O Unicórnio de Um Coelho
7 Dias melhores. Dias piores... Apenas dias.
Notas iniciais:
Eu sei, devia ter atualizado antes, desculpe. Mas aqui estamos com mais um capítulo (“Continue a nadar, continue a nadar” – Como a Dori uma vez cantou).
Só para saber, senti saudades, tá?
Musica para o capítulo: Imagine Dragon- Polaroid.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=Ojc_bFk8fdo
Boa leitura! Abraço pela companhia e sintam-se a vontade!
"No capitulo anteriores: Jack revelou que não estava disponível para ficar com Francis como o menino imaginou depois da forma que se encontraram. Então o rapaz foi resolver o assunto pendente com Samuel, com o qual tinham um relacionamento vago. Quando finalmente conseguiu dizer o que queria Sam se revoltou, acontecendo uma briga, na qual o de cabelos platinados tinha mais vantagens por ter aulas de lutas a um bom tempo. Só que nisso, Francis não seguiu o conselho de Jack e foi intervir, acabando sendo imobilizado por Samuel, que ficou surpreso da intromissão do menino. Mas, para a surpresa de todos, alguém surgiu livrando Francis e acabando com aquele desentendimento. Agora a questão do ex está resolvido e pergunta que busca-se resposta aqui é: Porque David ajudou Francis?"
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— Não fica com essa cara, seu imbecil! — David murmurou irritado enquanto andavam ao lado de Francis ao se afastarem. — Só fiz isso porque ela sabe que você é meu irmão... — e o mais velho olhou para frente, abrindo um sorriso largo assim que chegaram diante de uma moça de olhos verdes e cabelos pretos e longos, que estava parada na sombra do pátio coberto da escola.
A garota observou Francis gentilmente, sendo envolvida pela cintura por David, e foi ela quem perguntou se o menino estava bem. Fran acabou desviando o olhar dos dela e assentiu com a cabeça. Alguns ossos da mão ainda doíam depois do aperto de Samuel, mas ele não reclamou.
— AH!! Você tem problema de cabeça, Francis?! — Miriam falou alto ao chegar e encarou o colega com preocupação. — Quer morrer ou quê? Nossa! — Só então ela deixou de encara-lo indignada e se acalmou, notando os outros dois, que eram famosinhos na escola, com uma leve curiosidade.
— Pronto! Ele já achou uma amiguinha. — David disse insensível, depois se voltou para a garota, com um sorriso torto — Que tal um passeio? — logo já levava a morena depois dela concordar, rindo de volta.
— Francis, o que deu em você? — Miriam perguntou depois que os dois saíram de perto. — Simplesmente saiu correndo e-e... e se meteu no meio daqueles dois! — Francis a olhou por um segundo, em silencio. — Você podia ter se dado mal. Quebrado alguma coisa ou... Sei lá! Foi perigoso para alguém quietinho e bom como você.
Não era normal alguém estar se preocupando com ele, apesar de que Mirim sempre foi extrovertida e provavelmente reagia assim com qualquer um. Em seguida, ela o chamou para terminarem o trabalho.
No caminho de volta, Francis encontrou Jack de longe. Ele também o observava e havia lavado o sangue do rosto. E, mesmo meio cego pela distancia, talvez, Francis viu um sorriso no rosto do coelho antes dele virar-se e tomar algum caminho sem poder ser seguido.
Em Jack, existia um alivio, mas ao mesmo tempo uma preocupação. Ele sabia que haveria mais coisas até que realmente tivesse paz, e se perguntava o que tinha a seguir entre eles dois, entre eles e a família, entre eles e o mundo? Porque, talvez, aquilo não resistisse em ficar contido. E por outro lado, Jack temia de que tal sentimento não fosse suficiente forte ou maduro para sobreviver a tudo, ou se eles dois fossem. Apesar de Francis ter demostrado que agiria por impulso se fosse necessário, podia não estar preparado para as consequências, podia nem ter consciência delas. Era apenas um menino agarrado a uma paixão, achando que não tinha muito a perder...
