O Traidor

9 - O véu da tristeza


Os pequenos barcos navegavam lentamente pelo imenso mar de Serdin.

- Eles já se foram... — Disse Ryan, exausto.
- Por pouco... Achei que morreríamos todos... — Vociferou Lire, ao lado de Ryan.
- Eles queimaram boa parte da floresta! — Gritou Amy, furiosa.

Arme expressava o mais profundo arrependimento.

- As pessoas... — Disse a mesma, cabisbaixa.
- Entendo seu remorso, Arme. — Disse Elesis. — Mas tenho certeza de que os inocentes não são seu alvo príncipal.
- Eu sei, mas... — Arme não prosseguiu, lágrimas caíam de seu rosto. — O reino fora destruído...
- Por quê eles atacaram tão súbitamente? E aquele desgraçado do Dio! — Disse Ronan, furioso.
- Quando eu me encontrar com ele... — Dizia Jin.
- Você não fará nada. — Interrompeu Elesis. — Ele já está sofrendo o bastante, eu posso sentir!

A incompreensão rasgava as mentes dos mesmos e na falha tentativa de encontrar uma resposta. - Uma curiosidade... Onde estamos indo? — Indagou Mari, atônita.
- Estamos indo para Xênia. — Respondeu Elesis, olhando para a floresta destruída.
- Xênia? Por quê?
- As terras foram purificadas por nós e possuímos uma protetora.
- Veneze... — Vociferou Ryan, cansado.
- Isso mesmo. — Afirmou Lire, próxima à Ryan.
- O mal não pode pisar nas terras purificadas... — Prosseguiu Lass.
- Vocês pretendem ir até Xênia nesses barcos ridículos?! — Indagou Amy, sorrindo sarcásticamente e vergonhosamente.
- Não podemos viajar com a ajuda mágica de Arme, seria muitíssimo perigoso e detectável! - Detectável? — Perguntou Amy, com o dedo no rosto.
- Se arrependimento matasse... Já perdemos as contas das inúmeras vezes que conseguiram nos encontrar! — Disse Elesis, sorrindo. Arme estava quieta em seu canto, tentando não chorar, Lass foi até ela. - Ei... Não fique assim... — Vociferou o rapaz, olhando para os olhos de Arme. — Tudo irá melhorar...

A mesma ergueu seu rosto e contemplou a face pálida de Lass, ofuscada pelo escaldante brilho do sol.
Lass sorria para a mesma. - Vai demorar muito... — Bocejou Amy.
- Sugiro que tentem dormir, alternaremos em turnos. — Disse Ronan.
- Turnos?
- Exato!

Amy chateou-se e tentou dormir, o mais rápido possível. Xênia havia conhecido a paz, após à bem sucedida expedição da GC três anos atrás.
O exótico, selvagem e misterioso reinava novamente, seus povos ainda eram devotos aos deuses, os mesmos haviam sido purificados pelos membros da GC.
Os nativos e povos da região contemplavam os heróis da caçada, carinhosamente apelidando-os de reis enviados por uma força maior. Os anciões do local esperavam fervorosamente o retorno dos reis. - Que saudades daquela época... — Balbuciou Amy, recordando-se de quando era uma garotinha. Os outros conseguiram sentir a nostalgia de Amy, seus olhos olhavam para o lindíssimo mar, Jin também recordou-se da Ordem prateada. Os outros haviam dormido, exceto Sieg e Jin que estavam remando os barcos. - Ei cara, vamos pedir para que eles remem um pouco... — Balbuciu Jin, exausto. Já era de tarde, os dois estavam muito cansados. - Concordo, vamos acordá-los. Os barcos estavam um perto do outro, quase colados. - Ei, Mari... Acorde, por favor... — Balbuciou Jin, lutando para que seus olhos não fechassem. - Uh... Olá, o quê foi? — Perguntou Mari, acordando.
- Vamos trocar, por favor...
- Sim, claro. Jin deitou-se e Mari continuava seu trabalho, remando. - Ronan, levante-se. — Disse Sieg.
- Minha vez? — Balbuciou Ronan, despertando.
- Sim...

