O Teste da Deusa

18 Capítulo Dezessete – Sou expulsa de casa


Notas iniciais
Oi gente! Espero que gostem, um beijo! [ATUALIZADO 01/02/2017]

— Como é?

Nico estava sentado na cama esfregando os olhos. Já era quase meio dia e eu não sai do quarto até vê-lo acordado e completamente consciente. E, bom, vivo.

— Eu não sei o que significa Nico.

— Vamos lá, as vezes só entendemos o significado de alguma coisa depois que ela acontece. E quase sempre as palavras do oráculo tem duplo sentido. Me diz a profecia outra vez. O que a dona múmia disse, exatamente?

Respirei fundo e repeti a profecia.

Por vingança a sabedoria foi roubada
A beleza em uma caverna está
No frio do norte a verdade se revelará
O passado terá de vencer
A decisão final concretizará
Morte ou verdade permanecer.

— Isso... não parece bom.

— Não me diga! O que te preocupou? A parte da morte? Ou quem sabe eu precisar vencer o passado? Sabe? Aquele que eu não lembro!

Levantei estralando meus dedos. Eu estou bem. Estou calma. É só uma profecia. Nada demais. Isso só define meu destino inteiro. Tudo sob controle.

— Se ao menos eu pudesse falar com Quíron... quem sabe ele me desse mais alguma luz.

Nico tinha o cenho franzido, enrolado nos lençóis, parecendo pensativo. E eu não consigo afastar a sensação de que estou esquecendo alguma coisa, para variar.

— Dizia mais alguma coisa?

Parei para pensar um pouco.

— Dizer, dizer não dizia. Mas vi coisas na névoa verde.

— Que tipo de coisas?

Nico ainda piscava lentamente, mas já estava sentado e parecendo mais desperto. Eu estou mais que arrependida por exigir tanto de seus poderes do nada.

— Você recitou a profecia para mim.

— Eu?

— Ãn, digamos que não era você, era um você verde. E de fumaça. – Fiz uma pausa para que ele absorvesse a informação, mas Nico não parecia abalado. Talvez a única abalada por aqui seja eu. – Junto com a primeira estrofe você, quer dizer, a coisa, me mostrou uma mulher observando um lago. Depois, eu vi um grupo de garotas correndo e atirando flechas. Depois eu vi um lugar que eu não reconheci. Um salão.

Ele assentiu e levantou, se espreguiçando um pouco.

— Bom, talvez essas meninas sejam as caçadoras, será que elas estarão no Norte?

— Quem sabe? Elas podem estar em qualquer lugar. Aliás, eu já tenho uma ideia das primeiras linhas. Eu... Tive a memória “roubada”. Talvez memória signifique sabedoria.

— Ou talvez seja sabedoria porque, bom, você é filha da sabedoria.

De alguma forma, isso ativou uma engrenagem no meu cérebro que estava desligada. Eu tenho mais informações. Como pude esquecer?

— Pode ser. De qualquer forma, está falando de mim. – Nico assentiu. – E... Tenho outra teoria. Eu recebi duas profecias.

Eu estava me sentindo levemente eufórica.

— Duas? O que? Quando...

— Octavian, ele...

— Eu não gosto desse cara.

— Ele realmente não parece ter uma legião de fãs, mas ele disse algumas coisas que agora fazem mais sentido.

— E o que era?

Fechei os olhos, tentando lembrar com exatidão das palavras.

— Ele disse, abre aspas, algo foi tirado de você, e se você não pegar de voltar vai ser muito ruim. Uma deusa tem sua resposta, mas impossibilitada de falar ela está. Encontre-a e descubra a verdade. Hoje mesmo sentirá o início de sua ruina e tudo o que você ama começará a cair. Quando sua memória voltar, olhe duas vezes para a lembrança, fecha aspas.

Nico estava de boca aberta.

— E você ia me dizer isso quando?

— Não parecia importante. Nenhum de vocês confia nele! Mas depois da profecia, algumas coisas encaixam.

— Você disse isso ao Quíron? – Assenti – Então porque ele não disse nada?

— Eu não sei Nico, – mordi meu lábio – mas não posso deixar de sentir que tudo isso está conectado de alguma forma.

— Claro que está Annie, e isso é importante. Parece obvio que o que foi tirado de você foi a sua memória, e você precisa pegar de volta.

— Mas, e o resto?

Nico me observou desconfiado.

— Geralmente você que entende as profecias.

— Eu sei! Mas... eu não consigo.

— Certo. – Ele suspirou – Ele disse que uma deusa tem sua resposta, então... Pode ser que a mulher que você viu no lago seja essa deusa. Uma deusa de algum rio, quem sabe? Talvez esse lago esteja dentro da caverna. Mas... beleza? E ela não pode falar por quê? Porque está dentro da caverna? Não consigo entender.

Arregalei os olhos, compreendendo.

— É exatamente isso Nico!

— O que?

