O Unicórnio de Um Coelho

15 Nem tão bem escondido...


Notas iniciais
Oie! Eu retornei para atualizar neste Setembro... Eu sei, ando demorando, mas... é não tenho desculpas, só peço desculpa por demorar. Agora, temos um capitulo novo e espero que aproveitem. Boa leitura.

A senhora Kelly conversava com Francis pelo telefone, perguntando se estava tudo bem e outras coisas que não pode falar no pouco momento que se viram naquele dia. Enquanto estava largado no sofá, com o telefone fixo ao lado da cabeça e ouvindo a mãe em meio ao barulhento hall do hospital, o garoto notou passos na escada e viu seu irmão mais velho com roupas de sair e exalando perfume. David seguiu direto para a porta e saiu sem dizer nada para ele. Depois que a conversa com a mãe se encerrou, o silencio predominou na casa por alguns minutos daquela noite, até Fran subir, tomar um banho e se arrumar para o encontro com Jack.

Diante do espelho fixado atrás da porta de seu quarto, o garoto avaliava a uma camisa polo, que não era de sua rotina, mas queria algo especial, contudo não fugiu de um jeans escuro. O celular vibrou sobra cômoda e conferiu a mensagem:

Jay: “Está pronto?”

Com um sorriso fino e ansioso, Fran sentou-se na cama e digitou: “Bem perto disso”.

Jay: “Bom, você tem quinze minutos... E o David?”

“Saiu arrumado, não foi como o carro dele, mas talvez algum amigo tenha vindo buscá-lo”.

Jay: “Ok. Tenho que prestar atenção na estrada, mas logo estou aí.” Francis ia concordar quando recebeu uma nova mensagem de Jack: “Aliás, escolha uma jaqueta também”.

Por quê?” Francis perguntou, mas a resposta não veio.

Por fim, aderindo ao pedido, buscou uma jaqueta que mal usava do canto do guarda-roupa, ficando um pouco curta e justa quanto vestiu. Minutos depois uma buzina fina e diferente soou na rua. O unicórnio desceu, caminhou pela sala e olhou pela janela, do lado de fora viu uma moto e alguém de preto e capacete. Francis estranhou, não tinha pedido entregada de nada. Então, depois que o motoqueiro puxou algo do bolso, seu celular vibrou:

Jay: “Cheguei! E precisa da jaqueta porque vai pegar um vento. Não quero ser culpado por algum resfriado depois”.

Logo Francis estava ao lado da moto, encarando o rapaz com capacete preto e brilhante, sem nenhum detalhe. Ali, se dava conta de que nunca subiu ou andou em uma moto, nem mesmo com as bicicletas tinha dado sorte para evitar quedas, por isso ficou inseguro e hesitou.

— Confia em mim, não te colocaria em perigo. Só tem que se segurar firme e me acompanhar — a voz de Jack veio abafada e ele balançou o segundo capacete que estendia ao garoto, o convencendo.

Assim que o menino subiu na garupa e fechou a jaqueta, ambos ouviram alguém chamar o nome de Francis. O mais novo não teve tempo para saber quem era, mas Jack havia olhado rapidamente para o outro lado da rua e logo já ligava a moto e sumia dali. Fran o segurou pela cintura no susto e ainda se perguntava quem havia saído da casa do vizinho da frente quando chegavam ao fim de uma segunda rua.

Só aos poucos, e com alguns minutos, o mais novo percebeu o quanto o assustava a velocidade da moto, estar a centímetros do asfalto, a roda logo abaixo de si e o vento zunindo no capacete fechado; não era uma situação comum ou que o deixava confortável. Mesmo de olhos fechados e bem agarrado a Jack, seu estomago começou a se contorcer com o nervosismo e a ansiedade cresceu. A moto deixou de costurar entre alguns carros de uma rodovia, saindo para uma rua lateral e mais calma, então encostou.

— Pensei que seu irmão tinha saído — a voz de Jack estava um pouco tensa, quando ele se virou para o menino, levantando a viseira.

— Eu também — o menino fez o mesmo, desajeitando, mas podendo falar e ver parte do rosto do companheiro. — Ele deve ter ido para casa do Alex depois, ou estava lá esse tempo todo. Eu não sabia.

Jack suspirou e, se virando um pouco para frente antes de se torcer de novo, comentou:

— Deu um arrepio quando percebi ele saindo na calçado e se aproximando de nós. David parecia bem incomodado com o que viu.

— Ele estava tão bravo assim?

