O Trono de Gelo e Fogo
6 A Busca
Notas iniciais

— Pela Patrulha. —Wick atacou Jon com a adaga mais uma vez. Desta vez, Jon agarrou seu braço e o curvou para trás, até ele soltar a arma. O intendente já estava dando alguns passos para trás com os braços erguidos em sinal de rendição, havia uma gritaria generalizada e Jon sacou Garralonga e desenhou uma meia lua da esquerda para a direita no ar, o aço cortou o braço direito e o pescoço de Wick.
— Motim! Motim! — Jon gritou o mais alto que pôde olhando para todos os lados onde os homens estavam brigando entre socos, machadadas e tudo que tivessem a mão. Após ter olhado para todos os lados viu alguns rostos familiares na sua frente entre eles estava Bowen Marsh com seus olhos úmidos e sua barba acinzentada.
— Pela Patrulha. — Enfiou uma adaga na barriga de Jon e a deixou lá. Snow rangeu os dentes e deu um soco direto no queixo de Marsh que cambaleou para trás e antes que pudesse se recompor Jon caiu por cima dele, agarrou o cabo da adaga que estava em sua barriga e a cravou na testa de Bowen enquanto gritava de dor e ódio.
— Fantasma! — Gritou e rolou para um lado no chão coberto de neve desviando de um ataque que vinha de suas costas, levantou a espada bem na virilha de seu agressor, Jon reconheceu Kedge Olho-Branco. Ele se virou gruindo porque sentiu alguém esbarrar em suas costas e viu o rosto de Pyp e Grenn pedindo calma com as mãos levantadas. Não demorou muito para que alguém investisse contra Snow novamente, Jon aparou um golpe com sua espada Pyp e Grenn lutavam a seu lado cada um, virado em direção de um canto, ficando de costas um para o outro em um círculo defensivo. Pyp soltou um gruindo quando foi atingido no braço, mas Grenn o salvou da morte, enterrando a sua espada no peito de Barricas. Os amotinados da Patrulha da Noite estavam cercando Grenn, Pyp e o Senhor Comandante, quando o gigante Wun Wun pegou uma viga de madeira de mais ou menos dez metros de comprimento e a usou como taco de rebater, ele a balançou para a esquerda e muitos patrulheiros foram lançados contra a muralha.
— Fantasma! — Voltou a gritar. — Motim! Motim!
— Você o prendeu em seu quarto... seu idiota! — Disse-lhe Grenn com o rosto tão vermelho quanto seu cabelo ruivo.
— Vamos morrer. — Sussurrou Pyp.
Alguém no meio da algazarra gritou: peguem esses traidores! Os três se prepararam para lutar, Jon se sentia nauseado por causa do ferimento na barriga. Metade dos homens tentava conter o gigante e um selvagem foi esmagado na tentativa, os amotinados estavam perdendo a coragem quando viram mais homens se juntarem ao Senhor Comandante foi ai que em um rompante os grupos se chocaram e o barulho de aço contra aço tomou conta do ar. Gritos, xingamentos e maldições eram ouvidos de ambos os lados, Jon Snow rodopiou fazendo um círculo defensivo com Garralonga, ele aparou três golpes, escolheu um alvo e o atacou com golpes verticais até levar seu oponente ao chão. Jon reconheceu Lark, ele rolou para o lado quando Snow tentou estocá-lo com a ponta da sua espada, em seguida se levantou para aparar um golpe de um martelo de combate desferido por Jeren, os recrutas Rast e Cugen também estavam ao lado de Jon na luta. Snow procurou Alliser Thorne no meio daquela tempestade de corvos negros e selvagens, Jon avistou Albett com uma pá na mão desferindo golpes contra a cabeça de Dareon que gritava por ajuda.
— Bastardo! — Alguém gritou. Jon se virou cortando couro, músculos e ossos do antebraço direito de um patrulheiro que segurava uma adaga para apunhalá-lo.
— Jon, reagrupe — disse Elron o loiro de cabelos curtos, fazendo sinal com a mão livre.
Jon deu alguns passos para trás para se juntar a seu grupo, nisso Wun Weg Wun Dar Wun balançou sua viga de madeira e alguns corpos caíram entre o grupo de Snow e os amotinados.
— Fogo! Fogo! — Gritos vindos de perto da fogueira do pátio.
Jon Snow olhou ao longe em busca de algo e o que viu foi de assustar qualquer homem nos Sete Reinos. Uma bola de fogo cruzou o céu um pouco acima de suas cabeças. Gritos ecoaram de detrás dos patrulheiros amotinados, todos pararam de lutar para olhar aquilo, viram alguns corpos pegando fogo no chão enquanto dois caminhavam de um lado para o outro se debatendo tentando sem sucesso apagar as chamas vermelhas. Maldita feiticeira! Alguém gritou.
— Melisandre — a voz de Jon saiu aliviada.
— Graças aos deuses — disse Pyp tirando uma mecha de cabelo preto da frente dos olhos.
A mulher vermelha, como era conhecida. Estava parada perto da fogueira do pátio, mais alta que a maioria dos homens toda vestida de seda e rendas finas segurando fogo nas mãos... aquilo foi o suficiente para fazer os homens estancarem os ataques. O fogo não consumia sua pele pálida.
— Parem em nome de R’hllor. — Ordenou Melisandre com uma voz firme. Atrás dela estavam Sor Davos e uns tantos homens da guarda da Rainha Selyse.
— Este homem não pode ser morto por vocês —, ela começou a andar em direção a Jon Snow que ainda brandia Garralonga a sua frente.
— Abaixem as espadas! — Exclamou Davos. — Agora!
A visão de Jon começou a embaçar, ele levou a mão esquerda até o ferimento na barriga e sentiu o sangue jorrar quente quando ele a pressionou, Melisandre já estava na sua frente quando ele caiu de joelhos na neve.
— Não se preocupe, vou cuidar de você. — A mulher vermelha estendeu a mão para segurar Jon, mas ele caiu com os olhos fechados. Sentiu frio e dormência nas pernas, vozes falavam bem ao longe.
