Notas iniciais
Olá! Faz semanas, não? Quase um mês, nossa. Mas não desisti, kkk. Saudades amados leitores(as)!! E finalmente tomei um pingo de coragem e listei os acontecimentos até o fim da fic, hahaha, vão me ajudar a ter um passo a passo até a finalização. Adianto que vão ter que me suportar aqui, saltitando a cada novo capítulo para ter um pouco atenção, por um tempinho. Mas espero terminar antes 2018. Também atualizei a sinopse ^_^. Musica para o capitulo: Luana Camarah – Máscaras (lembrando que essa é em português, então se quiser pode ouvir antes, depois ou ao mesmo tempo xD) https://www.youtube.com/watch?v=Vp95spRbLfI Boa leitura!

Não dava para evitar o sorriso no rosto, estava empolgado. Ele levou longos segundos limpando a parte da frente do carro, jogando garrafas, embalagens e outras coisas para os pés do banco de trás, logo o lugar do passageiro estava apresentável. Através do espelho retrovisor, via o ônibus dando sinais com o farol alto enquanto chegava mais perto. Então abriu o vidro elétrico do outro lado e esboçou seu melhor sorriso, arcando-se até a janela:

— Entra no carro — disse, olhando para o menino surpreso e de dezesseis anos. — Por favor! — olhou para trás, para o ônibus que estava mais próximo.

— E-eu tenho que ir para a escola — Francis indicou, apreensivo, o veiculo e se encolheu com os olhares das outras pessoas sobre ele.

— Eu também, por isso estou aqui! Vem comigo.

Samuel e ele se encararam. O ônibus parou atrás e buzinou. Irritado com o som, Sam fez o mesmo com a de seu carro e voltou a olhar, indiferente, para Francis, que também estava sendo culpado pelo incomodo.

Se ele não fosse, o rapaz iria insistir e obrigar aquelas pessoas a caminhar até o veiculo atrás; e, pelo outro lado, Jack pediu que não ficasse próximo dele. Ainda indeciso Francis viu o motorista do ônibus sair pela janela e dizer que ali não era lugar de parar e outras coisas. Num misto de impaciência e ignorância, Sam pôs uma mão fora do carro e lhe mostrou o dedo do meio, envergonhando Fran que resolveu atender ao pedido antes que as pessoas começassem uma discussão.

O sedã era igualmente escuro por dentro, de couro preto e costuras e detalhes pratas. Depois que puxou o cinto Samuel sorriu para Francis, engatou a marcha e acelerou com o motor silencioso. O mais velho tentou puxar assunto, mas o garoto respondia com frases curtas, pois estava mais atento, e assustado, com as manobras pelas ruas, onde ele logo se perdeu.

Samuel não gosto da pouca comunicação de seu carona, cansou-se de insistir em algum assunto, então ligou o som baixo e continuou distraído com o percurso até que parou numa rua qualquer, diante do longo muro de um terreno abandonado há anos.

— Aqui não é a escola. — Francis notou, olhando o lugar quase sem outros carros na rua.

— E você achou mesmo que estávamos indo para lá? — Samy disse tão inexpressivo e sério que o mais novo o olhou desconfiado e tenso, mas depois ele riu descontraído: — Foi só uma brincadeira! Ainda temos um tempo.

Em seguida o rapaz ficou olhando-o, não apenas o rosto ou as roupas, mas observava mais. Fran desviou sua atenção para rua durante o silêncio, sabendo que, mesmo que não visse, o outro estava o avaliando por inteiro e o deixando nervoso. De repente, assustou-se com um toque próximo da sua coxa, no moletom amarrado em sua cintura, e olhou Sam, que já estava com a mão erguida, rendido ao susto, mas sorrindo da reação. O mais velho então se debruçou no volante, com o rosto virado para ele:

— Você às vezes não se sente sozinho? — perguntou, mas o garoto ficou em silêncio. — Seu irmão te ignora, fala várias merdas sobre você; você não tem facilidade para fazer amigos; não tem companhia para fazer alguma coisa que goste e, provavelmente, sempre resta na sala de aula quando tem trabalhos em dupla ou em grupo, não é?

O de cabelos brancos olhava Francis nos olhos, quase como se enxergasse as lembranças que vinham na mente do menino enquanto falava desses momentos.

— Você é — continuou a dizer — como uma ilha. Não! Você é mais como uma pedra com algum valor que está enterra sob um monte de coisas que ninguém quer cavar para entender... Algo perdido nas sombras do mundo... — a fala mansa havia hipnotizado o pequeno Unicórnio, era um ponto de vista de quem ele era, e pensava distraidamente nisso quando, de repente, Sam questionou súbito: — Você é gay, Francis Audrey?

