O Traidor

8 - Asas da solidão


O imponente e aparentemente indestrutível quartel general, agora estava totalmente destruído, a grande mesa de vidro fora completamente reduzida a milhões de estilhaços.
Aramanto gargalhava enquanto duelava com Elesis e Jin.

Sieg, brutalmente matou Mai, um elfo de cabelos negros que estava caído com a garganta destruída pela lâmina de Sieg.
Arme, Amy e Lass ajudavam um ao outro, Sadie lutava de uma só vez contra os três.
Elesis imobilizou os outros três assassinos com que duelou e Arme os paralisou.
Duel e Cazeaje assistiam ao confronto, despercebidos.

Os demoníacos corvos de Sabino encaravam os membros, estudando-os dos pés a cabeça.
O chão estava forrado com sangue e estilhaços, eram muitos inimigos.

- Porra! São muitos, merda! — Gritava Jin.
- Corram! — Disse Ryan, protegido por Lire.

Ronan lutava perto de Elesis, auxiliando a mesma.
O bruto, Benvól consegue segurar Ryan pelo braço e o levanta.

- Você já era. — Dizia ele.
- MERDA! — Gritou Ryan.
- Ryan, não! — Exclamou Lire, furiosa.

Lire em um certeiro tiro, consegue acertar sua flecha no ombro de Benvól que rápidamente cai.

- Vamos, corram! — Gritava Mari, bloqueando os dardos de um anão.

Feitiços mortais voavam como se fossem pássaros, ricocheteando nas paredes destruídas e destruíndo os quadros pendurados.

Jin, rápidamente corre até Ryan e o ergue na altura de seu peito, carregando-o.

- FUJAM, MERDA! — Gritou Lass, cegando um dos milhares assassinos.

O grupo dos dez jovens saltou sobre os escombros e correram até a saída do reino, onde haveriam barcos.

O grande grupo de assassinos perseguia-os, elfos demoníacos correndo frenéticamente com seus brilhantes punhais.

Os moradores, horrorizadamente se esconderam, sem sucesso.
Ao avistarem os inocentes moradores, os assassinos começaram a rir de suas caras e a destruir suas casas.

Aramanto ateou fogo na bonita e elegante casa da senhora Herpana, sem nenhum arrependimento.

Jin sofria dificuldades para carregar Ryan, que estava com a perna quebrada, Lire o auxiliava atirando flechas contra os impiedosos assassinos.

Arme lutava para não se entristecer, o quartel cujo passaram anos de suas vidas ali, fora reduzido a meros escombros.

Gritos de desespero, eufóricos e ensurdecedores destruíam os ouvidos dos membros da GC, crianças choravam enquanto os adultos tentavam protegê-las, uma cena terrívelmente pavorosa.

Não poderia estar acontecendo, Amy estava claramente confusa, não pensava em mais nada enquanto corria para tentar se salvar, o mesmo para Mari.

Guardas tentavam proteger o reino, sem chance.

- Corram, idiotas! Não tentem ajudar! — Gritou Ronan.

Os verdes olhos de Cazeaje observavam vidradamente o percebível desespero das pessoas.

O portão ainda era longínquo, primeiro tinham que pensar em algo para não morrerem.

- Peguem eles, porra! — Gritava Aramanto.

Os punhais arremessados por Primus, o anão, eram rebatidos pela magia de Arme.

Jatos negros rasgavam o céu.

- Não pode estar acontecendo! — Gritou Amy. — Não pode!
- Porra, vamos ficar e lutar! —
Sugeriu Sieg, atônito.
- Não sei se você percebeu, mas eles são MUITOS, merda! — Disse Ronan. — E há mais deles chegando!
- Foda-se! Vamos enfrentar!
- Por favor, não faça isso, Sieg! —
Gritou Mari, correndo desesperadamente para impedir o rapaz. — É suícidio!

Sieg não a contrapôs.

Alguns inocentes tentavam se defender, atirando pedras e outros objetos leves nos invasores, miserávelmente falhando.

- Porra, me acertaram uma pedra! — Gritou Maúma, uma mulher baixa de cabelos cinzentos.
- Quem foi, senhorita? — Perguntou Benvól, ainda com o ombro sangrando.
- Aquele verme ali! — Disse Maúma, apontando para o mesmo.

