O Traidor

7 - Adeus...


O clima estava agradável, muito frio mas aceitável.

As ruas estavam completamente desertas, casas vazias, lojas paradas, trabalhos descontinuados, todas as pessoas ausentes.

Havia chovido muito aquela tarde, as ruas ainda estavam com as poças que mais pareciam feitas de gelo, frias como tal. Na escuridão da noite, duas pessoas caminhavam lentamente e conversavam depressivamente.

- Alguém já sabe? — Perguntou, era uma garota muito nova de cabelos loiros, trajava um longo vestido preto.
- Não... É um completo mistério. — Completou a outra pessoa, dessa vez um garoto, aparentava ser um pouco mais novo que a acompanhante, trajava um sobretudo também preto.
- Ninguém sabe ainda? Não é possível! — Disse a garota, com tom de indignação.
- Eu já te disse! A causa mortis é totalmente misteriosa! — Respondeu, irritado.

Ambos eram parcialmente iluminados pelos numerosos postes.

- Aperte o passo! Devemos estar chegando. — Disse a garota, arrastando o rapaz pelo braço.

Longe dali, duas madames conversavam sobre o presente acontecimento, ambas moravam na parte rica do reino, trajavam vestidos pretos repletos de jóias de todos os tipos e cores.
As jóias brilhavam mais que a própria chama dos postes.

- Aconteceu assim, sem mais nem menos? — Perguntou uma delas.
- É o que dizem! Mas tem quem discorde! — Retrucou a outra, arrumando o exagerado colar dourado.
- Tem quem discorde? Como assim? — Perguntou, confusa.
- Ué, não chegou em você? — Disse, com um tom irônico.
- Não sei do que você está falando!
- Tem quem diga que ela fora assassinada!
- Assassinada? Mas dizem que não havia marcas no corpo!
- Exatamente! Ninguém sabe!
- Muito estranho!
- Muito estranho mesmo!
- Tenho certeza que fora de causas naturais! Assassinato nem passa pela minha cabeça!
- Também, mas tem quem diga que aquele novato o fez!
- Dio?! — Disse, surpresa.
- Exato!

Ocastelo também estava completamente deserto, exceto pela presença de Téia e Sabino que não poderiam sair dali sem serem denunciados pela personalidade, ainda não agiam igual aos falecidos.

Os guardas, serventes haviam pedido uma pequena licença para Sabino, que não poderia negar, para assistir ao acontecimento.

Sabino e Téia seriam óbviamente vistos como falsos e, as pessoas saberiam da morte do rei e de seu fiel braço direito.

Ambos não permitiam visitas em sua sala, para que não desconfiassem de sua personalidade, só saíam de seus disfarces quando Duel os chamava urgentemente para uma reunião ou, uma simples conversa.

O funeral de Lótus seria em seu lugar preferido, um local em que a mesma se sentia ótima quando frequentava.

Ela o apelidava de As cerejeiras gêmeas, um lugar lindo, com inúmeras árvores de todos os tipos, mas que se destacavam as cerejeiras, imponentes no centro.

Antes mesmo do início da cerimônia, o local já estava completamente lotado.
Pessoas de outros reinos, inclusive, vieram assistir a despedida final da lendária comandante.

Pessoas sentavam nos galhos das árvores, pois já estava completamente lotado, exceto os lugares dos integrantes da caçada que estavam óbviamente reservados para os mesmos, pessoas em pé, sentadas.

Pessoas comentavam falsamente o quão importante Lótus fora em suas vidas, outras comentavam sobre a causa de sua morte, culpando Dio.

O cair das folhas da cerejeira eram o espetáculo que a comandante mais apreciava observar, justamente o funeral seria ali.
Alguns conhecidos da mesma trajavam roupas vermelhas que era sua cor favorita.

O lamento das pessoas era predominante, o lugar cujo ela amava era tomado pela tristeza de seus conhecidos.
No centro, uma grande tumba negra, com rápidos detalhes em vermelho-sangue, que seria o local de total descanso de Lótus.

