O Unicórnio de Um Coelho
4 Antes de qualquer coisa, uma pergunta...
Notas iniciais:
Oie, leitor! Tudo bem? Espero que sim! ~ e dá abraço em que está lendo isso lá no mundo da imaginação, huahuahua. XD
Mais um capitulo para você...
Boa leitura!
Musica: Another Lonely Night — Adam Lambert
Link: https://www.youtube.com/watch?v=JT_xnNh5wbE
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O quarto de David era grande e a cama, puxada de sob onde o primogênito Audrey dormia, era boa e quente. Mas não acomodava Jack da forma certa. Ele pensou em ir para o pequeno sofá dentro do cômodo, onde se lembrava de ter sentado para ver uma partida de vídeo game quando o grupo de amigos se reuniu ali. Porém, quando tentou, não teve diferença. Sua mente estava pesada e louca para recompor-se com um sono profundo, mas seu corpo estava incomodado com tudo, nada estava bom para relaxa-lo.
A casa ficou em completo silencio depois que a mãe dos garotos se deitou. Todos estavam dormindo, exceto Jack. Ele virou o rosto para o canto sofá, fechando os olhos e tentando contar carneiros ou apenas números para dormir também, e não funcionou. Então olhou para David, imóvel e esparramado de bruços na cama, confirmando que ele estava completamente apagado. Levantou-se, bagunçado os cabelos com uma indecisão, porém buscou e vestiu o jeans — pois não era bobo de dormir com roupa desconfortável -, depois saiu do quarto.
O coração bateu mais rápido quando pisou no corredor e teve certeza que não teria volta se continuasse. Jack olhou rapidamente para o quarto da mãe de David e Francis. Não ouvindo nada, seguiu para a próxima porta, que como esperava estava destrancada. Abriu-a, entrou e encostando-a em suas costas o mais silencioso que pode. O que estava fazendo? Perguntou para si mesmo, hesitando ao observando os contornos de sombras do novo quarto.
A cama de solteiro estava no meio do espaço, com a cabeceira encostada em uma parede e o volume do menino mais novo sob as cobertas. Havia poucos moveis no cômodo. Uma estante cheia de coisas indefiníveis na noite, uma escrivaninha, uma cômoda e o armário, que possuía um espelho numa das portas.
Jack inspirou para acalma-se um pouco, mas se deu conta de que o cheiro do lugar o enfeitiçava, dando vontade de ficar ali por muito tempo e fazer coisas... Caminhou até a cama e arcou-se sobre o menor, apoiando as mãos no colchão e sobre a coberta. O movimento acordou Francis e ele se virou já tenso, mas relaxou ao encontrar o olhar de Jack no dele, apesar das sombras deixarem tudo mais difícil de enxergar.
— Sei que não devia, mas... — o mais velho sussurrou — posso ficar aqui?
O unicórnio sorriu e deu espaço, fazendo o outro se desapoiar ao abrir a coberta e mostrar a parte da cama disponível. Ainda de pé, Jack ficou observando o olhar de Francis quando soltou o botão do jeans e deixou a roupa cair no chão. Sorriu brevemente do desvio de atenção do mais novo e se deitou, dividindo o mesmo travesseiro. Jack ainda observou os olhos castanhos por mais uns segundos, lembrando-se de quando o viu pela primeira vez por trás da máscara de unicórnio e dos olhares que já trocaram. Não resistiu e se aproximou para tocar os lábios alheios com os seus, instigando facilmente um beijo mais intenso, onde Francis acabou o puxando para cima de si, mas Jack interrompeu e recuou, afundando o lado do rosto de volta no travesseiro com um sorriso travesso para o frustrado e confuso Fran.
— O que foi?
— Nada. Só estou cansado de hoje.
— Hm? — Francis não aceitou algo simples e não conteve um som de insatisfação.
— Hoje teve aula cedo, e com horário estendido a tarde. Depois essa saída com o David... Eu preciso dormir Francis. — Jack via um pouco da expressão do outro, estava levemente aborrecido, então acariciou o rosto com uma mão: — Meu corpo só aguenta cair no sono por hoje... Mas, se você estiver afim, pode fazer o que quiser comigo.
Jack recolheu a mão do afago, um sorriso malicioso no canto da boca enquanto fechou os olhos. Seu corpo finalmente se achando confortável onde estava.