Benvól saltou até o franzino rapaz.

- Está louco, verme? — Disse Benvól.

A cena, poderia ser descrita como O elefante e a formiga, o rapaz era atordoado pelo cheiro de suór que Benvól possuia, enquanto era surpreendido pelos músculos do mesmo.
Um corpo arremessado, o rapaz estava caído, imóvel.

- Satisfeita? — Disse Benvól, rindo.
- Claro, bonitão! — Disse Maúma, observando os músculos de Benvól.

O cansaço era predominante, as pernas dos heróis da GC não respondiam, surpresos por ainda conseguirem correr apenas movidos pela vontade de viver.
Dio levantou-se e observou a silhueta de seu pai.

- Satisfeito? — Disse o rapaz, claramente exausto.

Duel observou a face pálida de seu filho, ele estava muito grato enquanto Cazeaje sorria abertamente para Dio.
Dio observava um quadro que, estava estilhaçado no destruído chão.
Seu conteúdo, uma foto dos dez integrantes reúnidos, todos sorrindo fervorosamente.

- O quê está fazendo, filho? — Perguntou Duel.
- Guardando algo que me fará recordar... — Respondeu o rapaz, guardando a foto em seu bolso, a mesma estava suja devido à destruição.
- Menino, você possui um próspero futuro mas você INSISTE em destruí-lo com esse falso sentimento chamado amizade. — Disse Cazeaje, provocando Dio.

O mesmo não respondeu.

O reino fora dominado pela destruição, em todas as partes os assassinos tomavam conta.

Elesis já conseguia ver o grande portão, escancarado.
A mesma estava excessivamente exausta, seus cabelos batiam em seus olhos vermelhos, quebrando a visão da mesma.

Arme exitava em olhar para trás, não queria ser insanamente chocada pelo horror que lá havia, os gritos desesperadores dos moradores do reino explodiam os ouvidos dos heróis da GC enquanto corriam desvairadamente.

A expressão friamente demonstrada na face dos assassinos era a mesma : Extrema insanidade.

Seus rostos eram domados pela demência, os olhos brutalmente caídos esboçavam a mais pura felicidade ao ver o desespero dos inocentes.

Enfim, o grande portão já era avistado pelos membros, uma curtíssima sensação de dever cumprido bateu forte no coração dos mesmos.

- Feche o portão! — Gritava Benvól.

Arkel, um elfo pálido, tenta arremessar uma espada nas cordas do portão, com intuito de fechá-lo.

Elesis e Ronan saltavam frenéticamente enquanto corriam, quase tropeçando, para atravessar o portão e saírem daquele inferno.

Já era possível vislumbrar a imensidão daquele lugar, as imponentes e longínquas montanhas e o incessante canto dos pássaros, que também percebiam a iminente destruição.

A vista novamente se perdia na imensidão do pasto, o espetáculo era quebrado pelos perturbadores gritos dos assassinos logo atrás deles.

O vento estava cortante naquela manhã, batendo nos olhos dos heróis e sendo um difícil inimigo.

Esgueirando-se floresta à dentro, os membros tentavam não esbarrar em árvores e plantas, enquanto o inacabável pesadelo predominava, firme.

A densa floresta era como um obstáculo natural, tanto para a GC quanto para os assassinos.

Finalmente, os barcos são avistados.
Pequenos barcos de madeira, presos à margem do mar.

- PULEM! - Gritou Ronan.

Elesis não hesitou, seguiu os passos do rapaz, seguida pelos demais e por último Jin, Lire e Ryan.

Jin tentou ser cuidadoso e ao mesmo tempo rápido, enquanto Lire atirava nos inúmeros assassinos.

O grupo se dividiu em dois barcos, cinco pessoas em um e cinco no outro.

- Reme! - Gritou Elesis, encarando os assassinos.

Lass cortou a corda que prendia um dos barcos, soltando-o.
Sieg começou a remar, no primeiro barco.

Logo, no segundo barco, Mari desfez o laço que o prendia rápidamente e pediu para Jin que remasse.

Os assassinos riram da desesperada tentativa de fuga dos integrantes da GC, Amy tentava não olhar para os mesmos.

- Mais rápido! — Dizia Ronan.

O gigante grupo de assassinos estavam todos de pé, alguns atiravam feitiços contra o barco que eram rebatidos por Arme ou então, errados.
Pedras, punhais e dardos eram arremessados contra eles.