Na escuridão da rua mais próxima do local, tristes passos ecoavam.

Os jovens caminhavam como se estivessem sem rumo, dando passos fortes e desorientados.

Arme levava consigo inúmeros lenços, trajava um vestido longo vermelho.

Elesis foi a que sofrera mais com a perda de sua amada comandante, estava com seus olhos inchados e vermelhos, sua franja cobria seus olhos, trajava um vestido vermelho que coincidamente é a cor preferida de ambas.

Ronan vinha abraçado com Elesis, estava com o rosto lavado pela tristeza, o rapaz trajava um sobretudo preto com leves detalhes azulados.

Lire e Ryan vinham mais atrás, ambos trajando preto e Lire usava uma rosa em seu cabelo.

Amy caminhava em silêncio, trajando um vestido vermelho assim como Arme e Jin, vinha ao seu lado com um sobretudo preto, com as mangas dobradas.

Sieg e Mari caminhavam lado a lado, ambos trajando preto, Mari estava sem óculos.

E Lass caminhava logo a frente de Ryan e Lire, puxando curtas palavras com Amy.

Dio não estava presente.

Eles ouviam palavras, vislumbraram as cerejeiras.

O brilho da lua iluminava parcialmente os jovens, que caminhavam desanimadamente até a despedida final.

Eles chegam no local.

Ao chegarem, foram motivo de atenção para todos presentes ali.
As pessoas os observavam com tristeza, afeto, entendiam o que eles estavam sentindo naquele momento.
Seus corações encharcados pela tristeza e mentes confusas.
As pessoas evitavam cumprimentá-los, pois sentiam a mesma dor que os jovens infelizmente sentiam.
Por um curto período de tempo, o local silenciou-se.
Quem possuia acento sentou-se imediatamente e algumas pessoas até disputavam lugares.
Os jovens calmamente se sentaram em seus lugares reservados e fixaram o olhar nas duas árvores, belíssimas.
Seus lugares eram bem na frente da tumba, ao por os olhos na tumba, uma sangrenta e violenta dor bateu no peito de Elesis.

- Você está bem? — Perguntou Ronan.
- Estou. — Disse Elesis, mentindo.

Um grande amigo de Lótus conduzia a cerimônia, Alessio.
Era um homem forte, possuia cabelos pretos e cacheados, possuia tatuagens em seu braço e estava muito emocionado com a perda de sua amiga.
Arme não conseguia segurar suas lágrimas, colocou a mão em sua bolsa e tirou um lenço.
Começou a chorar imediatamente, ouvindo o maravilhoso discurso de Alessio.
Milhares de pessoas se comoviam com as palavras do homem, inclusive Amy que estava sentada ao lado de Jin.
Uma moça, sentada duas fileiras atrás dos jovens da GC estava em prantos.

- Ela não era apenas uma exímia guerreira... Ela era nossa amiga! Podíamos contar com sua ajuda para todos os nossos problemas, ela sempre ficava feliz em nos ajudar... — Discursava Alessio, com cintilantes lágrimas caindo de seus olhos castanhos.

- Ela ainda possuia uma beleza incomparável, tanto externa quanto internamente.
O coração dela era de uma bondade tão pura...

Lass estava cobrindo os olhos com seus braços, não queria chorar.
Jin chorava ao lado de Amy, ambos com olhos vermelhos.

Alessio olhou ao longe e ficou em um súbito silêncio, cabisbaixo.
As pessoas seguiram seu olhar e olharam todas para trás.
Um elfo loiro, alto estava trazendo consigo um grande veludo branco, que brilhava na escuridão da noite.
Não podia ser outra coisa, era o corpo de Lótus.
As pessoas após verem o branquíssimo veludo, começaram a chorar silenciosamente, como um coro desafinado.
O elfo foi andando tristemente sobre o carpete rubro que estava estendido ali, e os tristes olhos das pessoas o acompanhavam.
Elesis abraçou Ronan e deitou-se em seu ombro, chorando lentamente.
O elfo de cabelos dourados colocou carinhosa e suavemente o corpo de Lótus na tumba e depois, colocou calmamente uma flor de Lotus branca sobre a Tumba e ficou de pé ao lado de Alessio, que mantinha-se cabisbaixo.