Jon despertou em seu quarto, olhou em volta e viu que o ambiente era estranhamente familiar, ele vestiu suas roupas, estava sentindo falta de algo, mas não sabia dizer ao certo o que era. Ele começou a descer a escada da torre e se deparou em um pátio onde alguns garotos treinavam com espadas de madeira, risos e claps se misturavam. Jon correu para a torre quebrada e começou a subir os degraus sujos e quebrados aqui e ali, preciso achá-la. Pensou, onde ela está? Quando estava quase chegando ao topo da torre ouviu o choro de uma menina.
— Quem está aí? — Jon perguntou. — Quem está aí em cima?
Jon estava desarmado.
— Jon é você? — disse uma voz rouca e feminina. — Jon aqui!
Jon terminou de subir a escada e olhou em volta no escuro e conseguiu ver um cabelo ruivo perto do chão empoeirado, não dava para ver quem era no escuro e ele se aproximou mais.
— Calma eu te achei. — Ele disse colocando a mão no ombro da garota.
— Jon, salve-me. — Sansa olhou diretamente nos olhos de seu meio-irmão.
Tudo estava muito confuso para Jon, aquilo parecia algo que acontecera no passado. Ele percebeu que o pé esquerdo de Sansa estava inchado, ele passou os dedos sobre o local e ela gemeu com o toque dele.
— Venha, segure-se em mim. — Jon colocou os braços de Sansa envolta de si e a ergueu em seus braços, ela sorriu e limpou as lágrimas dos olhos azuis. Começaram a descer as escadas devagar.
— Estava com tanto medo Jon. — Ela sussurrou perto do pescoço dele.
— Estávamos todos te procurando — respondeu ele.
— Ainda bem que você me achou querido Jon. — Sansa levantou o rosto para olhá-lo nos olhos.
— Tudo bem, já acabou —, Jon disse sorrindo. — Algum dia um heroico cavaleiro te levará nos braços para o alto de sua torre.
Cada vez que descia um degrau parecia que o caminho ficava ainda mais escuro.
— Eu prefiro que você me leve para a escuridão de Winterfell. Para a escuridão dentro de você. — Jon olhou para Sansa pensativo com o que ela lhe disse, ficaram parados no meio da escada por um tempo até que ela o beijou. Ele pensou em fugir, não, não podemos. Jon pensou, lutando para resistir à vontade que tinha de continuar a beijar sua meia-irmã, por fim ele se afastou gritando:
— Não, não Sansa! — Snow acordou gritando e arfando em seus aposentos em Castelo Negro.
Ele olhou em volta e voltou a se deitar estava todo molhado de suor e com dor na barriga onde havia um curativo, o fogo estava auto na pequena lareira e Fantasma estava deitado ali perto. Jon havia sonhado com Sansa Stark, ele não sabia qual era seu paradeiro, se estava viva ou morta. Ele queria ter esperança.
— Senhor Comandante — uma voz veio da cabeceira da cama. Jon não conseguia ver quem era. — Vejo que está a plena força.
Melisandre saiu de detrás da cabeceira da cama e apareceu totalmente nua na frente de Jon que ficou olhando embasbacado por um tempo.
— R’hllor o salvou.
— O que está fazendo? — finalmente Jon tirou os olhos do corpo de Melisandre.
— Curá-lo foi um árduo trabalho, então tomei a liberdade de me banhar. — Ela respondeu.
— Minha Senhora, acon... — ele não chegou a terminar a pergunta.
— Acalme-se Senhor Comandante. — Sentou-se na cama e olhou-o como se estivesse examinando. — Não fizemos nada que venhamos a nos arrepender.
— O que quer dizer? — Jon questionou olhando para o curativo. — Senhora?
— Descanse um pouco mais. — Melisandre levantou o rosto de Snow para olhá-lo nos olhos. Os olhos vermelhos da mulher eram estranhamente cativantes e ele a encarou por um tempo que parecia infinito.
— Vou descansar — ele se acomodou nas almofadas. — Os homens? — Jon se lembrou do motim.
— Acalme-se — a mulher colocou as duas mãos no peito de Jon. — Sor Davos e os homens da rainha estão mantendo-os sob controle. Os rebeldes já foram identificados e presos.
— Pyp e Grenn... Rory, Jeren, Rast e Albett...
— Estão bem, foram medicados e já voltaram a seus afazeres. — Respondeu Melisandre.
— Quanto tempo estive dormindo?
— Psiu! — Melisandre colocou um dedo na frente da boca. — Descanse agora Jon Snow, pois à noite é escura e cheia de terror.
A mulher vermelha se levantou e começou a andar de uma forma muito sensual em direção ao fogo. Jon reparou em como Melisandre era alta e sua pele alva contrastava com seu cabelo vermelho-sangue.
— Fantasma — chamou Jon —, aqui.
O lobo gigante se levantou e foi até a cama, Snow afagou o animal atrás das orelhas, Fantasma lambeu a sua mão. Melisandre já estava sentada em uma poltrona perto da lareira olhando para Jon com um sorriso nos lábios, estralou os dedos e Fantasma foi até ela. Traidor! Pensou Jon. Ele não deixou de comparar os olhos da mulher com os olhos do lobo, ambos vermelhos, ambos vivazes e aterrorizantes.
