O Traidor

5 - Desespero


Lótus nunca esteve tão aterrorizada, sua respiração estava falhando e seus olhos avermelhados só conseguiam enxergar um vulto negro à sua frente.
Atrás deles, Mephisto assistia a luta sem se preocupar com o que estava prestes à acontecer.

Ela enxugava seu suor com seus braços, que estavam trêmulos e não respondiam totalmente aos movimentos da mesma.

A expressão de Isaac era assustadora, seu rosto estava ensangüentado e seu cabelo embaraçado, seus olhos a encaravam violentamente.


Com um rápido movimento, Isaac salta sobre Lótus e desfere um forte golpe em sua cabeça, que só não é partida ao meio graças a seu espesso capacete vermelho, ela arranca despedaçado capacete e o joga no chão, seus cabelos foram levemente cortados pelo fortíssimo golpe do oponente.

- Ah... O que é você?! – Perguntou Lótus com a mão na cabeça, atordoada.

Isaac ficou em silêncio.

Mephisto assistia tranquilamente ao “espetáculo” a sua frente, admirado com o talento dos dois.
Lótus precisava atacar imediatamente, mas não encontrava uma brecha na defesa de Isaac.

- Você é uma formidável oponente, pena que essa é sua última luta. – Disse Isaac, sério.
- N-não cante vitória, essa luta ainda não acabou! – Disse Lótus, forçando sua vista.
- A luta acabou antes mesmo de começar. – Disse Isaac, correndo em sua direção.

Lótus defende o ataque de Isaac, que acaba cortando uma árvore.
Isaac desvia o olhar para Mephisto, que se levanta rapidamente e tenta acertá-la com seu gigante machado.

O machado de Mephisto derrubava pequenas árvores e plantas fácilmente, Lótus desviava dos ataques até que Isaac pula sobre as costas do gigante homem e desfere um chute em seu rosto, caindo em um pequeno arbusto.

- BOA! – Gritou Mephisto, sorrindo perversamente.

Lótus consegue se levantar e foge dos dois, que a perseguiram até um grande lago.

O lago era imenso, sua cor era esverdeada, pedras de todos os tamanhos preenchiam a margem.
O reflexo da lua iluminava o lago, um espetáculo a parte.

Gramados e terra foram substituídos por pedras brilhantes, ela ouvia os insanos e eufóricos gritos de Mephisto, sua bochecha estava inchada e a dor era insuportável.
A profunda dor do corte no rosto e o chute na bochecha reforçavam a aflição que ela sentia.

Eles a encontram.

- Ela está aqui! — Disse Mephisto, vislumbrando o brilhante lago.
- Ah-ah... Aqui posso me mover livremente... Preparem-se! — Disse Lótus, tirando a mão de sua bochecha ferida.

Mephisto avança, Lótus se preparava.
Desferindo um atrapalhado e ridículo golpe contra a mesma, Lótus consegue fazer um grande corte no braço do mesmo.

- Ah! Maldita! — Gritou Mephisto, com seu braço sangrando.

Mephisto enfurecido tentava acertá-la de qualquer jeito, Lótus só conseguia enxergar um grande borrão à sua frente.

- Patético! — Disse Isaac, focado nos movimentos da oponente.

Mephisto gritava de raiva, Lótus desviava fácilmente.

- Fique parada, vadia! — Gritou Mephisto, seu rosto estava vermelho e seus olhos expressavam ódio e ansiedade.

Mephisto em um patético e desajeitado movimento, derruba seu machado, caindo perto de Lótus.

- Mas é um... — Debochou Isaac, atônito.
- AAH! — Gritou Mephisto, desesperado e enfurecido.

Lótus com um grande esforço consegue arremessar o pesado machado no lago, afundando imediatamente.

- Maldita! — Gritou Mephisto.

O desesperado homem desfere socos no ar com sua gigantesca mão, Lótus esperava o momento certo para dar o golpe final.
Os socos de Mephisto não eram precisos, Lótus tropeça em uma pequena pedra brilhante.

O gigantesco homem corre até ela.