— Eu sei quem é a deusa!

Corri até a cama, peguei meu casaco e calcei os sapatos. Eu preciso de mexer.

— Ei, ei, calma. – Ele me segurou pelos ombros. – Como você sabe quem é?

— Depois... – Respirei fundo, tentando manter a voz firme – Depois que Octavian me disse isso, eu encontrei Poseidon, e...

Ele arregalou os olhos e suspirou.

— Poseidon? Você quer dizer, o deus dos mares e tal? Porque você achou que isso não fosse importante? O que mais eu não sei?

— Calma Nico. Ele me pediu para ir atrás da Piper, e perguntar sobre uma deusa. Eu não entendi na hora, mas agora eu consigo ver! Ele me deu a resposta desde o início!

— Espera. Você contou pra Piper e não contou pra mim?

Ignorei o que ele disse, e continuei.

— Quando conversei com ela, ela me disse que Afrodite sumiu! Desapareceu. Que estava incomunicável. Mas Piper conseguia falar com ela.

— Quando todas essas coisas aconteceram que eu não fiquei sabendo?

— Ela disse que tem certeza de que Afrodite está numa caverna. Numa caverna Nico!

Ele maneou a cabeça, antes de responder.

— Beleza, é claro. Afrodite. Como eu consegui ser tão tapado?

Seguei seu rosto entre minhas mãos e fiz com que ele olhasse para mim.

— Foi por isso que eu quis vir até o acampamento. Como pude esquecer? Eu queria fazer uma pergunta ao oráculo, mas eu não conseguia lembrar das coisas.

— Só eu não me sinto muito confortável com o final das duas profecias? É? Só eu?

— Mas agora... agora eu lembrei. Tudo parece se encaixar.

— E eu nunca vi alguém receber duas profecias. Isso significa o que? Perigo em dobro? Mais chances de morrer?

— Nico. É sério. Eu queria perguntar a localização da caverna.

— Bom, nós sabemos.

— “No frio do Norte” é meio vago, não acha?

— Eu acho promissor, provavelmente vamos encontrar. Só precisamos procurar, vai levar poucas semanas e...

Neguei.

— Tenho uma ideia melhor. Sei exatamente onde encontrar meu rastreador. Mas antes, preciso fazer outra coisa.

— O que?

— Preciso falar com a Piper outra vez.

***

— Ó Iris, deusa do Arco-Íris, aceite minha oferenda, mostre-me Piper McLean, no Acampamento Júpiter.

Joguei um dracma no arco-íris improvisado por Nico com uma mangueira e esperei.

— Só eu me sinto meio idiota esperando uma nuvem me responder?

Nico revirou os olhos e sorriu.

— Se fosse eu dizendo isso para você, eu ia ganhar um chute na barriga e uma lição de “como respeitar todos os deuses”.

— Pode até ser, mas... – A imagem na névoa tremeluziu e eu vi Piper, sentada em cima de uma mala, tentando puxar o zíper. – Olá!

Eu poderia ter rido, se não estivesse tão nervosa. Assim que ouviu minha voz, ela escorregou da lateral da mala para o chão, caindo atrás da cama. Pude ver sua cabeça quando ela sentou novamente.

— Ah! Que susto Annabeth! Você podia ter avisado, ou algo assim.

— Eu sou nova no ramo. – Me desculpei – Mas preciso de sua ajuda, e não sei quanto tempo essas mensagens duram.

— Certo. E o que seria?

— Preciso encontrar sua mãe.

Ela coçou a cabeça, e voltou a sentar em cima da mala.

— Eu já te disse Annie, ninguém sabe onde ela está.

— Mas você consegue ver o lugar que ela está. Como ele é?

— Eu não sei Annie... eu só... vejo montanhas e a entrada de uma caverna. E gelo. Muito gelo mesmo.

Encarei Nico, certa de que ele pensou o mesmo que eu. Gelo e frio do Norte devem ter algo a ver, não é?

— Não tem mais nada? Tem certeza?

— Desculpa Annie, queria poder ajudar mais. Eu e Jason vamos estar de volta a Long Island amanhã à noite, talvez a gente possa pensar em alguma coisa juntas.

— Tudo bem. – Assenti – Boa viagem para vocês, nos vemos logo.

Sorri me despedindo e passei a mão pela névoa.

Meus ombros caíram.

— Ótimo. Não temos... Pistas.

Nico esfregou os ombros e jogou a cabeça para trás.

— Acho que nós devíamos almoçar, e aí... pensamos no que fazer. Deve ter algum jeito.

Assenti, concordando com ele.

— Estou mesmo com fome.

Nico deu uma risada antes de pegar minha mão e me puxar para longe da área dos chalés.

— Você por acaso dormiu essa noite?

Neguei antes de falar.

— Eu não poderia. Não vendo você daquele jeito. Fiquei com medo de você não acordar mais, e... Não sei.