Ronan levantou-se rápidamente. Os olhos de Jin estavam vermelhos como seu cabelo, cansadíssimos. ~ Dio olhava incansávelmente aquela velha foto, lamentava-se silenciosamente.
O castelo fora dominado pelos assassinos, tomado pelo caos.

- Eles estão indo para Xênia. — Revelou Cazeaje. — Certamente passaram pela Ilha Eruel, a velha moradia da arqueira.

Duel estava sentado em um dos tronos, Cazeaje mostrava um mapa da região.
O mesmo estava pensativo e distante. ~ O luar resplandecia seus olhares, havia anoitecido.
Lire remava um barco e Elesis o outro, Jin e Ronan haviam trocado.
Ronan não estava dormindo, o mesmo conversava com Elesis. - Não entendo... Nosso companheiro nos traiu tão friamente. — Dizia o mesmo.
- Sabe, aquelas palavras me intrigaram. — Disse Elesis, pensando.
- Quais palavras? — Indagou Ronan.
- Eu não sou culpado... — Recitou Elesis. — Eu senti o sofrimento dele, mas não entendo...
- Cazeaje retornou, milhares de assassinos surgiram súbitamente... — Vociferou Lire, seus olhos verdes brilhavam na escuridão da noite. Os outros dois não responderam.

- Olhem! — Lire aponta para uma pequena ilha.

Os outros dois contemplaram a pequena e imponente ilha, a lendária Ilha Eruel. Os olhos de Lire brilharam de felicidade.
- Vamos descer! — Disse Elesis, parando o barco na margem.
- Acordem, chegamos! — Dizia Lire, feliz.

Os outros acordaram.

- Já estamos em Xênia? — Perguntou Amy, com os olhos semi-abertos.
- Chegamos em minha terra! — Disse Lire, sorrindo.
- Estamos na tão famosa Ilha Eruel? — Disse Ryan.
- Sim!

Os olhos de Ryan arderam de felicidade, finalmente ele conheceria o tão belo e lendário lugar citado inúmeras vezes por Lire. - Escondam os barcos! — Ordenou Elesis.
- Imediatamente, senhorita. — Brincou Ronan, puxando o barco para perto de umas palmeiras. Um ponto rosa brilhava incansávelmente perto das árvores.

- Vejam, uma fada! — Exclamou Amy. — Que lindinha!

Amy brincava com a mesma, a fada ria com Amy.

- Que linda! — Disse Jin, sorrindo.
- A fada? — Perguntou Sieg, irônico. - Não... — Balbuciou Jin, envergonhado.
- Parem, vamos procurar comida. — Disse Elesis, adentrando-se na cintilante floresta. A ilha possuia árvores que brilhavam fortemente nas mais diversas cores, fadas eram fácilmente vistas.
Lass pegou algumas frutas, Amy brincava com a pequenina fada enquanto os outros buscavam por mais. - Senhorita, por favor, podia nos levar até a aldeia Sel? — Clamou Lire.
- Mas é claro, rainha! — Exclamou a fada, lutando para conseguir falar em alto e bom tom. - Rainha? Tá poderosa! — Brincou Amy. Os outros riram da inútil brincadeira de Amy, a fada os guiava até a antiga aldeia de Lire. Após caminhar por alguns longos minutos, avistando muitas criaturas exóticas, eles chegam na Aldeia.
Nostalgia bateu forte no coração de Lire, felicitando-a, seus olhos se encheram de lágrimas.
- Olhem, a estátua Nes ainda está aqui! — Disse a mesma. — Meu deus, as árvores também estão aqui! A garota foi até a formosa estátua, um elfo empunhando um imponente arco, montado em um grande leão, passando levemente a mão na mesma, Lire sorriu. Um pequeno grupo de elfos orava em círculo.
Lire foi até eles, ajudando Ryan a caminhar.
O grupo imediatamente esboçaram sorrisos após verem a garota. - Laita, papai. — Disse a mesma, esboçando um longo e felicíssimo sorriso.
Seu pai, ao ver a filha crescida levantou-se e a abraçou forte e calorosamente, o mesmo não acreditava no que estava vendo, sua garotinha já era uma linda mulher

- Laita, filha! Como você está linda! — Disse o mesmo, com lágrimas de felicidade caindo de seus olhos. — Você cresceu tanto nesses últimos quatro anos!