Francis observou-o incapaz. O rapaz, que às vezes se lembrava de ser o coelho, parecia verdadeiramente cansado com as olheiras sob os olhos claros. Não tinha muito o que pudesse fazer, mas agora estava desperto e juntos. Com o passar de segundos sua mente até pensou em fazer algo, porém Fran não estava acostumado a tomar atitudes e nem gostaria de incomoda-lo. Assim, enquanto imaginava o que podia fazer e considerava tentar algo, ficou apenas encarando, distraidamente, o rosto aconchegado em seu travesseiro e com mechas escuras caindo em volta.
— Jack? — Fran chamou-o baixo, recebendo um grunhido em resposta. — Você... não tem magoa comigo pelo que fiz naquela noite, tem? Sabe, de ter, hum... estragado suas expectativas?
Os olhos azuis se abriram e o fitaram calmamente. Fran fechou os deles, constrangido, e depois olhou para outro lugar da coberta que dividiam.
— Já resolvemos isso. Eu pedi desculpas por tentar e...
— Não. E-eu que devia me desculpar... — gaguejou atrapalhado. — Eu fugi de você.
Apesar de ter certeza que naquela noite não conseguiria dar o que o mais velho desejava, Francis não queria que Jack acreditasse para sempre que ele nunca teve vontade. Na festa, o unicórnio deixou-se levar-se até onde suportou, mas havia um barreira no seu caminho que não tinha haver com quem estava.
— E eu fui atrás e pedi desculpas — Jack falou calmo. Então o outro ia dizer algo, mas o mais velho tampou a boca dele com uma mão. — Francis, escute: nós não tínhamos nada que te obrigasse a transar comigo naquela noite em que mal nós conhecíamos. Eu entendi. E todos têm algum medo de algo assim. Está tudo bem.
A expressão do unicórnio se amenizou. Jack o soltou devagar e voltou a tentar descansar.
— Jack... — Francis sussurrou e fez uma pausa incerta — Eu também tenho um trauma. — O mais velho abriu os olhos e viu o outro piscar demorado. Francis estava nervoso com aquilo que ninguém antes se preocupou em saber, mas que algo em si queria contar para justamente o amigo de seu irmão. —Tinha um homem, um vizinho, eu acho. Eu era o menino que falava pouco e era solitário em tudo porque... David ajudava nisso. Um dia esse cara me tirou de uma festa que reunia a vizinhança e...
— Não precisa me contar Francis — Jack se retraiu na coberta, perturbado e fechando os olhos.
— Mas ele não conseguir nada! — o tocou no braço por baixo das cobertas, ansioso em ser ouvido. — Foi ruim para mim quando ele começou a ... me usar. Então fugi dele! Eu não estava pronto e sabia que era errado.
Jack apenas o encarou. Notava pelo rosto de Francis que a memoria ainda o perturbava, deixava-o assustado, desconfiado e temeroso com o assunto. Então o mais velho se perguntou como podia pensar em ter Francis como parceiro em algum momento? Não era o cara para tratar de traumas, mal conseguia lidar com os poucos que tinha. E, o pior, tinha um rumo em outra cidade já organizado. Não pretendia continuar preso naquela cidade. Por isso já sentia que seria como se aproveitar do garoto. Jack fechou os olhos com força, ficando quieto.
O unicórnio compreendeu que o assunto devia ser encerrado, mas continuou a observa-lo; e como a mão já estava tocando Jack, acariciou-o sutilmente por baixo das cobertas, deslizando os dedos pelo braço até a mão apoiada entre eles e retornando o percurso. Não havia um intuito no carinho, se não relaxar o mais velho e conferir a presença dele com o tato.
— Que droga você é! — Francis se assustou e logo a mão de Jack o pegou pela nuca, o puxando para perto. O moreno o fez beija-lo, saciando-se até se acalmarem, e o soltou, respirando mais pesado. — Fica de costas para mim, Fran.
— O que você vai fazer?!
O mais velho riu do espanto na voz e lhe deu alguns empurrões, o fazendo virar: — Vai saber.
Assim que conseguiu o que queria, Jack puxou a blusa de Francis para cima. Apesar de relutar, por não entender, o unicórnio perdeu a disputa e viu sua blusa ser largada no chão. Em poucos segundos Jack jogou a própria camiseta em algum lugar e abraçou o corpo à frente. O contato das peles nuas e em diferentes temperaturas queimou a principio. O coração de Francis disparou quando ele compreendeu o que estava acontecendo, sentindo o calor alheio que começava a adaptar-se com o dele. Era uma sensação estranha. Ter alguém contra suas costas só acontecia quando a mãe o via deprimido no quarto e, uma vez, quando alguém quis ameaça-lo de uma forma muito desagradável. Mas com Jack era bem melhor, mexia com ele ao mesmo tempo em que o confortava. Queria aquela sensação muito mais vezes se pudesse.
