O Touro de Minos

1 Assim nasce o monstro


Notas iniciais
Em essência, o mito representa a batalha entre razão e selvageria, o Minotauro era inimigo da razão, sendo a parte indomável da natureza.

Após assumir o trono de Creta, o rei Minos passou a combater seus irmãos pelo direito de governar a ilha. Rogou ao Deus do mar, Poseidon, que abençoasse seu reinado, prometendo-lhe todo ano sacrificar seu melhor e mais bonito touro em sua homenagem. Porém, um ano seu rebanho produziu um touro tão bonito e perfeito que Minos não pôde se separar dele e sacrificou um touro inferior em seu lugar, mas Poseidon viu tudo, e disse:

– Muito bem, gosta tanto assim do touro? Pois vou fazer sua mulher gostar do touro também!

Como forma de punir Minos, Poseidon pede para que Afrodite faça com que Pasífae, esposa de Minos, se apaixone e sinta desejo pelo animal. A rainha traçou um elaborado plano para seduzir o touro. Pasífae pediu então ao arquetípico artesão, Dédalo, que lhe construísse uma vaca de madeira na qual ela pudesse se esconder no interior, vestiu o disfarce de vaca e ficou vagando por onde o touro estava esperando que ele se aproximasse. O touro a espia e começa a ser consumido pelo desejo e a cobre. Por ter Pasífae cedido ao sexo bestial e Minos ludibriado os Deuses, nasceu Minotauro.

Pasífae cuidou dele durante sua infância, porém eventualmente ele cresceu e se tornou feroz; sendo fruto de uma união não natural, entre homem e animal selvagem, ele não tinha qualquer fonte natural de alimento e precisava devorar homens para sobreviver. Minos, após aconselhar-se com o Oráculo em Delfos, pediu a Dédalo que lhe construísse um gigantesco labirinto para a criatura, localizado próximo ao palácio de Minos, em Cnossos. Escuro, desnorteante e mortal, o mítico labirinto era aterrorizante, era tão confuso que seu próprio construtor mal podia achar o caminho da saída. No centro do labirinto, a besta descansaria.

Enquanto isso, em Atenas, atletas de toda a Grécia se unem para competir em uma série de desafios esportivos, um evento chamado Jogos Panatenaicos; em devoção a deusa Pala Atena. Entre os competidores estava o príncipe Androgeu, filho de Minos e meio-irmão de Minotauro. Androgeu vence todas as competições, irritando um grupo de jovens atenienses que, bêbados, assassinam Androgeu arrancando-lhe a cabeça. Era a guerra. Quando a notícia chega a Minos, sua dor é arrasadora, sua ira e sede de vingança são enormes. O rei Minos decide punir os atenienses da pior maneira possível: servirão de alimento para a besta. Para o sacrifício, era exigido 7 rapazes e 7 moças virgens. No mundo antigo, as pessoas virgens eram muito valorizadas, acreditava-se que sua pureza os aproximava dos Deuses. Os sacrifícios eram enviados a cada 9 anos, pois compreendiam ao movimento da lua, sempre que houver uma lua cheia no equinócio, é tempo de enviar novos jovens a besta.