Notas iniciais
Olá! Sabia que são 2 anos e alguns meses de história ( com 6 meses de pausa total, quase desistência)! No Word é um livro de 60 páginas já! :O Depois de tanto tempo, acho que não tenho mais esperanças de conhecer gente nova aqui, ou rever alguem do principio... Quero terminar e só, talvez sumir... Fique agora com mais um capítulo de o Unicórnio de um Coelho... Boa leitura. (Obs.: tem mais drama neste )

A noite era apenas um tecido negro cobrindo todo o universo existente, ocultando absolutamente tudo enquanto um unicórnio, tomado por um surto de medo, tropeçava em pessoas, corria sobre degraus, saltava sobre corpos que ficavam no seu caminho e não escutava nada, entorpecido pela necessidade apavorada de fuga. Sua vida dependia disso, era o que sua mente e corpo diziam. Não havia espaço para pensar racionalmente, só precisava correr para longe. Nem mesmo recordou um segundo do que fugia, apenas ia porta a fora, ouvindo o mundo mudo diante dos gritos em sua mente: Corra! Vai ser pego! Corra mais rápido! Fuja! Vai morrer! E assim ele derrubava seus obstáculos e só seguia em frente, desconectado da realidade.

Nem mesmo o ar frio da madrugada fora da casa lhe causou alguma mudança. Correu, atravessando o curto jardim da casa, passou por mais alguém que tentou ficar no seu caminho e alcançou a liberdade. Seus pés atingiram o asfalto frio, mas seus olhos, estalados e determinados, focavam a longa rua depois da esquina que o levaria para a segurança. E assim Francis se foi: correndo, movendo as pernas rapidamente, mal respirando, mal ouvindo, mal sabendo o que estava fazendo e com o coração explodindo diante de tanta atividade súbita e medo.

Ele era como um carro desgovernado... Acelerando e sem freio. Ninguém arriscaria sua vida para pará-lo, já que naquele percurso não haveria outra vítima se não o próprio veículo. E muitos na festa o viram fugir e riram da cena peculiar, não fizeram nada, ignoraram o garoto de cueca e mãos presas, não se deram trabalho algum de entender o que acontecia. O mundo real também possuía seu véu que cegava.

David, muito surpreso, foi o único que correu atrás dele depois de vê-lo derrubar alguém na escada. Na verdade, não conseguiu reconhecer o irmão de primeira olhada, só depois de chamá-lo para a responsabilidade de ter machucado alguém é que percebeu quem era. Começou a segui-lo mais sério e rápido, tendo alguns desconhecidos obstruindo o caminho, mas Francis alcançou a porta e saiu de vista. Por sorte, antes que ele chegasse à rua, alguém o segurou e fixou os pés no chão, o segurando ali. Foi um breve alivio para David ver Jack o apanhar, parecendo ajudá-lo a conter o garoto, mas o irmão deu um golpe na garganta dele e conseguiu fugir do bloqueio do moreno, indo embora.

— O que está acontecendo?! — Confuso e surpreso, Jack perguntou a David quando este ia passar por ele correndo atrás do irmão.

— Um surto! Eu acho. Precisamos pegá-lo antes que se machuque!

O Audrey mais velho correu pela rua, preocupado e tenso, principalmente porque a mãe ia acabar sabendo de tudo que estava acontecendo.

— Como ele consegue correr tanto! — David bufou depois de alguns metros, notando Jack acompanhando-o na busca. Por um segundo, o céu chamou a sua atenção: — Droga! Desde quando está armando chuva?! — Reclamou e logo um buzina o fez olhar Francis à frente. Felizmente, o menino estava bem, levantou-se e sumiu correndo do outro lado dos faróis de um veiculo que tinha parado bruscamente. — Não dá! Vou buscar meu carro.

David começou a voltar o caminho, mas parou de repente e olhou para trás. Jack havia chamado por Francis e continuou indo atrás dele, incrivelmente persistente para um amigo o ajudando, mas o Audrey voltou a se concentrar em buscar o veiculo.