O moreno balançou a cabeça positivamente:

— Estava sério e confuso, disposto a fazer algo, mas atordoado demais para ser imediato. — e riu baixo, segurando a mão que ainda o pressionava sobre o abdômen, acariciando-a sutilmente. — Relaxa um pouco... Depois você resolve isso.

Francis obedeceu, ficando alguns segundos em silêncio e observando a rua escura com postes acessos e as casas que desconhecia, até que uma pergunta surgiu em sua mente:

— Você já tinha moto antes?

— Sim e não... — O silencio e olhar persistente do unicórnio foi o suficiente para Jack prosseguir: — Ela era meu objetivo quando comecei a arrumar uns trabalhos, juntei o suficiente para uma comum, mas meus pais insistiram e dobraram o valor. Só que, bem, em pouco tempo eu... eu acabei causando um ótimo estrago e ela ficou um longo tempo no concerto.

— O que aconteceu? — Fran perguntou curioso e temeroso com o tipo de piloto que o levava naquele momento.

Um riso nervoso veio do capacete que olhou para frente, lhe deixando um pouco mais tenso.

— Ah... Eu vivi uma fase estranha, Fran, gostava de brincar nas ruas.

— Ai, Deus. — o mais novo recuou um pouco os braços de em volta do outro, com medo de ser incluído em algo do tipo.

— Calma aí. A única que saiu prejudicada foi minha moto e já está tudo resolvido. Eu aprendi a lição e essa minha fase já passou. — Jack havia se virado e o encarou, tentando passar confiança e compreendo o medo que o menino demostrava. — Não vamos fazer nada do tipo hoje, eu juro.

Depois que o menino assentiu, eles seguiram a viagem na cidade vizinha. Francis resistiu ao medo mais do que imaginava, e Jack o levou para assistir um filme, não do tipo romântico, mas um de aventura que tivesse humor e ação, agradando os gostos opostos; já que o unicórnio gostava dos que carregasse romance e drama e tive alguma dose de comedia, e o coelho um gênero que satisfizesse seu gosto por ação e risco, dispensando monotonias.

Algumas horas haviam passado, mas eles ainda foram para um Pub que Jack conhecia. A princípio, o segurança encarando Francis com suspeita parecia um desafio, mas era um antigo colega de Jack que o convenceu a deixa-los entrar sem nem mostrar as identidades. E lá o clima entre eles fluiu, com uma ajuda dos drinks que o mais velho escolheu e o ambiente repleto de conversas e musica ao fundo, as foram conversas descontraídas e até algumas raras brincadeiras.

Com o avanço da noite o unicórnio havia alterado seu estado hesitante e teve a capacidade de incitar alguns minutos na pista de dança com Jack, apesar de ele mesmo não saber nem o básico de como se agitar com uma musica.

— Depois de dois copos desses? Não sei se é uma boa ideia, Francis. — Jack argumentou, desconfiado da proposta, e o menor riu despreocupado. Vê-lo descontraído mexia com o mais velho, o fazia sorrir também mesmo sem saber que o fazia.

Então Fran ficou de pé e apoiou-se no ombro dele:

— Mas eu quero ir lá com você, Jay. Se não for aqui, onde mais poderia ser? Vamos — Francis deslizou o toque do ombro e o pegou pela mão, o puxando para o local com musica e pessoas enquanto mantinha um sorriso fino e de divertimento no rosto.

Depois de se misturarem, a dança deles encontrou um ritmo e estilo próprio. Jack tentava ensinar algo, mas mais ria do atrapalhamento de seu colega mais solto, que trombava em algumas pessoas e pedia desculpas instantâneas. Neste momento, lembrar-se de David ou o que sua mãe e seu padrasto pensariam sobre o que estava acontecendo não chegou a mente de Francis, absorto no prazer de estar ali com Jack, livre. E, talvez, os meninos tivesse se aproximado demais quando Fran abraçou o pescoço de Jack no meio da dança, rindo, e foi segurado próximo pela cintura para os outros acharem que fossem apenas amigos, mas, se tivesse alguém ali os julgando, não importava mais, era a vida deles, um momento deles.

...

Durante a madrugada Jack caminhava devagar por uma praça próxima do pub. Francis estava ao seu lado, conversando sobre qualquer coisa enrolada e comentando sobre os momentos anteriores, sempre com um sorriso sutil. Estava diferente da apatia diária, e saber que fazia o menino que gostava se sentir assim e ser mais solto consigo, o fazia feliz também. Mas Jack percebeu que seu pequeno unicórnio tinha pouca experiência com algumas coisas, não era acostumado com o álcool ou mesmo ficar acordando tanto tempo depois de um dia de aula, por isso teve que controla-lo e deixar o pub antecipadamente.

