O Unicórnio de Um Coelho

13 Uma reviravolta... por cima.


Notas iniciais
Gostaria de agradecer a presença de todos até o presente momento, e dizer que graças aos dias de folga e os apoios (e o amor que sinto no ar e com o pôr do sol) tomei um combustível para historia que ardeu na garganta, mas aqueceu os motores, kkk. Obrigado! Musica para o Capitulo: Alok - Me and You Feat. IRO. Link: https://www.youtube.com/watch?v=FxIkFuuvdy4 Boa leitura! :D

Samuel olhou a saída do refeitório por um tempo, mordendo o canto do lábio, descontente. Respirou, mantendo-se imutável enquanto os amigos continuavam com as conversas, riam e até brincavam com os restos de comida. Então ele pegou o celular do bolso do jeans, sorriu fino, olhando o aparelho, e tentando ligá-lo. A porcaria preta não funcionava.

— O que é isso? O que aconteceu com o seu celular antigo, Sam? — Etna, a menina com moicano, perguntou.

O rapaz riu, ainda pressionando o único botão que encontrou.

— Nada — respondeu despretensioso.

— Então... — a garota percebeu a permanência do sorriso no canto dos lábios — de quem é isso? Andou roubando dos professores de novo?

— Roubando? Não. É só emprestado... Que porcaria! — revirou o aparelho nas mãos, irritando-se. Etna esticou o braço sobre a mesa e alcançou o celular, mas Sam o segurou mais firme e a encarou, desconfiado e sério.

— Calma, é igual o meu, posso ligá-lo se não estiver sem bateria — ela explicou.

— Tá, faz isso — entregou e esperou, observando atento como a garota o fazia. A moça lhe devolveu pouco depois. Samuel analisou a tela com uma trinca cheia de raízes e o papel de parede de uma paisagem sem graça para ele. — Nossa, isso é um lixo.

— Acho que você faria mais bem em não devolver.

Samuel riu do sarcasmo de Etna, ela era divertida.

— Mas você se esqueceu de que sou malvadinho? — brincou, gerando um sorriso no rosto da menina. Então encarou o aparelho mais concentrado —... Droga. Tem senha e tá horrível mexer.

O sinal tocou, gerando uma movimentação em todo o refeitório. Samuel teve que enfiar o celular emprestado no bolso e ir junto com sua turma para sua próxima aula.

***

A aula de Francis acabou. A professora recolheu seus papeis de sobre uma mesa e os seus alunos juntavam as partes dos cenários usadas e desvestiam seus parciais figurinos. Jack ainda tentava entender o que assistiu. Aos poucos todos foram embora, até que Fran apareceu no palco, analisando as arquibancadas, e Jack levantou o braço para ser achado. O menino veio até ele e saíram juntos.

— Francis, porque você faz aula de teatro?

— Ah. É coisa da psicóloga da escola. Ela me achou antissocial demais no começo do ano e falou para minha mãe, isso deixou-a preocupada comigo então a mulher sugeriu as aulas. — Fran olhou para frente, os corredores estavam vazios depois que as aulas acabaram. — Eu odeio isso, mas aceitar deixou minha mãe mais tranquila... E você não tinha aula nesse horário?

O mais velho deu de ombros.

— Tinha, mas não faz tanta diferença... Eu não entendi muito bem, mas suas cenas são apenas uma pequena parte?

— Sim — respondeu sem graça. — Sou apenas uma versão do herói antes da transformação. A professora me achou útil só para isso. Mas é bom, só tenho que fazer algumas coisas e acabou.

Aos poucos, à medida que se aproximaram da saída, se uniram á outros alunos. Apenas no ponto de ônibus da rua, onde esperaram, ficaram sozinhos.

— Hoje é sexta — Francis disse depois de longos minutos sem conversa. Algo estava ansioso dentro dele para saber o que Jack ia fazer, fazendo-o tremer a perna nervosamente enquanto estava sentado, olhando o moreno ao seu lado, de pé.

O coelho o olhou do alto, suspirou e desviou sua atenção para rua:

— Eu sei... Você sempre espera aqui sozinho?

Estranhando, Fran o observou abismado.

— Vai mesmo mudar de assunto? Não quer ficar comigo ou ir para algum lugar?

— Quero. Mas não vai dar.

— Como assim?

— Tenho uma coisa para resolver com meu tio. Não é nada demais, mas não vou ficar na cidade.

Francis o encarou, desconfiado daquilo:

— Isso é verdade?

— Claro que é! — Jack exaltou-se um pouco, surpreso. — Francis, não desconfie de mim — o menino desviou o olhar e, de repente, um ônibus parou sem precisar de sinal, o motorista conhecia Francis há longos meses e os observou. — Aliás, eu vou continuar falando com você por mensagens.

