O Unicórnio de Um Coelho
8 Quando um estranho bate na porta, tão cedo, tão do nada...
Notas iniciais:
Olá, moçada! Faz tempo, não? Mas aqui estou! Quem quer abraço!!
Então, como vai a vida? A minha só está me dando trabalho, mas tudo certo.
Enfim, levem o capitulo com cuidado, estava meio com insonia quando elaborei algumas partes, mas ao mesmo tempo não é nada de mais, hehehe. E perdoe o atraso, eu não devia ter adiado tanto!! Mais de um mês!! Acredite, me remoo por isso.
Musica do capitulo (Sério, nunca vi musica combinar melhor com a historia de O Unicórnio de um Coelho!!): Shawn Mendes — This Is What It Takes.
Link de um video da musica (não achei um clipe :/): https://www.youtube.com/watch?v=ko46Vae-hWk
Para relembrar:
No episodio anterior: Francis conheceu uma das 'amigas' de David, que o salvou da briga com Samuel só por que a moça sabia do fato de que eles eram irmãos (humm, o irmão considera os pedidos da moça). E Mirian, a colega de Francis, demostrou preocupação, parecendo ser a unica que quer o bem do garoto até agora na historia. Um dia depois, Jack andou pela escola e acabou assistindo e participando de uma aula de educação física de Francis, apostando em uma corrida um dia com o menino, que mesmo não sendo atlético conseguiu ganhar. Mas, no mesmo dia, Fran foi surpreendido com um pedido de desculpas de Sam, o ex de Jack, por te-lo tratado mal, porém o garoto o ignorou e fico confuso com a mudança do rapaz de cabelos platinados que se demostrou disponível para ser procurado.
Confira o episodio de hoje:"Quando um estranho bate na porta, tão cedo, tão do nada..."
Boa leitura!
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Era um bairro tranquilo para se viver, uma vida estranha, calma e espaçosa demais, quando o rapaz de cabelos escuros e crescidos comparou o lugar em que estava com sua casa mais no centro da cidade. O apartamento em que morava com os pais tinha cômodos grandes, mas não se igualava com uma casa construída em um terreno, com espaço para jardim e uma rua logo em frente. Além disso, ali não tinha os incômodos vizinhos de parede, cujo, quando estava sozinho no apartamento, ele podia ouvir todos os sons abafados.
Jack continuou encostado no tronco de uma árvore da calçada e esfregou o rosto, livrando-se da letargia da manhã. De repente, o celular vibrou no bolso e suspirou ao analisar a chamada da mãe para enfim atender. Enquanto falava para a mulher que tinha coisas para resolver no sábado e não dava para fazerem planos para um jantar em família mais tarde, o moreno assistiu o carro vermelho sair de uma garagem e acelerar pela rua. E logo que desligou o aparelho, foi em direção a casa.
Depois de bater na porta duas vezes, observou a rua inóspita suspeitamente. Quando foi atendido, escapou-lhe um ‘merda’ baixo e surpreso ao ver o rosto de uma mulher que logo assumiu uma expressão exaltada:
— O que você disse?! — ela perguntou séria, e o rapaz soube que não passou despercebido.
— D-desculpe — pediu, suando frio ao encarar os olhos castanhos da senhora vestida de branco e parada em sua frente. — É que... Lembrei de uma coisa que tinha que ter feito mais cedo — e Jack sorriu forçado, desviando o olhar para o chão ao procurar algo que explicasse porque estava na porta da casa dela em plena manhã.
— Sei — a mãe dos Audrey, Kelly, continuou o encarando desconfiada enquanto segurava a porta aberta.
Os dois ficaram parados, sem assunto, por uns segundos até que Jack achou algo para dizer:
— Desculpe incomodar tão cedo, mas... é que perdi uma coisa e pensei que pudesse estar aqui.
— Que tipo de coisa? — ela questionou.
Detalhista demais para o gosto de Jack, que ficou a olhando sem ter uma resposta rápida.
— Mãe?! O que faz aqui? — a voz veio de dentro da casa. — Já são mais de nove horas, não vai ficar atrasada?
— Ah, é mesmo! — Kelly se agitou, buscando a bolsa numa mesinha e saído da frente da porta tempo suficiente para os garotos se olharem.
