Notas iniciais

Oie, gente!
Eu enrolo para ter um capitulo novo, mas, veja, eu tenho que juntar as ideias dos dias para sair isso tuudo de capítulo.
Notaram o titulo? Pois é, confere com o que lerão.
E estou muito feliz com os comentários do capítulo anterior e esses novos leitores! Sério duplamente.
Abraço!
Musica do capitulo: Kiiara- Feels (pessoa, eu acho que tinha outra que eu podia indicar da minha playlist, mas eu me esqueci e não lembro de jeito nenhum XD)
Link:https://www.youtube.com/watch?v=rTlqY9i7Gn4

Acomode-se e boa leitura!

[*Mistérios da saúde adverte*: a leitura de muitas coisas sentimentais podem causar riscos á saúde, procure uma bula de remédio para ler ou, se persistirem os sintomas, procure uma cirurgia com o Dr. Melvin Não Diplomado e corra mais riscos ;) ]

*****************

Uma neblina fina pairava no ar quando Francis chegou na escola. Parecia que o tempo resolvera combinar com a depressão que o afundava há um dia. O que era estranho, pois, apesar de tanta coisa na vida, Fran aprendera a seguir em frente sem ser dominado pela tristeza, só acolhia a apatia. Entretanto, a razão disso foi porque Jack não apareceu depois da tarde de sábado no parque, e então houve um desabamento.

O rapaz não deu nenhuma resposta para ele, não se teve o trabalho de mandar um recado ou mesmo um sinal de vida durante todas as horas que passaram. Francis acabou pensando que havia espantado Jack e que sua mente carente o fez acreditar que o mais velho tinha algo mais forte por ele, mas foi tudo um engano; foi feito de bobo pelos próprios pensamentos e sentimentos. Assim passou a ver Jack como alguém que só brincou com ele, lhe dera uma atenção por comodidade e então se assustara e passara a ignora-lo completamente quando Francis questionou sobre algo mais sério.

Apesar de acreditar que a culpa foi dele, Fran teve um impulso de perguntar para o irmão sobre o paradeiro de Jack durante o Jantar de domingo. Não fez isso, afinal, simplesmente conversar com David já seria estranho para os dois, e irmão não deixaria qualquer curiosidade subentendida passar sem tirar todas as reais intenções por trás.

Francis sentou-se numa mureta do jardim da escola antes de entrar para a sala. Sabia que tinha a possibilidade de finalmente ver Jack, mesmo que já tivesse aceitado que estava sendo ignorado e que não teria a mesma atenção de antes. Havia se tornado um costume para Fran aceitar a pior possibilidade e seguir a vida, sendo só mais telespectador, e Jack seria só mais um momento de infelicidade em sua vida. Então o garoto balançou o rosto quando o último sinal tocou, evitando que uma lágrima escorresse ao conter os pensamentos, e saltou da mureta, seguindo o fluxo de alunos atrasados para as aulas.

***

— Porque tem que ir para escola hoje? — questionou o homem de barba grisalha, sentado no sofá de couro preto, que encarava Jack com estranheza e cansaço. — Acabamos de chegar, devia descansa por hoje. E você já está atrasado. Não vai ter problema se não for hoje.

— Eu tenho ir, só isso — o rapaz falou, mantendo uma expressão neutra, apesar da ansiedade, e estendendo a mão. — Empresta o carro, pai.

— Ué, não está exausto de ficar dentro daquele carro por horas? — perguntou a mulher de batom vermelho e cabelos loiros, que jogou-se no sofá.

Os dois adultos ficaram olhando o filho que estava de banho tomado, roupas limpas e mochila no ombro após apenas alguns minutos depois que havia chego ao apartamento.

O rapaz suspirou, sem muita paciência para letargia deles, e respondeu:

— Não. Preciso distrair a cabeça. Vamos, as chaves?

O casal se olhou com uma expressão entristecida, achando que Jack estava amargurado pela perda, e, crendo que ir para escola o ajudaria, lhe deram o que pedia.

***

Depois de alguns períodos de aula, um bando de adolescentes entrou na biblioteca falando alto e perturbando alguns alunos que estavam próximos. No meio disso, estavam David e Jack.

O intuito deles era causar alvoroço no lugar cujas regras exigiam silêncio. E quando Kyle e David começaram a cantar uma musica de duplo sentido, e tentavam chamar o publico junto, a pobre bibliotecária se aproximou autoritária para controla-los. Jack só ria de fundo, ajudando com uma ou outra frase da musica quando era incentivado pelos colegas. Para o moreno, não havia muita maldade naquilo, se não animar o lugar paradinho.