***
Quarta feira, meio de semana, o melhor pior dia para aula de ginastica, ou educação física. Movimentar-se, apesar de ser o sentido da vida, não era a aptidão de todos...
Jack Robinson saiu da aula de química dando uma desculpa qualquer para o professor e caminhou pela escola até ouvir vozes no ginásio coberto. Parando na porta, observou por uma fresta na porta dupla o que acontecia. Ele tinha gosto pelas aulas de educação física, gostava de agitar-se e da competitividade dos esportes, mas infelizmente – para ele – a aula da turma dele, do ultimo ano no colégio, foi na segunda.
Da porta, observou cada aluno vestido com os shorts na altura dos joelhos e a camisa branca. Mas, em especial, notou um conjunto de jovens no canto da quadra, onde linhas brancas marcavam o chão, fazendo raias que cobriam toda a extensão lateral do espaço. O professor, um homem alto, robusto, ex-jogador de rúgbi e com uma cicatriz no joelho, estava levando um menino desanimado para a última das raias de corrida. Interessado, Jack entrou sem ser notado pelo resto da turma, que estava espalhada em pequenos grupos e realizando alguma atividade, e sentou-se num banco com poucos alunos descansando e conversando. Dali observou Francis ser forçado a participar quando o apito ecoou e o professor lhe deu um empurrãozinho para seguir os outros na breve corrida agitada até uma marca a alguns metros.
O moreno não evitou rir baixo, abaixando o rosto, depois de assistir tamanha miséria para o unicórnio cumprir a atividade. Mas levantou a face para observar o professor segurar o menino novamente, conversando com ele enquanto outros começavam a encará-los, porque o homem começou a se empolgar ao falar dos sentimentos da disputa e a importância da atividade física e do esporte.
Francis ouvia silencioso e com a mesma cara de desmotivado, corando de vergonha por seus colegas estarem olhando e pelo professor estar praticamente o apertando com um dos braços largos sobre seu ombro. Por sorte o homem o largou no meio da quadra, terminando seu discurso, e seguiu chamando outros da turma para alguma nova atividade.
— Você esteve muito perto, Francis! — uma voz conhecida, grave e sutilmente rouca, gritou se sobressaindo aos falatórios perto do professor. Francis se surpreendeu ao encontrar Jack, com expressão de riso, e acabou expondo um sorrindo, mesmo sem entender porque ele estava ali.
Antes que o menino desse alguns passos para senta-se com o mais velho, o professor chamou o nome dele. E, revirando os olhos, Fran se virou, para sua leve indignação e a completa dos colegas, o homem estava o metendo num time de futsal para um jogo até o fim da aula.
Jack sorria ao notar o quanto o mais novo não queria estar ali. Assistiu por apenas alguns minutos Francis caminhando de um lado para o outro, fingindo-se atrás da bola e ás vezes a deixando passar sem nenhuma motivação de rouba-la para si. Então não aguentou mais, gritou para o menino correr e roubar a bola, incentivando o menino e o time para ganharem com um torcedor. Francis, em resposta, apenas o olhava num misto de irritação e incerteza. Jack queria vê-lo reagir, mas seus apoios de só atraíram olhares curioso dos colegas do mais novo e do professor, o que o fez rir de si mesmo, contudo continuou elevando a voz, incentivando as raras tentativas do unicórnio de agir com uma corrida mais determinada ou mesmo uma ameaça suave diante de quem aparecia com a bola perto demais.
De repente o apito zuniu rápido.
— Audrey! Aqui no canto, venha. — O homem chamou-o e olhou para um menino parado do seu lado, o mandando assumir o lugar.
Sentindo um suor ralo na testa, Francis ficou mais aliviado em ir até o professor que o encarou:
— Você não estava indo nada bem nas minhas aulas, de forma geral — disse com desgosto. — Vou ter que pedir que de algumas voltas na quadra e sem moleza, pode começar. — Francis cruzando os braços, pronto para dar uma desculpa, contudo o homem notou: — Não, sem argumentos. Se não fizer ao menos isso direito até o fim do ano, vou ter que te dar uma nota baixa, Francis. E eu não quero que seja assim. Vai.