Alessio ficou em silêncio e, demorados alguns minutos, voltou lentamente.
Enquanto o homem discursava, Arme não aguentou.

Arme enxugou suas lágrimas e levantou sua mão, apontando para a cerejeira.
Todos olharam para a garota, inclusive Alessio e Avel, o elfo.
Suas unhas estavam pintadas de vermelho, em homenagem a sua comandante.
A garota fechou seus olhos lentamente e disse.

- Isso é para você, Lótus... — Disse Arme, em um baixíssimo tom.

Após as palavras, as pétalas das cerejeiras começaram a cair, lentamente.
Em um espetáculo único e lindo de se ver.

As pétalas começaram a cair sobre os dois homens ali em pé e, sobre o lindo rosto de Lótus.
Ao ver aquilo, as pessoas surpreenderam-se tanto que levantaram-se e colocaram suas flores fora do tempo.
Alessio não os impediu.
Elesis, que estava deitada no ombro de Ronan, vislumbrou o espetáculo proporcionado por Arme e uma felicidade imensa bateu em seu coração.
A garota levantou de seu acento e saiu, as pessoas a observavam.
Ela estava indo ficar sozinha em algum lugar, a cerimônia estava quase chegando ao fim.
Então, Ronan também se levantou e seguiu Elesis, sem ser visto.
A jovem sentou-se em um banco mais ou menos perto dali e chorava baixo, Ronan foi até ela.

- Elesis, o quê foi? — Perguntou o rapaz, com a mão no rosto da jovem.
- Aquilo... Aquilo foi tão lindo... — Disse ela.
- Foi mesmo... Mas não entendo o motivo de sua saída.
- Eu... Eu...
- Não tente ser durona em um momento como esses. — Disse Ronan, rindo.

Elesis riu.

- Ronan... Por favor me beije... — Disse Elesis.

Ronan ficou sem jeito, mas os dois desejavam aquilo.
Elesis aproximou-se de Ronan e o beijou.
O tempo não passou para eles.

~

A cerimônia havia chegado ao fim, as pessoas estavam saíndo lentamente ainda com o espetáculo proporcionado por Arme em mente.
Lótus fora enterrada, Alessio e Avel saíam juntos.
A GC também saiu, Amy emocionada, enxugava suas lágrimas.
A garota saiu andando na frente e foi até a praça onde Ronan e Elesis estavam.
Ao chegar lá e ver os dois se beijando, Amy ficou mais feliz.

- Que lindo! — Disse Amy, feliz.

A expressão no rosto de Amy automáticamente ficara mais aberta, mais feliz.
Os outros membros pararam logo atrás de Amy, alguns com olhares felizes e alguns com olhares de questionamento.
Algumas pessoas que estavam presentes no funeral também pararam para observar os dois.
Elesis estava começando a ficar envergonhada, muitos olhos estavam a observando.

— Elesis, não entendo o motivo de sua vergonha. — Disse Ronan, calmamente. — Ambos sabemos que podemos confiar neles, não se acanhe.

Após verem, Ryan e Lire mantiveram-se em silêncio e trocaram poucos olhares, eles estavam um pouco mais afastados.

— Lire, não precisamos mais esconder... — Cochichou Ryan. — Mais cedo ou mais tarde eles descobrirão.
— Eu sei, Ryan... Mas não estou pronta... — Disse Lire, em um tom vergonhoso. — Por favor, ainda não...

Ryan entendeu o motivo de tal envergonhamento repentino e silenciou-se.