O grupo da GC tentava não chorar, Ryan era exceção.
- Lire, eu esperava por esse momento, seu retorno... — Disse o homem, enxugando suas lágrimas com seu braço. - Eu não aguentava mais esperar também, papai... Eu precisava te ver. — Respondeu Lire. Os dois mantiveram-se abraçados. - O quê a traz aqui, minha filha? — Perguntou o mesmo, emocionado. O fervoroso sorriso no rosto de Lire desapareceu, a mesma se calou. - Estamos fugindo... — Balbuciou a jovem. - Fugindo? — Perguntou seu pai, preocupado. - Nosso reino foi dominado por... por nossos inimigos... — Respondeu Lire, chorando. - Não chore, querida... — Vociferou o homem, beijando o rosto de sua filha. - Eles dominaram nosso reino bem embaixo de nós, não tivemos chance... — Soluçou Lire. - Acalme-se, você está bem, é o que importa. — Disse ele, segurando-a em seus braços. O homem rápidamente observou o grupo de jovens que a acompanhava. - Minha filha, quem é esse formoso rapaz que você estava ajudando? — Perguntou seu pai. - Papai, quero que conheça Ryan, ele é... é... um grande amigo! — Lire se enrolou.
- Não acho... — Amy cochichou para Arme.

Lire ouviu o pequeno desvio de Amy e disse :

- E esses são meus companheiros da GC! — Disse a mesma.
- É uma honra colossal ter o prazer de recebê-los em nossa ilha! — Exclamou.
- É um prazer conhecê-lo também, senhor! — Disse Elesis. — Sua filha fala muito bem do senhor!
- Nunca pensava em ver minha garotinha sendo uma heroína... — Balbuciou o mesmo, orgulhoso. — Você não imagina meu orgulho! Lire quase chorou, conseguiu se segurar. O pai de Lire abriu um gigantesco sorriso e a abraçou novamente.
~

Um sombrio elfo de cabelos negros levantou-se. - Rótis, precisamos contar-lhes. — Disse o misterioso elfo.
- Mórtis, por favor, não... — Disse Rótis, o pai de Lire.
Mórtis foi até os membros e os cumprimentou brevemente. Os membros da caçada ficaram atônitos, o quê ele pretendia contar? - Nos contar o quê? — Perguntou Jin, ansioso.

Mórtis respirou fundo. - Algumas semanas atrás, meu irmão Espus, recebeu o chamado da morte. — Disse o mesmo, com uma grave expressão de tristeza em seu rosto. — Um chamado da rainha da escuridão que, pensávamos que vocês haviam matado. Sieg demonstrou uma expressão culpada e vociferou : - Seu irmão está morto.
- Morto? É aquele elfo que você mesmo matou? Nos escombros? — Perguntou Lire, espantada.
Sieg ficou em silêncio. - Estou ciente, imortal. E queria agradecê-lo por isso, após ver a escuridão queimando em seu nobre coração, eu não o considerava mais um irmão. Elesis ficou chocada, demonstrando uma expressão de remorso. - Por favor, livrem nosso mundo desse caos que está nos ameaçando... — Súplicou Mórtis, esboçando fraqueza.
- Sentimos muito... — Vociferou Lire, triste.
Rótis a abraçava fervorosamente. - Nós ofereceremos à vocês uma pequena hospitalidade. — Disse Mórtis, ainda com aquela expressão em sua face.