Os aposentos do Senhor Comandante ficavam na Torre do Rei, era o antigo quarto do falecido Jeor Mormont. A torre era feita de pedras negras com vigas de olmo, o cômodo era dividido em duas partes, a primeira era uma sala com uma mesa quadrada de madeira tão escura quanto as das vigas. Havia também alguns bancos nos cantos das paredes, e um corredor estreito de pedra que dava para a porta do quarto onde Jon Snow descansava. O quarto tinha uma banheira de cobre, cama, duas poltronas perto da lareira e uma grande janela que dava vista para o sul de onde em dias claros podia-se ver Vila Toupeira. Era o melhor quarto de Castelo Negro, mantido assim para que na eventual visita de um rei, o mesmo tivesse onde pernoitar. Jon estava acordado, mas manteve os olhos fechados constrangido com a presença de Melisandre no seu quarto, ele estava coberto por grosas peles e mesmo assim sentia frio, já a sacerdotisa parecia não se importar sentada observando as chamas da lareira sem usar nada para cobrir-lhe o corpo. Snow se perguntou, por quanto tempo ela iria ficar ali, e se estava montando guarda para que ninguém tentasse matá-lo novamente. Afinal ninguém ousaria entrar no quarto com a lareira acesa, depois do que aconteceu no pátio, ninguém queria ser assado como uma costela de carneiro pela umbromante de Asshai. Jon relaxou e adormeceu, a escuridão o envolveu e ele deu-se por si com a cabeça aos pés de Melisandre que dormia tranquilamente na poltrona. Levantou-se e caminhou até a porta farejando o ar, aranhou a madeira e alguém a abriu era Halder, que saiu de sua frente em um salto assustado. Começou a descer os degraus da Torre do Rei e no fim quando chegou à porta viu dois guardas da Senhora Selyse que o olharam assustados e saíram de seu caminho. Sentiu a neve embaixo de suas patas e começou a correr, mais e mais para o sul em direção as montanhas da Mata de Lobos. Já tinha feito isso antes estava com fome e sabia onde encontrar sua presa, farejou o ar e seguiu entre as árvores-sentinelas sempre em silêncio. Avistou um coelho e fixou seus olhos vermelhos nele, o vento lhe trazia um odor familiar, tudo estava vivo na floresta, alguma coisa dizia que aquilo tudo não passava de um sonho. Jon já estava com sua presa entre suas patas e sentindo o gosto de sangue fresco na boca, aquilo era revigorante. Jon Snow! Posso entrar Jon! Alguém o chamava e ele se apressou pelo caminho de volta. Acordou gruindo alto em seu quarto.
— Jon! — A voz era abafada. — Jon! Jon!
Snow se levantou, sentiu dor no abdômen o curativo havia sido removido e no local onde fora apunhalado estava uma cicatriz. Não poderia ser não se passou tanto tempo assim para que a ferida cicatrizasse. Jon olhou em volta à procura de Melisandre e de Fantasma, nenhum dos dois estava no quarto. Ele viu sua espada do seu lado da cama e a pegou.
— Entre — ordenou Jon.
— Está tudo bem? Ouvi um barulho. — Disse Halder só com a cabeça aparecendo na porta.
— Halder! — Exclamou Jon.
— Nossa você quase me matou de susto seu bastardo. — Halder entrou no quarto e olhou em volta para checar o ambiente —, está tudo limpo por aqui.
— Quanto tempo você está aí na porta? — Jon quis saber.
— Estamos revezando há três dias, Pyp e Grenn virão daqui a pouco para a troca. — Halder bocejou e sacou um odre de vinho tomando um gole rápido.
— Três dias? — Snow não imaginava que era tanto.
— A mulher vermelha estava aí dentro com você — Halder olhou para Jon com um sorriso de troça nos lábios que insinuava algo a mais.
— Onde ela está agora?
— Não sei, ela saiu logo depois de Fantasma, aquele lobo maldito. Ele aranhou a porta quando abri saltou para fora como um louco e desceu a escada. Não pude detê-lo.
— Fantasma volta quando tiver que voltar. — Jon se sentiu tonto e se apoiou na parede.
— Jon! — Halder lhe ergueu pelo braço e o conduziu de volta a cama. — Deite-se aí, não deve se esforçar.
— Traga-me vinho — disse Jon.
O irmão construtor da patrulha foi até o aparador que ficava ao lado da lareira e pegou uma jarra e derramou o líquido em uma taça e o entregou em mãos. Ao fazer isso Halder olhou para a barriga do Senhor Comandante e se surpreendeu ao ver a ferida cicatrizada. Jon percebeu o olhar assustado dele e se cobriu para esconder seu ventre.
— Estou pensando aqui, você e a mulher vermelha andaram aprontando nessa cama.
— Halder, o que eu te disse sobre pensar? — Jon bebeu um longo gole de vinho.
Halder era construtor, fazia reparos na muralha e em qualquer outro lugar de Castelo Negro onde eram requisitados seus serviços. Ele havia chegado a Patrulha dois dias depois do alistamento de Jon.
— E aí você vai contar ou não?
— Não aconteceu nada.
— Pyp e Sapo disseram que ouviram você soltando gritinhos no meio da noite —, Halder apontou-lhe um dedo e sorriu.
Na verdade Jon não sabia o que realmente aconteceu enquanto esteve apagado, ele viu a sacerdotisa do Senhor da Luz nua em seu quarto, mas fora isso, não se lembrava de nenhum corpo a corpo com a mulher.
— Você poderia ser mais útil e me dizer como estão às coisas lá em baixo. — Jon ficou sério, sabia que se não deixasse sua voz mais áspera, Halder iria levar tudo como uma grande brincadeira. — E então Halder, quem está no comando?
— Sor Alliser foda-se Thorne — disse Halder passando a mão na barba rala. Ele bebeu mais vinho e soltou um longo e sonoro suspiro. — Algo errado?
— Não — Jon fez um bico com os lábios e franziu as sobrancelhas olhando para o fogo na lareira, não o vi lutando em nenhum dos dois lados no motim. Jon pensava em qual lado estava seu Primeiro Patrulheiro, Ele lembrava-se que a maioria dos que o atacaram eram veteranos da Patrulha da Noite havia alguns novatos no grupo também, mais a maioria eram de homens que já habitavam Castelo Negro há muito tempo. — E sobre Tormund alguma notícia? — Snow perguntou.
