O Unicórnio de Um Coelho

11 Um mercenário para o unicórnio enfeitiçado.


Notas iniciais
Boa noite! Olham só, tive um tempo e esse capitulo... hm, nem digo nada precipitadamente, hahaha, só leiam. Musica: Lukas Graham - You're Not There Link: https://www.youtube.com/watch?v=IC-bSbXZBcU Boa leitura!

Desconfiado, Francis olhou a hora no celular assim que o sinal da escola tocou. Não acreditava que a semana tinha começado e que o primeiro intervalo de suas aulas tinha chego para poder ir saber de Jack.

Enquanto os colegas largavam tudo para trás, famintos pela socialização nos pátios e refeitório, o menino digitou uma mensagem no aplicativo do celular: “Vamos nos encontrar hoje? Agora?” e enviou. Durante a espera guardou as coisas na mochila sem vontade.

Antes ele não mexia no celular por muita coisa, mas depois do sábado e um troca rápida de números durante o passeio, Jack falava com ele. O primeiro contato foi naquela mesma noite, depois do dia que passaram juntos, o mais velho informou que ia trabalhar durante a madrugada e provavelmente só poderiam conversar na tarde de domingo e contou que trabalhava de auxiliar de segurança (‘nada mais que vigiar as pessoas e ser sério’), por isso não poderia usar o celular durante o serviço, contudo desejou uma boa noite e esclareceu que tinha gostado do dia que passaram. E as mensagens deixavam a felicidade em Francis nos dias seguintes.

O aparelho vibrou e ele o olhou rápido, mas a resposta desfez sua ansiedade. Jack foi convocado para um jogo na quadra antes do lanche com o grupo de amigos, porém escreveu que iria encontrá-lo rapidamente no corredor dos primeiros anos, ao fim do intervalo, para ver se ele estava bem. Desanimado, o unicórnio pôs a mochila no ombro e saiu vagando pela escola. Seria um dia como sempre, pensou solitário.

No salão do refeitório, sentou-se numa mesa isolada que era próxima de uma janela e ficou observando a paisagem além de um jardim, que era a quadra onde o Coelho corria com os colegas de time e de sala. De longe, Jack estava igual o seu sempre e também parecia um rapaz normal, sem suspeitas de que pudesse gostar de outro menino daquela escola. Pensar isso fez Francis sorrir sozinho, levando os fones no ouvido com uma musica tranquila, era algo do moreno que só ele tinha certeza e tinha paciência para o que estava acontecendo, não esperava que Jack fosse mudar drasticamente seu comportamento.

***

O rapaz alto largou o moleque com espinhas no rosto ali, perto da porta da sala 25, e seguiu pelo corredor ansiosamente. Alguns alunos do primeiro ano o olhavam e ele só sorria para as meninas novinhas mais bonitinhas. Mas, nos pensamentos, já sabia quem queria ver naquela segunda-feira.

Não demorou em brecar os passos rápidos e arrumar os cabelos para trás, olhando os lados para ver quem os rondava, então seguiu andando confiante, encarando o menino sentado na ponta de um banco entre duas colunas do corredor e sem parecer muito ocupado.

Os outros estudantes do colégio mal paravam quietos nos minutos finais de intervalo. Mas Francis permanecia acomodado com as pernas esticadas sobre o banco e a costa na pilastra do prédio, com uma boa vista do corredor da sua sala, onde esperava ver Jack a qualquer momento, e rabiscando distraidamente as folhas finais do caderno. De repente, uma mão passou roçando no seu pescoço, assustando-o. Quando Fran levantou o rosto, já teve que ir retraindo as pernas para o rapaz sentar-se no banco á sua frente.

— E aí, tudo bem? — Samuel acomodou-se relaxado e sorriu para ele

Francis ainda estava confuso, se dando conta de que foi tocado por aquele desconhecido, e ficou um pouco sério ao responder educadamente com um balançar de cabeça e sentando-se corretamente.

Sam riu baixo dele.

— Então... Vi que anda sozinho para todos os cantos — o rapaz continuou a falar e o menino o olhou, se perguntando por que queria conversar com ele. — Não tem nenhum amigo, não?

A resposta foi um silêncio desinteressado. Uma tentativa de ignorância que foi compreendida como sinal de timidez, e isso fez o mais velho sorrir de novo, sempre encarando o rosto do menino.