A mulher baixa ameaçou de expulsa-los e lhes lembrou das regras do silencio e respeito, tentando conter um por vez com um olhar exasperado. David riu na vez dele e disse, presunçosamente, que ser expulso dali não era nada demais, depois continuou falando alto sem dar qualquer importância a presença da senhora.

— Vou chamar o diretor! Parem com isso agora! — A bibliotecária disse vermelha de incapacidade, mas tentando.

Jack sentou-se sobre uma mesa de leitura, não se importando com a ocupante que o olhou com cara feia, e ficou na dele, só assistindo e achando graça.

— Cuidado, pessoa! O diretor vai chamar nossos pais assim! — de trás dela, surgiu um atrasado para a arruaça, de cabelos descoloridos e cinzentos e jeito folgado, que envolveu o pescoço da pequena mulher com um meio abraço e olhou para ela com um sorriso sacana: — Precisamos do livro de Química, Ruth. Para entender o que é que me faz ficar tão atraído por você! Coisa delícia! — e ele se aproximou veloz para um selinho, mas a bibliotecária virou rosto, como esperado, e o empurrou, se afastando enquanto murmurava coisas incompreensíveis.

Os rapazes caíram numa gargalhada pela reação e pela vermelhidão no rosto da mulher. Mas Jack saltou da mesa, deixando de sorrir e desviando seu olhar dos do novo integrante, que apesar disso sorriu para ele. O rapaz alcançou a mulher e a parou:

— É verdade, Ruth. Precisamos dos livros de química — falou calmo.

A bibliotecária bufou o encarando:

— Fiquem quietos, então! — e deu às costas, indo buscar os livros o mais rápido que podia.

O grupo continuou no mesmo lugar, conversando, mas sem tanta baderna como no começo, até que receberam o monte de livros e foram mandados embora do lugar.

Quando saía, Jack seguia logo atrás do rapaz de cabelos platinados que empacou um passo para ficar do lado dele e perguntar o que ele andou fazendo no final de semana. O moreno deu de ombros, com pouco interesse em respondê-lo ou conversar justamente com aquele rapaz. Então olhou para outro lado e encontrou Francis, parado no balcão da bibliotecária e o observando. Porém, o mais novo não tinha uma expressão, apenas um desapontamento sutil nos olhos quando desviou o olhar para o livro que carregava.

Jack acompanhou o grupo no corredor, mas estava bem perturbado, querendo falar com Francis, então logo deu uma desculpa qualquer e retornou para a biblioteca, sozinho. Procurou pelo unicórnio em meio as estantes e nas mesas, achou-o sentado em uma e fazendo anotações no caderno.

— E aí? — disse parando ao lado da mesa. O garoto mais novo levantou o olhar, o observando em silêncio, parecia sério, mas havia mudanças naquele rosto além do roxo menos visível sob um olho — Você andou chorando, Francis?

O unicórnio encarou o caderno logo em seguida, não conseguia dizer algo ou reagir, fazendo minutos de silencio passar.

— Vamos conversar em outro lugar, me segue?

Fran levantou o rosto, surpreso com a proposta de Jack, e observou os olhos azuis desbotados e calmos, via que havia coisa para serem faladas. Jack desviou o olhar para alguém que passou perto, assumindo uma expressão mais séria. Depois o menor assentiu, apesar de achar que Jack fosse apenas esclarecer as razões do que fez e os porque de dispensa-lo de sua vida.

Eles caminharam pelos corredores sem interação. Jack mostrava o caminho a alguns passos na frente, agindo normalmente, e Francis o seguia sem entender para onde eles estavam indo. Subitamente o mais velho virou em um corredor sem movimentação, com as luzes apagadas e sem janelas, apenas portas com pequenas vidraças traziam alguma a luz. Ali, depois de alguns passos na sombra e ignorando uma sequencia de portas, Jack parou e esperou Francis para segurar uma de suas mãos e o conduzir até a penúltima porta do lado esquerdo.

— É aqui — Jack apresentou o lugar, encostando a porta depois de Francis entrar na sala.

— Que lugar é esse? — o garoto estranhou, observando as paredes cobertas com uma espuma cinza e as janelas retangulares e altas que iluminavam o lugar.

— A segunda sala de música. As paredes são a prova de som e ecos. Mas, como são poucos que tocam algo, o professor ficou com a outra sala, que fica no corredor principal.

Francis concordou com a cabeça enquanto notava um monte de caixas e instrumentos embrulhados num canto, havia também um banco de madeira e algumas cadeiras, tudo levemente empoeirado.

— Como você está? — Jack quis saber quando não houve mais perguntas.