- Agora! Eu peguei a maldita, peguei! — Gritou Mephisto, apertando-a violentamente.
- Até que enfim! — Vociferou Isaac, dando pequenos passos até os dois.

Mephisto a segurava fortemente, seu sabre estava caído no chão.
Isaac avançava caóticamente até os dois, ao chegar perto para matá-la, Lótus o ataca com um certeiro chute em sua barriga.

Isaac cai, seu sabre estava nas mãos de Lótus.

Em um ótimo e preciso movimento, a mão de Mephisto estava decepada.
A mão do homem cai, ensangüentada no brilhante chão de pedras.

- AAH! Sua desgraçada! Vadia! — Gritou Mephisto, caído.

O gigante homem rolava no chão, uma terrível e agonizante dor.
Lágrimas desesperadoras saíam incontrolávelmente de seus olhos, Lótus estava no chão, segurando seu pescoço e retomando seu fôlego.
Isaac observava friamente seu companheiro agonizando.

- Isaac, me ajuda seu bosta! AAH, DÓI PRA CARALHO! — Gritou Mephisto, seu rosto estava esverdeado.

Isaac se levanta novamente segurando seus dois sabres que sobraram.
O outro sabre, fora jogado por Lótus no lago.

Pânico, desespero e agonia caracterizavam o clima.

A mão decepada de Mephisto se transformou em pedra.

- O-o quê? — Perguntou Lótus, seu olhar estava pesado e caído. — O que são vocês?!

Mephisto agonizava no brilhante chão, gritando.

- Por quê você foi escolhido para me acompanhar? Você é um lixo! — Disse Isaac, caminhando até o gigante homem.
- AAH! Cala boca seu maldito, me ajude! AAH.

As pedras brilhantes que forravam o chão, estavam avermelhadas com o sangue de Mephisto, a mão petrificada do mesmo ainda era motivo de questionamento para Lótus.

- Um já era... — A-agora só falta você... — Disse Lótus, tossindo sangue.

Isaac friamente foi até seu fracassado companheiro e em um monstruoso ato, fincou-lhe um de seus sabres em seu peito, matando-o.
Rápidamente, o sangue de Mephisto forrou o chão e inexplicávelmente, o corpo imóvel transforma-se em pedra.

- Pronto, onde estávamos? — Disse Isaac, retirando o sabre do peito do companheiro.

A expressão no rosto de Lótus era de extremo horror, seus olhos encaravam o cadáverico rapaz, ela não sabia com o que se impressionava, com a frieza do oponente ou com o misterioso corpo petrificado à sua frente.

Lótus sabia que aquele que estava a sua frente não era um humano normal e sim um monstro.

Repentinamente, as calmas e relaxantes ondas do lago ficaram agitadas e frenéticas, a lua brilhava fortemente no céu.
Já era tarde, Isaac não podia falhar.

Ela estava com a boca sangrando e apoiava-se com a ajuda de seu sabre, seu rosto estava manchado com seu sangue, ela não possuia forças para prosseguir.
Isaac observava o lento e horrível sofrimento de sua oponente com uma expressão fechada.

O vento que batia levemente na copa das árvores da floresta estava cortante, batendo nos ferimentos de Lótus assemelhando-se à lâminas.

- Esse é meu fim? — Minha última luta? — Não verei meus companheiros denovo? — Questionava Lótus, não conseguindo aceitar o fato de que estava à beira da morte.

Sua respiração estava ofegante e pesada.
Ela estava muito longe, não havia chances de alguém achá-la e salvá-la do inevitável destino.

Seu inimigo esboçava um sorriso sarcástico e vitorioso, os olhos dele encaravam a general quase que sufocando-a.

Uma lágrima cai do rosto de Lótus, caindo emcima das gotas de seu sangue e suor.

- Você é poderosa, mas... seu destino é inevitável. A morte lhe espera! — Gritou Isaac, confiante e sádico.

Isaac corre até a oponente, raspando seus dois sabres no chão.

- Não sei se consigo desviar... — Eu não... — Lótus dava aquelas que podiam ser suas últimas palavras.

Misteriosamente, uma figura feminina interfere o golpe de misericórdia de Isaac, parando-o imediatamente.