Francis arregalou os olhos ao ver Jack ali, conversando com a mãe dele enquanto o irmão tinha acabado de sair, e tentou esconder sua surpresa quando a mãe se virou para ele dizendo:
— Francis, o amigo do seu irmão está procurando alguma coisa. Ajuda ele, tá? — e assumindo um tom mais baixo e escondido ela orientou: — Tente não ficar muito tempo com esse aí. Ele está meio... confuso.
Após se despedir deles, a mulher saiu, entrando no segundo carro da garagem e logo partindo. Os garotos a observaram virar para outra rua e então o mais velho entrou, ouvindo Francis fechar a porta pouco depois.
— Acho que ela não tem uma boa impressão de mim — Jack comentou e se virou para observar Francis. Mas o unicórnio apenas sorriu e se aproximou, segurando seu rosto antes de fechar os olhos e selar seus lábios nos dele. Apesar do ferimento no lábio estar sensível, o coelho retribuiu, beijando-o com mais vontade, e seu coração bateu mais forte com os toques, parecia que o menor o queria também e confessava isso no beijo.
Jack guiou Francis para um canto da casa, entrelaçando a cintura do garoto e o contendo por alguns instantes. Ele não tinha intenção de controlar o menino, tinha a necessidade de apenas se certificar – de corpo inteiro – que estavam juntos depois de todos aqueles dias; e como Francis era não era firme para contrapô-lo de pé, era sua opção encosta-lo em algum lugar.
Quando o lábio ferido de Jack estava ardendo eles se afastaram para retornar uma respiração normal, só então ele pode dizer um oi sorrindo para o menino. Francis, corado e levemente ofegante, cumprimentou de volta com uma voz fraca e encostou a testa na dele. Ficou o encarando enquanto mantinha os vãos dos dedos preenchidos pelas mechas escuras e não foram cortadas há meses.
O moreno podia questionar o que Fran pensava ao fazer isso, mas apenas o olhou de volta até que o garoto o abraçou, apertando seu pescoço e inspirando profundamente em sua pele, causando um arrepio prazeroso. Nisso Jack se deu conta que não era um abraço como o que já recebeu dele – quando estava magoado. Neste havia mais ternura e alivio, o que o fez agarrar o garoto de volta e aperta-lo até ele grunhir e então o soltar.
— O que você ia fazer agora? — Jack perguntou, sem conseguir evitar sorrir.
Francis observou-o e depois olhou para a sala de estar vazia.
— Eu ia... assistir uns filmes para passar o tempo. Mas... — hesitou, com uma cara reflexiva.
— Filmes pornôs? — o outro disse espontaneamente, mas não resistiu em sorrir quando o mais novo o olhou com algum espanto. — Você corado dessa forma e pensando em mudar de ideia, só pode ser.
— E falando assim você parece o David! — Francis se afastou perturbado, buscando o controle da televisão e a ligando: — Só que ele diria isso com a mãe aqui ou com algum dos amigos imbecis dele.
Subitamente Fran olhou Jack, analisando se tinha o ofendido com o que disse, mas tudo que o rapaz fez foi sorrir torto, caminhar até a sala, sentar-se no sofá fofo e de traços retos e esperar o que ia acontecer.
Depois que preparou tudo Francis também se sentou no sofá, mas não tão próximo como Jack esperava ao estarem completamente sozinhos.
— Ah! — o rapaz soltou depois que o filme começou, acabando com sua curiosidade. E então, levantando o braço, puxou o mais novo para perto e o encostou na sua lateral: — Você só ia assistir um desenho, Fran?
O menino sentiu o rosto aquecer-se levemente e murmurou sem muita vontade: — É quando posso ver algo assim, Jack. Gosto da história simples e... se o David saber disso, só vai me perturbar mais e me chamar de criança.
— Tudo bem, ele não precisa saber. — Jack disse e encarou o menino de volta.
***
O mais velho assistia ao filme como se fosse a primeira vez, e, de fato, era, já que raramente parava para ver algum filme de animação. Mas, mesmo distraído, deslizava os dedos num ritmo calmo sobre o braço de Francis encoberto pelo suéter. E por isso o garoto de dezesseis anos não se concentrava e não conseguia fazer o batimento cardíaco ficar normal; ainda mais quando Jack o ajustava para mais perto, o apertando e o fazendo se apoiar em seu corpo. Sentir o calor que o aconchegava e o movimento da respiração das costelas sob si – tão próximo – fazia Francis pensar em muitas coisas, principalmente no fato de estar sendo acolhido por um dos amigos de seu irmão mais velho, alguém que ele já tinha visto varias vezes nos últimos anos, mas nem tinha intenção de se aproximar. Era estranho e bom estar ali, e era tão confortável.