Os heróis felicitaram-se.

- Venham! Levarei vocês até lá! — Disse Rótis.
Rótis os levou até uma grande construção no meio da aldeia, a maior.

- É bem bonita, não? — Disse o mesmo, sorrindo. - É muito linda, papai! — Respondeu Lire. - Obrigado pela hospitalidade, senhor Rótis! — Agradeceu Ronan. - Vocês mereciam muito mais!
Amy estava quase caindo, estava exausta. - Filhinha, vocês precisam descansa logo! Amy já está ficando cansada! — Disse Rótis, feliz. Amy esfregou seus olhos e perguntou : - Senhor, como sabe meu nome? - Senhorita Amy, vocês são muito famosos por aqui, quase reis! — Dizia o mesmo. — Espere por toda a aldeia os conhecerem!
Amy esboçou um grande e feliz sorriso. - Amanhã nos vemos, uma boa noite à todos! — Disse Rótis, partindo. - Seu pai é muito gentil, Lire! — Disse Mari.

Lire olhou para a brilhante lua e respondeu :
- Pois é, meu pai... — Suspirou a mesma, com um sorriso entreaberto.

Amy se jogou na primeira cama que viu, no total eram 13 camas.
Era possível ouvir as pequeninas fadas se comunicando em sua língua, pequeninos ruídos vindos da magnífica floresta cintilante.
Lire ajudou Ryan à se deitar em uma cama ao lado de Amy, que já estava com seus olhos fechados.
Ronan e Elesis deitaram-se um ao lado do outro, sorrindo. Arme deitou-se e reparou que uma cama estava vazia, Lass não estava lá.
O rapaz observava o negro céu com seus olhos azuis. - O quê está fazendo, Lass? — Perguntou Arme, colocando seus olhos no rapaz.
- Não estou com sono, pode ir dormir, eu vigiarei. — Respondeu o rapaz, atento. Arme abriu um meigo sorriso e deitou-se novamente. - Então você retornou. — Pensou o rapaz, com um leve sentimento de medo em sua mente. Elesis e Ronan conversavam em um tom muito baixo, quase que imperceptível. O rapaz encostado no batente da porta, de braços cruzados conseguia ouvir alguns elfos conversando em sua linguagem.
Tudo estava calmo até então. Lass observava Arme dormindo, seu rosto meigo e indefeso acalmava o atônito rapaz, seus olhos estavam distantes, esperando e tentando adivinhar o que aconteceria à partir dali. O rapaz começou a demonstrar cansaço, ele sabia que tudo estava tranqüilo, o mesmo se deita, seus olhos se fecham.