— Houve desentendimento entre o selvagem e Sor Alliser, Tormund saiu à procura de homens para irem até Winterfell resgatar Mance. — Halder se levantou e começou a ir em direção a porta. — Aquele maldito Ramsey. Os homens estão preocupados com aquela mensagem. — Halder falava da carta que Ramsey Bolton escreveu com o título “Bastardo”, que Jon Snow leu no Salão dos Escudos momentos antes do motim. A mensagem dizia que Stannis e seu exército haviam sido dizimados, Mance capturado, exigia que Jon entregasse a Rainha Selyse a Princesa Shireen a Senhora Melisandre e a noiva de Ramsey e seu Fedor. Com isso, Jon presumira que Arya teria fugido de Winterfell, e o bastardo Bolton achava que ela estava na Muralha. Se for assim, Jon teria que mandar um grupo de busca à procura de sua irmã e encontrá-la antes que Ramsey o fizesse.
— Nós não sabemos até que ponto o conteúdo da carta é verdadeiro Halder. — Disse Jon. Mas eu sei que é. Melisandre me contara sua visão nas chamas. Uma menina cinzenta fugindo, só pode ser sobre Arya, tenho que ter esperança de que ela está viva.
— Se precisar, estou lá fora —, Halder fez um aceno com a mão e desapareceu passando pela porta do quarto.
Snow se deitou de lado na cama e começou a pensar em como Arya estaria sofrendo, o lamento de Arya. Foi assim que Jon ouviu. O relator disse que o choro da menina podia ser ouvido por toda Winterfell, pensar nisso fez os olhos dele ficarem úmidos. Não podia deixar sua irmã entregue a agonia e ao sofrimento, iria encontrá-la custe o que custar. Talvez a senhora Melisandre poderia achar Arya, ele pensou. Levantou da cama e se vestiu com sua calça e camisa de ráfia, três grossas blusas e mais uma calça de lã, suas botas de montar e uma chaps de couro, uma camisa longa de cota de malha de aço que lhe cobria do pescoço até os joelhos e até os pulsos, por último seu gibão de couro e o manto de zibelina com pelo de urso nos ombros e as luvas de couro de toupeira todo o seu vestuário era negro. Atou Garralonga a cintura e saiu pela porta a passos largos. Pyp e Grenn o seguiram imediatamente.
— O que estão fazendo? — questionou Jon
— Te seguindo — disse Pyp fungando o seu grande nariz.
— Onde for nós iremos Lorde Comandante — completou Grenn.
Snow limitou-se a olhá-los.
— Reúna vinte homens — disse Jon descendo os degraus a passos rápidos. — Preciso de dois grupos de busca. — Jon sabia que o tempo estava contra ele se fosse mesmo verdade que o exército de Stannis havia sido derrotado, os homens de Bolton já deveriam está à procura de Arya. — Se ele a capturar irá torturá-la e mutilá-la. — Ele pensou. — Pyp mande selar os cavalos, vamos fazer uma busca. — Jon passou pelos guardas que ficavam a porta da torre e chegou ao pátio, avistou Alliser Thorne e fez um sinal com a mão para que ele se aproximasse.
— Onde estão os amotinados?
— Nas celas de gelo. — A voz de Sor Alliser saiu ríspida como sempre. — Senhor Comandante se me permite dizer, o que o senhor está fazendo lhe trará muitos problemas. — Thorne caminhava ao lado de Jon.
— Eu já disse e vou reiterar ninguém é obrigado a me seguir. — Jon percebeu que a mão direita de Alliser estava sobre o cabo da espada. — Que venha! Se eu não matar o Ramsey Snow, ele virá até aqui levará Selyse, Melisandre e Shireen e mais dois prisioneiros que ele julga estarem aqui em Castelo Negro, mas não estão. — Concluiu Jon.
Jon Avistou um grupo dos cavaleiros da rainha que conversavam em frente à casa de forja.
— Sor Benethon! — Jon chamou de longe. O homem limitou-se a olhá-lo. — Onde está a Senhora Melisandre? — começou a andar em direção a forja.
O homem da guarda da rainha deu de ombros, Jon sabia que eles não saiam de perto da Rainha Selyse, porque ela tinha medo dos selvagens e com a algazarra que houve na noite do motim parecia que os homens estavam mais vigilantes até mesmo com os Corvos da Muralha.
— Certifique-se que a princesa e a rainha estejam a salvo e em segredo. — Snow sussurrou as palavras perto do ouvido de Benethon. — Suspeito que alguns traidores ainda estejam à solta. Os rumores sobre a derrota de Stannis devem ser confirmados, mais alguns julgam verdade aquilo que o bastardo Bolton escreveu na carta.
— A Senhora Selyse não para de rezar a R’hllor, ela fica em frente à lareira e quando lhe dirigimos a palavra de seus lábios só sai àquela ladainha de Asshai. — Sor Benethon fixou os olhos em Alliser Thorne. — Você confia naquele homem?
— Em todo o Westeros eu confio em dois homens, um deles sou eu mesmo e o outro não está mais entre nós. Tomem cuidado com o que bebem e com o que comem. — Jon se virou para ver Grenn passando em direção aos estábulos com um bando de sete a dez irmãos da Patrulha, eram menos do que ele pedira, mas iria servir. Os homens da rainha se retiraram e foram para perto de sua senhora. Jon ouviu a plataforma descendo, um ranger de correntes tomou conta do ar ao olhar para cima ele viu a mulher vermelha em destaque dentro da gaiola de madeira escura. Teve que esperar um bom tempo até que Melisandre Chegasse ao chão, ela desceu com seu vestido de cetim esvoaçando na brisa, Jon se aproximou e deu-lhe um braço para que ela se apoiasse nele.
— Preciso que me diga onde poderei encontrar minha querida irmã? — começou Jon. Andando em direção a uma cela que ele usava como sala reservada no pé da Torre do Rei.
— A sua querida ou a de seus sonhos? — a sacerdotisa sorriu.
— Arya pode está em perigo e Sans... — Jon não teve tempo de falar porque Melisandre colocou um dedo em frente de sua boca. Ele parou de caminhar para observá-la.
— Não, vamos desejar que não. — Ela continuou a caminhada puxando-o pelo braço.
