O Unicórnio de Um Coelho

10 Mais sobre você quando não tem ninguém vigiando – parte 2.


Notas iniciais:

Aqui o segundo prato da noite (continuação do anterior).
A musica para esse capitulo: One Republic — Ordinary Human
Link:https://www.youtube.com/watch?v=GzcT4hx5n5o
Obrigado pela compressão. Beijos.

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A tarde chegava ao fim depois de passearem por muitos lugares. O homem atendente do mercadinho em que faziam uma ultima parada, encarou Jack e depois Francis, mais afastado. Estava claro que ele desconfiava enquanto o mais velho buscava a identificação que comprovava a recente maior idade para levar uma garrafa de uma bebida alcoólica. O mais novo havia estranhado a escolha de Jack, enquanto ele resolveu levar biscoitos, mas deixou as coisas ocorrerem. E, naquele momento, sabia que atendente provavelmente se questionava o que os dois rapazes iam fazer no resto do sábado.

Jack guiou seu unicórnio até o parque, seu lugar preferido pelo isolamento que as muitas árvores e ambientes propunham. Alguns adultos que já iam embora do local, olhavam feio para o moreno que havia começado a tomar goles da garrafa em distancias aleatórias da trilha que percorriam aparentemente sem rumo. O rapaz ignorava-os, mas notou que Francis sempre olhava para algum arbusto sempre que alguém passava.

— Quer? — ofereceu o frasco.

Francis o olhou nervoso e depois encarou o homem com o carrinho de sorvete que passava por eles.

— Só tenho dezesseis, nã...

— Mas você bebeu quando te conheci — Jack constatou.

— É. Mas era de noite e... e não tinha gente que eu iria ver quando andasse pela cidade.

Jack sorriu.

— Tá. Vou guardar um pouco para você para daqui a pouco.

Não demorou e o rapaz levou Francis para fora da calçada, em direção a um trecho de gramado e alcançando uma orla de árvores baixas, e logo depois se viram no alto de um declive, cuja parte mais baixa era plana e como uma clareira gigante de grama aparada. Já não dava para se notarem no meio da cidade.

Quando se sentaram próximo da raiz de uma árvore e entre arbustos médios de flores brancas, o sol já se escondia atrás da linha de árvores e casas do outro lado e eles tinham a vista limpa do céu alaranjado e se escurecendo. Assim, lentamente, a noite encobria todo o parque, fazendo diversos postes ornamentados acenderem-se sobre as partes concretadas e sobre as esculturas distribuídas pelo lugar.

Francis permaneceu sobre a grama ao lado de Jack, observando as poucas pessoas que assistiram ao por do sol se levantando e indo embora. Logo, não havia outras pessoas e o lugar foi ficando assustador e sombrio para Fran. Uma brisa fria começava a dar sinais de sua passagem sobre a pele expostas, a escuridão estava em todos os lados e o silencio era quebrado apenas pelo som dos insetos.

Porém, enquanto isso, Jack deitou-se em silêncio, encarando o céu escuro e pouco se preocupado com o frio (ele tinha o moletom) ou qualquer perigo que poderiam estar correndo ficando sozinhos naquele espaço mal iluminado. Ao perceber que Francis estava perturbado, olhando para os lados, puxou-o pelas costas da camisa e o desequilibrou o suficiente para obriga-lo a se deitar ao seu lado:

— Olha lá, e relaxa Francis. — Jack apontou para o céu, onde um tom de roxo escuro deslizava em direção ao local em que o sol tinha desaparecido, arrastando o azul profundo da noite firmada e permitindo que as estrelas pontilhassem cada espaço. Sem interferência da luz elétrica em seus rostos, as sombras não são tão escuras e o céu noturno ficava mais brilhante.

Assim, o tempo foi passando sutil e nenhuma pessoa surgiu no parque.

A brisa e o solo frio resfriaram os braços e rosto expostos de Francis, mas o garoto continuou comtemplado o céu e, por vezes, virava o rosto para observar sua companhia. Em um momento, Jack sorriu encabulado ao saber que o menino o olhava e cedeu, virando-se para olha-lo de volta.

— Já saiu do seu expediente para poder beber?

— Expediente?

— Expediente de bom menino — Jack riu e deixou a garrafa nas mãos de Francis.

O unicórnio olhou do objeto para o rosto do rapaz que tinha um sorriso dissimulado no canto da boca. Não faria mal só um pouco, pensou. Depois de tossir com um primeiro gole amargo, os dois próximos foram mais tranquilos e o aqueceram por dentro. Não houve conversa quando o menino decidiu devolver a garrafa e mudar de posição, pondo-se de lado. Jack deu um último gole e largou o resto de bebida na grama ao seu lado, se arrastando para mais perto de Fran e ficando na mesma posição, de frente ao menino. Apesar de estarem entre arbustos, a luz da lua crescente os iluminava, permitindo que se enxergassem.

Depois de alguns minutos, Francis notou as mãos de Jack. Eram mais largas que as suas, e ele teve mais certeza quando pegou uma e a mediu, pondo contra a sua palma, sendo acompanhado pelos olhos do mais velho. Depois percorreu-a distraidamente com o dedo, até que levou a mão quente para sobre sua bochecha fria, aquecendo-a agradavelmente e gerando um suspirou de satisfação com um fechar de olhos.