~ Arme abre seus lindos olhos roxos e percebe que sua respiração foi parada por algo, algo que ela julgava ser familiar, ela não tentou se soltar. Era Lass, abraçando-a para que sua respiração não os denunciasse. - Então você está me dizendo que eles não vieram aqui? É isso, bicho? — Disse uma voz rouca e peculiar.
- Não, eu estou falando a verdade. — Respondeu outra voz, atônita e expressando medo. - Abre esse teu olho, Aramanto! Eles estão mentindo! — Palpitou outra voz. — Nós mesmos encontramos os barcos! - Nós juramos, os barcos pertencem à nossos familiares! O grupo dos dez jovens espiava o grupo de assassinos que misteriosamente invadiram a ilha, espantosamente. Jin estava suando, sua expressão era de extremo terror e medo, cada passo os denunciaria. Lire estava atônita, ela queria defender sua antiga casa mas também queria que todos saíssem vivos dali. Todos estavam escondidos embaixo da pequena janela, esperando por uma brecha para poderem escapar. Arme rápidamente percebeu o terror nos olhares de seus companheiros, ela tinha que levá-los para algum lugar seguro. A mesma calmamente tirou as mãos de Lass de sua boca e vociferou no mais baixo tom possível : - Vamos tentar sair por aquela janela, não façam barulho! Os outros não falaram nada, apenas concordaram e fizeram sinal com suas mãos. Caminhando calmamente e atentamente, os jovens queriam chegar o mais rápido possível na outra janela, agachados o mais próximo possível do chão. A expressão no rosto de Amy era de pura concentração, o menor dos passos falsos acarretaria na morte de todos. - Se você não estiver falando a verdade, nós vamos ter que por um fim nessa ilhinha! - Disse Benvól, em um tom de fúria. Lire parou súbitamente, Ryan a segurava, eles tinham que andar depressa. - Vamos, Lire! — Grunhia o rapaz. Ao ouvir as cruéis palavras de Benvól, uma tristeza rasgou seu peito, mas a mesma continuou. - Por favor, acredite em nós. — Dizia Lávus, um elfo que expressava terror em sua voz. Os jovens conseguem chegar na janela que proporcionaria sua fuga. - Vamos, você primeiro, Amy. — Vociferou Elesis. - O-ok... — Balbuciou Amy, aterrorizada. Amy saltou a janela rápidamente e agachou-se, evitando os menores ruídos possíveis. Ryan saltou a janela lentamente com a ajuda dos outros, apoiado por Amy. Do outro lado da casa, os pacíficos elfos negociavam seu destino. Os outros saltaram a janela e foram andando lentamente até a imensidão da floresta, para encontrarem seus barcos. - Por favor, não façam barulho. — Murmurou Elesis, em pânico. O grupo caminhava calma e atentamente pela floresta, clamando para não fazerem barulho. - Acho melhor irmos embora, já estou acreditando que não tem ninguém aqui, bicho! — Disse Aramanto. - Vai cair nessa, seu otário? — Provocou Benvól. - Vá se foder, seu merda! — Gritou Aramanto. Lávus e Rótis avistaram o grupo de heróis deixando o local calmamente enquanto os dois brigavam, Lire olhou seu pai, pois sabia que aquela podia ser a última vez. - Parem de brigar, seus inúteis! — Gritou Sadie. - Vá se foder você também! — Disse Aramanto, novamente. Uma lágrima cai dos olhos de Rótis, enquanto sua filha deixava o local. - Adeus, minha filha... — Vociferou o mesmo. Os três assassinos ouviram o mesmo. - Tá chorando por quê? — Perguntou Benvól, rindo. - Não é nada... — Respondeu Rótis, limpando suas lágrimas. - Dá pra responder? — Disse Sadie, segurando o rosto de Rótis. Ele não respondeu. - Ele guarda algo, cortem-lhe o pescoço. — Disse Benvól, rindo. Cortem-lhe o pescoço, Lire não hesitou, correu o mais rápido que suas pernas permitiam e seus passos faziam um barulho arrasador. - Vocês não vão encostar essas suas mãos sujas nele! — Gritou Lire, furiosa. Lire revelou sua posição para salvar seu pai. - Não te disse? Eles nos enganaram, vamos matar essa daqui e depois botamos fogo na aldeia! — Disse Benvól, estudando Lire com seus olhos. A jovem retirou de seu cinto uma flecha com a ponta prateada e não hesitou em atirar em Benvól, novamente. - Não caio nessa denovo, sua maldita! — Disse o mesmo, correndo na direção de Lire. A flecha fincou em seu espesso peito e se quebrou em três curtos pedaços. - Peguem-na. — Ordenou Benvól, apontando para a mesma. Os outros dois assassinos