Ao longo do filme, Francis notou que além da mãe – que antes ele podia apostar a vida que era a única que o amava – nunca teve outro alguém o abraçando e o aconchegando ao assistir um filme. O corpo em que se apoiava era bem diferente ao que estava acostumado, Jack não era a mãe dele, no físico e muito menos no cheiro ou toque, ele nem ficava comentando, como a mulher fazia. Que realidade estranha aquela em que estava com aconchegado com um rapaz em poucos dias, Francis pensou sozinho, contudo, fosse o que fosse, ele se entregou para permanecer ali e aproveitar.
Em algum momento, ao olhar Jack por um minuto, Fran se deu conta de que o rapaz estava sonolento e lembrou-se o quanto aquela cena seria estranha para seu irmão ou para a mãe. Na verdade, até para o Francis de meses atrás. Nunca imaginaria que depois que resolvesse sair de casa, como David fazia durante as noites, e provar para o irmão mais velho que não era mais uma criança medrosa e podia fazer o que ele fazia, iria encontrar alguém com tanto interesse nele. Jack estava desafiando a ordem rotineira da vida de Francis, e até a de sua família, o tratando bem. Parecia que o moreno queria ajuda-lo numa mudança, afinal, a vida do unicórnio precisava ter algo de bom em algum momento. A sensação de não estar sozinho e ter alguém de fora cuidando dele era nova, muito nova, e era inegável que Francis estava aprendendo a amar isso, talvez não se apegar completamente, por que David uma hora estaria no meio para estragar tudo, mas aproveitar o que tinha agora era o que o satisfazia. Fran espantou os pensamentos sobre o futuro e assistiu ao filme até o fim – mesmo que Jack tenha cochilado em algumas partes.
***
— Você sabe cozinhar — Jack comentou, com um sutil sorriso ao mastigar o almoço e sentado na mesa da cozinha com Francis.
— Na verdade, minha mãe já deixa tudo no jeito — o menino amenizou. Ainda estranhava ter companhia e alguém comentando sobre a comida que preparou.
— Mesmo assim... é mais do que eu sei e provavelmente seu irmão também.
Então Francis parou por um momento, nunca tinha percebido isso. Realmente, se David tivesse que ficar sozinho, não saberia o que fazer. E acabou sorrindo disso.
— Você devia comer mais verduras — o mais novo resolveu falar quando ficaram muito tempo em silencio. Havia notado que o outro nem se aproximou da salada e já estava com o prato quase limpo.
— Sério isso? — Jack parou para olhá-lo. — Tanto assunto e quer falar disso?
Francis riu da reação indignada branda, não tinha culpa se não conseguia pensar direito e nem jeito para puxar assunto. Jack observou-o sorrir sem lhe responder, talvez fosse apenas um gracejo sem intenção do menino de cabelos castanhos, mas o fez perceber quanto Fran ficava bonitinho quando não estava com a cara de nada de sempre, ele parecia ter mais vida, mais cor, mais alguma coisa que sempre faltava, e agora não podia deixa-lo sozinho e sem graça:
— Hunf! Olha quem diz. Eu não imaginava que você se importava com isso se nem gosta de fazer exercícios. — Jack sorriu por fim, o que fez o outro sorrir de volta e desviar o olhar o seu prato almoço, tímido. Mas Jack quis explorar aquilo um pouco mais, num tom mais malicioso: — Eu faço muitas coisas para ter meu corpo assim, no mínimo, acho que posso comer o que quiser e do jeito que estiver afim.
— Que olhar é esse?
— Nenhum — dissimulou, mesmo sorrindo torto da inocência ao ajeitar-se na cadeira.
O resto da conversa baseou-se em respostas de Francis sobre o que ele fazia em casa, que era nada além de jogos, dormir, assistir algo, dormir mais, dar uma arrumada na casa ou jardim, ler e estudar.