O coelho correu com o máximo que suas pernas podiam naquela perseguição inesperada e preocupante, conseguindo se aproximar gradativamente. Parecia que seus instintos já avisavam que, se não fosse atrás, Francis sofreria. Agora, estando diante do que David chamou de surto e vê-lo praticamente ser atingido por um carro e continuar correndo, acendia o alerta de que o menino podia morrer de verdade, e deixá-lo sozinho e perdido naquilo era um absurdo que ele não podia aceitar.

Uma praça surgiu quando uma garoa começou cair. A distância entre eles estava diminuindo fácil, pois, finalmente, a resistência do corpo de Francis estava o fazendo ir devagar, apesar do desespero persistente. Seis metros e corriam sobre um gramado não aparado da praça. Um pouco mais de dois metros e Jack se viu perto suficiente para derrubá-lo. Não teve intenção de machucá-lo, mas teve que ignorar quando se jogou sobre o mais novo e os dois caíram juntos. Logo Francis engatinhava pronto para levantar e correr, o que fez o coelho ir para cima dele e segurá-lo deitado na grama.

O unicórnio, muito vermelho e arfando fortemente, conseguiu soltar uma mão da amarra de blusa nos pulsos e bater em Jack. Surpreso, o moreno reagiu, segurando cada mão em uma sua e contra a grama, e respirou fundo, seu próprio pulmão doía então se preocupou com Fran, que mal fazia alguma atividade física e sua saúde podia ser atingida naquele momento. Levou um susto quando o garoto gritou alto, lutando desesperado para fugir. Jay se sentiu um assassino o repicando ali mesmo pelos gritos angustiados e pelas expressões de dor umedecidas por lágrimas.

— Francis! — gritou em meio aos berros e não viu nenhuma mudança. — Francis é o Jack! Para! — disse e nada novamente. Chamou-o de novo, quase cedendo ao sentimento e chorando junto, pois não tinha idéia do que devia fazer naquela situação, qual era o freio do garoto. — Fran... Calma... Por favor... — murmurou, encarando-o fixamente e o segurando forte, mesmo sabendo que seus apertos iriam deixar marcas. E, de repente, o menino parou quieto e deixou de lutar, mas seus olhos estavam fechados, a respiração rápida e o corpo tenso. Passaram alguns minutos imóveis. — Francis?... Está tudo bem. Você vai ficar bem. Eu estou aqui com você. Nós estamos aqui... E estamos bem — o coelho falou sentindo que estava sendo ouvido, então soltou uma mão e deslizou no rosto dele, esperando vê-lo olhá-lo. Havia um ralado sangrante perto no queixo que o agonizou por ser um ferimento em Francis, de alguma queda provavelmente, e apostava que haveria mais alguns nele.

Como previsto, os olhos castanhos se abriram devagar, confusos e o encararam diretamente. Jack sorriu mais aliviado com a calmaria. O menino observou seus lábios e depois seus olhos novamente, de repente começou a chorar compulsivamente e o puxou, beijando-o ali mesmo, no gramado de uma praça, sendo umedecidos pela chuva fraca e com alguns machucados além do físico. Ser abraçado e beijado de volta ajudou o unicórnio a chegar a um mundo mais calmo e seguro. Seus pensamentos se silenciaram, seu corpo relaxou e seu coração, rebatendo no peito, ganhou um motivo bom para não ter uma parada cardíaca ali mesmo depois de correr tanto. E Jack também se sentia aliviado e grato por um momento tão preocupante e apavorante como aquele ter acabado, mas principalmente por Francis ter voltado.

— Francis? — uma voz fraca, mas sobressaindo ao som da chuva e raios, surgiu no silencio da praça antes vazia. Interromperam um dos beijos e os dois notaram a presença de David, de pé e nada longe para dizerem que não tinha visto o que viu. Ele estava confuso e atordoado, segundo sua expressão.

