O Usurpador
3 Idênticos
Notas iniciais
Eladio ja desembarcava em Cancún com Leda, e estava tudo às mil maravilhas, livre de um casamento do qual nunca quis se comprometer e podendo usufruir da herança que tanto almejou, nada poderia estar mais perfeito, tinha uma mulher linda e sem complexos para se divertir pelos próximos 12 meses.
Após chegarem ao aeroporto e fazerem um check-out, o casal decidiu pegar um táxi para seguirem rumo à praia, onde se hospedariam no melhor hotel da região. Leda logo avistou um táxi livre estacionado e apontou para que Eladio o localizasse, ambos foram se aproximando e logo viram o motorista que estava cochilando em seu carro. Eladio que estava de óculos escuros tratou de acordar o motorista, batendo no vidro do passageiro:
- Acorda! Queremos uma viagem!
O motorista jovem, moreno, era bonito, um pouco forte e usava os cabelos castanhos para o lado, nada muito bagunçado, também tinha a barba feita e os olhos escuros, o mesmo acordou na hora com a abordagem de Eladio e abriu o vidro do passageiro, em seguida saindo do carro para ajudá-los com as malas.
- Perdão senhores, podem entrar no carro enquanto eu guardo a mala de vocês. — deu um sorriso amistoso e começou a carregar primeiro as malas de Leda que na hora que viu a cara do jovem motorista, ficou muito intrigada com algo.
- Eladio, você reparou? — perguntou ela sem tirar os olhos do motorista.
- Em que? — diz ele mexendo no celular sem dar muita importancia para o que a amante dizia.
- Esse motorista... ele é igualzinho a você! Tirando a barba e o cabelo que é um pouco mais claro e maior, ele é idêntico! Vocês até poderiam ser irmãos!
- Não diga besteiras Leda, eu não tenho irmãos, muito menos familia! — revira os olhos e guarda o celular — Vamos, entre no carro! — Abriu a porta para Leda que entrou em seguida ainda intrigada, fechando em seguida e esperando o motorista pegar o restante das malas. Ficou bem ao seu lado e olhando bem o rapaz que terminava de organiza-las no porta malas, começou a ver que Leda tinha razão e ficou por alguns segundos pensando no que ele poderia fazer com tal semelhança.
- Prontinho Senhor, suas malas estão em segurança! — Sorriu e fechou o porta malas.
- Como é seu nome? — perguntou baixando um pouco os óculos para analisá-lo melhor.
- Meu nome é Carlos Daniel, muito prazer senhor. — estende a mão para Eladio educado. O mesmo não retribui e apenas dá um sorriso falso.
- Bom, o espero no carro, vou ir para o Hotel Cancún Plaza. — se afastou ainda o olhando e entrou no carro acompanhando Leda. — Você tinha razão, mas ele não parece tanto assim comigo.
- O visual e o estilo é claro que não é o mesmo mas a fisionomia... os traços... são todos iguais! E sabe, acho que ele seria bem útil para gente!
- Pode ser... mas por quê?
- Você disse que precisava de alguém para vigiar Paulina não é?
- Sim... Eu falei com Willy mas não sei se dará conta, ele é meio... avoado.
- Uma vez eu vi numa novela onde duas mulheres trocavam de lugar para que uma pudesse viajar e se divertir por um ano como estamos fazendo agora... se você fizer o mesmo, ninguém vai desconfiar do que estamos fazendo e ainda terá a garantia de que Paulina estará sendo bem vigiada e assim poderíamos curtir a viagem sem preocupações. — Sorriu lhe acariciando o rosto se sentindo a pessoa mais inteligente do mundo.
- E você acha mesmo que essa palhaçada daria certo?!
- Eu acho que você não perderia nada, pense bem... Você terá sua liberdade ainda mais garantida, as pessoas vão pensar que você está lá... É só ensinar tudo ao seu sósia... Poderá fazer a troca quando quiser... Tudo está em suas mãos Eladio...
Eladio começou a refletir sobre todas as suas maldades, onde muitas de suas pistas haviam ficado na capital e se caso alguém fosse investigá-lo encontrariam com facilidade, provas de alguns de seus crimes, com o Carlos Daniel na jogada ele não teria que se preocupar tanto, pois a culpa cairia sobre ele, não sobre Eladio, e poderia fazer as viagens e outros gastos com o dinheiro da família sem que ninguém mais pudesse desconfiar, não se dariam conta de nada com a troca e assim Eladio poderia fugir com o dinheiro sem preocupações.
- Acho que sua ideia não é tão ruim assim, Ledinha... — sorriu maleficamente.
- Sério??!! — falou toda iludida e empolgada.
- Sim, depois você me explica tudo com calma, ele ja está vindo...
Carlos Daniel entra no carro em seguida e os leva para o hotel, quando chegam, o mesmo abre a porta para o casal, onde sai primeiro Leda e depois Eladio que fala com o mesmo.
- Gostei muito de seu serviço Carlos Daniel, tem algum telefone para que eu possa entrar em contato com você depois?
- Muito obrigado! Claro, aqui está! — Dá a ele um cartão com seu nome completo e telefone. — Pode me chamar quando quiser! — sorri contente por conquistar mais um cliente.
- Não precisa me chamar de senhor, creio que temos a mesma idade, não?
- Tenho 35 anos.
- Ora, eu também.. -disse um tanto pensativo.
- Vou descarregar suas malas senhor ... quer dizer, Eladio! — Em seguida ele descarrega as malas e as leva até o quarto de Leda e Eladio, que lhe paga uma boa gorgeta e se despede.
...
- Agora que estamos a sós, me conte tudo sobre esse negócio de troca de lugar!
Leda se senta com Eladio em umas poltronas e assim começam a elaborar tudo sobre a usurpação.
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