Notas iniciais
Mais um cap quentinho pra vcs. Me desculpem a demora, foi o bloqueio criativo! Mas já resolvi tudo e tem vários capítulos reservas que só faltam ser digitados, aproveitem!

– E então este é o famoso acampamento? – Eu disse enquanto admirava o belo e rápido trabalho de Sr. Kadam com as tendas, fogões à gás e biblioteca improvisada.

– Sim, onde espero pelos meninos e por boas notícias... é um pouco angustiante, a espera.

– Kelsey e Kishan são espertos, vão se dar bem. Pena que eu e Liz não fomos autorizados a acompanha-los – Lamentou Manik. – Lhe faremos companhia, ao invés disso.

Manik tocou o ombro de Sr. Kadam e lhe abriu um grande sorriso solidário, o que pareceu dar uma positiva descarga de energia na figura de Sr. Kadam.

– Vamos trabalhar então! – Disse um renovado Sr. Kadam que seguiu seu caminho até a tenda biblioteca.

Fazia quase maia hora que Kells e Kishan haviam partido para suas jornadas, a segunda jornada.

Na despedida, desejei aos dois que fizessem uma viagem segura.

– Cuidado com macacos canibais e coisa do tipo.

Kishan sorriu como se lutar com macacos canibais soasse como um desafio radical e consequentemente, muito legal, afinal era um tigre. Já Kelsey rolara os olhos com a reação de Kishan e me abraçou forte.

Abracei Kishan também, mas não disse mais nada.

Kishan disse.

– Espero que as coisas se resolvam. – Ele beijara minha testa.

E então partiu.

Fazia tempo que Sr. Kadan se encontrava na biblioteca. Eu e Manik estávamos montando uma fogueira para mais tarde quando fosse noite.

Manik fez algumas viagens até a floresta até que juntamos lenha o suficiente.

– Liz?

– Sim?

– Estou com um pressentimento estranho.

– Como assim? – perguntei preocupada.

Manik franziu a testa.

– Parece que algo está se aproximando. Acho que vou fazer uma varredura.

–Você diz... sobrevoar?

Manik assentiu. Então correu em direção à floresta e deu um salto. Em meio ao salto ele se transformara no ar.

Um borrão preto tingiu o céu azul e as asas se contrastaram. Um guincho de águia soou poderosa.

Após alguns minutos, a águia retornara e se transformara em homem antes de aterrissar no chão.

– Liz, se lembra dos lobos de Lokesh?

– A Matilha? Eram mensageiros dele.

Manik assentiu.

– Estão aqui.

Arregalei os olhos, preocupada.

– Precisamos encontra-los antes que nos encontrem aqui no acampamento, vamos Manik.

Corremos na direção em que Manik disse que vira a Matilha de Lokesh e com a ajuda da visão de águia de Manik pegamos atalhos livres de galhos grossos tropeçáveis ou cobras à espreita.

A floresta parecia se tornar mais densa e escura à cada passo, como se o sol não quisesse que seus raios iluminassem aquela área.

Finalmente paramos quando Manik indicou o local.

– Chegarão a qualquer momento. Já devem saber que estamos aqui.

Em menos de um segundo ouvimos seus passos em nossa direção, cada vez mais altos e assustadores.

E então eles apareceram.

Eram cinco. E nos cercavam, cada um mostrando os dentes e rosnando como se fôssemos presas, claro que não se importariam em tratarmos como tal.

– Eles não te reconhecem, Liz. – Manik murmurou.

– E o que você quer que eu faça? Querem nos matar.

– Se transforme.

Manik disse como se fosse algo muito simples.

– O quê?

– Eu me transformo com você.

– Tá, mas se esses carnívoros atacarem, você pode voar, espertão. Eu vou ficar aqui e virar jantar, não obrigada.

– Eu não vou te deixar aqui, sua boba.

Os lobos aumentaram o tom de ameaça com rosnados mais graves e selvagens. A pressão da situação me fazia suar de nervoso.