— Pequeno, você tem que se dar chance de viver alguma coisa, tem um potencial aí, eu posso ver. — Sam disse simpaticamente. Francis logo o olhou, franzindo o cenho, e recebeu uma piscadela marota, com se tivesse ganhado um conselho de alguém respeitável. — Então... — Samuel chegou mais ao lado dele — estou preciso de uma ajudinha sua.

— O quê...? — o mais novo não estava entendo aquela conversa toda e disse devagar, mas foi logo cortado:

— Que bom que quer saber! Quero que me ajude a estudar umas coisas de matemática. Você parece ser bom nessa matéria — e puxou o caderno das mãos do menino, sem ordem, e folheando-o sem parar de falar: — Eu pensei em começar hoje mesmo... — Francis fez uma tentativa de pegar de volta, mas Sam se desviou. — Depois das aulas. E você também pode sentar na minha mesa nos intervalos, assim qualquer duvida que eu me lembre, já tenho para quem perguntar. Ah! Olha! Você desenha!

— Não! — envergonhando-se, o unicórnio tentou apanhar seu caderno de volta, mas isso só instigou Samy a sorrir e deixá-lo sem alcançá-lo.

— Calma! — o rapaz segurou o pulso direito de Fran com a mão livre, mantendo-o longe de seu objetivo, e riu. — É um elogio. Seus coelhinhos são bonitinhos e... — o menino agarrou o caderno e puxou-o, sem ter relutância do outro — e sua letra também.

Os dois se encararam, Sam sorrindo torto e Francis irritado e vermelho, assimilando que o rapaz de cabelos platinados e em corte estranho tinha lhe elogiado e não debochado.

Seria um truque? Um jogo? Uma simulação para brincar com ele e então aprontar uma boa contra Francis? Ou seria uma aproximação apenas para Sam usar nas conversas com David?

O rapaz desviou o olhar um segundo para cumprimentar um colega que passavam e falaram-se brevemente.

— Mas... — Fran falou desconfiado e reflexivo quando Sam e ele ficaram sozinhos novamente. — Porque eu? Na minha sala tem gente melhor e...

— Que é isso! Você é maneiro! E pelas minhas fontes, não deve ser ruim demais para fazer isso por mim.

Mal o garoto sabia que Samuel tinha investigado até saber a sala dele e feito perguntas á um colega qualquer de Francis: qual matéria eles tinham e em qual o menino quieto do canto era bom.

— Mas você está no ultimo ano, já sabe tudo — o menor contestou.

Com uma risada sem graça e coçando a nuca rapidamente, Sam respondeu:

— Eu sei bem disso, pequeno. É que... Eu não me lembro de algumas coisas que eram importantes. É um pedido sério. O professor de cálculo ‘tá pegando no meu pé esse ano.

Aquele sorriso fazia Francis lembrar os que estavam em modelos de revistas e comerciais, era fácil olhar: um canto mais aberto que o outro, dentes perfeitos, combinando com a expressão simpática dos outros detalhes do rosto. Mas aquela miragem escondia alguém que sabia sua força e habilidade e não hesitava em descontar suas frustações em outros.

— E-eu... Não posso! — Fran abaixou a cabeça, enfiou o caderno na mochila e levantou-se rápido, antes de qualquer comentário.

Contudo, nem deu um passo, seu pulso foi agarrado com força. A pressão dolorida o fez encarar Sam de forma assustada, o coração disparando. O mais velho o fitou sério e vazio por uns segundos, até que engoliu em seco e desviou os olhos manchados de verde, o soltando devagar e parecendo consciente de que seu ato não foi agradável. Em seguida Francis apressou os passos.

***

Diana e Harley eram do terceiro ano, as duas eram colegas de Jack e falavam dos últimos detalhes de um trabalho em grupo, cujo ele estava participando, enquanto iam em direção ao corredor da sala deles. Entretanto o rapaz, mais alto que elas, não estava interessado, então espanou os cabelos escuros, e ainda úmidos depois da ida rápida ao vestiário após o jogo com os amigos, e as meninas reclamaram dos respingos. Assim, ele aproveitou para dizer que tinha algo para fazer e se afastar para um corredor diferente.