— Vou fazer uma busca por sobreviventes da batalha, na carta dizia que minha irmã estava desaparecida. — Disse Jon. — Como ela sabe que sonhei com Sansa? — Pensou, mas no fundo ele sabia que os olhos vermelhos de Melisandre eram como fogo que consume a carne dos homens e deixavam nuas as suas almas. — Diga-me Senhora, suas visões não dizem mais nada?
— R’hllor tem seus próprios planos Lorde Comandante e não se importa com as pessoas que estão fora de seus desígnios. — Melisandre fitou Jon nos olhos. — Se o senhor fizer um sacrifício quem sabe o Senhor da Luz não o responda.
Jon não sabia o tipo de sacrifício que R’hllor pediria, mas a ideia lhe deu um arrepio na espinha. Eles entraram na sala do Senhor Comandante e Jon despiu-se de seu manto de zibelina e sentou-se em sua cadeira atrás da pesada mesa de carvalho, a sala era pequena, mas bem aconchegante com uma pequena lareira e uma estreita janela.
— E então, como faço isso? — Jon perguntou hesitante.
Melisandre andou de um lado para o outro.
— O sangue real é valioso para o Deus da Luz.
Jon não entendeu aquilo, mas antes de perguntar qual ou de quem seria o sangue, Melisandre sentou-se em seu colo com as pernas abertas e Jon sentiu todo o calor que ela possuía no corpo.
— O que está fazendo Senhora?
— O que deve ser feito — ela disse enquanto deixava os seios fartos amostra e pegava a mão de Jon e a colocava sobre seu mamilo. — Essa é a vontade do Senhor da Luz.
— Eu não posso, sabe disso. Fiz um juramento.
— Você quer encontrar sua irmã ou não? — a voz de Melisandre era quase um sussurro que subia quente pelo pescoço de Jon. — Você tem o poder dentro de você, use-o.
— Eu não p ... — Antes que Jon terminasse sua boca foi parada pelos lábios de Melisandre. — Já chega, eu amava outra. — Disse depois de se livrar do beijo.
— Amava? — a palavra saiu como uma música dos lábios vermelhos de Melisandre.
— Sim, e ainda amo. — Jon falou.
— Nunca amou aquela selvagem, ela era apenas um pálido reflexo do seu verdadeiro amor.
Jon achou estranho a sacerdotisa mencionar aquela selvagem por que ele nunca havia falado sobre Ygritte para ela.
— Não é ela que ocupa seus sonhos. — Disse Melisandre.
— Eu sei. — Jon agarrou as mãos da mulher vermelha com força. Já era a segunda vez que ela tentava algo com ele, e Jon estava preparado para aquela situação. — Mesmo assim eu não posso fazer isso.
Melisandre sorriu e se levantou.
— Qual a sua ideia então Lorde Comandante? — ela disse as palavras como se estivesse contando uma piada.
— É sangue que precisa? Aqui está. — Jon colocou um punhal no seu próprio pulso, mas não o cortou.
Melisandre o olhou com uma expressão de desapontamento no rosto.
— Que seja. — Ela pegou o punhal e abriu um corte no pulso de Jon e parou a mão dele sobre o fogo da lareira. As gotas de sangue começaram a cair e a fazer barulho quando o fogo as lambia. A mulher vermelha fixou os olhos nas chamas e ficou assim por um bom tempo.
— O que viu? — Jon perguntou enquanto fazia um curativo com uma tira de seda em seu próprio braço.
Melisandre continuou em silêncio, Jon estava impaciente e a segurou pelos braços com força.
— Diga-me logo o que viu mulher — Jon sussurrou. Ele percebeu que os olhos da sacerdotisa estavam vazios e seu rosto catatônico. — Melisandre, desperte. — Jon percebeu que o colo da mulher começou a subir e a descer bem rápido.
— Eu vi nas chamas — ela começou a falar arfando. — Ela está presa em uma gaiola no alto da montanha. — Melisandre se sentou em um banco de carvalho para recompor-se.
— Não pode ser — disse Jon sem entender nada. — Ramsey a capturou?
— Você não sabe nada Jon Snow.
Ele olhou para a mulher de Asshai boquiaberto. Feiticeira, pensou. Porém Jon não podia se dar ao luxo de escolher em quem ou no que acreditar, o fato era que sua irmã corria graves perigos.
— Eu preciso ir resgatá-la imediatamente.
— Não! — Melisandre exclamou como se desse uma ordem. Levantou-se segurou as mãos de Jon — Em quem você está pensando? — os olhos vermelhos capturaram a luz das chamas da lareira e Snow desviou o rosto. — Responda Lorde Comandante, diga-me tudo. — Melisandre sentiu a confusão dentro do homem, um misto de sentimentos honra, dever e amor. — A garota que fugiu de Winterfell não é sua irmã, eles estão a caminho da Muralha.
— Obrigado Senhora — Jon fez uma reverência e se dirigiu a porta.
— Siga a costa da Baía de Gelo — disse Melisandre.
Não era necessário falar aquilo, Snow sabia que uma vez em fuga ninguém cônscio de seus perseguidores seguiria a Estrada do Rei até a Muralha ou se aventuraria pelas Colinas Solitárias sabendo que o Forte do Pavor está nas proximidades.
— Jon —, era Grenn — consegui quatorze irmãos para a busca. — Grenn acompanhou Snow.
— Muito bem Grenn. — Jon ainda calçava suas luvas de couro o corte no braço esquerdo incomodava. Ele entrou nos estábulos e se dirigiu a sua montaria, os rapazes fizeram um círculo em volta dele.
— Rory, Jeren, Rast, Elron e Pyp seguirão comigo pela Baía de Gelo, os outros seguirão Grenn pela estrada até Lago Longo — Jon colocou uma mão no ombro de Cugen —, chequem Vila Toupeira e depois do lago entrem na floresta.
— Se encontrarmos com os homens de Bolton? — inquiriu Grenn passando a mão na barba arruivada.
— Não lutem, fujam — disse Snow. — Temos que confirmar se realmente Stannis foi derrotado e localizar fugitivos de Winterfell um deles e uma garota de pele clara cabelos castanhos e olhos cinza chamada Arya. Jon sabia que a menina que fugiu não era Arya, mas com certeza se ela se dirigia a Muralha iria se identificar como sendo sua irmã.
