O Traidor
4 - Assumindo o controle
Usando o restante de suas forças, o rei consegue se soltar das correntes de Duel e rápidamente pega um sabre da cintura de Isaac, correndo até o brilhante salão.
- Vá atrás dele!
- Ele está escapando!
O rei ouvia os eufóricos gritos dos assassinos, o mesmo fica imóvel.
Observando seu rosto refletido no sabre, lágrimas caem de seus olhos.
O rei havia se matado.
- Droga! E as informações?! — Perguntou Mephisto.
- Esqueça-as, o que faremos com o corpo? — Perguntou Cazeaje, logo atrás de Mephisto.
- Fortaleceremos a serpente para que vocês permaneçam vivos. — Explicou Duel.
Isaac vai até o corpo do falecido rei, recupera seu sabre e o limpa.
- Como se o suícidio melhorasse as coisas... — Disse Sabino, ajeitando seus óculos.
- Sabino, absorva o corpo. — Disse Duel.
- Sim senhor...
No quartel da Grand Chase...
O quartel era afastado do reino, nas montanhas.
Os despercebidos e desatentos que passavam por ali fácilmente achavam que era um antigo armazém, mas atrás de tudo havia uma passagem que só os membros da Grand Chase conheciam.
O local era grande, possuia partes no subterrâneo e nos andares de cima.
Lótus estava sentada no sófa da sala principal em frente de uma lareira.
O salão possuia três sofás, todos muito grandes, quadros espalhados pela parede e no centro uma grande mesa de vidro, era onde faziam suas reuniões.
A mesma trajava um vestido branco, com seus longos cabelos loiros soltos.
- Dio, você não foi na missão... Onde está você... — Perguntou Lótus para si mesma.
Ela olhava fixamente para a lareira como se a resposta da pergunta estivesse ali, queimando.
Dio ainda não havia voltado do lugar onde seu pai e os assassinos estavam, ele estava refugiado em uma torre esperando o momento certo para voltar ao quartel, ele havia dito para Lótus que iria vigiar todos os cantos do reino caso algum inimigo o invadisse.
A torre em que Dio estava era longe do castelo e do quartel, ficava ao sul.
Ele observava seu rosto refletido no espelho e refletia consigo mesmo.
- Traí meus amigos... - Não! Eles não são seus amigos! — Eles sempre foram nossos inimigos, não seja fraco!
- Mas...
- Calado! seu único caminho agora é o mal.
Dio se confrontava psicológicamente.
Da pequena janela da torre era possível ver tudo que acontecia, era possível ver o castelo, as grandes barreiras, etc...
Longe dali, onde seu pai e os mercenários estavam...
- Eu assumirei a forma do rei e você a forma de Ábilo. — Disse Sabino.
- Tá. — Disse Téia.
- Vocês sobrevoarão o castelo e então, assumir a forma deles. — Explica Duel.
- Certo.
- Vão, antes que alguém sinta falta dos dois. — Disse Cazeaje.
- Certo. — Téia e Sabino.
Os dois foram até a sala dos portais, entraram no mesmo portal e foram transportados, uma chama azul os consumiu.
- Irmão, quantas horas se passaram? Da última vez que você veio aqui. — Perguntou Téia.
- Três horas, eu acho. — Disse Sabino.
- Só?
- Vamos logo até o castelo.
Os dois transformaram-se em pássaros e voaram até a mesma janela que Sabino entrou horas atrás.
- Veja, ninguém notou o "desaparecimento" deles e dos guardas.
- Que otários!
Os dois andaram calmamente até a sala.
- Onde é?
- Essa aqui, com a porta destruída.
- Destruída? Você incinerou a porta, só tem cinzas aqui! — Disse Téia.
- Vamos logo.
Os dois entraram na sala, Sabino colocou a mão sobre a pilha de cinzas e mágicamente a porta voltou a ser como era.
Ambos imaginaram os rostos dos dois e se transformaram.
- Ai, eu estou feia! Meus cabelos estão brancos, se é que tem cabelo aqui! Estou magra e horrorosa!
Sabino agora possuia uma longa barba negra.
- Você trouxe as roupas?
- Claro que trouxe! Se não sou eu nós estáriamos fu... — Disse Téia,
Sabino interrompe a irmã.
- Não fale, vista.
- Hmph...