— Ah! — Fran o olhou, percebendo a falta, e começou a revirar a mochila procurando-o. Não usava muito o aparelho então nem sabia onde o colou, mas sua busca foi em vão: — Jack... Eu não estou com ele.

— Você o perdeu?

— Não sei... A última vez que estava com meu telefone foi perto do meu armário e caiu no chão quando Kyle e os outros chegaram.

— Liga para ele.

— O que? Mas e se estiver com um deles?

— Ai você conversa para tê-lo de volta. E também pode estar nos achados e perdidos da escola.

— Meninos! Eu não tenho tempo, vamos, andem. — o motorista os chamou.

Obedecendo, Francis ficou de pé e olhou triste para Jack. Não iria estar com ele de nenhuma forma. Se ao menos ficasse mais atento antes e estivesse com o celular... O moreno sorriu, desamarrou o moletom azul claro da cintura e entregou para ele:

— Lembre-se de me devolver outro dia.

O unicórnio aceitou, revelando um breve sorriso, e foi para o ônibus. Depois observou Jack ficar para trás, até mesmo depois de sentar-se e o ônibus partir. Não pretendia fazer algo com a peça de roupa pelo calor que estava, mas não resistiu, vestiu-o e se agarrou aquele perfume.

***

Naquele final de semana, Stan, um homem alto, sutilmente acima do peso, de cabelos escuros e o padrasto de David e Francis, estava em casa; o que foi reconfortante para o mais novo, pois o irmão não chegava tarde e ele se via em família em alguns momentos e passeios. Contudo, a mãe o deixava de lado, diferente dos outros dias, dando atenção ao esposo, e isso só ajudava o garoto a lembrar-se do quanto estava sozinho naquelas horas. E ninguém estranhou o moletom largo e azul claro que ele foi pego usando algumas vezes, próximo da noite.

O sol nascia no começo da segunda. Francis despertou, vendo a escuridão e o fraco brilho se espalhar. Havia ido dormir cedo demais para o nenhum gasto de energia que teve no domingo, não conseguiria dormir mais. Então, durante a alvorada, ouviu passos pesados e um riso abafado pela casa e estranhou, revirando-se na cama para ouvir atento. De repente, a porta de seu quarto foi aberta, alguém entrou e ele se sentou de imediato, assustado.

Levou alguns segundos para reconhecê-lo:

— David?! — e notou as vestes de sair do irmão e os cabelos despenteados.

O mais velho parou de súbito com a voz dele e depois olhou, curioso, para o quarto em que estava. Francis percebeu que ele não estava sóbrio pelo balançar do corpo e os curtos passos só para ficar de pé, então sussurrou incomodado:

Você saiu?

Mas David voltou a olha-lo e riu alto. Num pulo o menino saiu da cama e tampou a boca dele com algum custo e luta, ouvindo se os pais acordaram por aquilo. Ele encarou os olhos sérios do irmão, que também fincava as unhas curtas nas costas de sua mão, cortando-o. Com a dor, teve que solta-lo.

— Vim parar no quarto errado, viadinho! Não se atira para cima de mim, não! — David resmungou e empurrou Fran.

Stan não gosta que você saia! — sussurrou e logo se perguntou por que estava conversando com David.

Blábláblá. Ele não é ninguém! — o mais velho caminhou pelo quarto, distraído com as prateleiras de uma estante com algumas coisas. — Nem sabe. E policia ficou em paz por hoje. Que é isso?

— Nada! — o unicórnio conseguiu pegar a pulseira plástica das mãos do irmão e rapidamente a escondeu em suas costas.

David deixou a cara zonza, ficando sério e desconfiado, ameaçadoramente parecendo recobrar a sanidade:

— É uma pulseira de boate, Francis.

O coração do mais novo pulou e ele não conseguiu dizer nada por alguns segundos. O irmão não era bobo, procuraria a razão de ele ter guardado aquilo e provavelmente descobriria de que lugar era.

— Isso não te importa! — empurrou o outro para a porta, abrindo-a. — Vai para seu quarto e que se dane se Stan te der um sermão!

O mais velho estacou os pés e lutou para pegar o objeto de volta, conseguindo agarrar o pulso de Fran e toma-lo. Depois, enfim, dando o passo para o corredor e indo para seu quarto, trancando a porta. Francis correu atrás e parou diante da madeira, encarando-a fechada. David ia descobrir que ele saia também.

...

No café da manhã, o irmão estava estragado, mas persistente em manter as aparências diante dos pais, felizes de estarem reunidos.

Francis observava-o de vez em quando ao comer seu pedaço de bolo. Em um momento David o pegou olhando e se encararam. Em meio aquela cara de poucos amigos, um sutil sorriso puxou o canto da boca do mais velho que logo sumiu quando ele deu atenção para o café. Ele não tinha se esquecido, Fran sabia, e isso só ajudou em sua tensão para qual seria o momento que o mais velho ia ser inconveniente e trazer o assunto da pulseira à tona.