Apesar do gosto amargo na boca de ter que ficar dando voltas sem sentido no espaço, como um idiota, o garoto obedeceu, trotando devagar e ás vezes caminhando rápido quando se cansava. Não demorou e outros alunos ganharam a mesma tarefa, passando por ele algumas vezes. Assim, a aula passava mais cômoda, mas não mais rápida. Entretanto, sempre que passava perto do banco Jack falava alguma coisa em incentivo, ao estilo treinador de filme, fazendo o melhor com palmas e frases, apesar de Francis saber que o moreno ria dele no fundo.
Em um momento, quando virava mais uma incontável vez na esquina do canto da quadra, distante de Jack, Francis estranhou o professor se aproximar do rapaz no banco e os dois conversaram, aparentemente tranquilos e se divertindo, pois ambos olharam Francis com risos no rosto. Quando finalmente ficou na reta que passava diante do banco, o garoto viu o professor se afastar e Jack ficar de pé.
Francis passou por Jack, desconfiado do que o professor disse, pois o moreno não o incentivou novamente. Mas, depois de alguns passos, ouviu passos atrás e achou que era mais alguém que corria e ia ultrapassa-lo pela quinta vez, porém esses permaneceram do seu lado, com o mesmo ritmo.
— Nossa. Você é realmente muito rápido, Fran. — Quando falou irônico, o menino olhou ao lado e viu que era Jack. — Vamos. Sei que pode acelerar isso... Pode acompanhar meu ritmo ou não? — O moreno sorriu torto e meio convencido, correndo alguns passos à frente e observando o mais novo, ainda sem reação. — Você precisa melhor sua resistência! E não é tão ruim. Você é capaz Francis. Não liga para os outros... Só faça.
O mais novo refletiu admirando os olhos azuis cintilando de empolgação. Suspirou, cedendo, e aumentou o ritmo para uma corrida leve, sendo acompanhado por Jack. O mais velho ainda prosseguiu vários metros conversando sobre o que já fez de esporte e por que gostava, mas Francis nem tentava responder depois de algumas voltas naquele ritmo, era natural a falta de ar vir chegando aos poucos e a fadiga causar dores nas pernas. Logo, ele não estava mais disposto:
— Acho que já deu... — Francis reclamou e passou a andar inspirando pesado.
— Que isso. Nem demos três voltas direito. Só mais um pouco!
— Não... Já tá bom — o mais novo parou completamente.
Depois de ouvir, Jack parou na frente do garoto e segurou os ombros do mais novo, com as duas mãos, permanecendo encarando-o com sorriso. Confuso, Francis o encarou se volta, perturbando-se quando seus pensamentos o questionam se Jack tinha intenção de beija-lo na frente de sua turma só por que, por um segundo, os olhos azuis passaram por sua boca, acompanhados de um mordicar sobre o lábio com um corte, antes de retornar para seus olhos.
— Então vamos apostar! — Jack finalmente falou. — Se você chegar antes de mim na marca do gol, eu te dou um dia comigo para o que você quiser. — Francis o analisou sem reação —... O que você quiser Francis... Da manhã até a noite... Eu e você — disse Jack atentando-o, então sorriu, soltando o menino. — Mas vai ter que correr!
Jack apenas apontou uma linha no chão e indicou o fim dela, metros á frente, quase toda a lateral da quadra. Após contar até três, eles correram. O mais velho achou graça de ter conseguido criar determinação no menino que conseguia acompanha-lo lado a lado, apesar de não usar sua velocidade máxima, e, no fundo, Jack não tinha interesse em ganhar, só não deixou que se distanciassem muito na disputa, mantendo Francis com a ameaça de ser ultrapassado e perder sua oportunidade.
Rindo, o coelho viu o garoto passar pela marca na sua frente e desacelerar, depois apoiar as mãos nos joelhos, baixando a cabeça, enquanto tomava folego e corava muito mais pelo calor que se espalhava pelo corpo. Mas Jack se preocupou um pouco quando Francis sentou-se no chão e se deitou, com o peito movendo insistentemente, então se aproximou:
— Foi uma ótima atividade, Fran. — arcou-se sobre ele e o observou. Jack estava em um estado muito melhor e quase já recuperado.