- Ah! O quê você quer aqui?! — Pergunta Isaac.
- Você não terá o prazer de matá-la, depois de tudo. — ????.
- Essa voz... essa inconfundível voz... não tenho dúvidas, é Caze... — Pensou Lótus, confusa.

A figura a segurou pela gola de sua cota, Lótus a olhou nos olhos, terríveis e cortantes olhos verdes que a fuzilavam ferozmente.
Cazeaje usava um longo vestido branco, com um reluzente colar vermelho no pescoço.

- Esperei tanto por esse momento! Você foi a responsável pelo meu declínio, imperdoável! — Exclamou Cazeaje, segurando um punhal prateado.

Lótus desviou o olhar para o céu por um momento, súbitamente gotas d'água caíam em seus cabelos, estava chovendo.

A lua a observava, a lua chorava.

O corpo de Lótus estava estendido no molhado e brilhante chão, imóvel.

A dama negra retira a faca do peito da fracassada inimiga, a mesma manchada com o sangue da comandante.

Cazeaje era vitoriosa, com um sádico e sarcástico sorriso em seu rosto, ela lambia o sangue da lâmina de sua brilhante faca.

Isaac a observava, impressionado.

Cazeaje caminhava até o corpo da pessoa que um dia, havia sido sua melhor amiga, com pequenos empurrões ela verificava se a oponente estava realmente morta.

- Enfim, a lendária comandante Lótus está morta. — Disse ela, observando os avermelhados olhos da comandante, inexpressivos.

A chuva espalhava o sangue de Lótus pelo brilhante chão de pedras, a profunda ferida que Cazeaje a fez estava sendo lentamente limpa pela água da chuva.

No rosto de Lótus, um último sorriso que simbolizava esperança depositada nos heróis da Grand Chase.

O sorriso incomodava Cazeaje, ela sabia que mais cedo ou mais tarde, a vida lhe pregaria uma peça, que poderia ser mortal, mas o prazer de ter assassinado aquela que era responsável por sua decadência era indescritível.

- Você foi minha melhor amiga um dia, mas o destino é cruel. — Disse ela, olhando friamente para o corpo de Lótus.

Isaac, que era frio e brutalmente cínico estava com uma sensação de tristeza ao saber que Cazeaje, um dia fora amiga de Lótus.

- Aquilo que passamos juntas, foi tudo uma ilusão. — Disse Cazeaje com um sádico sorriso em seu rosto.

A chuva molhava o rosto da comandante, como se quisesse enxugar as lágrimas da mesma,

O imponente e lendário sabre de Lótus estava caído ao seu lado, molhado e sujo.
Isaac caminhou até o sabre, a chuva batia em seus cabelos negros.

- Enfim, o lendário sabre de Lótus... É MEU! — Disse ele, segurando-o firmemente.

A lâmina possuia uma cor esbranquiçada que brilhava fortemente e sua ponta era avermelhada.

Isaac notou um tipo de frase entalhado na lâmina, forçando os olhos consegue ler.

- Aqueles que conheceram a verdadeira felicidade, morrerão com um sorriso no rosto...

Ele estava confuso, contemplava a imponente lâmina do sabre da comandante, desferindo leves golpes no ar.

A chuva lentamente desfazia o petrificado corpo de Mephisto, Cazeaje passava a mão em seus longos cabelos negros.

Isaac aproximou-se do corpo de Lótus.

- Aqueles que conheceram a verdadeira felicidade, morrerão com um sorriso no rosto, por acaso você já foi a verdadeira felicidade dela? — Perguntou, distraído com o brilhante colar vermelho de Cazeaje.
- Não interessa. — Respondeu, atônita.
- Você mesmo disse que, um dia, foram amigas. — Persistiu Isaac, curioso.
- Já disse, não te interessa! — Gritou Cazeaje, sem jeito.

Isaac calou-se, ele sabia que a dama negra escondia algo.

- Você ficará com o sabre? — Perguntou Cazeaje, contemplando-o.
- Sim.
- Pegue o corpo, vamos voltar.