Téia corre debaixo de uma mesa.
- Por que você está aí? — Pergunta Sabino, trocando de roupa.
- Alô! Não quero que você me veja pelada!
- Você é um homem agora, o que tem demais?
- Ah... Me esqueci desse detalhe... — Disse Téia, envergonhada.
- Troque logo! — Vociferou Sabino, furioso.
Téia levantou-se já sem camisa, virou-se de costas e começou a vestir as roupas branquíssimas de Ábilo e por último, colocou a faixa na cintura.
Sabino já estava com as vestes do rei, por último colocou sua reluzente coroa.
- Qual é o meu trono? — Perguntou Téia.
- O menor.
- Menor? Não gosto de coisas pequenas!
- Ora, sente-se no maior se você quiser que sua cabeça seja decepada! — Disse Sabino.
- Dane-se! — Disse Téia, sentando-se no trono menor.
O trono de Ábilo era pequeno e com poucos detalhes, o acolchoamento era rubro e não muito confortável.
Já o do rei era grande, possuia muitas pedras preciosas de enfeite, acolchoamento preto.
- O seu é mais bonito!
- Calada!
- Ei, se alguém vier nos visitar... O quê faremos? — Pergunta Téia, tentando-se ajeitar no desconfortável trono.
- Aja naturalmente, não faça besteira. — Sabino.
- Acho que dificilmente entre algum amigo, guarda, vigia, sei lá do rei aqui, ainda não amanheceu totalmente. — Disse Téia.
- É aí que você se engana, as pessoas encarregadas de permitir o sono do rei não se cansam. — Explica Sabino.
- Tá... — Téia.
- Lembre-se, aja naturalmente e não fique nervosa, seu nervosismo pode custar a cabeça. — Disse Sabino.
- Ai, pare de falar assim! Pessimista! — Disse Téia.
- Não estou sendo pessimista, estou sendo realista!
- Então pare de ser realista e seja mentiroso! Mentir não faz mal. — Disse Téia, irônica.
- Haha... — Sabino.
O tempo passa, já era possível ouvir o canto dos pássaros lá fora.
Se passaram seis horas desde que Sabino entrou ali pela primeira vez pois Cazeaje havia decidido que, caso o mandasse ao amanhecer seus planos atrasariam.
Téia achara um livro em uma cômoda velha do outro lado da sala, pegou o livro e sentou-se novamente no desconfortável trono.
- " As crônicas de Nemat — O carrasco " — Téia, lendo o título do empoeirado livro.
- Quem é o autor? — Pergunta Sabino, curioso.
- De um tal de Cádimu, sei lá. — Disse Téia, tirando a poeira do livro.
- Cádmo, a poeira te atrapalhou.
- Esse daí mesmo. — Disse Téia, abrindo-o.
Téia abre o livro e lê o título do último capítulo.
- " Quando a verdadeira amizade é destruída... " — Téia.
- Por que você foi direto ao último? — Pergunta Sabino.
- Não ia ter tempo de ler tudo, o livro é grande! — Disse Téia.
- Tá, leia uma parte do livro.
- " O cachimbo de Lugharo cai no sangrento chão à sua volta, Nemat segurava o corpo de seu antigo amigo, as flores da cerejeira caíam sobre seus cabelos.
Lugharo dava seus últimos suspiros nos braços de seu amigo, a espada de Nemat cai.
Temat havia assassinado seu melhor amigo em busca de poder. "
- Que livro mais estranho... — Disse Téia.
- Me dê o livro. — Sabino.
- Por que? — Pergunta Téia.
- Talvez haja algum tipo de simbolismo oculto no livro, me dê. — Sabino.
- Você e essas suas atitudes... — Téia.
Sabino roubou o livro da mão da irmã e o colocou em uma bolsa, junto com seus outros pertences.
Os dois já ouviam passos e vozes abafadas do lado de fora.
Dio ainda estava na torre, aguardando o momento certo de voltar.
Isaac já estava ciente de que Lótus era uma oponente formidável, então não iria até ela para brincar, iria para matá-la.
No castelo, Téia e Sabino aguardavam para que alguém os visitasse.
Do outro lado do reino...
O rapaz observava um copo de vinho que balançava ao vento, este estava visívelmente preocupado com o que estaria para acontecer.
- Aqueles que um dia chamei de amigos... Todos morrerão... — Pensa Dio, com as mãos no rosto.