— Espero que haja lugar para mais um nesta missão? — Sor Davos apareceu na porta do estábulo. — Se o Rei Stannis estiver vivo, vou encontrá-lo.
— Seria bem-vindo a se juntar a nós Sor. — Jon respondeu.
— Meu cavalo já está selado, quando partimos?
— Agora mesmo. — Jon já estava montado sobre a égua cinzenta. Ao saírem pelos portões de Castelo Negro, Jon não deixou de notar Alliser Thorne que o olhava com desaprovação.
Era fim de tarde quando o grupo alcançou as montanhas, o grupo de Grenn seguiu para a esquerda para Vila Toupeira, Jon Snow, Sor Davos e companhia seguiram ladeando a longa cadeia de montanhas até a Baía de Gelo a pleno galope. Quando avistou o mar uma forte brisa gelada soprava contra seus rostos e Jon diminuiu o passo de sua égua.
— Rory, urso na bruma. — Disse-lhe Jon.
Rory apertou os calcanhares em seu cavalo e embrenhou-se na mata das montanhas ele levava um corno de aviso atado à cintura para soprar caso encontrasse algo. Urso na bruma era um código para que ele procurasse um lugar com visão privilegiada e visualizasse o caminho à frente para verificar se não havia perigos para o grupo de busca. Davos se assustava com os barulhos vindos da floresta, animais selvagens corujas da noite, corvos e lobos cantavam seus lamentos nas noites frias do Norte.
— O que foi isso? Uma tempestade se aproxima. — Disse Davos.
— Não Sor, é o penhasco do trovão. — Jon apontou um dedo para frente e percebeu que o velho cavaleiro apertou os olhos para tentar enxergar. O nome foi dado pelo povo da Ilha dos Ursos por que quando a maré subia as ondas furiosas se chocavam com a montanha fazendo um barulho de trovão. — Se mantermos o passo chegaremos as bordas da Mata de Lobos em meia hora. — Eles já estavam cavalgando a duas horas.
— Lorde Comandante — Elron se aproximou apontando para o meio das árvores.
Jon assobiou e Fantasma saiu do meio da floresta aos saltos e os cavalos se assustaram menos a sua égua.
— Fantasma aqui. — Jon saltou da sela, ele viu que o lobo tinha algo entre os dentes.
— O que foi Jon? — questionou Rast.
— É uma orla... — Jon cheirou o tecido. — A orla de um manto de lã branca. Esta fedendo a urina e ainda está quente. — Jon saltou para cima da égua. — Vamos Fantasma irá nos guiar.
Os rapazes se entreolharam, mas não tiveram tempo de decidir Jon já estava seguindo o lobo branco por entre as árvores e eles não tiveram opção a não ser entrarem na floresta também.
— Acha que estão por perto?
— Sim, águia chame o urso na bruma. — Jon parou. — Rast... — Jon apontou uma árvore.
Rast ficou em pé em cima do seu cavalo e em seguida saltou para um galho e começou a subir em um pinheiro alto, uma vez na copa da árvore soltou dois assobios agudos muito parecidos com o grito de uma águia.
— O que ele está fazendo Senhor Comandante? — Davos estava agitado em cima de seu cavalo.
— Calma, estamos nos aproximado de algo ou alguém.
— Ainda estamos longe da Mata de Lobos — disse Pyp.
— Estamos no meio das montanhas, idiota — disse Rast de cima da árvore. — E vamos logo com isso, está um frio dos Outros aqui em cima.
— Silêncio! — Jon exclamou.
Fantasma levantou o focinho farejando o ar, era Rory vindo pelo caminho que o grupo pretendia seguir.
— Não vi nada à nossa frente Comandante.
— Vamos com Fantasma. — Jon fez sinal para o seu lobo que continuou o caminho pelo meio das montanhas.
Eles andaram um bom pedaço do caminho dentro da floresta até passarem o penhasco do trovão e chegarem ao local onde a Mata de Lobos se encontrava com a Baía de Gelo. Jon Snow sabia que estavam muito próximos de Winterfell e pediu mais cautela ao grupo que lhe seguia. Fantasma farejava o ar parando aqui e ali, mudando a direção seguindo contra a forte brisa gelada, os irmãos da Patrulha tinham escondido seus rostos do frio atrás de grossas lãs negras. Davos amaldiçoava os Sete por não ter nada a não ser o capuz de sua velha capa para lhe proteger a cabeça. A floresta estava mais quieta naquele trecho e Davos não conseguia ver nada a não ser sombras e alguns olhos brilhantes aqui e ali em cima de galhos ou dentro de tocas incrustadas nas árvores.
— Parem aqui. — Jon fez um sinal com a mão enluvada. Ele desceu da sua montaria, os outros também desmontaram. — Vamos a pé, os cavalos podem denunciar nossa posição.
Eles começaram a se espalhar formando um perímetro em formato de meia lua, Rast fez um sinal apontando para frente e começou a se deslocar abaixando-se em um arbusto, Elron e Pyp seguiram pelo meio a passos lentos enquanto Jeren ficou tomando conta dos cavalos. Jon seguiu pelo flanco esquerdo com Fantasma, Rory e Davos Seaworth que tinha dificuldade em se mover por entre os densos arbustos da Mata de Lobos.
— Sentiu isso? — disse Jon.
Seaworth deu de ombros.
— Cheiro de peixe assado, a fumaça no ar.
— Uma fogueira. — Davos fez um movimento para sacar a espada.
— Não... — Jon colocou a mão sobre o botão da espada do cavaleiro impedindo o saque. — Veja estão em três e um parece ser uma garota.
— Selvagens?