correram até a mesma, que esquivava com muita dificuldade de seus poderosos ataques. Benvól se aproveitou da distração proporcionada pelos outros e conseguiu derrubar Lire, desferindo um soco em suas costas. Lire estava caída, estatelada no brilhante gramado. A mesma conseguia sentir seus cabelos sendo puxados cruélmente pelas gigantes e brutais mãos de Benvól, quase sendo arrancados de sua cabeça, provocando uma dor excruciante na jovem. - Que patética, vadiazinha! — Dizia Aramanto, observando-a. Lire gritava de dor, seus cabelos lentamente arrancados. - Sadie, faça-a falar. — Disse Benvól, puxando cada vez mais. Sadie revela um punhal dourado escondido em suas vestes, Lire entrou em pânico. - Vamos, queridinha! Onde estão seus companheiros?! — Perguntava Sadie, agachada com o punhal no pescoço de Lire. - Não! Deixe-a em paz! — Gritou Rótis, correndo na direção de sua filha. — Filha! - Fica quieto aí, bicho! — Exclamou Aramanto, derrubando Rótis. - Vou perguntar mais uma vez, mocinha, onde estão seus companheiros? - Eu não sei! — Respondeu Lire, aterrorizada. - Mentira! — Gritou Benvól. O punhal de Sadie estava quase entrando em seu pescoço, seus gritos ecoavam pela aldeia, os elfos moradores a observavam com o mais profundo medo já demonstrado pelos mesmos. - Mas que porra! Vamos ajudá-la! — Disse Ryan, desesperado. - Não podemos nos precipitar! — Disse Elesis, atônita. — Vamos ter que agir com muita cautela! - Porra, não dá! Não consigo a ver sofrendo! — Exclamou Ryan, furioso. Sadie dava leves cortes na grama para demonstrar o corte de seu punhal. - Pela última vez, queridinha, ONDE ESTÃO SEUS COMPANHEIROS?! — Exclamou Sadie. - Eu não sei, por favor! — Gritava Lire. Sadie cortou levemente o braço de Lire, que lutava para soltar a monstruosa mão de Benvól, pingos de sangue mancham o gramado. A mesma foi forçada à soltar a mão de Benvól, o corte doía muito. Os gritos de Lire rasgavam os tímpanos de seus companheiros. - Grite mais, vadia! — Dizia Sadie, desferindo tapaz no rosto da jovem. Seus companheiros já não conseguiam mais assistir aquela terrível cena.
Benvól cai paralisado, forçado por um feitiço de Arme. Elesis e Ronan correram para socorrer a jovem, que chorava tristemente de dor. - Vejam quem está aqui! — Exclamou Aramanto. — Como vocês são tolos, sacrificando suas vidas para salvar essa daqui, patético. Aramanto passava a mão no rosto de Lire. - Solte-a! — Gritou Elesis. Jin rápidamente desarmou Aramanto para que os dois a salvassem. Sadie estava caída, Sieg estava segurando suas mãos. - Arme, paralise todos! — Gritou Elesis. - Mas é um feitiço muito desgastante para ela! — Retrucou Amy. - Faça, logo! — Exclamou Elesis. Jatos vermelhos bateram com força nos peitos dos assassinos, derrubando-os inconscientes. Os elfos assistiam a ação precipitada mas bem sucedida da caçada. - Rápido, vamos tirá-la daqui! — Disse Arme, exausta. Rótis rápidamente foi até sua filha. - Filha, você está bem?! — Dizia ele, desesperado. Lire não respondeu. - Lire, acorde! — Gritava Ryan. - Droga, o corte no braço dela está sangrando muito! — Disse Mari, segurando o braço da mesma. - Mórtis, por favor! — Clamou Rótis. - O quê houve?! — Perguntou Mórtis, que estava escondido junto de sua família. — O quê são esses corpos? - Por favor, me ajude! — Disse Rótis. - O quê houve com ela?! — Perguntou Mórtis, observando o grave sangramento. - Foram eles, desgraçados! — Respondeu Lass. - Rápido, tirem-na daí! — Pediu Mórtis. Sieg ergueu a jovem e a levou até dentro da moradia de Mórtis. - Estão felizes, seus malditos?! — Gritava Rótis, chutando fortemente o corpo paralisado de Sadie. - Rótis, venha cá! — Clamou Mórtis. — Com que arma eles fizeram tal ferimento? - Com essa aqui. — Disse Mari, entregando o punhal à Rótis. Mórtis observou o punhal usado por Sadie. - Está enferrujado! Ásmus, venha cá! — Gritou Mórtis. Um pequeno elfo de cabelos brancos se aproximou rápidamente. - Cuide dela, foi ferida por uma arma enferrujada! — Disse Mórtis. Ásmus pediu para que todos saíssem dali, para que o mesmo conseguisse se focar no ferimento. Ele ergueu levemente o braço ferido da jovem e atenciosamente estudou o corte, com seus olhos. Lire soluçava de dor, uma aguda e excruciante dor.