— Romance na Grand Chase, nunca pensei que estaria viva para presenciar tal coisa! — Vociferou uma mulher.
— Como assim? — Perguntou Amy, curiosa.
— Vocês são tão... heróicos! Não devem ter tempo para relacionamentos. — Disse a mulher. — Nunca pensei que chegaria a ver!

Amy ficou um tanto irritada.

— Ora, pois fique sabendo que também somos normais! Nós também amamos! — Exclamou Amy.
— Não estou dizendo isso... Estou dizendo que vocês não encontram tempo para o amor.
— Pois acabou de encontrar!
— Tudo bem Amy... — Interrompeu Elesis. — Não brigue.

Elesis estava mais calma, seu tom de voz que costumava ser durão e severo estava totalmente calmo.
Mari e Sieg observavam os dois sentados no banco, juntamente com os outros.

— Mudando de assunto... Vocês deixaram a cerimônia?! — Perguntou Ronan. — Temos que retornar!
— Não! Ela acabou a muito tempo atrás! — Disse Arme.
— Acabou?
— Vocês ficaram aí se beijando e perderam a noção do tempo, pombinhos! — Disse Jin, em um tom zombeteiro e ao mesmo tempo, carinhoso.
— Por favor, Jin, pare... — Disse Elesis, em um envergonhado tom.

Jin sentiu que a voz de Elesis estava mais calma e imediatamente parou.

— Você é a Elesis que conhecemos? — Perguntou.
— Só estou sendo mais madura... Cresci. — Disse a mesma, com um leve sorriso em seu rosto.
— Que coisa mais linda! — Dizia Amy, carinhosamente.

Sieg e Mari a observavam, ambos encostados em uma árvore.

— Já está tarde, melhor retornamos ao quartel... — Disse Lass, possuindo um tom de incerteza.
— O quê foi isso, Lass? — Perguntou Lire.
— É que, quando nós entramos por aquela porta e... encontramos... você sabe! Eu estou com um remorso... — Disse Lass, cabisbaixo.
— Remorso? Você não fez nada!
— Eu sei, mas não vejo mais nosso quartel como via antigamente.

Os membros e pessoas olharam o rapaz, entenderam o que o mesmo queria dizer.

— Nós entendemos, vocês precisam voltar. — Disse um senhor, bem ao lado de Ryan e Lire.
— Sim... — Disse Elesis, levantando-se.

Ronan e Elesis caminhavam lado a lado, até que...

Ronan segurou a mão de Elesis carinhosamente e disse.

— Concede-me a honra senhorita? — Disse o mesmo.
— É claro...

As pessoas que estavam no local ficaram muito felizes pelos mesmos, sorrisos formaram-se nos tristes e abatidos rostos.

— Que lindo! — Disse Amy, novamente.
— Bom, estamos indo, adeus. — Disse Lass.
— Até mais! — Disseram as pessoas.

~

Dio estava no quartel, sentado em um dos sofás.
Ele estava refletindo sobre os acontecimentos anteriores e posteriores, sua expressão era claramente duvidosa.

— Para Elesis, Lótus era como uma mãe... — Pensou o mesmo. — Ela concerteza, foi a que mais sofreu com a perda...
Então é bom que ela sofra mais, muitas perdas estão por vir! — Contrapôs seu alterego.
— Com o desaparecimento de seu pai, Elesis fixou-se em Lótus... — Disse o rapaz, com as mãos no rosto. — Você não enxerga isso?
Besteira! Não seja fraco, idiota!

Dio silenciou-se por alguns instantes.
O mesmo sentia seu braço demoníaco ficando cada vez mais maligno, sua energia ficava cada vez mais excruciante para o mesmo.

A porta se abre, os membros chegam.
Os primeiros a entrar foram Ryan e Lire, olharam Dio com uma expressão breve de cumprimento e saíram.
Logo após, Jin entrou acompanhado por Amy.