Fran recuou no banco, piscou, corou e olhou para fora. Ouviu um riso leve e olhou para Samuel, que sorria torto e não em desaforo:

— Acho que fui direto demais. — riu de si, desencostando do volante. — Não tem problema, pequeno. Eu só queria ter certeza depois de ouvir seu irmão.

— M-mas... Eu não disse nada!

— E não precisa. Eu já vi a resposta.

— Viu? — o coração de Francis deu uma pulsada. Será que Sam poderia ter notado algo para ser tão convicto?

— É, sua reação de agora, seu jeito e a forma que olha para os outros garotos da escola — Sam divertia-se observando as expressões do mais novo. — Você até que é muito bom em parecer indiferente, mas até para mim... —arcou-se na direção do Unicórnio, mais próximos a cada frase: — esses olhinhos querem ver mais do que podem. E por mim, pequeno... Não teríamos problemas.

— Para! — Fran parou o avanço de Sam levantando uma mão entre eles, o coração batendo rápido de susto e olhou para fora.

Por alguns segundos, o rapaz esperou que o bloqueio abaixasse, mas, quando não aconteceu, sentou-se direito, encarando a frente e mordendo o lábio inferior internamente, descontente.

— Tudo bem — Samuel disse depois de alguns minutos. — Vamos ser amigos por enquanto — e batucou os dedos no volante. Esperou alguns instantes e então olhou para o menino no banco de passageiro, era um menino bobo, com medo, mas Sam podia dar um jeito com um pouco mais de tempo. — Tenho uma coisa para você... — esticou-se até o porta-luvas, abriu-o e remexeu os papéis que tinham ali. Francis ficou apreensivo com o que seria, ainda mais por ver um ou outro preservativo no compartimento, não queria aceitar algo dele. — Aqui — segurava um pirulito. — Vamos, pegue!

O unicórnio olhou Sam, tentando ver alguma intenção a mais ou se era apenas a simpatia marcando presença. Um doce ele poderia aceitar, pensou. Levantou a mão, hesitante, porém, no último momento, o rapaz soltou sem que ele estivesse pronto e o item caiu entre suas pernas.

— Ops! — Sam falou já colocando a mão no espaço para buscar o doce e procurando-o sem qualquer necessidade.

Francis segurou o pulso rapidamente e o puxou:

— Eu pego! — avisou tenso e o parando. Vendo um riso travesso no rosto de Samuel ao afastá-lo. Depois o rapaz riu ao observa-lo buscar o doce e guardar num bolso da mochila aos seus pés.

— Aah, esperava poder assistir — Sam comentou bobo, mas se ajeitou no banco, religando o carro e partindo para a escola.

Assim que o sedã estacionou próximo do colégio, Francis saiu do carro dizendo um obrigado e seguiu caminhando para entrada.

***

Alice o cutucou:

— Ei! A aula já acabou. É intervalo — a menina de óculos de lentes grandes era dupla de Jack nas aulas desde que ele entrou no colégio. Não tinha nada demais na aparência, era só ‘fofa’. — Não vai sair com seus amigos? Disseram que iam combinar alguma coisa.

Jack a olhou, despertando de seus pensamentos sobre o final de semana:

— Ah, tá. Vou sim — fechou o caderno, juntando as poucas coisas e depois se levantou.

— Jack! — a garota o chamou, sentada em sua carteira na sala vazia. — Gostei do cabelo, faz você ficar menos “menino mal” — ela sorriu.

— Sabia que você curtia os certinhos — debochou, rindo, e a menina corou:

— Não tem nada a ver! É só que você... parece mais confiável, agora.

— Hm? — ele parou de se afastar. — Antes você desconfiava de mim, Alice?

Ela riu baixo.

— Acho que falei de mais — simulou estar decepcionada e sorriu em seguida.

Jack deu um tchau com os dedos e um sorriso rápido e deu as costas, indo para os corredores do colégio.

O final de semana não foi fácil, o tio o levou para conhecer alguns homens e as conversas eram sempre sobre as mesmas coisas sérias de guerra e exércitos, o que exigia concentração e maturidade e isso o deixou cansado. Mas também não deixou de pensar em Francis, desejava encontrá-lo logo, porém não tinha como chamá-lo pelo celular.

Entretanto, ao acaso, enquanto andava pela escola tentando encontrar uma maneira de vê-lo, que notou o menino no balcão de recepção da escola. Dissimuladamente, se aproximou e parou do lado, observando o espaço com prateleiras e a mesinha da mulher atendente, que não estava no local. Olhou para Francis, o garoto estava distraído preenchendo uma ficha e nem o notara. Então a mulher chegou de uma salinha e veio até o balcão:

— Disse que perdeu ontem? — Francis deixou a folha e concordou. — Sinto muito, não tivemos nenhum celular.

