O Truque Da Morte

6 A assombração


Abro os olhos, estou deitada em uma cama macia e com o travesseiro bem afofado. As paredes do quarto estavam pintadas de azul-marinho, deveria ser o quarto dos homens, Tonny deve ter me trazido para cá enquanto dormia.

-Nossa! já acordou? Falou Tonny sorrindo. –Pensei que o sonífero que eu dei iria fazer, mas efeito. E ele deu um leve peteleco em um frasco de vidro vazio.

-Que lugar é esse? Falei meio zonza.

-Aqui é um dos quartos secretos da floresta, os meninos usam esse quarto para prender as meninas indefesas do outro grupo.

-Oh Deus, os grupos, você é do grupo inimigo, quer dizer então que estou presa aqui? Falei assustada.

-É, mas ou menos isso. E Tonny deu um sorriso maléfico.

-Estou com medo, por favor, deixe-me ir, e... E aquele ruivo? Está solto? Fugiu? Gaguejei.

-Eu dei um jeito nele. Falou Tonny.

Tonny saiu andando até uma pequena porta que havia, no minúsculo quarto. –Eu vou da uma olhada lá fora para ver se há outras pessoas do meu grupo.

Não falei nada, apenas encostei a cabeça no travesseiro e esperei Tonny vir com as noticias. A trinca da porta começou a se mexer, alguém estava prestes a me ver no quarto, corro rapidamente para debaixo da cama e ouço vozes de garotos.

-Você não vai acreditar quase que eu pegava uma moreninha hoje, ela estava morrendo de frio. Gargalhadas.

-É o ruivo. Falei, colocando a mão na boca para não ouvirem minha respiração. Sem querer bato em uma garrafa de vinho que havia em baixo da cama.

-Espera, gritou um dos garotos que estava com um ruivo. –Eu ouvi alguma coisa.

-É também ouvi. O meu estomago roncando, não cacei nada hoje de manhã, estou morto de fome. Falou o ruivo. –Vamos.

Depois que os garotos saíram, respirei fundo, antes de sair de baixo da cama. A porta se abre rapidamente, quando já estou com metade do corpo para fora.

-Uma menina! Gritou o rapaz de camisa amarela. Ele deveria ser do grupo de Tonny, mas ficou apavorado demais quando me viu.

-Shiu. Falei. Por favor, me tire daqui. Sussurrei.

-Rapazes, banquete. Gritou o garoto. E uns dez ou quinze meninos apareceram na porta. Rastejei-me rapidamente de volta para baixo da cama, mas um dos meninos puxou meu pé, fazendo com que eu ficasse debaixo de suas pernas.

-Oh, que gracinha, uma pobre menininha, presa, vamos ver, você deve ser aquela que foi vista nua no lago certo?

Comecei a chorar. Alguém me levantou por trás, fazendo com que minhas mãos ficassem presas debaixo do meu pescoço.

-Mas ela esta tão sozinha, ninguém perceberia se fizéssemos algo com ela, certo? Falou um garoto loiro e alto.

Empurrei o garoto da frente, e chutei por trás fazendo uma dor enorme nas partes do garoto alto e loiro. Saio correndo empurrando os garotos à frente, eram varias armadilhas pela frente, mas consegui escapar. Até chegar a uma parte da floresta que estava coberta pelo nevoeiro. Os meninos pararam de me perseguir. Entrei floresta adentro, sem saber onde estava indo, nem sinal de Tonny, pelo jeito ele deve ter me esquecido no quarto. Comecei a correr quando tropeço em algo, levanto limpo meu joelho e vejo que foi em um caixão. Eu deveria esta no meio de um cemitério, mas porque teria um caixão fora do buraco? Eles deveriam esta enterrando alguém, andei um pouco, mas devagar, olhando se não havia um buraco, pois se eu caísse ninguém me acharia.

-Catarinne? Sussurrou alguém.

-Danilo? É você? Falei alto.

-Catarinne. Danilo me abraçou forte. -Achei que eu não iria, mas te ver.

Danilo nunca falaria uma coisa dessas, ele estava com raiva de mim, e também uma hora dessas, ele estaria caçando em sua área, não em território restrito, e Danilo era um medroso, ele nunca entraria em um cemitério sombrio.

-Você não é Danilo. Sussurrei olhando para os braços que me envolviam.

-Então você percebeu. E uma gargalhada maldosa apareceu de uma voz roca.

Sai correndo com o joelho arrebentado do tropeção, fui parar no meu território, chorei de alegria ao ver a cabana das meninas. Eu devo esta ficando maluca, vendo Danilo, gargalhadas, vozes? Não. Eu estou apenas assustada. Corri para a cabana, me agarrei amo meu travesseiro, e me debulhei em lágrimas.