— Olá, Dio... — Disseram os dois, em um tom incerto.
— Olá.

Lass, Mari, Sieg e Arme adentram-se.
Acenaram para Dio e sorriram brevemente, desconfiados.

E por último, Elesis e Ronan entram, abraçados.
Elesis colocou seu olhar em Dio, observou-o por alguns segundos e não expressou felicidade em vê-lo.

— Elesis, acho que você deve desculpas... — Cochichou Ronan.
— Sim, acho que sim...

Elesis sentou-se ao lado de Dio.

— Dio, queria me desculpar pelo que causei... — Dizia Elesis, tristemente. — Por favor me perdoe...
É claro! Está perdoada. — Disse o mesmo.

Elesis olhou Dio com um súbito olhar de aprovação.

— Então... Amigos? — Disse Elesis.
Amigos... — Vociferou Dio.
— Ora, o que está esperando? Me abrace, rapaz! — Disse Elesis, sorrindo.

Dio não possuiu reação, esboçou um leve sorriso sarcástico e...

O incontrolável poder de seu alterego pegou Elesis pelo pescoço e o segurou fortemente, seus olhos expressavam extrema tristeza, mas seu sarcástico sorriso o contrapunha.

O quê está fazendo, seu merda?! — Gritou Ronan, avançando até o rapaz.

Ronan saltou até Dio, o empurrando no chão, forçando-o a soltar Elesis que caiu com sua boca sangrando levemente.
Ronan segurou Dio pela gola de seu sobretudo e desferiu um forte soco em sua bochecha.

Por quê fez isso, maldito? POR QUÊ? — Gritava Ronan, sentindo uma raiva extrema.
— O quê está acontecendo?! — Perguntava Arme, entrando espantada.
O desgraçado atacou Elesis! — Exclamou Ronan, encarando a sarcástica expressão de Dio.
— Ah meu deus... — Disse Arme, observando Elesis estendida no chão. — Venham, todos! Por favor!

Os outros membros vieram correndo atrapalhadamente, Mari correu até Elesis e a socorreu.
Lire veio sozinha, Ryan tentava se apoiar nas paredes para acompanhá-la, Jin e Amy saltavam para alcançarem Elesis, Lass segurava a cabeça de Elesis enquanto Arme e Mari limpavam sua boca ensangüentada.

Por quê fez isso?! — Exclamava Ronan.

Dio não falou nada.

Responda, porra!
— Eu não sei...
Maldito!

Ronan tentou desferir um soco na boca de Dio, súbitamente seu braço demoníaco bloqueou o golpe e empurrou Ronan para perto da mesa.
Dio levantou-se com uma expressão de extremo espanto e arrependimento e saiu, dando fortes passos.
Ronan levantou-se rápidamente e correu até o rapaz, eles não estavam no quartel.

Onde pensa que vai?! FILHO DA PU... — Gritou Ronan, desesperado.

Dio não respondeu, Elesis veio correndo até Ronan e disse.

— Ronan, pare! Deixe-o ir, eu entendo! — Interrompeu Elesis, com a boca manchada.
— Ele a machucou! Não posso deixá-lo ir! — Respondeu Ronan.
— Por favor...

Ronan compreendia Elesis mas, sua fúria falava mais alto.
O rapaz correu frenéticamente atrás de Dio.

— PARE! — Gritou Arme, exausta daquela confusão.

A mesma lança uma parede mágica invisível em frente a Ronan, que bate o rosto com força.
O rapaz cai atordoado e rápidamente se levanta, olhando para Arme.

— Acalme-se, Ronan! — Dizia Arme.

Ronan estava com a mão direita sobre a cabeça, que doía fortemente.
Dio havia desaparecido, com brilhantes lágrimas de arrependimento caindo de seu rosto.

— Por quê você me tortura assim? POR QUÊ? — Dizia Dio.
É preciso que você fique forte, impiedoso! Mas você é fraco, incompetente!