- Porra, estão rindo do quê? Eles estão fugindo! — Gritou Aramanto. — Vamos atrás deles, é patético!
- Relaxe, na hora certa. — Respondeu Sadie.
- Você é surda, porra? Estão fugindo!
- Vamos atrás deles! — Gritou Arkel.
- Não.

Uma chama negra surgiu diante dos assassinos, era Cazeaje.

- Deixe-os partir. — Disse a mesma, impedindo Arkel.
- O quê? Tanto trabalho para isso?!
- Se você ainda não percebeu, isso ainda não terminou. — Disse a mesma.

Cazeaje trajava outro vestido branco, que reluzia fortemente.

- Quem é aquela mulher ali? Ela é tão linda! — Disse Jin.

Quem podia olhar, não hesitou.
Elesis não tinha dúvidas, a voz rouca e poderosa só podia pertencer a mesma.

- Cazeaje. — Vociferou a mesma, séria.
- Cazeaje?! Mas que porra? — Disse Jin. — Vocês não a mataram?
- Infelizmente não.

Arme tomou coragem e virou para trás, iludida pelos terríveis olhos de Cazeaje.

- Não pode ser... — Grunhiu a mesma.

Seu coração foi destruído pelo medo, Lire estava pensativa ao lado de Ryan, que estava deitado no barco.

Os barcos haviam desaparecido na imensidão do mar, deixando os assassinos furiosos.

- Merda, se não fosse por você eles já estariam estentidos nessa porra desse chão! — Gritou Benvól.
- Estou certa que aconteceria o inverso. — Disse a mesma, irônica.

Os assassinos riram da expressão fracassada de Benvól, enquanto Cazeaje observava as águas.

- Venham, vamos voltar. — Disse a mesma, voltando para o caótico reino.

A infinita tropa de assassinos a seguiu.

- Odeio florestas! — Disse Maúma.
- Não devia, pois você tem uma. — Ironizou Benvól.
- Desgraçado! — Gritou a mesma.

Os outros assassinos riram.

Seguindo Cazeaje, Maúma ateava fogo nas árvores, conjurando uma chama muito poderosa.

- Você pode acabar nos queimando, sua maldita! — Gritou Arkel.
- Foda-se!

Seus passos ecoavam pela floresta, uma Cazeaje pensativa os guiava até o reino.

A floresta fora totalmente destruída.

- Estão ali! Preparem-se! — Gritou um guarda.
- Merda, são muitos!

Um pequeno esquadrão tentava os impedir, miserávelmente.

- Mate-os. — Ordenou Cazeaje, pensativa.

Uma chuva de magia negra, armas e outras coisas atinge em cheio a pequenina tropa, aniquilando-os.

- Vamos. — Disse Cazeaje, passando por cima dos corpos.
- Porra, que patético! Nem uma resistência. — Zombou Árapo, um elfo.

Ao chegarem no portão príncipal, moradores aterrorizados e muita destruição.

Os olhares dos moradores expressavam o mais profundo medo que Cazeaje podera enxergar, isso a deixou muito feliz.

- Aramanto, chame os outros! — Disse Maúma.
- Ainda não. — Contrapôs Cazeaje. — Quero fazer uma coisa.
- Que tipo de coisa? — Perguntou Sadie.

Os assassinos ficaram curiosos, alguns se aproximavam para conseguir chegar perto de Cazeaje para ouví-la.

- Maúma, Sadie. Venham comigo. — Ordenou Cazeaje.
- Para onde nós estamos indo? — Perguntou Maúma.

Cazeaje não respondeu.

A mesma a levou até o lugar preferido de Lótus, as Cerejeiras gêmeas, as duas árvores ainda estavam de pé no meio de todo aquele caos.
Cazeaje passou a mão no tronco de uma das cerejeiras e disse :

- Destruam tudo. — Ordenou, friamente.
- Mas é tão lindo... — Vociferou Sadie, encantada.
- Não me importa, destruam tudo.
- Por quê justamente nós? — Perguntou Maúma, também encantada com a beleza do local.
- Pois vocês são mulheres, só nós fazemos o serviço direito. — Disse a mesma.