Já na área dos primeiros anos, Jack não reconhecia muitos dos alunos até que encontrou alguém que podia ajuda-lo, parada perto de uma porta e conversando com um garoto gordinho. Ele não precisou esperar muito e a garota ficou sozinha pronta para entrar na sala:

— Ei! — gritou a impedindo de sumir. A menina olhou para trás, curiosa de quem seria, mas logo expressou uma surpresa no rosto. Jack travou um pouco, questionando a ideia que teve, porém não restavam muitos minutos para poder encontrar Francis.

— Sim? — Miriam disse com o silencio, incerta e desconfiada, olhando disfarçadamente para os lados atrás de colegas do moreno nos arredores.

— Eu... — Jack se aproximou, encarando a menina que já havia visto conversando com Francis, mas não conseguia soltar a pergunta sobre onde o menino estava. Queria saber de forma direta, mas isso daria muita bandeira. E seus olhos, por alguma razão do universo, desviaram-se para o fundo do corredor e ele sorriu ao notar que o tinha encontrado. — Não. Deixa para lá.

Miriam ficou confusa com o rapaz que lhe deu as costas a seguir, e observou-o seguir pelo corredor até entrar no banheiro dos meninos. Depois ela deu uma olhada em volta, não viu ninguém mais, e isso eliminava sua ideia de ser alvo de uma piadinha dos rapazes do terceiro. Ela deu de ombros, assumindo que talvez ele só quisesse saber onde ficava o banheiro mais próximo – apesar de isso não explicar o sorriso feliz do moreno.

...

— Sinceramente, achei que não ia dar tempo — Jack falou e riu. O menino que enxugava as mãos o olhou surpreso e logo deu um sorriso acanhado. — Aí, teria que passar nas portas e só olhar.

Um desconhecido entrou. Jack, Francis e ele se olharam, mas o novo garoto se intimidou e ignorou-os, indo fazer o que veio fazer.

— Está tudo bem com você? — o mais velho perguntou baixo, lavando as mãos para dissimular.

— Sim... Bem.

Jack o olhou, estranhando, e o menino desviou seus olhos para ao piso. Naquele momento, Francis pensava em Samuel, na aproximação, na proposta e, principalmente, se o de cabelos platinados teria visto Jack naquela área para ligar os pontos das coisas.

— Tem certeza? — o coelho insistiu.

O unicórnio o encarou por uns segundos, não queria dar atenção ao fato de estar conversando com o ex de Jack e por isso brigava com sigo se devia comentar alguma coisa ou não. Mas subitamente o garoto desconhecido juntou-se a eles nas pias, sendo encarado pelo mais velho e logo deu as costas, sumindo pela porta. Com um sorriso torto, Jack segurou o pulso de Francis e o arrastou para perto da porta.

— O que está fazendo?

O coelho não respondeu, pôs-se de costas na porta, escorando-a, e fez Francis soltar a mochila de lado, segurando seu rosto para se beijarem por uns instantes antes que o último minuto de intervalo acabasse. Quando empurraram a porta e desistiram, Jack riu por Francis se assustar e o chamar de louco só por correrem aquele risco de serem pegos.

***

Os dias passaram melhor do que muitos outros para o unicórnio enfeitiçado. Era visível que algo de bom o fazia sorrir para o velho celular, ás vezes, do nada, no meio da aula de historia.

Infelizmente Jack e Fran se viam menos do que gostariam. O mais velho tinha seu trabalho, atividades com o time e encontros com amigos que se tornaram rotineiros demais para serem abandonados. Na verdade, nem mesmo David tinha tempo de fazer hora com os amigos depois de ter conhecido certa garota na escola.

Mas os poucos momentos em que ficavam juntos eram bem aproveitados. Conversavam na maioria das vezes sobre seus dias e sobre algumas pessoas que conheciam (Quem diria que Jack já vira o professor de biologia numa balada, uma historia que os fez rir juntos). Porém os melhores encontros aconteciam quando conseguiam um lugar mais afastado, onde tinham certeza que nenhum conhecido poderia ver e dedura-los para David.

Chegando a sexta-feira de horário estendido no colégio, Francis pensava em um jeito de Jack ficar com ele, mas o moreno parecia evitar conversar sobre isso. Principalmente naquele momento em que o menino mexia no celular há alguns minutos, andando até seu armário para guardar o material de que não precisaria até a próxima semana e depois iria para o almoço. Francis mandou uma mensagem clara para o outro rapaz, identificado como ‘Jay’ no aparelho: “O que faremos com o final de semana?”, e abriu o armário. Em seguida a resposta o deixou irritado por dentro: “Ainda é sexta”, escreveu Jack e depois desviou de assunto.