Uma extrema vontade suícida atingiu Dio como um tiro, o rapaz sentou-se em um pequeno muro próximo a um estabelecimento, gotas de suor caíam de seu rosto e seus olhos estavam caídos e exaustos.

- O quê aconteceu, menino? — Perguntou uma velha senora que se aproximava.
- Senhora Harpana... — Respondeu Dio, surpreso por encontrar alguém naquela hora da madrugada.
- Menino, tempos difíceis estão por vir... Lamentos, só servirão para te atrapalhar. — Disse a velha senhora, com uma amável expressão.

Dio não respondeu.

- Escute minhas palavras, menino. — Disse a mesma.

A senhora já estava desaparecendo até que, terrívelmente a mesma cai sobre a molhada grama.
Dio foi correndo ajudá-la.

- Senhora Harpana! O quê houve? — Perguntava Dio — A senhora está bem?
- Minhas costas... Minhas costas... — Balbuciava a mesma.

O rapaz ouviu a mesma e observou suas costas, as mesmas estavam com cortes feitos por lâminas que formavam a frase.

Venha nos ver.

O coração de Dio parou, ele só queria ajudar a senhora.

- Vamos, senhora Harpana! Levante-se! — Dizia o mesmo.

Os olhos da senhora começaram a queimar em súbito instante e revelaram-se dois olhos verdes excruciantemente penetrantes.
Cazeaje assumiu a forma da mesma.

- O quê você fez a ela?! — Perguntava Dio.
- Acalme-se, garoto. — Respondia Cazeaje, com a mão esquerda no cabelo de Dio — Nós não a machucamos.
- Maldita! — Disse Dio, olhando para o corpo imóvel da senhora.
- Ela irá acordar em instantes, relaxe.

Dio acalmou-se ao ouvir que a mesma estava bem.

- Venha conosco, imediatamente. — Dizia Cazeaje, severa — Está na hora.

Dio engoliu seco, ele sabia que a tão temida hora acabara de chegar.

- Vamos.

Cazeaje e Dio, consumidos em chamas negras foram levados até o esconderijo, no grande salão que mantinha-se em um puro breu.
Ambos ouviam a respiração ofegante da gigantesca Serpente alguns metros atrás deles, os lustres imediatamente começaram a brilhar.

Milhares de assassinos foram revelados, todos trajando roupas negras e sombrias, os mesmos riram irônicamente quando viram Dio.

- Muito prazer, garoto! Meu nome é Aramanto! — Disse um homem careca, possuindo uma tatuagem em forma de esfera na testa.

Amaranto foi até Dio com intuito de cumprimentá-lo, Cazeaje segurou fortemente a mão do mesmo.

- Volte lá, Amaranto! — Dizia a mesma, encarando-o.
- Tudo bem... Tudo bem... — Balbuciava o mesmo, voltando para seu lugar.
- Dio, essas pessoas aqui reunidas são todos assassinos. — Explicou Cazeaje, ao lado de Dio. — É bom que você fique longe deles.

Dio não respondeu.

- Lúrio, calado! — Disse Duel, aproximando-se. — Olá, filho.
- Olá, meu pai. — Qual a importância disso tudo? — Perguntou Dio.
- Como você sabe, o período combinado encerra-se hoje.

Duel estava em sua forma humana, um jovem de cabelos brancos e pele pálida como a neve.
Dio ouviu as palavras de seu pai e entristeceu-se, em silêncio.
O mesmo observou os assassinos, reconheceu Isaac ao lado de Narciso e logo a frente Téia e Sabino.

- Calados todos!
- Gritou Duel, ansioso.
- Eles também foram ressuscitados? — Perguntou Dio, atônito.
- Não. — Respondeu Duel.
- Apresentem-se. — Exclamou Cazeaje.

Vários nomes começaram a cortar o silêncio, impedindo Dio de ouvir seus próprios pensamentos.

- Chega! — Gritou Cazeaje, novamente. — Benvól, pare com isso!