As palavras de Cazeaje felicitaram Maúma e Sadie.
Sadie fincou inúmeras lâminas nos troncos de todas as árvores, incluindo as imponentes cerejeiras.

Logo após, Maúma queimou todas as árvores do local com apenas um estalar de dedos.

As pétalas da cerejeira que há pouco ainda estavam firmes e fortes, estavam totalmente queimadas no chão.

Seus troncos, violentamente destruídos pelas lâminas de Maúma ameaçavam cair.

- Satisfeita? — Balbuciou Maúma. — Por quê este lugar?

Cazeaje ficou calada, segundos após respondeu.

- Lótus está enterrada aqui. — Disse a mesma.
- Lótus? Comandante Lótus?! — Perguntou Sadie.
- A própria.
- Foi você né, que a assassinou? — Perguntou Maúma.
- Exatamente. — Disse Cazeaje, abrindo um sorriso.

O local cujo Lótus poderia descansar em paz, fora brutalmente violado.

- Vamos destruir o túmulo dela então! — Palpitou Maúma. — Vamos queimá-la!

Cazeaje calou-se,

- Não, ela já sofreu demais. — Respondeu a mesma, com uma pequenina gota de compaixão.
- Mas que porra?! A rainha da escuridão demonstrando compaixão?! — Zombou Maúma.
- Nunca vi isso... — Grunhiu Sadie.

As árvores carbonizadas entristeceram o lugar com sua repentina ausência, o reino fora dominado pelo caos.
Em todas as partes do reino a destruição tomava conta.
Cazeaje e as outras mulheres retornam até o local em que os assassinos estavam.

- Aramanto, chame-os.

O mesmo cortou a palma de sua mão levemente, e logo, os outros surgiram em uma chama escarlate.

- Fugiram? — Perguntou Duel, irônico.
- Sim! Mas foi culpa dela. — Disse Maúma, apontando para Cazeaje.
- Ela está certa, senhorita Maúma. — Exclamou Duel. — Queremos brincar com eles.

Os moradores não tentavam mais se esconder, de alguma maneira os mesmos se acostumaram com o horror.

- Vamos acabar logo com isso. — Disse Duel.

O mesmo foi subindo as grandes escadas que levavam às muralhas do reino, Sabino o acompanhou.

- Cidadãos, sua vida agora pertence à nós. — Gritou Duel, acompanhado dos mais experientes assassinos.

Ao lado de Duel, Sabino e sua irmã, Isaac e Narciso.

- Vejo que vocês ainda não descobriram a verdade...

Lotada de moradores, guardas e outras pessoas, as ruas lotadas eram motivo de alvoroço e pânico.

- Fiquem quietos! — Gritou Cazeaje.
- Seu rei, está morto. — Disse Duel, sorrindo.

Sabino também riu, levemente.

De trás da imensa multidão, a rainha se mostra com os olhos em pânico e tristeza.

- O QUÊ? — Gritou a mesma, começando a chorar.
- Senhorita rainha, você está viva. — Disse Duel, olhando para Téia.
- Por quê você não a matou? — Perguntou Sabino, baixo para Téia.
- Não deu tempo! — Respondeu a mesma, constrangida.

A rainha caiu de joelhos, enquanto guardas corriam para ajudá-la.
Minutos depois, a mesma desmaia.

- Ajudem! Levem-na para o hospital! Por favor! — Gritavam os moradores, desesperados.

Os outros assassinos que ficaram embaixo, riram.

- Vocês, são nossos. — Grunhiu Cazeaje.
- Mamãe, eu não quelo ser deles... — Disse uma garotinha, para a mãe.
- Eu também não, filha... — Respondeu sua mãe, chorando.
- Nós não somos seus escravos, desgraçados! — Gritou um morador enfurecido.
- Aramanto, por favor? — Exclamou Duel.
- Sinto muito, bicho! — Disse Aramanto.

Aramanto o apunhalou violentamente.

- NÃO! — Gritou a namorada do rapaz, correndo em sua direção.

O rapaz foi ao chão, sua namorada segurou seus fracos braços e lamentou-se.

- Não, não... — Dizia a mesma.

- As coisas serão assim. — Disse Duel, olhando para o rapaz assassinado.

A aglomeração de pessoas estava gigantesca, todas com o mais horrível terror refletido em suas faces.

O sol estava escaldante naquela manhã, ofuscando a visão de muitos.