— Acho que está na hora de voltarmos — Jack disse para o menino sentara em um dos bancos da praça e logo depois se deitou jogado olhando o céu.

— Ah, eu não queria... — Fran suspirou e se sentou com cara de desanimo. — Meu irmão vai correr atrás de mim.

Jack o olhou e lembrou-se de como saíram sendo notados por David. Entretanto, ele tinha que voltar para a cidade e para a casa dele. Jack não podia fazer muito pelo que viria entre os irmãos, então forçou um riso, tentando soar confiante:

— Seja mais rápido e não deixa ele te bater de novo. E lembre-se que você não é obrigado a dizer nada para ele. Se ele ameaçar contar o que viu, acho que seus pais confiam mais no que você diz do que no seu irmão, não é?

O unicórnio concordou com um sorriso pelo apoio, levantou-se e caminhou até Jack, o segurando pelo rosto. O mais velho estranhou ser encarado nos olhos por alguns segundos por um garoto com cara de bobo, mas logo recebeu um beijo calmo que foi alongado e o desconcentrou dos pensamentos.

...

Na volta para casa, o motociclista foi o mais prudente que poderia, mas, pouco depois de saírem da cidade vizinha, Jack percebeu Francis afrouxara o aperto ao seu corpo enquanto se segurava.

— Francis, você está dormindo?! — disse quase parando a moto numa avenida vazia da madrugada e no mesmo instante sentiu ser segurado mais forte e um ‘não’ resmungado e súbito. Jack riu, mas estava preocupado. Naquele estado, ia ser arriscado leva-lo até em casa. Então o mais velho tomou uma decisão sem perguntar.

Alguns quilômetros depois, preenchidos por algumas perguntas aleatórias para seu garupa ficar desperto, a moto escura chegou aos portões vinho e altos de um prédio que se abriram e o levaram ao estacionamento subterrâneo. Notar-se naquele ambiente desconhecido, silencioso, cinzento e cheio de carros, confundiu Francis:

— Onde estamos? — perguntou, esfregando o rosto adormecido e devolvendo o capacete para Jack, ambos já desmontados da moto estacionada em uma vaga.

O mais velho deu um sorriso torno e bagunçou os cabelos prensados pelo item de segurança:

— É a minha casa... Para sua segurança, achei melhor virmos para cá, já que ficava mais perto. Importa-se se ficarmos aqui?

— A-acho que não. Se não for atrapalhar...

Jack riu do retorno da hesitação de Fran.

— Você não me atrapalharia. E não tem quarto de hospedes, mas vamos dar um jeito. Vem, é por aqui — o garoto o encarou, mas foi sendo deixado para trás enquanto Jack seguia para os elevadores bem iluminados em um estremo da garagem do prédio.

Era um lugar estranho, de corredores largos, lustres modernos, portas adornadas e até alguns quadros e arranjos de flores nos cantos para decorar, parecia um hotel, e isso fazia Francis achar que estavam em outro lugar e desconfiar de Jack.

O coelho parou em uma porta e a abriu, observando as reações de sua companhia convidada a entrar primeiro. A sala de estar ampla e conjugada com a de jantar estava iluminada por fracas luzes alaranjadas de abajures e luminárias. Tudo estava bem organizado e decorado, sofás de couro escuro e brilhantes, um tapete convidativo a se pisar descalço, uma televisão grande estava na parede, a mesa de jantar era de mogno e para oito pessoas, a maioria das paredes tinha algum detalhes, com quadros ou papel de parede. Tudo parecia confortável e nada apertado para um apartamento no oitavo andar.

— Não repare tanto nas coisas — Jack disse sem graça. — Tudo isso é dos meus pais, eles merecem o que conquistaram.

— Voce é... — Fran falou tirando a jaqueta, mas ainda atordoado e sonolento.

— Rico? Não. Eu não. — sorriu brevemente e apontou um caminho. — Vamos para meu quarto, está tarde.

O cômodo era uma suíte com traços contemporâneos. As paredes pintadas de azul petróleo, piso cinza, uma cama larga recoberta pelo edredom azul escuro, o lustre no teto e muitos outros detalhes da decoração tinham prata, branco e preto, as cortinas brancas e de camadas ocultava uma janela, e ainda havia uma televisão acompanhada de um conjunto de duas poltronas. O quarto parecia ter saído de uma revista.

Jack pegou a jaqueta da mão de Francis e jogou-a na poltrona sem cuidado com a arrumação do lugar, tirando a atenção do menino nos detalhes.

— Quer comer ou beber algo? — ele perguntou.

— Não. Estou bem.