Sua expressão era desgastada, seus olhos estavam pesados, lábios sem cor e sem vida.
- Não... Eles não são nossos amigos! São nossos inimigos... Ah!
Novamente Dio confronta-se psicológicamente.
No castelo...
Téia estava anotando umas coisas importantes em seu livro, Téia era destra, e ainda tentava se confortar no pequeno e desconfortável trono enquanto seu irmão assumia bem o papel de um rei.
A porta se abre, uma mulher que aparentava ter uns 40 anos entra no local, vestia um vestido vermelho grande, seus cabelos eram negros e cacheados, olhos cinzas como se estivesse cega e uma coroa de prata não tão brilhante.
- Meu querido marido! — Exclamou a mulher, correndo em direção a Sabino.
- Olá...?! — Disse Sabino, desconfortável e confuso.
- Você está tão elegante hoje! Faz tempo que não o vejo... — Disse ela, abraçando-o.
- Você está linda também... — Sabino.
- Por quê está de óculos? — Pergunta a rainha.
- Ah... É que... Eu estava lendo! — Disse ele.
- Lendo? Você é um homem tão ocupado e ainda arranja tempo pra ler, só você mesmo! — Disse a rainha, tirando seus braços de Sabino.
A rainha brevemente observa Téia e diz.
- Ábilo, pensei que você fosse canhoto... E sua faixa está na cintura, você não a usava no pescoço? — Pergunta a rainha, observadora.
- Ah, ah... Percebi que a mão direita é melhor do que a esquerda e aquela faixa estava me sufocando! — Disse ela.
- Hmm certo... — Disse a rainha, confusa.
- Ah... Você não tem o que fazer, minha esposa? — Pergunta Sabino.
- Ah é! Preciso ver o que os cozinheiros farão para o almoço! — Disse a rainha, animada.
- Vá lá. — Sabino.
A rainha sai do local dando alguns passos atrapalhados de dança.
Ao sair, a rainha avista três guardas e sussura.
- Ei vocês três! — Disse ela.
- O quê, senhora majestade? — Perguntam os três.
- Vocês notaram que meu marido começou a usar óculos e que Ábilo virou destro de uma hora para outra? — Disse ela.
- Não os vimos ainda mas é estranho agora que você disse... — Disseram os guardas.
- Estranho mesmo... Bom, vou indo! — Disse ela.
A rainha continuou seu rumo até a cozinha do castelo.
Na sala dos tronos...
- A rainha começou a desconfiar, merda! Teremos que matá-la. — Disse Téia, guardando os papéis.
- Sim.
- Posso me encarregar disso? — Pergunta Téia.
- Não sei...
- Ah, qual é! Deixa... — Insiste Téia.
- Tá, tá. Mas não a mate, assuste-a.
- Hã?
- Se ela morrer, desconfiarão.
- Assustar?
- Faça-a ter um ataque cardíaco.
- Certo!
- Posso confiar em você?
- Claro...
- Hmph.
As horas passam e Dio adormeceu na torre em que estava.
Dio acorda e observa o céu, percebe que já anoiteceu e corre para o quartel da GC.
- Preciso voltar, Lótus já deve ter saído para me procurar! — Disse ele, correndo com seu manto encapuzado.
Ao chegar no quartel, ele percebe que a lareira estava apagada e na grande mesa de vidro, um envelope.
" Para Dio...
Caso você esteja lendo essa carta, saiba que fui a sua procura.
Fique aí e não saia, aguardando os outros. " — Leu Dio.
Dio sentiu um grande mal estar, suas pernas começaram a tremer, seus braços amoleçeram e ele começou a suar frio, o rapaz sentou-se em um dos sofás do salão.
- Droga! Vão matá-la, preciso impedir! — Disse ele.
- Calado! Ela é uma inimiga, não interfira!
- Ah! Preciso ajudá-la...
Dio tentou se levantar do sofá, mas estava muito mal, suas pernas mal se mexiam.
Sua mão demoníaca o pegou no pescoço.
- Você não atrapalhará!
- Ah... Pare!
- Deixe-a morrer!
Os confrontos em sua mente estavam cada vez mais frequentes, Dio estava claramente perturbado.
Longe dali, nas montanhas...
- Não está aqui também... — Disse Lótus, cansada.
