O Tratado
1 Problemas na madrugada
- Millo! Ei, Millo – alguém gritava enquanto socava a porta. – Millo, seu filho da mãe, abre a droga da porta!
O barulho vindo da porta de entrada do andar de baixo acordou Millo. Ele se levantou sonolento, com seu cabelo castanho escuro bagunçado e caindo por cima dos olhos. Olhou para o relógio e viu que 4:23am brilhava em vermelho. Ele coçou os olhos, pegou uma regata branca e vestiu para poder descer as escadas e abrir a porta.
- Droga Jeremy, o que você quer?– perguntou Millo, bocejando.
- Exatamente – respondeu o intruso: um homem mais velho, louro e com um olhar alucinado.
- Quem te disse pra vir aqui?
- Qual é, Millo? Eu tenho o dinheiro.
Millo virou de costas e bateu a porta na cara de Jeremy, que começou a chutar a porta.
- Eu tenho dinheiro, seu desgraçado! Volta aqui.
Já no seu quarto, Millo gritou pela janela:
- Cai fora, Jeremy. Está tarde e eu acho que nem eu nem você queremos que os vizinhos chamem a policia.
- Vai se ferrar... Eu acordo seus vizinhos se eu quiser. Abra a droga da porta!
Millo deitou a cabeça no travesseiro e tentou abafar o som de Jeremy gritando para a porta fechada. Sabia que era questão de tempo até ouvir a polícia chegar. Não demorou mais de vinte minutos até ele escutar um policial abordar Jeremy.
- Ei, amigo, algum problema aqui?
Tocaram a campainha. Millo desceu as escadas devagar e abriu a porta vestido apenas com uma calça de moletom cinza e a regata. Um policial o encarava enquanto o seu parceiro controlava Jeremy.
- Posso ajudar? – perguntou Millo com sono.
- Aquele senhor ali diz que você é amigo dele. Pode confirmar isso? – O policial indicou Jeremy com a cabeça. Seu olhar se deteve na tatuagem de um tigre asiático que Millo tinha no antebraço.
- Nunca o vi na vida – mentiu.
- Então você não é o Millo Helders?
- Sim, sou eu, mas eu não conheço aquele cara.
- Você está me dizendo que aquele homem ali decidiu bater na sua porta, acordar seus vizinhos gritando seu nome, mas você não sabe quem ele é? – O policial estava começando a ficar cinico. – Você pode me mostrar a sua identidade?
Millo pegou a carteira e entregou a carteira de identidade e de motorista ao policial. Bateu a cabeça várias vezes no batente da porta de leve enquanto esperava o policial checar seu nome no computador.
- Senhor Helders, você se importaria se nós o revistássemos? – perguntou o policial chamando o seu parceiro.
- Posso saber porquê?
- O senhor tem ficha criminal.
- Então você sabe que eu não vou deixar você me revistar sem um mandado. – O policial o encarou por alguns segundos. – Saca só, oficial. São quase cinco da manhã, esse babaca apareceu na minha porta, eu estou começando em um novo emprego amanhã e eu preciso de pelo menos mais uma hora de sono. Então será que não dá pra gente deixar isso para lá e você levar o idiota para longe daqui?
O policial pensou sobre isso seriamente, trocando olhares com o parceiro.
- Tenha uma boa noite sr. Helders.
Eles botaram Jeremy na parte de trás da viatura e foram embora, ligando a sirene. Millo respirou aliviado com a sua sorte.
Mesmo assim não conseguiu dormir o resto da madrugada, e já estava pronto para sair antes mesmo do despertador tocar às 6:30am.
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