— Você está respirando pesado Francis. Como vai dormir assim?
— A culpa é sua. — resmungou baixo e Jack riu.
— Você não está excitado só por isso, está?... Ah, está sim — o mais velho sussurrava naturalmente na nuca de Francis, o arrepiando enquanto também o fazia corar mais por estar o tocando sobre a roupa que ainda vestia. — Eu posso ajudar.
— Você não estava cansado?
— Estou, mas isso não vai demorar. — Jack deslizou a mão sobre o quadril e abdômen do mais novo e depois voltou, acariciando para Fran ceder e conseguindo algum suspiro.
— Jack... Estamos na minha casa. Eu não sei se..
— Relaxa — sussurrou mais próximo e provocante no ouvido do unicórnio. Porém sua carícia foi subitamente interrompida por uma mão, e Jack notou o nervosismo do menino.— Okay. Vamos só... Dormir junto.
***
Um alarme automotivo estava ecoando quando Francis despertou sonolento. Ouviu a briga do casal vizinho, sobre o carro no quintal do lado, e então o som parou. Lembrando-se da companhia virou-se na cama, mas encontrou o espaço vazio. Estranhou, porém compreendeu. Adiantou-se para uma ida no banheiro e depois, quando no corredor, espiou o quarto do irmão que estava com a porta aberta, não tinha ninguém além de David dormindo. Desceu as escadas e foi para a cozinha.
— Bom dia mãe — Fran disse ao vê-la tranquila e sentada na pequena mesa de madeira.
— Bom dia — ela respondeu e deixou um tempo para o menino arrumar algo para comer e se sentar perto. — Então? — a mulher o olhou— Quem é aquele garoto de cabelo escuro e meio cumprido?
Francis a encarou tenso. Porque ela perguntou para ele? Havia ouvido ou notado alguma coisa na noite passada? Ou será que Jack deu mole quando saiu do quarto dele? Preferiu um silencio e uma cara de confuso, até ela insistir e dar mais pistas:
— Sabe, ele não é um dos que sempre estão por aqui com seu irmão, ou que eu conheça. Achei estranho ele passar a noite — a mulher tinha uma expressão meio preocupada. — Se você já o viu sabe mais dele do que eu, Francis. Então, que tipo de gente ele é?
O menino desviou o olhar para o pão na sua frente:
— Eu não sei mãe... É igual os outros.
Ela o olhou com desconfiança, o garoto não conseguiu enfrentar o olhar e tentou agir naturalmente tomando o café da manhã como se não tivesse interesse nenhum.
— Não sei não, Fran. Mas toma cuidado. Gente que se aproxima assim, do nada, pode não ser coisa boa. Ainda mais se estava perto há um tempo e resolve agir assim agora.
A mulher levantou-se e caminhou para a pia com a xícara de café vazia.
Isso não era nada bom. Se a senhora Kelly já estava com esses pensamentos sobre Jack, haveria desconfiança dali em diante até ela descobrir de onde o moreno veio e como ele era.
***
O parque da cidade estava fresco apesar do sol e céu limpo de sábado. O final da tarde já se aproximava e os rapazes estavam na quadra terminando uma partida de futsal quando Jack chegou.
— Onde você estava? Já estamos terminando o jogo! — Ronald perguntou quando se cumprimentaram através do alambrado.
— Dormindo. O que mais faria além disto?
— Sei... — o colega o olhou com desconfiança. — Então, que tal sair na frente e ver umas gatas? — Jack não entendeu até ver o olhar de Ronald indicar um banco próximo, na sombra de uma grande árvore, onde três garotas estavam sentadas e torcendo pelo jogo. Uma loira de óculos de sol no alto da cabeça, o olhou naquele justo momento e sorriu para ele.
No fundo Jack não tinha interesse daquela forma que o amigo gostaria, mas não faria mal conhecer pessoas novas, então se aproximou para esperar o jogo terminar. O pequeno grupo conversaram sozinhos até que a equipe que jogava se uniu a eles, levando embora a sensação de Jack de que estava sendo avaliado por pelo menos duas das meninas, já que a terceira já tinha um namorado no time.
— Jack, vem comigo comprar um refrigerante? — Juliana, a loira de cabelos lisos, pediu, pegando na mão dele e indicando um quiosque. Ele pensou em reclamar, mas se levantou do banco sendo gentil.