Parado diante da porta de seu armário, o mais novo passou a digitar rápido para insistir com a pergunta, mas recebeu um empurrão nas costas que doeu mais por estar completamente distraído e pelo outro ombro ser forte. O celular escorregou de seus dedos e caiu no piso, mas, no meio dos fatos rápidos a seguir, foi esquecido.

— Há! Fraquinho! Há quanto tempo?! — Num relance, Fran reconheceu Kyle e outros colegas de seu irmão ao redor. Logo, uma mão veio na sua nuca e o empurrou para dentro de seu próprio armário aberto, seu rosto entrou na escuridão empoeirada e facilmente atingiu o fundo frio e rígido de metal.

Apesar de suas tentativas de sair dali, parecia que não tinha forças para afastar quem o segurava, mas tentou não desistir fácil enquanto ouvia as falas abafadas atrás:

Ei! O que está procurando ai dentro? — e risadas.

Alguém tentou levanta-lo pela perna e empurra-lo mais para dentro do armário, dizendo que ia ajuda-lo a achar, mas desistiu depois de um chute de Francis.

Naquele momento, o menor desejou que algum funcionário do colégio passasse ou que algum aluno os denunciasse logo, era sua esperança, afinal poucos se meteriam com o grupo, ainda mais por alguém como ele.

— Fraquinho, seu irmão está aonde? — era a voz de Kyle.

— Me solta! — Grunhiu em resposta e em meio ao esforço para seu rosto não ser achatado no espaço.

O quê? Você não fala nada com nada mesmo! — fingiu-se de desentendido. — Cara, seu irmão está nos deixando meio no tédio. Custa nada deixar-nos feliz um pouco, não é? — risos concordaram. — Será que ele cabe aí dentro?

O corpo de Francis ficou tenso no mesmo instante que ouviu aquilo, depois sentiu os rapazes achando graça e, de verdade, tentarem, o pegando pelas roupas.

Então, tudo foi confuso á principio:

Eaí, o que fo...? — ouviu um grito de dor e afrouxaram as partes que seguravam. — Porque que fez isso, babaca! — a voz de Kyle estava estranha, fanha.

— Tira essa porra toda daqui! — alguém falou bravo, e Francis sentiu aquele que empurrava sua nuca ser puxado, o liberando, e os passos dos outros se afastando com alguns murmúrios irritados.

Ao sair do confinamento num impulso, Fran quase – por muito pouco mesmo – não sorriu imaginando que fosse ver Jack, pois podia ser, era o único que faria algo assim, mas não era ele. Samy ainda afastava um rapaz que resistia em deixa-los dando um chute na coxa, e os outros, incluindo Kyle com o rosto ensanguentado, já seguiam andando estranhando a ação do outro.

Em choque, o menino apenas observou o rapaz com as mechas brancas bagunçadas que fuzilava com um olhar raivoso o grupo sumir. Aparentemente, Sam estava disposto a tirar mais sangue gratuitamente se os outros quisessem se aproximar.

Notas finais
É, eu tive um tempo mas não tempo para escolher uma frase, kkk. Mas, gente, quando vi essa imagem, eu não pude deixar de imaginar que é a cara do Francis. Deixei como hiperlink a imagem que me 'inspirou' a ter o Samy, é escolha sua ir ver ou deixar como está na sua imaginação.(Se não funcionar pode avisar, ok?) Aliás, só achei procurando sobre cabelos platinados, kkk, nada especifico, tá. Já o 10º capitulo e eu estou tentando adiantar a historia para [é a verdade do universo ficcional] chegar ao fim. Estou tendo certa dificuldade para indicar musicas aqui... Tem umas mas não combinam bem com os momentos... Por fim: E esse final! Eu sei, tem coisa para acontecer e agora terá que esperar o próximo capitulo... (Vamos dar metade para cada rapaz e pronto, resolvido, muahaha) Obrigado por acompanhar mais um capitulo dessa novela, não esqueça de deixar um comentário e ganhar pontos para trocar por: ursos de pelúcia imaginário, espelho feito de janela na rua, rosquinhas quebradas do final do saco enviadas por e-mail, plastificação de flores lá em Nárnia, uma viagem para Askaban com tudo pago pelo seu cartão de crédito, poção para seu ídolo ter um sonho com você. Abraço!