Isaac caminhou até a margem do lago e atirou seus antigos sabres, enferrujados e sujos, elevou o corpo de Lótus e colocou-o em seu pescoço.
Cazeaje conjurara um portal mágico.

Ambos foram consumidos por chamas escarlates.

Os dois contemplaram o grande salão novamente.
Na frente, Duel estava sentado em seu trono e no fundo, a serpente os encarava com seus terríveis e grandes olhos vermelhos, monitorando cada um de seus movimentos.

Duel se levanta.

- Ótimo, vejo que conseguiu. — Disse ele, observando o corpo de Lótus, grato.
- Era impossível não conseguirmos. — Disse Cazeaje, observando o trono do mesmo.
- Senhorita Cazeaje, não me lembro de a ter mandado na missão... Isaac, onde está Mephisto? — Perguntou Duel, colocando a mão no rosto pálido de Lótus.
- Está morto, eu o matei. — Disse Isaac, sádico.
- O matou? — Duel expressava surpresa e ao mesmo tempo, gratidão. — Interessante...
- O quê faremos com o corpo? — Perguntou Cazeaje.
- Jogue-o na mesa, rápido.

Isaac lentamente a coloca na grande mesa dourada, seus olhos avermelhados fechados e seus cabelos dourados jogados para trás.

Duel retira a essência da vida de seu bolso, a brilhante essência verde ofuscava a visão, Duel levemente passa a essência no rosto de Lótus.

O corte em seu rosto, rápidamente começa a se fechar e a bochecha inchada, voltara ao normal.

Os dois observavam, Duel curava todas os ferimentos de Lótus, ele vislumbrou o grande corte no pescoço da mesma.

- Que corte preciso, Isaac. — Vociferou Duel, maravilhado.

Isaac não expressou palavras, seu silêncio era mortal.

Duel vislumbrou Cazeaje, seu brilhante colar avermelhado.

- Senhorita Cazeaje, algo à declarar? — Perguntou, observando seus sádicos olhos esverdeados.
- Sim, eu precisava matá-la. — Respondeu Cazeaje, séria.

Duel a encarou por uns instantes, sarcásticamente riu.
Lótus estava curada, mas seu rosto ainda estava pálido e seus cabelos estavam sujos.

- O quê você pretende? — Perguntou Cazeaje.
- Nós vamos enganá-los.
- Entendi...
- Onde estão Téia e Sabino? — Perguntou Isaac, olhando ao redor.
- No castelo.
- Ainda?
- Eles não podem retornar, lembra? — Respondeu Cazeaje.

Duel limpava a armadura de Lótus com sua capa, sua armadura estava enlameada e ensangüentada.

- Ela perdeu muito sangue, mais cedo ou mais tarde morreria. — Disse Duel, verificando o corpo uma última vez.

Sua armadura já estava mais limpa, Duel planejava algo horrível.

- Fiquem aqui, Narciso está por aí. — Disse Duel, colocando o corpo sobre seu ombro.
- Você vai... — Questionou Cazeaje, curiosa.
- Levarei o corpo para meu filho. — Respondeu Duel, friamente.
- O quê você planeja? — Pensou Cazeaje, consumida pela felicidade de ter assassinado aquela que fora responsável por seu declínio.

Duel transportou-se até o quartel da Grand Chase, Dio estava sentado em um dos sofás, sua aflição era claramente perceptível, o corpo de Lótus estava com ele.

- O-o que você fez? — Perguntou Dio, horrorizado.
- Presentinho. — Respondeu Duel, sarcástico.

Jogando o corpo na mesa, Duel sorria horrívelmente para seu filho, uma vontade assassina perfurava o peito de Dio.
Os olhos dela estavam abertos, Dio estava perdido na imensidão dos olhos avermelhados de Lótus.

- O quê é isso no seu pescoço? — Perguntou, estudando-o.
- Não é nada... — Disse ele, sem jeito.
- Que seja, a escória retornará logo, você já sabe o que fazer. — Disse Duel, partindo.
- Sim...

Duel não estava mais ali.
Dio estava mal por ver a pessoa que o ajudou caída, morta em sua frente.