhando pelos corredores do palácio, Ela não estava em lugar nenhum. Dei então um suspiro e caminhei pela escadaria indo até a torre. Não era algo que eu faria, invadir o cômodo de alguém durante a noite, mas quando cheguei na porta não haviam guardas e a porta estava sei aberta. Empurrei vagarosamente a porta e quando entrei pude ver meu livro posto sobre a cama, e quando me aproximei dele apenas senti algo bater contra minha cabeça e o som ecoar pelo ambiente do quarto. Tive que fingir um pouco de dor e me virei, quando vi era a jovem Katherine, Cabelos longos e negros como a noite, seus olhos castanhos brilhavam transbordando raiva e desconforto, segurando uma frigideira pronta para me atacar a qualquer movimento brusco, vendo esta cena dei um longo suspiro.
— Você me acertou com uma frigideira? — Questiono passando a mão sobre meus cabelos.
— Você invadiu o meu quarto! — Ela diz agitada ainda com a frigideira em mãos.
— Você pegou meu livro de medicina. eu apenas vim buscá-lo. Existem anotações de anos nesse livro.
— Então me deixe lê-lo.
Tomava o livro em mãos e encarava a garota. Atacando assim um desconhecido sem nem se quer ter noção do que estava fazendo, mas notei que em suas mãos haviam leves ferimentos, então era por isso que eu havia sentido tão forte o cheiro de seu sangue.
— É por causa das feridas que você o quer? — Questiono.
— Sim, e também porque queria ler algo.
— Pensei que fosse proibida de entrar na biblioteca.
— E sou, aprendi a ler por conta de uma arrumadeira, mas... papai a prendeu por desobediência..
— Me acompanhe, irá ler até pegar no sono. —Digo dando as costas para a jovem donzela, passando por ela com um olhar frio, indo para a biblioteca novamente.
Naquela noite, a partir daquela noite eu comecei a frequentar mais a bilioteca do reino, Não só para ajudar as pessoas por conta da praga, como também para vê-la, ver seu sorriso. Nos tornamos amigos, conversávamos sobre muitas coisas. Certa noite, após alguns dias de leituras e alguns ensinamentos sobre medicina, coisas leves de como fazer feridas se cicatrizarem, As janelas estavam abertas e a lua estava cheia, com algumas velas iluinando o ambiente, o clima foi perfeito para algo.
Toquei sua pele suavemente com a ponta de meus dedos, ela estava me olhando com a lua refletida em seu olhar, nossos olhos se fecharam e lentamente, ecomo em uma sicronia perfeita qual eu nunca havia sentido, nos beijamos. Um beijo com sabor de nuvem de água, apenas parecia que nossas almas se uniam. Algo suave e gentil, porém tive que cessar aquele ato, apenas a abraçando.
— Peça a minha mão. — Ela murmura, levantando a cabeça então me olha nos olhos.
— O que? — Questiono sem entender.
— Peça a minha mão ao meu pai, você é médico com certeza ele irá ceder, vários príncipes querem a minha mão... Eu te amo, eu te amo Leonhardt, por favor peça a minha mão e...
A toquei suavemente na testa, onde com esse toque gentíl a induzi a um sono tranquilo. Então a segurando nos braços a levei para seu quarto, a deixando ma cama. Meu sentimento por ela era recíproco. Então, naquela mesma noite de Lua Cheia, fui para o telhado do castelo. Melody não estava comigo naquela noite, e sim com Salvati e Leopold por algum tempo. Cortando a pele de meu polegar com a unha, Deixando uma gota cair ao chão eu a chamava pelo nome. Zayla.
A comunicação com ela poderia ser feita assim, já que ela estavas nas terras de Mirembe, com um espelho de acesso, que a daria a perfeita visão de onde eu estava, e quando ela quisesse, poderia aparecer para mim. E em poucos segundos ela estava ao meu lado. Uma mulher alta de pele negra, cabelos encaracolados, usando um lenço vermelho como uma espécie de tiara em seus cabelos. Um vestido amarelo com detalhes em verde, ah sim ela mesma havia o decorado com tinta creio eu. Zayla, a Líder, a filha de Shuri.