— Meu... coração — o menino respondeu aflito em meio aos fôlegos e Jack riu.
— Não seja dramático. Respira com calma que vai passar — agachou-se ao lado do mais novo, ainda observando seu estado.
— Mas.. Jack... Isso não é normal! — Fran pareceu meio paranoico. — Sinto meu sangue, o pulsar, o ar... Ele não é o suficiente!
— Só fique calmo — o mais velho riu de novo, calmo, e apoiou a mão no tórax de Francis, sentindo-o elevar-se e abaixar-se. O menino segurou sua mão, também sentindo o movimento de seu próprio corpo e sentindo mais segurança de não estar sendo abandonado em meio ao mal estar incomum.
— Você conseguiu mesmo! — o professor se aproximou, falando impressionado e olhando de Francis, no chão, para Jack, que sorriu de volta, concordando.
— Eu disse que ele não resistiria a uma competitividade direta.
— Certo. Obrigado, rapaz. Agora, e melhor voltar para sua aula.
Jack concordou, mas sussurrou uma ultima coisa para Francis:
— Cuida direito desses arranhados nas mãos, tá? A gente se vê logo — piscou só para o menino e se foi.
***
O grosso livro de história chocou-se no fundo do armário e menino bateu a porta de ferro, a trancando, mas assim que virou o rosto para sair para o corredor, se assustou com os olhos que o encaravam de perto. Samuel sorriu depois de ver a expressão do mais novo ao notá-lo:
— Desculpe te surpreender. Mas, acho que é até compreensível depois da ultima vez que nos vimos — e Sam coçou a nunca, sem jeito.
Francis o olhou com suspeita e desviou-se dele, seguindo seu caminho, mas o rapaz de cabelos platinados o acompanhou com determinação, agindo como se se conhecessem, mesmo que nunca antes tivessem se falado ou esbarrado – fora o dia que ele brigou com Jack.
— Olha, menino, eu vim te pedir desculpas por ter te tratando daquele jeito, tá? — Sam continuou falando simpático. — Eu não sou assim, sabe? Sou legal e agradável. Só que quando você se meteu, eu estava muito bravo com aquele retardado e acabei descontando um pouco em você — Francis o olhou, mas não pelo pedido de desculpas e sim por Sam ter chamado Jack de retardado. — Então? — o mais velho questionou incerto, expondo seu sorriso injustamente bonito. — Pode me perdoar por aquilo?
O mais novo olhou fixamente aqueles olhos escuros e manchados de verde esmeralda, depois virou o rosto e seguiu andando, tentando passar com ignorância, e desapontando Sam.
— Ora, vamos pequeno! Foi um momento ruim meu, de mau humor, todo mundo tem seus dias. Não precisa ficar com aquela impressão de mim. — Samuel segurou o pulso de Fran, o fazendo parar e se virar, e o loiro aproximou seu corpo, o olhando de cima, apesar de as alturas não serem imensamente diferente. O unicórnio piscou confuso e sério. Sam então sorriu torto: — Me desculpa, de verdade... Se quiser conversar comigo é só me procurar, para qualquer coisa.
Samuel o soltou e rumou para o outro lado. Tudo que Francis fez foi tentar entender, não passando da definição de ‘situação estranha’.

Notas finais :
Oie novamente! Estão todos vivos e abordo ainda? (é melhor perguntar porque são meses sem noticias, não é?)
Enfim, a situação está mudando. Ainda a razão de David parece estranha, mas ele só queria agradar a menina pelo jeito, segundo pensamentos do Francis. E Jack finalmente pode ter seus momentos com Francis, mas está demorando para se encontrarem de verdade. Agora, o que pode deixar pessoas preocupada é Sam. O que tem por de trás disso? Será que Francis deve falar do que houve com Jack ou ignorar? Além disso, focamos nesse dia juntos, quando ele virá, o que vai acontecer?
Obrigado por ler. Até um próximo!
Com amor, Melvin.
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