– Tudo bem – Cedi – Não temos outra saída senão essa mesmo.

Fechei os olhos e pedi ao meu corpo pela transformação. Pedi com medo de início, com rosnados aos meus ouvidos em meio à escuridão. Aos poucos algo dentro de mim se aqueceu e então subiu cada vez mais rápido até que atingiu o topo de minha cabeça e se dissipou, meus olhos abriram automaticamente e notei minha visão mudada, assim como minha perspectiva.

Os cinco lobos não rosnavam ou exibiam seus afiados caninos mais.

A Matilha estava à nossa frente, cinco cabeças de lobos curvadas em nossa direção.

Estavam inclinados como súditos fazem à Reis.

Neste caso, o faziam à uma raposa e uma águia.

Inclinei meu focinho rapidamente dando lhes a permissão para que se levantassem.

O lobo que se situava no meio da Matilha, que parecia ser o líder, rosnou. Entretanto, não como um lobo rosna para um inimigo, mas como forma de comunicação.

Inclinei o focinho novamente, demonstrando compreensão.

Fechei os olhos e pedi para me transformar novamente, ao abrir os olhos, era humana outra vez.

Manik fez o mesmo e ficou ao meu lado.

Os lobos precisam acreditar que estamos do lado de Lokesh, pelo menos até que salvemos Ren.

– Eu tenho um recado também. – Improvisei – Diga à ele que os planos foram modificados e que o tigre negro só não foi morto por uma questão de análise da situação, precisamos dele vivo. Diga à ele que os presentes de Durga que conseguiram e irão conseguir em suas próximas jornadas são muito valiosos, valiosos para seus propósitos também.

Eu tentava manter o blefe dizendo tudo em voz fria e dura.

– Vão. – Ordenei como uma vilã – E digam tudo à Lokesh.

Quando a Matilha se afastou levando meu aviso falso, um cansaço estranho veio à tona e meus joelhos fraquejaram. Felizmente Manik me segurou antes que eu pudesse cair.

– O que os lobos quiseram dizem quando rosnaram naquela hora?

– Eles disseram algo como: “ Dois dias. Raposa e águia vão, lobos vêm.”

– Temos dois dias para encontrar Lokesh ou os lobos virão?

– Isso mesmo.

– Vamos voltar ao acampamento então, você precisa descansar. Depois de tantos anos sem se transformar, seu corpo não reagiu bem.

Assenti e trilhamos o caminho de volta ao acampamento.

Ao chegar à clareira do acampamento, tudo estava quieto como antes.

Um farfalhar de folhas chamou minha atenção. Eu e Manik nos viramos, alarmados pensando ser os lobos novamente. Mas ao invés de lobos, encontramos um tigre.

Kishan se transformou em homem e antes que eu pudesse questionar sua presença ali, ele se pronunciou:

– Como pôde? – Indagou ele com a feição dura como de uma pedra.

Abri a boca para perguntar do que ele estava falando, antes que qualquer som saísse, sua voz rumbou novamente:

– Como pôde nos trair!?

– Eu...

– Eu te vi na floresta com os lobos e o seu amigável recado para Lokesh. – Kishan passou a mão pelos cabelos, nervoso.

Meu cérebro parou, simplesmente não soube como explicar que tudo fora um blefe. Não existia explicação no mundo que revertesse o sentido do que Kishan havia presenciado.

– Kishan... – Manik tentou explicar.

– Não! – Kishan explodiu – Não existe explicação.

Kishan me encarava com raiva aliada à decepção, pude jurar que o brilho dourado que sempre destacava seu olhar, havia desaparecido.

Naquele momento percebi o quanto aquela família havia mexido com o meu interior em tão pouco tempo, eu me peguei pensando no que Kelsey e Sr. Kadan achariam de mim a partir daquele momento e temi suas conclusões, pois sabia que haveria decepção, eles me odiariam e não haveria mais perdão.

Notas finais
O que acham? Me contem nos reviews! PS* Me contem nos reviews mesmo, sério vcs não sabem como comentários me fazem feliz!!