O tempo passa, nenhum sinal de Lire ou de Ásmus. Ryan estava atônito, cada segundo era uma eternidade para o rapaz. Arme e Amy tentavam acalmá-lo, sem sucesso. A porta se abre lentamente, Ásmus sai ajudando a jovem, ambos estavam rindo. - Senhorita Lire, se eu não estivesse por perto, você estaria em apuros! — Disse Ásmus, sorrindo. - Obrigada, senhor Ásmus! — Agradeceu Lire. O corte estava coberto por um branquíssimo pano, cuidadosamente tratado por Ásmus. O elfo cuidou minúciosamente do ferimento.
Ryan correu até ela e a abraçou fortemente. - Você está bem? — Perguntou Ryan. - Sim, Ryan! — Vociferou Lire. — Senhor Ásmus é o melhor médico da aldeia! Rótis correu até sua filha e também a abraçou, calorosamente. - Filha, fiquei tão preocupado... — Dizia o mesmo, chorando. - Não se preocupe papai... — Respondeu Lire, nos braços de seu pai.
Os três assassinos estavam caídos no gramado, com olhos inexpressivos. - O quê faremos com esses daí? — Perguntou Lass, encarando Benvól. - Os trancaremos nas masmorras. — Respondeu Mórtis, verificando o pulso de cada um deles. - Onde ficam? — Perguntou Elesis. — É necessário uma proteção extrema. - Estamos cientes disso, espadachim. — Disse Mórtis. - Papai, acho melhor partirmos... Vocês já sofreram demais. — Disse Lire, abraçada com seu pai. - Filha, quando você era apenas uma garotinha, o brilho de seus olhos acalmava todos em sua volta... — Relembrou Rótis. — E é exatamente esse olhar que você está agora.
Lire ficou feliz com a doce lembrança de seu pai. - Vocês não podem ir, serão atacados novamente! — Disse Ásmus. - Não importa, deLsde que vocês estejam salvos... — Murmurou Lire. Ryan sabia que Rótis era muito precioso para Lire, ela ficaria gravemente afetada caso o mesmo morresse. - Obrigado por tudo e desculpem por essa inconveniência... — Disse Elesis, olhando os três assassinos caídos. - Vocês não nos devem desculpas. — Vociferou Mórtis. Lire foi com seu pai para longe dos outros, perto da floresta. - O quê foi, filha? — Perguntou Rótis, curioso. - Papai, quero que você fique com isso... — Respondeu a mesma. A jovem retirou uma flor branca de seu cinto, a flor que a mesma usava em seu cabelo. A flor favorita de Lire, a Gardênia.
Rótis expressou uma imensa felicidade após receber a flor de sua filha, ele sabia o simbolismo que a mesma representava. Ambos se abraçaram novamente. Os outros nove jovens se aproximaram dos dois. - Lire, temos que ir. — Disse Elesis. - Entendo... — Vociferou Lire, observando uma última vez as belíssimas árvores e flores em sua volta. — Adeus, meu pai. - Adeus minha garotinha, como você cresceu... — Disse Rótis, observando os olhos verdes de sua filha. — Sua mãe ficaria tão feliz... Rótis beijou sua filha na bochecha e cumprimentou os outros. - Adeus, lendários guerreiros! — Disse o mesmo. - Adeus! — Gritaram os membros da GC. O grupo começou a caminhar lentamente, para contemplar as belezas exóticas da ilha. - Lire, você entregou à ele? — Perguntou Amy. - Sim. - Ele está ciente de tal ato? — Perguntou Elesis, observando algumas flores ao seu redor. - Não... Estragaria o momento... — Respondeu Lire. - Que ato? — Perguntou Mari, curiosa. - A flor que agora está com o pai de Lire é uma proteção. — Explicou Arme. - Proteção? — Perguntaram os outros, curiosos. - Vocês não acham que eu iria sair daqui sem protegê-los... — Murmurou Lire.