O garoto ficou frustrado, pensando logo no que ia fazer agora.

— Mas com a ficha do seu perdido, talvez ele apareça esses dias — a mulher tentou reconforta-lo e depois notou Jack, sorriu para ele, supondo que esperava ser atendido, e de repente seu olhar deu um estalo de surpresa. — Ah, lembrei! Teve um celular hoje! — ela riu sem graça. — Desculpe, estava ainda sonolenta de manhã.

Ela entrou na salinha novamente, trazendo esperança para o garoto e Jack não resistiu, segurou a mão de Fran levemente sobre o balcão e o menino recuou, olhando-o assustado antes de compreender quem era:

— Jack?! — o unicórnio analisou o rapaz de olhos claros e cabelos escuros cortados baixos nas laterais e um pouco espetados em cima. Jack sorriu pela reação dele e pelos olhos que o vagaram rapidamente, porém teve que soltá-lo com o retorno da mulher.

— Você me ajudou a lembrar — ela comentou, olhando para Jack — seu amigo que deixou isso aqui. — Depois falou para Francis, pondo um envelope com um volume e com algumas anotações em cima do balcão: — Veja se é o seu.

— É sim! —o menino ficou feliz logo que tirou o aparelho e olhou o mais velho, que retribuiu a animação com um sorriso.

— Quem bom! Assine aqui no envelope e pode levar — a atendente entregou o papel e logo se voltou para o outro jovem: — E você, em que posso ajudar?

Jack a olhou por uns segundos, pensando, então falou:

— Não achei minha blusa de frio. — Sorriu torto, pressentido Francis o encarar, enquanto a mulher concordava, dizendo que ia buscar a caixa de agasalhos. Então se virou para lado: — Espero que tenha tido um bom final de semana com minha blusa — sorriu, olhando para a roupa na cintura do outro. — Aonde quer ir agora?

— Ah! Olha só! — bastou levantar os olhos do rosto de Francis para a expressão de Jack sumir diante daquele sorriso enganador do rapaz que chegou apoiando-se no ombro do seu unicórnio. — Que coincidência achar os dois garotos que ia procurar hoje juntos! Muito oportuno, não acha, Robinson?

Francis olhou de Samuel para Jack, desconfortável e tenso no meio deles; ainda não havia comentado sobre a carona, nem a conversa, e Sam ainda chega agindo como se fossem bem amigos.

— O que você quer? — o moreno quis saber logo, fechado a cara.

Samuel riu irônico e olhou para Francis:

— Que tal passarmos esse tempo junto? Te pago um refrigerante.

O menino olhou para Jack, que parecia irrita-se e ficar desconfiado, precisava se livrar de Sam e conversar.

— Fala logo, o que você quer comigo? — Jack interrompeu-os, chamando a atenção do ex amigo e livrando o pequeno de dar uma resposta.

— Calma. Quanto estresse — Samuel soltou Francis — O treinador de natação voltou e disse que vai continuar com a gente. Isso significa que vai ter você e eu novamente, muito em breve.

Jack, agora, odiava aquele sorriso com uma sobrancelha levantada que dizia que tinha mais coisas por trás. Forçou o maxilar o encarando, gostaria de responder rebeldemente que ia deixar a equipe, mas não podia, sua mãe gostava de falar da participação dele justamente nesse esporte.

— Tenho que resolver uma coisa de música! — o mais novo deles pronunciou do nada, olhando Jack mais fixamente antes de seguir andando.

— Você o assustou, Jack — Samuel acusou decepcionado; e também não tinha entendido a fala sem sentido, deixando passar. — Desde aquele dia o pequeno está achando que sou mal por sua culpa, hunf... Mas um dia explico o que você fez.

— Afinal, o que está fazendo?

— Eu? — dissimulou, depois riu. — Nada!

— Está perseguindo o garoto, isso não é nada, Sam.

Samuel parou lhe lançou um olhar de desconfiança.

— Como você... — pode saber? Ele ia perguntar, mas se calou e deu de ombros. — Só estou afim. Ele tem um ar de, hm, ‘inocente’, não acha? — e sorriu inquieto, virando-se e se afastando pelo outro lado, cumprimentando conhecidos.

Pouco depois a atendente voltou com uma caixa preenchida com algumas roupas e Jack simplesmente respondeu que não era nenhuma delas, indo atrás de Francis.

...

A caminho da antiga sala de música, ouviu alguém chamá-lo. Viu Kyle, David e Lawrence, mais um do grupinho, e foi até eles. Os amigos falaram de um plano de arrumarem um jogo com um colégio da cidade vizinha para passarem um tempo fora. Jack ouviu e concordou sem muita opinião, como normalmente fazia, mas naquele momento deixava transparecer um pouco de pressa em acabar o assunto, sendo ele a se despedir e continuar seu caminho pelos corredores antes que o intervalo acabasse.