Jon Snow começou a rastejar pela neve até ficar bem próximo do seu alvo, olhou para o lado para avistar Elron e Pyp, soltou um assobio curto e baixo fez sinal com a mão para que eles avançassem. Jon viu Rast passando quase dando a volta completa bloqueando totalmente a fuga das três pessoas que estavam acampando naquela clareira. Todos estavam em suas posições e Jon fez um sinal com a cabeça para Pyp e Elron se prepararem para o ataque, Elron fez um sinal para Rast que estava na ponta direita. A luz da fogueira iluminava o ambiente e os irmãos da Patrulha saltaram para dentro da clareira. A garota vestida com uma esfarrapada capa de Lã branca gritou e os dois homens se levantaram, um deles empurrou Pyp que caiu para trás, mas ao mesmo tempo Elron o empurrou com o ombro e o homem gordo cambaleou Rast apareceu a sua direita e lhe acertou um chute frontal no estômago o homem gruiu de dor quando caiu por cima da mulher que estava com ele. Jon reconheceu Sor Justin Massey, o outro homem que estava com eles ficou agachado e com medo de todos os outros.
— Perdoe meus homens Sor — Snow estendeu a mão para que o gordo Sor Justin a pegasse.
— Pelos deuses, pensei que eram espíritos da floresta — disse Justin com as bochechas rosadas pelo esforço.
O outro homem balbuciava alguma coisa que Jon não conseguia entender e isso o irritou. Ele foi até o homem e ergueu-o.
— Já chega! — Exclamou Jon.
— Não me machuquem, não corte meus pés senhor! — Disse o homem com as mãos na frente do rosto. — N... não senhor... — Tentou falar o homem.
— Maldito Theon, Theon Greyjoy... é você? Ainda está vivo seu bastardo. — Snow esmurrou o rosto de Theon três vezes. O jovem caiu com as nádegas no chão.
— Não Theon, Fedor meu Lorde.
— Lorde Stannis o mandou para você junto com sua irmã, veja. — Disse-lhe Sor Justin colocando a mão no ombro de Jon para abrandar a fúria do Senhor Comandante.
— O que? Diga onde está minha irmã? — Jon disse isso olhando a menina que estava sendo rendida por Rast que a segurava pelos braços. — Arya... É você? — Snow se aproximou para checar o rosto da menina e a pegou pelo queixo. — Não você não é ela, quem é essa Theon? Responda? Sor Justin, quem é essa garota? — Jon ficou impaciente e deu um soco no estômago de Theon. — Vamos seu maldito. Fedor foi o nome que Ramsey citou na carta.
— Não... me, me, m, bata mais... por favor. Não machuque Fedor. — Disse Theon com medo nos olhos.
— Eu não entendo Snow, ela disse que era sua irmã — Justin não compreendera aquela situação.
— Me desculpe Sor Justin, mas ela não é a Arya. — Jon disse as palavras entre os dentes. — Theon é Fedor e estava com Ramsey em Winterfell pensou Snow.
— Jon, vamos levá-los para a Muralha — disse Rory.
— Esse sujeito está fazendo muito barulho senhores. Chamara a atenção de todos que estão nos arredores. — Completou Sor Davos.
— Quem é você? — questionou Pyp. — Anda benzinho ninguém aqui te quer mal.
A menina se limitou a chorar, agora os homens perceberam que ela não teria mais que uns dezesseis anos.
— Vamos levá-los para Castelo Negro. — Ordenou Jon.
Um barulho surdo cortou o ar e Rast gruiu, quando ele se virou Jon viu que tinha sido atingido por uma flecha na parte posterior do ombro. Rast empurrou a garota para o chão e caiu em cima dela.
— Maldito — Rast rangeu entre dentes.
Todos se abaixaram e Jon segurou Theon pelas vestes.
— Ataque —, Jon olhou para Fantasma que em seguida saiu aos saltos para um arbusto. — Se tentar escapar eu faço meu lobo comer seu pau. — Jon sorriu nervosamente para Theon. Mais barulhos de flechas cruzaram o ar.
Um soldado usando um elmo com abas largas e uma touca de malha de metal, gibão de couro cozido com um brasão de um homem esfolado em uma cruz saltou sobre eles. Homens de Bolton, Jon Pensou. Sacou Garralonga e aparou um golpe, em seguida rolou no chão para se livrar de uma flecha. Elron e Sor Justin arremeteram contra o soldado e o feriram na cabeça.
— Rast você está bem?
— Sim, vai Rory vai! — Disse Rast rastejando para se encostar a uma árvore grossa. — Jon...
— Lorde Comandante ali na frente — Davos apontou entre uma coluna de árvores onde três tochas iluminavam três elmos, os arqueiros estavam ali.
— Rory e Fantasma estão dando a volta, vá com Pyp e Justin levem a garota. — Disse Jon.
Mais dois homens pularam na clareira armados com machados de combate, gritando e rodando o aço em suas mãos a esmo. Elron se esquivou para a direita e depois para trás, aparou dois golpes e depois atingiu o braço de seu oponente fazendo o homem gritar. Corvos! Em seguida o esguicho de sangue pintou a neve.
— Maldito — Snow atacou seu adversário que usava cota de malha e elmo. O soldado Bolton aparou o golpe com o cabo do machado e em seguida rodou a arma tentando acertar a perna de Jon que saltou como um gato por cima da lamina. Jon ouviu um rosnado e um homem gritou perto das tochas, Fantasma estava mastigando seu braço enquanto Rory caía sobre os outros dois arqueiros de espada na mão cortando dois braços esquerdos com um só golpe.
Jon Snow ainda estava naquela dança com seu oponente, o homem levantou o machado em uma investida, Jon saltou para frente com a guarda baixa o machado desceu em direção de sua cabeça mais no último instante Snow parou o movimento de todo o seu corpo e rodopiou em volta de si mesmo, o machado acertou a neve e Jon pisou em cima da mão enluvada do soldado e depois desferiu uma estocada que atingiu o ombro direito do homem que caiu para trás gruindo de dor. Não vai morrer, só quis feri-lo. Pensou Jon satisfeito, correu em direção as tochas, Elron estava enfiando sua espada na barriga de um arqueiro e o lobo gigante despedaçava a traqueia de outro.
— Onde está Rory? — Jon quis saber.