***
Pouco depois do inicio da tarde voltaram para sala na intenção de escolherem um novo filme. Entretanto, Jack impediu que Francis se afastasse até a estante. Abraçou-o e jogou-o no sofá, indo junto e ficando por cima. Enquanto sustentava parte de seu peso nos joelhos postos aos lados da perna esquerda do mais novo, Jack sorriu torto para o olhar surpreso de seu unicórnio, pensando se ele nunca foi jogado num sofá ou cama assim, então o beijou calmamente, deixando-se ser levado a aprofundar o toque à medida que Fran correspondia, tocando-o no rosto. O moreno deslizou os lábios pelo rosto do garoto até o pescoço, dando-lhe espaço para respirar, e foi sentindo o gosto do menino, o cheiro, cada inspirar pesado e até o arrepio na pele quando um dos seus beijos deu um leve estalo próximo da orelha.
— Acha que está tento um bom dia Francis? — o mais velho perguntou, olhando-o e sem afastar muito o rosto.
O unicórnio, corado, sorriu e puxou-o para continuar a beija-lo. Logo pressionava os dedos nas costas de Jack, apertando as unhas curtas sobre o tecido e conhecendo a musculatura, num incentivo para que não parasse tão cedo – e isso Jack não pretendia. Enquanto se beijavam, o moreno aproveitou para sentir o calor do abdômen magro do mais novo sob seu corpo, acariciando todo o espaço sob a camisa, ato que Francis nem tinha percebido quando havia começado. Ali, ambos estavam perdidos em saciar aquela vontade que coçava e parecia não chegar a um fim, e nem ter durado todos os minutos que já duravam entre alguns intervalos.
Foi de súbito que ouviram o zunir do celular de Jack. O som da vibração já os tinha perturbado durante a manhã, mas ás vezes o moreno apenas ignorava ou olhava a tela e logo deixava de lado. Contudo, naquele momento, o rapaz parou o que fazia e puxou o celular do bolso. A princípio estava desinteressado, mas, depois que leu a mensagem, ficou mais atento e começou a digitar uma resposta, mesmo permanecendo deitado sobre Francis no sofá. E o unicórnio observou confuso.
— O que foi? — perguntou.
Jack olhou para ele e sorriu maroto, terminando de digitar e enviar. Então respondeu:
— Tá na hora de sairmos. Charlie acabou de avisar que David chamou os amigos para vir para cá... Eu dei uma desculpa de que arrumei algo melhor para fazer.
O coelho levantou-se do sofá, sem estar abalado de ter que interromper o momento – como Francis estava ao permanecer deitado e sem reação.
— Eu vou ao banheiro antes — Jack disse. — E você que sabe se vai querer trocar de roupa ou fazer algo rápido antes de irmos.
O rapaz então foi indo para o comodo, sabendo onde ficava.
— Espera — Francis conseguiu interrompe-lo antes que sumisse de vista. — Aonde vamos?
— Dar um volta. — Jack sorriu de novo antes de terminar seu caminho.
E naquele momento Fran se perguntava o que a mãe ia achar ao não encontra-lo no fim da tarde em casa, afinal, todo sábado ele estava lá para fazer companhia a ela enquanto David saía. Contudo, foi de súbito que ele saltou do sofá, lembrando-se de que o irmão estava chegando e resolvendo vestir algo limpo se ia ficar muito tempo fora de casa, e com Jack.

Notas finais :
Espero que tenham gostado (ou se não, podemos conversar em como melhorar).
Como faz um mês(onde eu tive que parar tudo que fazia por que sou um infeliz que tem uma certa adoração em coordenar pesquisas e trabalhadinhos para nota do curso) eu fico feliz em dizer que o próximo capitulo já está quase ao ponto de ser postado também; só preciso receber o carinho de você que lê e dar amor (~ está ouvindo os sininhos quando leu isso? kkk).
Espere no próximo episodio: "Oh, o agridoce gosto de gostar de alguém. O chato é o incomodo de não ser o único a saber o quando esse alguém é atrativo. Jack e Francis em um passeio. Momento simples e sem dramas, mas isso aproxima os dois e trás algumas informações sobre nossos personagens amados."
Obrigado por ler! Luz na vida, abraço e chocolate quente (porque aqui está frio)!
(e lembre-se: eu sou o Batman).
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