— Certo — Jack deu um leve sorriso e seguiu até o guarda-roupa embutido, pegando suas roupas de dormir e jogou uma blusa branca para Francis usar. Trocou-se entre as poltronas, observando de soslaio o mais novo e sendo observado discretamente, depois o rapaz saiu do quarto, deixando sua visita a vontade no banheiro e no quarto.

Deitar-se na maciez do colchão e dos travesseiros de Jack era como mergulhar na vida de outra pessoa. Sentir aquele perfume diferente o envolvendo o entorpecia e agora tinha respostas para simples perguntas de ‘onde e como ele dormia’, estava pronto para relaxar, mas ao mesmo tempo lutava para se manter acordado por mais alguns instantes. Quando Jack retornou ao quarto, desligou a luz e foi fazer-lhe companhia na cama, não dando sinal de querer estender a noite além de um sorriso ao notar que era observado ao cobrir-se.

— O que foi fazer? — Fran perguntou letárgico e aleatoriamente.

— Mostrar para meus pais que cheguei, mas eles já estão dormindo.

— Seus pais estão?

— Sim — riu, bagunçando os cabelos castanhos do garoto no outro travesseiro. — E para alguém que estava dormindo em cima de uma moto, você está acordado demais. Descanse.

— Não antes — bastou piscar para Francis sentir os olhos mais pesados — de saber...

— Saber o quê?

— Se você tem tudo isso — referiu-se ao significado do apartamento bem luxuoso, em seus humildes conceitos — porque estuda naquela escola e se envolve com aqueles tipos de pessoas?

A expressão de Jack ficou mais contida, os olhos azuis desviaram-se do menino por um estante. Ele sabia que esta era um pergunta que todos lhe fariam se viessem até onde morava, mas até ali não precisou respondê-la, apesar de ter pensado na resposta há um bom tempo.

— É uma historia longa, mas vou encurtar para você.

— Que bom — Fran riu baixo e entrelaçou os dedos numa mão de Jay, pronto para ouvir.

— Quando cheguei a esta família, Jonathan e Danielle me puseram nas duas melhores escolas, mas eu não me adaptei nos dois anos que tentei e eles me deixaram escolher... Não quis que gastassem mais comigo, então acabei naquela. E, se não fosse isso, acho que nossa historia poderia ser diferente, Francis.

O menino sorriu letárgico, compreendendo. Não teria David ou Samuel no meio e Jack seria um desconhecido em uma festa, porém nenhum dos dois saberia dizer se se veriam novamente depois daquela noite...

— Porque ‘quando chegou’?

— Eles me adotaram quando eu tinha doze anos... De outro país.

A história despertou Francis que olhou surpreso para Jack, e o mais velho parecia esperar um olhar daquele.

— Você não é deste país? — Fran expos o que inundou sua mente naqueles segundos.

Jack negou com um movimento de cabeça, permanecendo com uma expressão neutra e observando aos olhos castanhos e curiosos:

— Danielle era a melhor amiga da minha verdadeira mãe e, pelo que sei, ela não tinham família ou coisa do tipo, tentou cuidar o máximo que pode de mim, mas adoeceu e fui parar em um abrigo por alguns anos até Danielle me encontrar e me trazer para cá.

Segundos de passaram para Francis processar a história. Ele achava a vida dele ruim e complicada, tendo um irmão como David e outros problemas que quase ninguém sabia, mas Jack escondia a sua muito bem, tanto a parte triste do passado como a do presente – a de suas saídas e dos relacionamentos gays, apesar de ser um típico jovem do esporte e com ambições comuns.

— E lembra-se daquele final de semana que sumi? Logo depois de ficar com você na sua casa — Jack perguntou e Francis assentiu. — O homem que ajudou Danielle a me adotar e me trazer para cá faleceu. Ele já era de idade, mas mudou a minha vida. Não esperávamos que ele fosse tão de repente e por isso fui sem ter como dizer algo para alguém.

Notas finais
E fim. Nunca escrevi algo do tipo mensagens em narrativa,mas espero que tenha sido compreensível, hahaha. Não foi uma capitulo a 'la' reviravoltas, mas com algumas informações e intrigas,não? é talvez... O próximo eu sei o que tenho para escrever, só faltar parar e fazer, rs. Obrigado por estar acompanhando, deixe um comentário, ter opiniões e saber o que você está achando me faz, hm, realizado, afinal escrevo para entretenimento e para me distrair dessa vida... Agradeço por ler, abraço! Ps.: Não conseguir imagem para postar, na verdade, o site que usava deu problema. Então, não tenho de novo. Ps2.: tenho comentário a responder, vou fazer isso logo. ;)