O Tigre Negro
14 O Resgate do Tigre
Notas iniciais
Eu amei escrever esse capítulo porque ele marca o que seria um começo de complexidade nas jornadas e nos personagens. Espero que gostem!
As páginas viravam como se furacões momentâneos passassem por ali quando a leitura era finalizada.
Informações, fim de página, furacão.E o ciclo se repetia a medida em que a busca de respostas se intensificava. Sr. Kadam fazia o mesmo e de tempo em tempo anotava com vigor informações relevantes para a pesquisa sobre a maldição que ligava Kishan à mim. A não ser pelo virar de páginas e de canetas sendo rasuradas em papel, a sala era silêncio. Evidente se mostrava como aquela pressão afetada pelo silêncio era torturante. Porque o silêncio significava que nada havia sido descoberto até ali, nem sequer uma pequena pista. E aquilo era angustiante. Como se uma massa constituída de pura angústia fosse moldada dentro do peito. Até que naquela tarde, uma voz invadiu a sala de súbito. Uma pontada de esperança que alimentava a espera por boas notícias se estabeleceu dentro de mim. Anulando por alguns milésimos a massa de angústia.– Sr Kadam! – gritou a voz feminina. Kelsey logo em seguida adentrou a sala. E quando me virei para a direção da voz, vi lágrimas escorrendo pelas bochechas da garota. Fiquei de pé instantaneamente.– Kelsey o que aconteceu? – Perguntei assustada com o tamanho desespero que o rosto dela demonstrava. E com a pergunta mais lágrimas rolaram cristalinas e cheias de dor. Kishan chegou logo após a pergunta ser feita. Ele suava e arfava como quem tivesse corrido uma maratona inteira e partes do seu corpo estavam manchadas de sangue. No pescoço, um grande corte rente à jugular estava à mostra e era visível que se a lâmina que havia feito aquele corte tivesse se aprofundado um pouco mais, Kishan não estaria ali, pelo menos não respirando.– Pelos Deuses! – Exclamei assustada. – Seu pescoço...– Não importa agora. – Kishan disse sério – Eles o levaram.– Quem? Levaram quem!? – Sr Kadam perguntou, claramente perdendo um pouco da boa e calma compostura que adotava quando conversava com qualquer pessoa. Era isso que sentimentos faziam a pessoas, nem um rigoroso treinamento de guerra poderia os enjaular. Kells chorava desesperadamente e de ora em ora abria a boca para tentar falar, mas logo desistia quando soluços venciam sua vontade. Kishan olhou apreensivo para a figura de Kelsey e disse:– Lokesh os enviou e eles levaram Ren. A sala mergulhou em puro silêncio novamente. Mas dessa vez a massa de angústia se moldou em cada peito em que batia um coração puro naquela sala. ~*~– Precisamos seguir para a segunda jornada – Insistiu Kishan. Kells arregalara os olhos com a proposta e de súbito respondeu:– Concordo, precisamos salvá-lo o mais rápido possível!! Manik que dessa vez estava na sala da biblioteca e já estava a par de toda a situação ocorrida, sentava pensativo.– Calma Kells, precisamos pensar com calma. Agora todo o cuidado é pouco já que estão com Ren. Não podemos correr o risco de deslizar já que uma vida está em risco agora.– A Senhorita Elizabeth tem razão – concordou Sr. Kadam – Temos que traçar um plano detalhado e segui-lo à risca. Manik aquiesceu como que para si mesmo. Kishan também o fez.– Traçaremos o plano hoje e amanhã começaremos a segunda jornada – Sr. Kadam afirmou. E um pouco mais tarde naquele dia o plano fora esboçado e apagado diversas vezes. Kells que agora havia se recuperado um pouco do choque já palpitava nas estratégias, determinada a resgatar Ren. Manik e Sr. Kadam deram informações valiosas que serviram como os principais pontos estratégicos daquele plano. No final das contas terminamos tudo quando já era madrugada e todos se prepararam rapidamente para o que no dia seguinte seria o começo de um plano de resgate perigoso. Tudo iria ser dividido em dois “grupos”. Kelsey e Kishan fariam a segunda jornada, seguindo as escrituras que Kells conseguira na primeira jornada. Uma parte fora decifrada por Sr. Kadam e em outros detalhes que passaram despercebidos eu ajudara decifrando metáforas à antigos elementos da cultura indiana. A segunda parte do plano seria posta em prática por mim e Manik. O esquema se tratava da “visita” que faríamos à Lokesh, levaríamos notícias falsas e eu pediria perdão por ter “fracassado ao não ter conseguido tirar a vida de Kishan”. E tentaríamos descobrir o paradeiro de Ren. Eu me humilharia, basicamente. Isso faria com que a confiança de Lokesh fosse reconquistada pois ele sabia o quanto a filha era orgulhosa e nunca se humilharia, em nenhuma circunstância. Mas aquela não era uma circunstância qualquer. Manik sorriu um riso solidário quando essa parte do plano fora proposta. Ele entendia o quanto aquilo me feria. Curvar-se para Lokesh, mesmo que fosse apenas para enganá-lo posteriormente era ainda em algum aspecto se curvar para todo o mal que havia dentro dele. O que evidentemente não era pouco. Eu aceitei essa parte do plano, era preciso. Não importava se naquele momento, fôssemos feridos pois a justiça enfim seria feita.
E minha mãe e Yesubai seriam vingadas quando Lokesh ruísse. E vidas seriam salvas. E tigres, resgatados.
Notas finais
Comentem o que acharam, obrigada por ler! Me sinto especial pela dedicação de seu tempo
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