O cabelo de Lire ainda doía, devido à monstruosa força de Benvól.
- Onde deixamos nossos barcos? — Perguntou Arme, com o dedo no rosto. - Eu não me lembro... — Disse Lire. - Eu também não. — Vociferou Ryan. - Era pra eles estarem bem aqui! — Disse Ronan. — Eu os escondi aqui! - Desista então, aqueles caras os destruíram. — Disse Sieg, apontando para uma pilha destruída de madeira. - Merda, como iremos para Xênia? — Perguntou o rapaz. Todos olharam para Arme, que estava distraída observando um pássaro cantando no alto de uma árvore. - Ei, Arme. — Chamou Elesis. — Você não está completamente exausta, está? - Eu... não sei. — Respondeu a mesma. — Aquele feitiço é muito desgastante... - Tente nos levar para ou perto de Xênia. — Palpitou Lass, segurando as frutas que os mesmos pegaram na ilha. - Mas é muito arriscado... Eu estou fraca e ainda pode correr o risco de ter um rastreamento aqui! — Respondeu a garota. — Isso acarretaria em mais problemas para nós! - Entendo... — Vociferou Ryan, junto de Lire. - Mas posso tentar! — Disse a mesma, sorrindo. — Venham até aqui! A garota desenhou um círculo com seu cetro na areia.
- Entrem no círculo! — Disse a mesma. Os jovens se apertaram para conseguirem entrar todos ali, inclusive Arme. - Ai, Jin! Você pisou no meu pé! — Reclamou Amy. - Desculpe... O círculo começou a desaparecer, a visão dos jovens fora distorcida brutalmente, causando náuseas e perda momentânea de visão. O litoral da ilha estava completamente distorcido, as árvores eram borrões e o mar se tornou uma grande mancha. Eles não estavam mais na ilha Eruel, as imponentes e cintilantes árvores foram substituídas por outras, mais secas e sombrias. O sol, que brilhava fortemente agora não estava mais presente. - Vocês estão bem? — Perguntou Arme, caída. — Por favor, digam que sim... - Sim... — Disse Ryan, enjoado. - Onde estamos? — Perguntou Amy, levantando-se. — Aqui não me é estranho... - Essas estátuas. — Observou Elesis. - Meus olhos... — Vociferou Lire, súbitamente cega. - Lire, o quê houve? — Perguntou Ryan, apoiando-se em Ronan. - Não consigo ver... — Disse Lire. - Perda momentânea de visão, um efeito colateral... Como ela está machucada, não se acostumou com a distorção do feitiço. — Análisou Arme. - Quanto tempo? — Perguntou Ryan. - No máximo umas duas horas, foi o tempo máximo que eu já passei! — Disse Arme, examinando o local. A vegetação seca e morta incomodava os jovens, que estavam acostumados com a viva e exuberante vegetação da ilha. - Vejam! Ossos cravados no chão! — Disse Mari. - Acho que me lembro... — Pensou Elesis. - Se lembra? - Já estamos em Xênia. — Disse Elesis. Os jovens viraram-se todos para a ruiva, com uma expressão duvidosa. Lire, que estava temporariamente sem poder enxergar tentou se levantar. - Já estamos em Xênia? Como assim? — Perguntou Amy. - Vocês não se lembram? Olhem em volta! — Exclamou Elesis, dando uma última observada. Arme notou as gigantescas estátuas, os ossos cravados no chão e o ambiente lúgubre. - Estamos na entrada... — Vociferou Arme.