A mãe saiu da mesa e Stan a seguiu, conversaram diante da pia sobre o que fariam naquele dia até que o homem foi para a sala, ver o noticiário segundo ele. Novamente, David e Francis se encararam enquanto a mãe estava ocupada guardando algumas coisas do outro lado da cozinha.

— O que foi retardado? — o mais velho murmurou irritado, mas dissimulado, pois deu um sorriso de leve ao deixar de encarar o outro.

— Nada — Francis hesitou.

David o encarou surpreso, riu e arcou sobre a mesa, puxando algo do bolso:

— Tem certeza? Achei que tinha a ver com isso — a pulseira do unicórnio girou no dedo dele — toda essa coragem de ficar me olhando.

Era uma chance de recuperá-la e Francis agiu. Esticou o braço e conseguindo segurar apenas o punho fechado de David, falando para ele devolver. Em seguida, o irmão segurou as mãos dos dois e o puxou por cima da mesa, assustando a mãe ao fundo com o som de algumas coisas caindo. Rapidamente, David deixou Francis de costas no chão e pôs um joelho sobre seu peito, doloridamente fazendo peso.

— Já disse que isso não te importa, me deixa e devolve! — Francis exclamou tentando empurrar o joelho que o pressionava e dificultava para seus pulmões. Mas David arcou, rindo, e tampou sua boca e nariz, sem deixa-lo respirar. Ele ficou assustado imediatamente, ouvindo a mãe dizer algo, era um pavor que o garoto não podia controlar, então recorreu a um tapa súbito no rosto dele.

O estalo pareceu ficar alto no cômodo. Com a surpresa do ataque, David o deixou respirar. A vermelhidão foi tomando conta do rosto dele e nem um segundo passou, o rapaz fechou um punho e atacou Francis com a mesma expressão raivosa da outra vez que o agrediu. O menor desviou a cabeça, logo ouvindo o grunhir do irmão com o impacto das juntas da mão no piso, depois David o segurou pela gola, optando por um soco nas costelas, que fez Fran ficar sem ar, porem mais determinado ao contra ataque. O menor moveu-se, usou o braço, enroscando no pescoço do outro, e o puxou para o chão também. Conseguindo, mantê-lo com a cabeça no piso, em meio ás trocas de golpes falhos e a mãe repreendendo-os ao fundo.

Não demorou muito, Fran não teve mais forças para segurar David e ele escapou, se elevando o suficiente para revidar o tapa de forma mais pesada e dolorida.

E, de repente, Stan surgiu, puxado o rapaz mais velho de cima de outro, falando bravo para pararem e mantendo David de pé e afastado.

O unicórnio, com uma dor nas costelas, aproveitou para encontrar e pegar sua pulseira caída no chão e depois se pôs de pé, indisposto a observar a reações da mãe e do padrasto confusos com o acontecimento.

— Em plena segunda! — Stan ralhou com ambos. — Controlem-se, vocês não são mais crianças. Assustaram a sua mãe! — apontou para a mulher, que mantinha uma expressão acusadora, séria e tensa, afastada e agarrada ao pano de prato.

— Foi ele que começou! Ele que provocou! — David invocou com o homem também, sem qualquer hesitação em encará-lo e discutir.

— Ora, quieto! Francis só te provocaria porque sabe que você corresponde. Devia dar o exemplo de tolerância, David. E vocês dois ainda tem escola. Não quero saber de brigas, entenderam? — Stan evitou qualquer comentário do rapaz mais velho, fazendo um sinal para Francis subir e ir se aprontar, o que ele obedeceu, feliz internamente com sua vitória.

Quando entrou no quarto, foi logo guardar a pulseira em um lugar seguro. A pulseira de entrada para a famosa festa de mascaras que ele não deixaria perdida tão facilmente. Sentando-se na cama, lembrou-se de como contra atacou David e conseguiu segura-lo. Riu baixo, achando que estava mesmo crescendo e se igualando ao mais velho, mas uma parte importante foi Jack, que lhe deu a dica:

Estavam em um lugar afastado, em meio ao jardim que poucos iriam. Era um bom lugar, mas não havia nada ali, então estavam deitados na grama seca. Francis contava sobre as lutas que sempre perdia para o irmão e mostrava alguns lugares que havia ficado com hematomas roxos.

Porque não revida? Jack perguntou e Fran riu breve.

Ele é mais forte que eu e usa o peso dele. Eu não consigo.