O coelho logo sentiu uma tensão instalar em seu corpo ao ser encarado seriamente e um ligeiro desespero o deixou mudo, enquanto saiu de cima do mais novo, o ajudando a sentar-se. Já Francis ainda estava em torpor e quase sem consciência do que aquilo significava entre os três, sentia mais o cansado do corpo e da cabeça.

O olhar de David foi para as pernas exportas do irmão:

— Droga. Você se machucou bastante — reclamou insatisfeito e foi até ele. — Vamos para casa, vem — levantou-o e o apoiou para andarem.

O carro estava completamente mal estacionado na lateral da praça, com uma roda sobre a calçada e uma porta aberta. Antes que chegassem, Francis gritou de dor e pôs uma mão na coxa, logo escorregando das mãos do irmão que o apoiava leve demais.

— Que foi agora?! — questionou David rude, mas preocupado. O unicórnio fazia apenas expressões de dor, esticando a perna.

— Algum estiramento muscular — Jack respondeu indo, aflito, amparar o mais novo. — Ele correu muito sem estar preparado.

Por um instante pequeno, quando David e Jay se olharam, o moreno pode ver uma faísca de irritação com ele, mas sumiu.

— Deve ser. Vamos colocá-lo no carro — orientou seco.

Em poucos minutos chegaram a casa. Um amontoado de pessoas curiosas se reunia do lado de fora. David, com um mau humor enorme, saiu do veiculo e começou a mandar todo mundo embora, quase chutando alguns persistentes demais. Seus amigos mais próximos entenderam sua seriedade e o ajudaram.

Jack esperou dentro do carro, no banco traseiro e junto de Francis. Havia dado ao menino sua jaqueta para que se aquecesse e o ajudado com a dor da perna ao fazer uma massagem para soltar a musculatura, desde dai soube que David tinha certeza de tudo, pela intimidade e principalmente quando o unicórnio jogou-se contra ele, fazendo todo aquele percurso abraçados e sem Jack resistir em acariciar seus cabelos para que continuasse calmo.

Com um guincho, um carro vermelho parou na rua e uma jovem mulher saiu erguendo o telefone e gritando que a policia estava vindo e que tinham invadido a casa para fazer a festa. Assim rapidamente o povo que queria ficar sumiu, deixando tudo vazio e silencioso.

— Onde ele está? — Margo perguntou, chegando até David parado na entrada da casa.

O rapaz já estava aceitando que ia receber toda a culpa, abaixou o rosto e apontou o carro.

Antes que ela chegasse, Jack saiu do veiculo – apesar da resistência de Francis para ficarem ali mais tempo. A mulher olhou do rapaz para sobrinho, que segurava a camisa do outro com força, ela parecia compreender com agradecimento a presença do moreno.

— Você está bem? — A tia perguntou, indo até o Francis. Tocou-o no ombro, fazendo um afago durante a resposta de silencio. — Vai ficar tudo bem Francis. Você está seguro. Nós estamos aqui e vamos cuidar de você — Jack foi tocado também, e era estranho ao lembrar que ela era uma desconhecida. — Vamos para dentro, não tem mais ninguém aqui.

Ao ficarem diante da porta, o unicórnio travou seus pés com o coração voltando a bater mais rápido e uma sensação fria de medo correndo na pele.

— Fran? — Jack chamou, atraindo a atenção da tia que ia uns passos a frente.

— Não... — foi a palavra que disse, balançando a cabeça e inspirando mais rápido.

— Francis, você tem que entrar e se esquentar ou vai ficar doente — Jack disse o que Margo pensou. O menino balançou a cabeça e Jack o segurou nos ombros, o olhando com intensidade e convicção nos olhos. — Eu não vou te deixar sozinho, confia em mim. Vem comigo — puxou-o pela mão, sustentado o contato visual, e conseguiram avançar casa a dentro.

A primeira parada foi no banheiro. Margo ajudou Jack a por o garoto de cueca, e sempre cismado com a casa, debaixo da água quente e o liquido lavou os ferimentos e a grama que o sujava.