Francis estava adaptando-se em ter alguma iniciativa para tocar Jack. ‘Porque o coração batia tranquilo, mas rápido, naquele momento?’ pensava, mas Fran não se importava tanto com a resposta, gostava de sentir isso. Logo, o toque de um dos dedos foi levado contra os seus próprios lábios. E Jack observava em silencio, aquilo mexia com ele pela calma em que era conduzido de acordo com o desejo do menino; menino que antes receava e corava fácil em tê-lo. A respiração ficou mais difícil, principalmente, quando o Francis abriu os olhos e o flagrou observando ansioso, e encararam-se. Porém o mais novo não se retraiu, deslizou o toque e deu um beijo instigante.

— O que está fazendo? — Jack não aguentou, era estranho como aquilo estava facilmente o deixando excitado. aquilo.

O unicórnio corou no mesmo momento, sorriu timidamente e desviou os olhos, deixando a mão de Jack entre eles.

— Desculpe... Eu só... só estava experimentando. — mesmo envergonhado, não parecia que Fran se arrependia.

— Não precisa parar — e Jack sorriu maroto, tocando o rosto do menino novamente com a mão, deixando o polegar apoiado no lábio macio. — E pode me experimentar de outros jeitos, se quiser — por fim, se aproximou, beijando-o ainda com a discreta interferência de sua mão, mas logo preferiu deslizar os dedos para nuca do seu unicórnio, não resistindo em incluir a língua para saborear melhor o momento que o perturbava de uma forma agradável.

De noite, o parque era escuro e o silencio era interrompido por insetos e o som de carros passando numa avenida dos arredores. Contudo, unicórnio e coelho estavam no mundo deles. Não era só um lugar em que ninguém podia os pegar, era uma realidade alternativa sem medos, só deles, um momento que ar frio não conseguia esfriar o que acontecia...

Sem aviso Jack montou sobre o mais novo, o surpreendendo. Em meio à franja de cabelos escuros, o coelho sorriu malicioso, voltando a distribuir alguns beijos delicados no rosto e pescoço de Francis. Apesar de o unicórnio ter estranhado o movimento e soltado as mãos, sem saber onde deixa-las, relaxou com os carinhos e foi cedendo ao prazer que começava a se espalhar junto com o coração acelerado; então suas mãos encontraram e deslizaram pelas costas do mais velho sobre ele. O ritmo entre eles ficou mais lento, compassado, até que Jack parou para olhar a expressão de Francis antes de deitar-se de vez sobre ele, dando um selinho tranquilo e seguido algumas outras carícias no maxilar e bochechas. Com a respiração ofegante — mas tranquila – do parceiro próximo de sua orelha, Jack deslizou a mão pelo dorso, tentando ir com despercebido para o jeans de Francis e abri-lo. No entanto...

— Jack — Francis o parou com um tom de voz receoso e súbito, e as mãos dele apoiaram os ombros do mais velho, claramente pronto para empurrá-lo.

—... — respondeu simples e ficou imóvel por um instante antes de dar um suspiro e recuar, indo deitar-se no gramado, penteando os cabelos para trás ao olhar em direção ao céu reflexivo.

Francis não reagiu ao ser facilmente atendido. Não estava aliviado e nem aborrecido, mas, no fundo, uma parte dele o repreendeu enquanto o calor que ardia foi se exaurindo e as batidas no coração pareceram deprimir-se. O unicórnio olhou para Jack, culpando-se pela frustação dele, então se virou para dizer-lhe algo, apoiando-se num cotovelo. Ia tentar reconforta-lo, explicar que foi por um segundo que uma lembrança voltou e acabou reagindo mais assustado do que queria. Entretanto Jack falou primeiro:

— Acho mesmo que já esta ficando tarde.

Depois disso, o moreno se pôs de pé e ajudou Francis, logo retirando o moletom e entregando ao garoto, dizendo que notou a pele fria. Fran não negou a roupa morna que vestiu, era mais confortável do que imaginava. Caminharam pelo parque em silêncio até uma avenida em uma das saídas e Jack arrumou um taxi, alegando ser mais rápido.

O motorista que os levava ao endereço do vizinho de Francis os ignorava, por tanto, nem notara que os dois garotos estavam de mãos dadas nas sombras do banco de trás. Quando o carro parou, Jack perguntou se Fran tinha aproveitado o dia e ele assentiu com um sorriso, e, sorrindo de volta, o moreno avisou que entrava em contato ou se veriam na escola segunda, depois se despediram com uma troca de olhar longa, ainda dentro do carro, pois o mais velho iria para sua casa em seguida e não arriscaria sair do táxi ao ver o carro simples de Charlie estacionar mais a frente logo depois que chegaram.

Notas finais:

Por hoje é isso.
Obrigado por lerem todas essas minhas palavras dessa historia (nos capitulos ruins e nós bons). Obrigado pelos que tem algum comentário sobre as musicas ou as frases, rs. Obrigado por comentarem algo. Obrigado por me deixar atrapalhar a sua vida para narrar a vida de Francis e Jack. Obrigado. (Hoje estou agradecido mesmo, rs).

Ainda não me esqueci do drama, um sub gênero da história, muahaha.
Ainda vão ter mais um, dois ou três sofrimentos mais adiante.

O próximo capitulo eu tenho os ingredientes no sótão, falta ter tempo para trazê-los para a sala e arrumar tudo para você conhecer. E... talvez, só poderei convida-lo para o jantar daqui á umas semanas, desculpe.

A força esteja com você, abraço e até!