O unicórnio encarou o piso, toda a história não concluída e a amargura de estar sendo ignorado retornando à sua mente.

— Porque você fez aquilo? — Fran perguntou baixo, virando-se para Jack. — Podia ter contado antes que tinha uma namorada e então eu ia entender.

— Mas eu não tenho uma namorada, Francis. Aquela garota do parque era só uma amiga.

Apensar de isso aliviar Fran, ainda tinha um ciúme de imaginar que as amigas de Jack fossem daquele jeito, fazendo o que quisessem com ele, isso o incomodava.

— Então, porque sumiu todo esse tempo? Nem David sabia onde você estava. Ouvi ele perguntar de você para o Charlie e ninguém sabia.

Jack observou Francis, o menino desviou a atenção para os instrumentos, dissimulando estar mais interessado em investigar aquilo.

— Eu não tive escolha — o coelho se aproximou alguns passos com uma expressão cansada. — Eu ia falar com você naquela noite, na sua casa, até perguntei se Charlie ou Kyle se iam jogar cartas com o David para ir junto. Mas... — ele suspirou desanimado — meus pais me levaram para o enterro de alguém importante na minha história, em outra cidade. Não pude ficar.

Francis se virou para ele com pesar, então riu de si mesmo:

— Eu fiquei pensando que você não queria mais saber de mim... Achei que dei um passo errado de te perguntar aquilo e que eu não importava para você, que ia me ignorar o resto da vida ficando com aquela... aquela garota loira.

— Não conseguiria te ignorar, seu bobo. — Jack parou diante de Francis e sorriu torto, apoiando o rosto do unicórnio nas mãos e o beijou calmo depois de tanto tempo longe. Calmaria esta que Francis absorveu, mas o mais velho afastou o rosto, curioso: — Foi por isso que andou chorando ou aconteceu algo mais?

O garoto corou e desviou o olhar para o colar tão próximo. Observou o pingente pesado, de duas asas abertas e com as palavras ‘alma livre’ gravadas, item que o fez reconhecer Jack na festa de máscaras:

— Foi só por isso — admitiu murmurando. — Imaginei que o que passamos seria apenas mais uma decepção da minha vida... Uma ilusão — e Fran foi abraçado, acolhido contra o peito do mais velho. — Diz a resposta para mim, Jack. Acha que temos chance?

E o aperto se afrouxou, Jack mudou a expressão.

— Algum problema? — Francis perguntou apreensivo, estranhando aquela reação.

— Fran... — Jack falou em tom equilibrado, o soltou e se afastou um passo sem olha-lo —... Tem uma coisa.

— Qual? — Jack parou, o olhando nós olhos com uma aflição. — Diz logo! Eu não vou aguentar você fazendo tanto mistério. Diz de uma vez, Jack.

O mais velho não se espantou com aquela reação:

— Eu... não terminei meu ultimo relacionamento — respondeu com uma dificuldade. — Quer dizer, não era bem algo sério ou claro. Eu não estava mais aguentando ele e comecei a deixar de lado, sair e viver minha vida. Não pensei que acharia alguém tão logo...

Ele? Então você tem um namorado?

— Não exatamente. Nunca tivemos algo oficial, era subentendido, sabe? — o mais velho estava levemente angustiado em ter que contar e ver aquela expressão embravecida se acentuando.

— E eu sou ‘o outro’ dessa história?

Jack resistiu ao olhar indignado de Francis por uns segundos, ele não tinha medo da cara, mas não queria vê-lo assim.

— Infelizmente, você é sim. Mas eu quero arrumar isso, Francis. Eu sei que ele também teve e tem outras pessoas.

O coração do unicórnio disparava e se apertava ao mesmo tempo em que ouviu a resposta. Porque as coisas tinham que ser sempre tão complicadas na vida dele? questionou-se e quis sair daquela sala, precisava de ar para não extravasar o desespero e a raiva pela vida que estava tendo.

— Aonde você vai? — Jack o segurou pelo braço, um aperto que doeu, mas era Francis que ia saindo muito bruscamente.

— Eu não sei — disse sincero e atordoado.

— Francis, você tem que saber que eu não gosto mais dessa pessoa. Eu gosto de você... De verdade. E de forma diferente do que eu sentia por esse outro.

