O dia amanhecera claro, porém nublado e muito frio, Rollked não havia dormido muito bem, estava muito tenso, veria seus filhos depois de treze anos separados, Gregórius e Rowenna, poderia abraça-los, depois de tantos anos se comunicando por cartas nunca enviadas. Rollked vestiu-se e desceu para poder tomar seu café da manhã, era Natal...,talvez um motivo para que se alegrasse. "Ora, bom dia, Madame Pomfrey" "Bom dia Mr.Rollked, feliz Natal...não é mesmo!?" "Feliz Natal...por falar nisso, a Sra. Já fez o convite à Petúnia, presumo...?" "Fiz sim, Mr.Rollked, como o senhor pediu, Petúnia Staffen, Vitória Staffen, e seu filho; mãe, filha e neto, todos virão" "Está bem então...acho que ficarei na varanda, sentado, e esperarei meus filhos" e saiu para a varanda, sem falar nada, em silêncio, com o seu mesmo olhar deprimido de sempre.

Era quase começo da tarde quando uma buzina acordou Mr.Rollked de seu cochilo na varanda, eram Rowenna Gregórius, os dois irmãos gêmeos estavam com caras ótimas, um encontro que Rollked queria não mais do que ter de fato, mas sabia, que eram seus filhos..., e tinham muito para explicar. Gregórius saiu na frente e logo deu o abraço tão esperado em seu pai, "Me desculpe pai, perdoe-me, me perdoe" Rollked se afasta e da um leve tapa no ombro de Gregórius "Vamos entrando...Rowenna!" "Papai!" um abraço tão longo que Rollked pode ouvir cada magoa que atormentava seu coração. Entraram os três, cada qual com a sua angústia, cada qual com o seu medo, mesmo não estando em um ambiente muito hostil.

Já era quase fim de tarde quando o condado Vale das Estações foi lacrado, os portões haviam sido fechados, era Natal, quem é que não gosta de uma boa falsidade, não é? Estava um clima muito agradável para os valesianos, sem muitos problemas, as ruas estavam quietas e frias, um belo memorial havia sido formado, onde então localizava-se o tão polemico Orfanato Garness. Nenhum movimento era notado nas imediações , somente valesianos sensibilizados pela tragédia ocorrida no local, mas só não era notado para quem não quisesse ver, alguém ou alguma coisa estava no orfanato, pouco a pouco, cada corredor escuro e sujo de sangue fora ganhando um amistoso companheiro, uma figura encapuzada, vestida de negro, acho que poderiamos chama-la de Sombra, um apelido não muito carinhoso, para uma figura não muito carinhosa. E não existia de fato uma resposta, ninguém sabia ao certo o que era, o que queria, o que realmente era do conhecimento geral era que essa não era a sua primeira e nem a última aparição, com a ajuda das diversas investigações de Mr.Hooligar, foi tido como conhecimento que os outros crimes macabros que rodeavam as planícies do Vale das Estações, que rodeavam a história de todos os valesianos, tinham um só autor...essa Sombra de que tanto falam. "O Bosque" como era conhecido o crime antecessor ao "Orfanato Garness", um horrível assassinato de quatro crianças, todas violadas sexualmente, umas sobre as outras, crime que aconteceu num bosque na planície sul do condado; situação do caso: não resolvido. "O Riacho", um caso não solucionado, datado de dois anos atrás, catorze crianças foram encontras misteriosamente afogadas, todas com cortes superficiais no pulso esquerdo, situação do caso: não resolvido. Ambos os casos tinham suas particularidades e semelhanças, de fato todas as vítimas eram crianças, a quantidade de vítimas era em número par, porém, suas diferenças eram claras, a violação sexual, o corte nos pulsos e..., nada, qual era a então particularidade do orfanato... Oh, sim, a ameaça...uma singela ameaça ao maior magnata do condado, seria ele a próxima vítima? Seria ele o autor dos assassinatos? Teria ele envolvimento algum? Nenhuma resposta se tinha, somente dúvidas...especulações nulas, argumentos sem sustentação...mas hoje era Natal, quem se importaria com isso? Só queriam saber de comer, provar a gula alheia, e quem então estava sofrendo..., que se dane, era Natal, e realmente ninguém se importava com a dor alheia, só tinham a cobiça de ter um Natal alegre, sem fúteis interrupções, ninguém se importava realmente com a vida das crianças, só cumpriam o papel de bons-samaritanos.

Eram seis horas, sua festa começava as sete, Rollked estava uma pilha de nervos. Rollked sempre era muito ansioso, seu estomago já tinha embrulhado, e nem estava inteiramente pronto, seus filhos já estavam prontos, esperando-o na sala de estar, Madame Pomfrey já estava com tudo adiantado, e já tinha ido logo se aprontar, já que era uma das convidadas de Rollked.

Pouco a pouco chegavam os convidados de Rollked, Sra.Petúnia Staffen, sua filha Vitória, e seu neto Jon. Rollked fazia questão de abrir a porta de sua casa para todos, dispensando todos os funcionários , tornando-se uma festa um pouco mais particular. Sete e meia chegaram Mr.Hooligar e sr.Stelnsky; estavam todos lá, os três Staffen, Hooligar e Stelnsky, Madame Pomfrey, Rowenna, Gregórius e claro, Rollked, o anfitrião. Estavam todos sentados a mesa, prontos para ceiar. "Desejo-lhes um maravilhoso Natal" a partir da intimação de Mr.Rollked ao brinde, bateram as taças, "A comida esta maravilhosa, Madame Pomfrey, meus parabéns..." disse elegantemente Petúnia, "Oh, obrigada, só foi feita com extremo carinho, deve ser isso o sabor ressaltado à comida...", "Gostaria de saber onde é o banheiro, estou meio apertado..." disse Hooligar, se retirando da mesa, "Segundo corredor a direita, quarta porta...não se perca hahaha" logo disse Mr.Hooligar "Obrigado, hahaha, não irei me perder...vou tentar". Logo saiu para o imenso rol de entrada, onde os dois enormes lances de escada estavam, 'Rollked disse à direita...' saiu andando para o lance de escadas do lado direito, uma parte muito escura da casa, uma parte onde Hooligar nem sabia que era tratada com tanto descaso pelos empregados, por conta de suas densas camadas de poeira. Pouco a pouco a escuridão tomava os olhos de Hooligar, que já não mais procurava o banheiro, tirou do jaleco uma lanterna, usou-a como guia por entre a escuridão, a cada passo que dava sua respiração ficava cada vez mais falha, a poeira se tornara incômoda, sua alergia já estava começando a aparecer. Logo, a luz de sua lanterna revelara algo um tanto intrigante, uma mancha de sangue, fazendo uma marca no maciço carpete de madeira, um sangue tão vermelho, tão fresco..., tão recente, isso de fato intrigou Hooligar, que o fez recuar, um tanto perplexo, "Mas o que...?" sua voz foi se perdendo no ar, pouco a pouco se ternava mudo, com uma audição mais aguçada, ouvia o ranger das tábuas do piso de madeira, um som de sola de sapato, o som a cada momento se tornava mais alto e mais próximo, algo que fez que Hooligar desligasse a lanterna, algo que por dentro, estava um pânico corrosivo, um medo da morte, um medo que nunca sentiu antes...