Enquanto andavam conversaram um pouco. Jack não gostava de falar dele, por isso fazia perguntas e ouvia algumas longas respostas, que mal guardava algum detalhe. Contudo, depois de comprarem refrigerantes, a menina o levou pela trilha, indo para um pouco mais longe dos outros, e falando aleatoriamente. Sentaram-se num banco diante de um lago e um tempo depois de sossego, ela levantou-se querendo sorvete de casquinha, mas dessa vez Jack não quis ir, conseguiu faze-la deixa-lo ali ao improvisar uma cara de desanimado.
Quando ficou sozinho, encostou a cabeça no banco e pensou no que é que ele estava fazendo. Quando olhava os olhos grandes e castanhos da menina estava tudo normal, mas, quando não, outro surgia na sua cabeça, ocupando sua atenção. Por isso não saberia dizer o que Juliana tinha lhe dito ou o que tinham conversado durante todo esse tempo, nada estava sendo importante suficiente para ele se lembrar. Só havia uma pessoa que ele queria ver mais, e que ele tinha que resolver o que ia fazer com o que tinham juntos.
Sentiu a presença de alguém e abriu os olhos, sentando direito. Viu um garoto magro, de cabelos naturalmente espetados e um blusa branca com a estampa do snoop, parado na sua frente com as mãos nos bolsos da bermuda jeans.
— Oi — Francis disse sorrindo. Jack apenas sorriu de volta e o menino se aproximou sentando-se no banco ao lado dele casualmente. — Eu... — hesitou. — Eu tenho uma coisa para conversar... Na verdade, para te perguntar.
Fran desviava o olhar com frequência para o lago ou outras coisas.
— Tá. — Jack respondeu simples assentindo com a cabeça também.
O garoto então fez uma pausa silenciosa, refletindo, antes de voltar a falar:
— Jack, você... acha que nós podemos ter um relacionamento mais para frente? — o moreno o encarou atônito por alguns segundo, deixando Fran um pouco sem jeito. — Tipo, uma coisa séria ou que dure de alguma forma?
O mais novo então ficou encarando Jack sem uma expressão clara para ser decifrada. Mas o moreno se lembrou de Juliana e desviou o olhar, encontrando a moça já voltando pela trilha. Jack ainda não sabia o que responder. Francis notava que havia o surpreendido, mas só queria saber e ter certeza do que estava se tornando uma probabilidade, ainda que uma resposta positiva o deixasse assustado por que significaria um provável fim da amizade de Jack com David e David ia odiá-los ainda mais.
— Ei, meu lindinho, quem é o seu amigo? — Juliana chegou chamando atenção dos dois, e, só para completar, por estar sem lugar, se acomodou nas pernas do moreno e ficou olhando de Jack para Francis, curiosa.
Jack também ficou surpreso e viu o seu unicórnio com uma expressão espantada ao observar a garota, depois ele o olhou nos olhos e desviou para o chão por uns segundos, para então se levantar e seguir pela trilha.
— Ele é tímido? — a loira disse, também assistindo Francis se afastar. — Acho que assustei ele... — e ela riu levemente.
— Eu... Tenho que ir —Jack disse meio atrapalhado e se levantando, fazendo-a a garota ficar de pé.
— Ah. Está bem — Juli estava confusa, mas mesmo assim se despediu com um abraço e ia receber um beijo no rosto, com o rapaz sempre fazia com qualquer menina, mas a loirinha moveu-se resultando em um selinho rápido, e ela sorriu dissimulada. — Você tem que ir mesmo?
— Tenho.
Jack a deixou e seguiu pelo mesmo caminho que o Francis tinha ido, mas não chegou a encontra-lo no parque novamente.

Notas finais:
O que estou fazendo?! Os separando, oras! Porque a sofrência tá no sangue!
Mentira. Tenho planos, tipo elástico... Eu sofro junto com eles, sempre, mas sou mal, ao mesmo tempo...
Nesta entrega: o fim da noite, e tivemos esclarecimentos do fim da primeira noite deles e mais coisa dramática da vida de Francis que talvez faça Jack recuar. Também teve as perguntas da mãe de David e Francis! Será que ela acha Jack estranho, perigoso, suspeito? E, por fim, temos a linda Juliana que acabou deixando Francis sem reação e, bem, ele saiu dali...
No próximo episodio: Será que Jack terá um resposta para o Unicórnio? Será que a Senhora Kelly(a mãe dos Audrey) vai questionar mais pessoas, descobrirá quem é o cara, entendera sinais? E, talvez, tenhamos novos surgimentos que vão ser uteis para meus planos cruéis e os bons...
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