Sem ter reação do mais novo, Jack o puxou para o banco da sala, fazendo Francis sentar ao lado dele, e parou de falar, deixando o ambiente se acalmar no silencio. Nisso refletiu sobre sua vida de antes:

Há mais de um ano, mais ou menos no mesmo dia em que Jack soube que era mais gay do que achava que era desde criança, havia se encantado com um colega com roupa grudada no corpo durante um jogo na chuva. Foi a primeira vez que se perdeu em pensamentos, achou o cara realmente gostoso, e quase enlouqueceu durante a partida quando o rapaz sorriu torto para ele ao perceber que estava sendo observando. Eram do mesmo time, do mesmo grupo, se conheciam, mas depois daquilo o corpo alheio era sempre lembrado de forma diferente, gerando sonhos durantes as noites e algumas ideias malucas durante o dia.

Jack já tinha se divertido com alguns beijos inocentes e rápidos com garotos quando criança, mas foi durante os dias que se seguiram que se tornou devasso. Aproximou-se, ficou mais amigo do conhecido e então teve a chance de ficar sozinho com ele; mas foi o colega que o convidou para ir a sua casa. Lá, experimentaram um cigarro para relaxar durante a chuva que cai na cidade, não havia mais ninguém na residência e a monotonia era tudo. Os dois eram iguais nisso, os pais estavam ocupados durante o dia e não tinham mais ninguém, só os amigos. E eles se tornaram o melhor amigo um do outro em apenas algumas semanas.

Foi do nada que o rapaz desafiou Jack a beija-lo. ‘Um toque apenas’, foi o que disse presunçoso e o olhando, e argumentou que para qualquer um aquilo não significaria nada, apenas mais um desafio. Jack cumpriu a proposta desconfiado, achando que se fizesse algo a mais seria vítima de algum bullying depois. Entretanto, depois de selar os lábios do outro e recuar, o cara lhe deu mais: o agarrou. Mais tarde Jack descobrira que ele adorava alguém que o admirasse e o deixasse com o ego alto só pela forma que o olhava. E desde então foi uma bola de neve descendo uma colina branca, corrompendo Jack de muitas formas.

O mais velho olhou para o lado, Francis permanecia sem expressão, refletindo sozinho sobre o novo empecilho.

— Só que ele é meio complicado, Fran — Jack disse. — É muito orgulhoso, possessivo e um pouco bruto. Acho que ainda pensa que sou um brinquedo que ele tem a disposição. Vai ser meio difícil...

— Jack... Está falando do meu irmão?

O mais velho o encarou com um pouco de horror:

— O que? Não, Francis! — repudiou aquilo. — Como imaginou isso? Seu irmão é muito hetero e não dá para gostar dele vendo e sabendo o que ele faz.

Segundo momento de alivio para Francis.

— Então quem é?

— Sam — respondeu, e o unicórnio estreitou o olhar, sem conseguir ligar nome á alguma pessoa. E, mesmo compreendendo que ele não sabia quem era, foi tudo que Jack informou.

O sinal da escola tocou abafado dentro da segunda sala de musica do colégio. Estava na hora de irem para mais uma aula.

— Você resolveria isso, só por mim?

— Eu vou — o moreno sorriu, pondo a mão sobre a do outro que estava no banco e olhando os olhos castanhos como chocolate.

Francis sorriu de volta e se aproximou, tocando a boca na do mais velho com calma antes de aquecer o beijo e aproveitar um pouco melhor os momentos que restavam.

Quando concordaram que deviam ir, Jack parou diante da porta e ser virou mais sério para o unicórnio logo atrás:

— Francis — disse antes de abrir a porta. — Se ver alguém brigando comigo, não se meta está bem? Eu vou sobreviver.

O mais novo o olhou confuso, mas Jack abriu a passagem e saiu, deixando-o sozinho para achar o caminho de sua sala.

Notas finais:

*Retorne para uma consulta de rotina daqui uma semana*
('Mistérios da saúde' foi proposital na nota inicial)

Que isso? Um pouco de depressão, esclarecimento de partes da historias de alguém, um momento e um nome acompanhado de um novo problema...
Porque você lê isso? Até euzinho fico com o coração dolorido depois de escrever e reler na revisão esses capítulos, nossa. Isso não faz bem não :T

O que percebi: muitos nós de desventura nessa historia, e só está surgindo mais. Talvez uma hora, em vez de te-los, vejamos serem superados e 'o lado bom da vida' de Francis surja para você ler.

Obrigado pela atenção. Espero que tenham sentido o capitulo, até um comentário.
[Já disse que aceito indicação de musicas? Então, eu aceito, sim, mesmo que seja só para mim ouvir]

Abraço, inté um próximo!

Off: *-* olha que cara mais fofa desse garoto! : http://68.media.tumblr.com/82d8f487addada24ce12f15bae7cc324/tumblr_inline_ojgwrfzc1p1u86kr9_500.gif