Contudo, talvez tenha sido notado por um deles, que o observou se afastar lembrando-se de como Jack havia ficado mais próximo dele e de seu melhor amigo, Charlie, há algumas semanas, os três estavam se dando muito bem juntos, mas agora parecia ter recuado sua aproximação. Perguntou-se o que andaria acontecendo.

...

Jack entrou na sala de musica que virara um deposito que poucos conheciam e hesitou em se aproximar de Francis, analisando-o distantemente depois que ele se levantou do banco em que estava sentado sem dizer nada, apenas com uma expressão de angústia.

— Tem alguma coisa acontecendo, não é? — questionou.

Os olhos castanhos o encararam tenso:

— Ele surgiu no ponto de ônibus hoje e ofereceu carona. Acabei sendo obrigado a aceitar porque as pessoas ficaram me olhando e culpado por ele parar no lugar errado.

O mais velho refletiu os fatos demoradamente e então suspirou:

— Certo. Sam é bem capaz disso.

— E ele conversou comigo... e-ele sabe Jack! — Fran falou apreensivo, apertando os dedos de suas mãos.

— Sabe o quê? — o menino hesitou, deixando o outro preocupado. — Sabe sobre nós, Fran? Deixou isso claro para você?

— Não. Ele sabe que eu prefiro garotos. — O moreno sorriu brevemente, o deixando sem entender: — O que foi?

— Nada. Só que... Seu irmão vive falando isso Francis, é estranho se preocupar porque o Samu-...

— Jay! É diferente meu irmão ficar falando essas coisas para me provocar, de Samuel, o popular e conhecido da metade da escola, saber! E ele parece não ligar em interagir com isso e... — Jack o olhava, ouvindo-o — não pretende ser meu amigo.

O relaxamento do coelho se foi. Jack se aproximou e sentou-se no banco, sendo acompanhado de Francis, refletindo até ter uma conclusão:

— Ele quer jogar com você, Fran.

— Jogar? Por quê? Eu não tenho nada de interessante, sou um inútil que ninguém olha.

Jay o observou:

— Você não é um inútil. Faz companhia para sua mãe, ajuda a menina do teatro, vai bem nas matérias, e deve ter mais coisas que você faz. Além disso, — aproximou seu rosto do de Fran, falando mais baixo , olhando nos olhos castanhos amadeirados — sob sua camada solitária e assusta, tem alguém que quer ser mais e é gentil com os outros, alguém que chama atenção pela força que carrega ao resistir a tanta coisa e ainda estar lutando... E quem disse que ninguém nunca te notou? Você só não ficou sabendo, Fran.

O garoto sorriu para Jack e o beijou não resistindo à proximidade, sendo logo puxado para mais perto enquanto o toque foi se aprofundado e aquecendo. Seus dedos não se prenderam em mechas longas, o que foi estranho, mas a nova sensação de cocegas nas mãos passadas nos cabelos curtos era reconfortante. Deixaram-se levar pelos beijos, toques e caricias pelos minutos seguintes, o assunto e o que faziam naquele prédio se perdeu.

Quando o unicórnio se deu conta, Jack estava em seu pescoço, ansiosamente abraçando-o e apertando-o contra seu corpo que exalava calor, e o sinal do fim do intervalo tocava abafado. Fran o afastou sutilmente, com beijos mais calmos e recuando. O menino precisava de uns minutos para livrar-se da quentura do rosto antes de ir a público, e o mais velho apenas o observou-o, compreendendo, mas não satisfeito com só aquele tempo.

— Posso roubá-lo para mim hoje? — Jack perguntou.

— Como assim?

— Vamos sair. Posso te levar para um lugar.

— Mas é segunda, Jay.

— Qual o problema? Pelo menos vamos ter ficar juntos e nos divertir. — O rosto preocupado do mais novo se iluminou e ele sorriu, concordando. — Ótimo! Umas... oito horas me manda mensagem. Se seu irmão estiver em casa, espero você na esquina, senão, vou até sua porta.

Notas finais
A minha internet tá tão infeliz, que não consegui upar a imagem de frase para este capitulo ò_ó Fiquei tão **** que estou aqui mesmo assim. Desculpe por isso. Enfim, como disse anteriormente, já tenho minha trilha de migalhas para chegar ao fim e apesar de demorar meses para atualizar, acho que agora dá para ir mais rápido. Aliás, me faz lembrar que já dei um spoiler no grupo do Nyah, muahahaha. Claro que foi num post que falava para deixar-lo lá... Obrigado por ler! Deixe sua opinião ou reações sobre o capitulo ou sobre a história! Nos vemos, caras(os) amantes! ;)