O Vale Das Marionetes
1 I — Prólogo
Sabe quando sentimos que certas coisas fogem do nosso controle? É exatamente assim que essa história se inicia: quando depois de tanto tempo mantendo todos sobre meu controle, finalmente tudo que eu construí com tanto zelo se desfez.
Minha sina se inicia no Vale das Marionetes, como eu costumo chamar a pacata cidade de Valley Hills. A história dessa província se inicia muito cedo, quando desde a antiguidade se mostraram misteriosos os habitantes daqui; sempre submissos, sempre tão controlados que facilmente qualquer um poderia julgá-los idiotas. De fato, esse julgamento se repete em minha cabeça, todos os dias até a atual data.
Valley Hills foi fundada na época em que o povo indígena habitava toda a América, e sua supremacia era colorida com Deuses fictícios e cultos aos elementos da natureza — que se mostraram cegos diante do declínio de seus cultuadoras. Dizem que a pequena comunidade maia que habitava as orlas paradisíacas de Valley Hills tirou suas próprias vidas num culto tão perturbador que os próprios historiadores tentaram se abster diante do ato ancestral tão primitivo e selvagem.
A dominação européia não demorou a chegar até o território amplo e agraciado com maravilhosas florestas tropicais e verdejantes. Felizmente, um dos aventureiros que velejaram meses pelos mares do mundo, finalmente encontrou tão prestigioso pedaço de chão; e finalmente a terra dos mortos-vivos foi povoada. Não diria que aquilo foi o suprassumo da sorte de Valley Hills, mas a partir daquele dia o lugar passou a ser um pouco menos assombroso, e talvez habitável.
Nesse momento vocês deveriam ficar sabendo de todo o resto desse folclore local, mas vou fazer o favor de poupar-lhes de tanto fardo, ao mesmo tempo que admito minha soneca nas aulas de História. Infelizmente algumas coisas não podem ser poupadas antes de mergulharem nesse mundo tão sinistro em que eu vivo: me chamo Brandon, e a dois meses atrás eu estava vivo. Ou pensava estar.
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