A mesma olhava atrás de cada árvore, pedra para encontrar Dio.
Ela estava muito cansada, fazia horas que estava procurando-o.
Esta havia saído do reino, sua única companhia era a Lua, que parecia observá-la, corujas e outras aves noturnas faziam um barulho quase que assustador.
Lótus adentrou-se um pouco mais na floresta e...
- Se não é a chefia! HAHA. — ????.
- Calado. — ????.
- Estraga-prazeres! — ????.
- Vamos acabar logo com isso, estou ficando com frio. — ????.
Duas figuras pularam de cima de uma árvore e caíram logo atrás de Lótus, Lótus tirou seu Sabre de sua bainha e defendeu o ataque de um deles.
- Você é rápida! — ????.
- Quem são vocês?! — Pergunta Lótus, pulando para longe.
O brilho da lua iluminou um pouco a silhueta dos homens, a primeira coisa que Lótus observou foram os terríveis olhos cinzas que a encaravam assustadoramente, a segunda coisa foram as três espadas e por último, a assustadora aparência cadáverica.
O segundo homem possuia um gigantesco machado, tinha cabelos loiros trançados.
Ela estava com um mal pressentimento.
- Isaac! Ela é bem bonita né? UHUL! — Gritou Mephisto.
- Cale-se. — Disse Isaac.
Mephisto avança, seu machado era tão pesado que ele mal aguentava segurá-lo, foi raspando o gramado até chegar em Lótus.
Lótus saltou e cortou um pedaço do cabelo de Mephisto.
- Sua vadia! Meu cabelo! — Disse ele, furioso.
- Não subestime ela, idiota. Suas habilidades na esgrima são poderosíssimas. — Disse Isaac.
- Ah, maldito! Ataque-a também! — Grita Mephisto.
- Como você é ruim... — Isaac.
Isaac posicionou-se, um sabre na boca e os outros dois nas mãos, avançou até Lótus que desviava de seus ataques até que os numerosos golpes de Isaac a confundem, Lótus tomou um golpe de raspão no rosto, que começa a sangrar.
- Ah... — Disse ela, com a mão na ferida.
- Boa, seu maldito! Haha! — Mephisto.
Isaac prepara-se novamente.
No alto das árvores, as aves observavam tudo em sua volta, dando um ar assustador ao local.
Mephisto estava sentado debaixo de uma árvore tomando uma garrafa de vinho que havia retirado de seu cinto.
Os olhos cinzas de Isaac aterrorizavam a general, Lótus estava exausta e o corte em seu rosto tinha uma dor aguda mas terrível, feito pelo afiadíssimo sabre de Isaac.
Corvos e corujas reforçavam o clima fantasmagórico, encarando os três abaixo, o vento batia no rosto de Lótus reforçando a aguda dor de sua ferida e obstruindo sua visão.
- Mate-a logo! – Gritou Mephisto, tomando todo seu vinho.
- Fique quieto! – Disse Isaac.
Lótus observava Mephisto atenciosa, esperando um momento para atacar.
Isaac avança, Lótus segura firmemente seu sabre na esperança de por sua estratégia em prática.
Ele tenta cortar Lótus novamente, a mesma desvia com facilidade e pega um de seus sabres, chutando-o.
- Nossa! Te fez cair, HAHA! – Debocha Mephisto.
- Calado seu idiota. – Gritou Isaac, insano.
Isaac ficou furioso com o bem sucedido e poderoso movimento da comandante e avança novamente.
Nervoso, Isaac desfere atrapalhados golpes em Lótus, que novamente desvia com facilidade.
Saltando sobre Isaac, Lótus desfere um certeiro golpe nas cadávericas costas de Isaac, resultando um profundo corte, Lótus finca o sabre nas mãos de Isaac para impossibilitar seus movimentos.
Isaac estava estendido no chão, ensangüentado.
- A-acabou... – Disse Lótus ofegante.
- Haha. Apenas observe. – Disse Mephisto, apontando para o corpo de Isaac.
A grande ferida provocada por Lótus estava se fechando imediatamente, Isaac ergue suas mãos na lâmina do sabre e as retira, que começam a se curar imediatamente.
- O quê? I-impossível... – Disse Lótus, espantada.
Isaac se levanta e começa a encarar Lótus novamente, com uma expressão monstruosa.
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