— Foi até Jeren checar se Pyp chegou lá com a garota.
— Vamos logo tem um ferido na clareira.
Eles voltaram para a clareira, o soldado rastejava no chão arfando e sangrando. Elron pisou nas costas do homem que gemeu de dor.
— Quantos são? — questionou Elron.
— S ... eis — arfou e cuspiu sangue.
— Quem estava perseguindo? — Jon quis saber.
— A noiva de Lorde Bolton.
— Onde está Stannis Baratheon? — continuou Snow.
O soldado começou a tossir sem parar.
— Onde?
— Não... sei, ele... não foi contado entre os mortos. Seu corvo maldito!
Jon pegou o machado e cortou a cabeça do soldado, pegou Theon e correram para chegar até Jeren e os cavalos, Sor Davos já estava montado e a garota estava na sua garupa. Amarraram cordas em Theon e Jeren o amarrou a sua sela. Sobrou para Rast dividir a montaria com Sor Justin que era gordo e desajeitado, mas devido ao ferimento da flecha Rast não poderia guiar seu cavalo pelas montanhas com total segurança.
— Iremos nos atrasar — disse Jeren.
— Temos que levá-los — respondeu Jon.
— Será que vamos topar com mais soldados por aí?
— Não Rory — respondeu Elron fazendo uma careta. — Estamos ao lado da casa dos vermes, o que você acha?
— Cale essa sua boca desdentada. — Disse Rory.
O Lorde Comandante e seu grupo de busca saíram da Mata de Lobos a pleno galope até alcançarem o penhasco do trovão, em seguida diminuíram o trote e seguiram mais calmamente para que os cavalos de Rast, Jeren e Davos não se cansassem devido ao peso extra que carregavam. A neve se acumulava na trilha e mesmo mantendo uma marcha lenta os cavalos se esforçavam a cada passo, Jon ouvia os gemidos da garota na sela de Davos Seaworth. Não dava para ver mais que alguns metros à frente e o vento chicoteava furioso, Jon preferira seguir pela costa, era o caminho com menos obstáculos até Castelo Negro. Após um longo tempo o grupo chegou à segunda curva das montanhas, dali em diante o caminho ficava mais ameno e Jon deu ordem para acelerarem o passo mais uma vez, passaram por entre as montanhas e avistaram mesmo que com dificuldade as tochas nas janelas de Torre Sombria o poderoso castelo que guarnecia a esquerda da grande Muralha, mas não podiam parar ali, a garota gemia de frio e Jon Snow temeu pelo pior. Eles pararam e Pyp tirou a pele que ficava embaixo de sua sela e cobriu a garota para que ela aguentasse chegar até Castelo Negro. Quando avistaram os portões Jon já estava com gelo nos pelos das sobrancelhas e um pouco no cabelo escuro e dormência nos dedos das mãos. Alguns irmãos da Patrulha andavam pela amurada feita de madeira, e fogo crepitava nas torres que guarneciam o portão negro. O pátio estava um alvoroço de homens indo e vindo e a fogueira estava queimando alta e vermelha. Eles desmontaram e Jon pediu a Sor Justin que levasse notícias de Stannis para a rainha, em seguida foi com Pyp levar a garota e Rast para o quarto de doentes para serem tratados, Elron e Jeren levaram Greyjoy para uma cela de gelo. Jon estava cansado da busca e foi para seus aposentos tirou toda a sua indumentária negra pegou um jarro de vinho Da Árvore se sentou na poltrona perto da lareira e começou a beber. Quem era aquela garota? Jon encheu mais uma taça e bebeu tudo em um só gole, por que ela dizia ser Arya? Fantasma esfregou a grande cabeça nas pernas de Snow, algumas horas mais tarde, foi até a grande mesa no outro cômodo de seu quarto sentou-se e começou a ler algumas mensagens.
— Lorde Comandante — a porta se abriu de repente.
— Fale Grenn — disse Jon enquanto colocava alguns grãos para o corvo de Mormont.
— Fizemos o percurso pela estrada a caminho de Lago Longo — Grenn puxou um banco de carvalho e sentou-se. — Procuramos pela tal garota na margem da floresta, vi vários soldados por lá também.
— Nós achamos a garota — Jon serviu um pouco de vinho para Grenn. “Achamos” crocitou o corvo negro de Mormont saltando para cima da mesa e começou a beliscar os grãos “achamos”. — E matamos alguns soldados na floresta.
— Eu não tive problemas na estrada, só frio.
— Vou dormir um pouco e depois interrogarei os cativos. — Jon se levantou e foi em direção de seu quarto — Fique de guarda aqui hoje. “Guarda” grasnou o corvo voando para as madeiras do teto da torre.
Grenn pegou um archote e acendeu todas as tochas da sala para aquecer o ambiente, sentou-se em um banco e passou o resto da longa noite ali.
O inverno havia chegado e não se via grande diferença entre noite e dia e os homens da Patrulha tentavam manter seus horários, exceto pelo meio do dia onde em dias muito bons não havia nevasca e alguns raios de sol passavam pelas densas nuvens. O dia era tranquilo com suas idas e vindas, a noite era cautelosa e cheia de medo dos Outros, aqueles que vinham do norte desconhecido para lá do fim do mundo. Muitas mensagens chegavam de postos avançados para lá da Muralha, a mesa de Jon Snow estava repleta de pequenos pergaminhos enrolados e pequenos rolos de papel. Alguns patrulheiros que se arriscavam em buscas ou socorrer aos que estavam do outro lado estavam desaparecidos ou mortos, ninguém sabia dizer. O fato era que quanto mais homens a Patrulha perdia mais aumentava o número de Caminhantes Brancos e fora o fogo e Garralonga a espada feita de aço valiriano nenhuma outra arma era capaz de detê-los. Samwell Tarly disse uma vez que matou um dos Outros usando vidro de dragão, mas para conseguir uma quantidade significativa um patrulheiro teria que se aventurar até o Punho dos Primeiros Homens onde segundo o relato de Sam havia muitas pedras de obsidiana.
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