Não consegue ou não sabe como? O moreno ergueu-se do chão e se jogou sobre o mais novo, facilmente dominando-o como ouviu que David fazia, ao apoiar os ombros de Francis contra o solo com as duas mãos ao mesmo tempo que usava o peso do quadril para evitar qualquer movimento das pernas. Francis acompanhou o sorriso de divertimento de Jack. Vamos treinar o que você pode fazer, tá?

Se você não me machucar.

— Não seja tão frágil Fran. Você sobreviveu aos maltrato do seu irmão, garanto que, se eu fizer alguma coisa, não vai ser por maldade. — O menor balançou a cabeça, concordando. — Então...? É normalmente assim que você é dominado?

Francis apenas assentiu. Temia um pouco que alguém os visse, mas observava aquele que estava sobre ele. Então Jack ensinou-o:

Você pode levar essa mão no pescoço, como um ganchopuxou a mão direita do menino, enroscando no lado direito de seu pescoço e puxá-lo para o lado, o desequilibrando. Teste. Fran forçou o braço, fazendo Jack rir. Foi bem, mas apoie também o pé direito no chão o mais velho pegou em baixo da coxa que estava sob seu quadril, apertando-a levemente ao ajuda-lo a deixa-la posta. Agora, combine o puxão, o pé apoiado e levante esse lado do chão e vai ajudar a derrubá-lo.

Tá bom. Entendi.Francis disse nervoso, soltando Jack e desarmando o movimento. Não era um bom lugar para que acontecia sob o corpo do mais velho, mesmo que ele não tenha notado.

Não, não. Vamos testar. Pode ir sem medo. O moreno apoiou firmemente os ombros de Francis contra o chão.No três. Um, dois, três...

O movimento funcionou, apesar de Jack não resistir muito, e ele caiu de costas, ao lado do garoto, feliz por dar certo. Contudo, não esperava que fosse atacado e dominado daquela mesma forma logo em seguida, com Francis o olhando.

Bom! Está aprendendo sozinho sorriu, apoiando as mãos nas coxas do menino.Você também pode apoiar o cotovelo na garganta depois desse movimento, seu irmão não vai gostar e... Fran se aproximou, lhe beijando e recuando com um fino sorriso, um tipo de agradecimento pela aula. Jack sorriu torto por alguns segundos, admirado. É, acho que ele também não ia gostar de ser beijado.

Riram juntos e depois se aproximaram para beijarem-se mais antes que o tempo que tinham acabasse.

***

Francis pegou a blusa de moletom azul clara e a mochila e desceu as escadas, pronto para seguir sua rotina e poder ver Jack. Ao descer se despediu da Mãe e de Stan, mas, antes que ele saísse, o homem comentou:

— Seu irmão já foi há uns minutos. O combinado era ele ao menos te levar para escola com o carro — falou com um leve desgosto na expressão.

— Ele nunca fez isso. — respondeu e homem deu um sorriso forçado, infeliz por ser assim. — Mas tudo bem, Stan. Eu gosto me virar sozinho.

O menino acenou e saiu com pressa. Na verdade, Francis preferia não depender de David.

A caminhada até a esquina com o ponto de parada do ônibus era breve. Enquanto esperava com alguns desconhecidos do bairro, Fran viu o transporte surgir no fim da rua, estava ansioso em tudo andar logo. Então todos ouviram um cantar de pneus e viram um carro virar de uma rua bem na frente do ônibus, num último segundo, surpreendendo as senhoras que estavam no ponto pela imprudência.

Rapidamente o veiculo veio em direção a eles, ganhando distancia do ônibus e parou onde o transporte devia parar. Os vidros escuros do carro preto não revelou quem seria. As pessoas se olharam, assim como Francis tentou saber se seria algum conhecido dos outros, e as mulheres se afastaram do meio fio. O ônibus chegava, indicando que ia parar, e nenhum sinal de vida veio do sedã.

[...continua]

Notas finais
Tenho um tropeço por carros pretos e brilhantes... Mas isso é meio perigoso de pensar quando ando na rua sem companhia, não é mesmo? Enfim, teve gente surgindo e gente voltando a me dar umas palavras que (tchan! tachan!) essa tarde mesmo continuei o que paramos aqui... Mas seria muita afobação da minha parte lotar você de capítulos, postando logo, e acabar muito rápido com o mistério do final deste. hehehe. Obrigado por estar lendo! Nós vemos! Abraços. *Trecho curtinho do que tem no próximo: "Parou numa rua qualquer, diante do longo muro de um terreno abandonado há anos. — Aqui não é a escola. — Francis disse, olhando o lugar quase sem outros carros na rua. — E você achou mesmo que estávamos indo para lá?" [Mochileira, se tu chegar nesse capitulo antes que te responda: Sim! K.S. me deu uma rasteira, gosto de coisas originais/diferentonas então... hihihi, foi uma boa indicação de comic]