— Eu vi tudo o que aconteceu. — Ela diz calmamente.
— Eu não sei o que fazer. — Digo abaixando minha cabeça.
— Em nossas leis, não diz nada sobre se relacionar com humanos. Mas, — Ela junta as mãos entrelaçando os dedos — se você se juntar com essa moça Leonhardt, Em algum momento terá que falar o que você é. E se você fizer isso, você sabe que... o restante da família não irá ficar satisfeito. Além do mais, está se envolvendo em assuntos humanos de mais.
— Eu a amo. — Digo me virando, sentindo meus olhos arderem como se estivessem no fogo, minhas lágrimas não eram normais, e sim de sangue que marejavam nos olhos escorrendo lentamente.
— Você faz parte do conselho. É um dos mais velhos, e deve dar o exemplo Leon,. Eu imagino o quanto deve doer, mas você sabe o que é o certo. Leonhardt, podem matála, e eu não farei nada para impedir isso. — Ela dizia com tanta tranquilidade, e frieza que era como um soco em meu peito.
E foi naquela noite, naquela pequena noite que eu me despedi, achando ser para sempre. Enquanto Katherine dormia, a toquei na testa enquanto meus olhos ainda sangravam, fazendo com que nossas doces lembranças juntos fossem para ela apenas um sonho. Que minha amada encontrasse o amor que tanto buscava, pois ela merecia.
Ainda em seu quarto, com Zayla ao meu lado de braços cruzados eu a olhava dormir. Com um nó na garganta e a sensação ruim de que nunca iria vê-la.
— Você fez o melhor para ela. — Diz Zayla.
— Estou fora.
— Huh?
— Estou fora do conselho Thaimorn. Não conte comigo e Melody para mais nada, só irei nas reuniões de cinco anos.
Nessa noite, não cortei apenas relação com a jovem Katherine, e sim com meu clã. Zayla não insistiu, mas ela sabia que isso era ruim, a desunião do clã. Já não bastasse boa parte ter se dividido e ficado na Ásia, também aparecendo apenas nas reuniões que ocorriam a cada cinco anos. A mais ou menos trezentos anos, aconteceu uma grande guerra, onde tivemos nossas lembranças tiradas de nós, não nos lembrávamos de muita coisa, então a cada cinco anos nos reuníamos e conversávamos sobre possíveis descobertas sobre a causa da guerra e porque tivemos as memórias arrancadas de nós. Pensando nisso, não tirei as memórias dela, de minha doce Katherine, apenas deixei como se fosse um sonho.
E era lembrando disso, que eu levava minha filha, minha doce e querida filha adotiva para o altar. Claro que o clã sabia dela, e ela sabia da existência dos vampiros. Porém, ela fez um juramento a Zayla que nunca contaria, e bom,ela nunca contou nada. Quando a enteguei para o jovem Henry, que tinha um certo medo de mim — e com total razão — fiquei do lado direito pensando em minha vida, se eu realmente teria um amor para viver. Melody que veio se aproximando a mim durante a cerimônia.
— Aconteceu alguma coisa em Astrid. — ela sussurra então me inclino para sua direção. — Os pássaros me disseram que a princesa rejeitou mais um príncipe. E ela foi severamente castigada, e a caravana do rei passou destruindo tudo ao seu redor enquanto ia para Heindall.
— Merda. — Digo mordiscando meu lábio, me sentindo um pouco culpado.
— E também, parte do exército está te procurando. —Diz a menina segurando minha mão. — parece que você está na linhagem para ser rei. na linha de sucessão...algo assim.
— Eu não quero ir, não mais. — digo enquanto vejo a cerimônia continuar. — Augustus havia me colocado como um sobrinho legítimo. mas eu não tenho mais interesse nisso.
— Mas pensei que você gostasse da princesa Katherine. — Diz ela virando o olhar para mim.
— Shh! — Digo a cutucando — Não, e pare de bisbilhotar o meu diário.
— ah mas ela é linda, já fui vê-la durante a noite.
— Pare de ficar olhando as pessoas dormirem Melody. — Digo beliscando a orelha da menor que revira os olhos.
Fale com o autor