O homem conhecido como Benvól estava tomando uma garrafa de vinho, o homem era grande, monstruoso.

- Bom, Dio. — Dizia Duel. — Iria demorar uma eternidade para todos eles se apresentarem, volte logo para o quartel, você já sabe o que fazer.

Dio não questionou seu pai, pediu a Cazeaje que o levasse até o quartel, a mesma o fez imediatamente.

O batalhão convocado por Duel era muito grande, possuia homens de todas as idades, mulheres e seres demoníacos.

- Quando atacaremos? — Perguntou Téia.
- Espere, garotinha! — Respondeu uma mulher de cabelos brancos.

A mulher se chamava Sadie, trajava um vestido negro feito de couro e era muito bonita, assim como Cazeaje.

- Fiquem quietos, merda! — Gritou Duel, furioso.

Ao perceberem a raiva do mesmo, os assassinos ficaram em silêncio.

No quartel...

Cazeaje levara Dio bem perto do quartel, o rapaz já conseguia enxergar o antigo armazém disfarçado.
Ele hesitou entrar.
Já era possível sentir que o dia estava amanhecendo, ele precisava fazer o mais rápido possível.

O rapaz adentra-se no quartel, olhou para o instantaneus positus criado por Mari e Arme.
O mágico objeto nada mais era do que um correio mágico, ao enviar alguma coisa para alguém, a pessoa receberia instantaneamente.
O rapaz foi até o mágico e curioso correio instantâneo, era um objeto em formato de cone, pregado na parede.

- Pra quem está mandando essa carta? — Perguntou Ronan, incerto.

Dio colocou a misteriosa carta no correio mágico e estudou Ronan com os olhos.

- Olhe, desculpe-me por aquilo... Ela está bem? — Dizia Dio, abatido.
- Sim, felizmente. — Disse Ronan. — Mas o que te deu aquela hora?
- Estou sofrendo...
- Sofrendo?
- Não consigo explicar... — Onde estão os outros?
- Não fomos dormir, não estamos com sono...
- Você pode, por favor, chamá-la aqui? — Perguntou Dio.
- Mas é claro...

Ronan foi até o quarto em que os outros membros conversavam fervorosamente.

- Elesis, tem alguém que quer te ver... — Disse Ronan, de prontidão caso acontecesse novamente.
- É ele?
- Sim...

Elesis levantou-se e correu até Dio, abraçando-o calorosamente.

- Dio, eu entendo... — Disse Elesis. — Você apenas quis retribuir...
- Não, Elesis... — Disse Dio, com lágrimas caindo. — Não é isso...
- Então o que foi?

Os outros vieram e começaram a observá-los, escondidos.

- Eu, estou sofrendo, muito... — Disse o mesmo.
- Posso saber por quê? — Disse Elesis, preocupada.
- Eu... Por favor, me perdoem... Por favor... — O rapaz clamava tristemente.
- Do quê está falando, rapaz?!

Ao ouvir a súplica de Dio, os outros adentraram-se e colocaram seus olhos no mesmo.

- Eu devo desculpas, devo a todos vocês...

Dio olhou brevemente a janela e percebeu que o sol já havia nascido, estava na hora.

- Eu não sou culpado... AGORA! — Gritou Dio, terrívelmente.

Após ouvirem o grito de Dio, os assassinos destruíram as janelas, paredes, portas e entraram no local, seguidos por Duel e Cazeaje.
Os membros da GC ficaram atônitos.

- Seu traidor desgraçado! Confiei em você! — Gritou Elesis, furiosa.

Elesis empurrou Dio que cai estatelado no chão, as quatro dúzias de assassinos cercaram brutalmente a GC, Dio reconheceu Aramanto, Benvól e Sadie.
Téia, Narciso, Isaac e Sabino não estavam.

Elesis duelava contra três assassinos de uma só vez, Dio observa os seus ex-companheiros duelando por suas vidas.