— Eu vou descer um momento para falar com David — a tia falou num tom controlado e calmo, não querendo disparar algum susto em Francis. — Pode ficar aqui de olho nele? — Jack assentiu. — O deixe ficar o quanto quiser, vai ajudar a relaxá-lo.

Dito isso, ela se foi, deixando a porta aberta, e Jack sentou-se na privada, do outro lado do vidro texturizado do box. Ele também estava úmido pela chuva, mas não se importava, estava fazendo guarda e ponderando tudo o que tinham passado, questionando se ele teve alguma culpa naquilo e como começou.

***

O lado de fora da casa dos Audreys estava limpo e normal. Stan mal estacionou atrás do carro vermelho e sua mulher saiu do veiculo, ansiosa, tensa e preocupada. Antes que entrasse na casa com uma invasão súbita, Margo abriu a porta, deixando-a entrar.

— Onde ele está?! Eu vou acalmá-lo! — disse a mulher, desesperada para fazer algo.

— Calma, Kelly, ele já está controlado.

— Mas você disse que ele saiu gritando e fugiu! — ela a chacoalhou, achando que a irmã estava apenas escondendo coisa pior.

— Sim, foi o que David me disse. E você veio rápido, nossa! – Margo estava tranquila, segurando a outra logo depois da porta.

— Você não está entendendo, Margo! Só eu consigo acalmá-lo em algo assim... — a irmã riu diante de sua seriedade e ela se calou, chocada.

— Calma. As crianças crescem e você não é mais a única — a mais nova virou-a, fazendo-a ver a sala, ainda confusa. — Francis não quis ir para o quarto dele, teve outro ataque de gritos, mas nós o trazemos para baixo, então ele se acalmou e finalmente conseguiu dormir.

Só depois de ouvir que Kelly percebeu que seu filho não estava sozinho, deitado no sofá maior e completamente escondido sob uma coberta aconchegante.

— Quem é aquele? — ela pergunta, não conseguindo ver direito.

— Jack Robinson, um dos amigos de David. Foi ele quem controlou Francis duas vezes só essa noite. E, digo mais, esses dois não são apenas amigos.

A irmã encarou Margo, surpresa e bem confusa, mas pelo menos seu desespero de ajudar Francis tinha ido embora. Stan se juntou a elas, encostando a porta atrás de si, e logo ele e Kelly observam os dois no sofá. A mulher admirava como eles estavam próximos, o cuidado que Jack tinha e a forma que seu filho mais novo se agarrava a ele, ancorado na presença dele.

— Parece que eles se gostam... — murmurou ela, vendo de relance o olhar de Jack para eles, mas logo ele se escondeu numa ponta da coberta, sem jeito.

— Não, acho que estão mais para apaixonados, irmã. Dá para ver no ar quando estão juntinhos — Margo comentou e sorriu.

— O quê? — Stan entendeu e observou os dois garotos novamente. — Não brinca... — apesar de pasmo, não era hostil com a descoberta.

— E como está David? — Kelly perguntou preocupada e séria.

— Não sei direito. Limpamos tudo e depois ele ficou nos fundos, parece retraído.

Então a mulher mais velha avançou pela casa, sendo seguida dos dois.

Notas finais
Como pode eu ter mudando desde 2016... fui ler umas coisas antigas no site e percebi que eu era meio intenso nas coisas, kkk, e era mais divertido nas notas, sei lá... Em fim... Tenho o 31 e depois algumas coisas e fim, (chegaremos ao 34 ou 35, por aí). Liga não se parecer que estou para baixo (estou um pouco cansado da vida agora, mas vou fingir que estou bem para fazer publicidade da unica coisa que parece que sou de alguma forma bom), logo passa ;) Espere o próximo! (Eu vou chegar ao fim disso! Por Francis, por Jack, pela pessoa que tá lendo desde o começo e eu amo!). Abraço!XD