Nico abriu um pequeno sorriso, antes de pisar em uma sombra e eu perceber tarde demais o que ia acontecer.

Quando paramos no meio do refeitório só tive tempo de dar um tapa na cabeça dele.

— O que? Eu não morro fácil.

Revirei os olhos e larguei sua mão, indo até a mesa de comida. Era tanta coisa que eu nunca sabia bem o que pegar. Então escolhi umas frutas, com alguns pães recheados e joguei a melhor parte para Atena, na fogueira.

Por favor mãe, me ajude.

Caminhei até a mesa de Hades, esperando Nico aparecer. Meu copo se preencheu com suco de uva no mesmo momento que Percy sentou na minha frente, trazendo uma bandeja com o almoço pela metade.

— O que...

— Vim saber como vai o andamento das coisas. Conseguiu a profecia?

Olhei para os lados, checando o lugar.

— Relaxa, aqui é a mesa de Hades, as pessoas não costumam se aproximar. E então?

— Consegui. – Suspirei. – Não que a gente tenha tido muito progresso depois disso.

Nico sentou ao meu lado, soltando a bandeja.

— Nós temos a profecia a menos de doze horas e já deciframos duas linhas e meia. Acho que estamos indo muito bem.

— O que vocês já descobriram?

Percy encarava Nico e parecia um pouco cansado. Olheiras escuras ao redor dos olhos verdes evidenciavam uma noite mal dormida. A barba por fazer também não ajudava muito no quesito visual limpo-e-organizado.

— Bom, o oráculo disse algo que a gente já sabia. Que a Annie perdeu a memória, e pelo jeito, só que pode ajudar ela é a Rainha da Beleza.

— A Piper? – Percy parecia confuso ao me encarar.

— Ah. – Nico bateu com a mão na própria testa. – Valdez. Não, não a Piper, a mãe dela.

Mordi um pedaço do meu pão enquanto eles conversavam.

— Quíron não apareceu hoje.

Parei de comer e olhei de Percy para Nico.

— Que estranho. E, Percy, Piper me disse que ela e Jason voltam amanhã.

— Ótimo. – Ele deu comeu uma uva. – Jason pode assumir as aulas com o gládio, o pessoal podia gostar de aprender algo diferente e eu vou estar livre.

Nico largou o copo na mesa e me encarou, antes de perguntar ao Percy.

— Livre para o que?

— A Annie não contou? Ir com vocês.

— Acho que ela esqueceu de mencionar.

Tomei um gole do meu suco antes de me manifestar.

— Percy, eu já agradeci a ajuda, mas eu já te disse. Vou quebrar as regras novamente. Eu vou com o Nico. Você tem que casar. Tem que estar inteiro até lá.

— Mas eu posso ser útil.

— Eu sou obrigado a concordar. Mas... por que você quer tanto vir?

Percy encarou Nico, olhou para mim e o encarou novamente antes de responder.

— Eu não sei. Já tinha dito que ia evitar missões e tal. Mas eu não sei. Algo me diz que eu devia ir. Que... vou ser útil.

Olhei para Nico e percebi que ele ia dizer uma besteira, então, o interrompi.

— Nós vamos conversar direito e amanhã pela manhã confirmamos, tudo bem? Você ainda precisa saber se o Jason vai querer assumir as aulas. Eu e Nico... temos muito o que conversar.

— Ótimo. – Percy assentiu sorrindo. – Você tem aulas hoje, não esqueça. Até mais Nico.

Nico me encarou enquanto Percy saia.

— Eu sei o que você vai dizer, e a resposta é não.

— Você não sabe o que eu ia dizer.

— Sei sim. Você vai dizer que eu devia deixar Percy vir, porque aí vocês dois podem me ajudar.

— Ok Annie. Talvez você soubesse o que eu ia dizer. Mas eu não sei porque isso é uma má ideia.

— Eu não quero ser responsável por estragar o casamento de alguém que eu nem conheço. A Rachel deve ser uma pessoa legal, e o Percy devia ficar por aqui, inteirinho, cuidando de tudo. Além de que, você nem gosta dele.

— E daí? Não vai ser a primeira vez que trabalhamos juntos em prol de um bem maior. Annie, eu já levei ele para tomar banho no mundo inferior, ele ganhou a pele impermeável do Aquiles e aí derrotamos Cronos todos juntos. As vezes nós nos unimos por uma boa causa.

— Eu não sei se devemos.

— Ele quer ir. E ele é bom em sobreviver Annabeth, fica tranquila. Todos nós somos.

— Talvez nem todos.

Amigos mortos em batalha passaram pela minha mente, me fazendo ficar triste.

— Eu acho que ele devia ir.

Terminamos de almoçar em silêncio e um pouco mais tarde fui até a arena treinar com Percy. Eu apreciava sua boa vontade em me ensinar, e também ficava feliz que se oferecesse para ir conosco. Mas eu não sei se podia permitir. Nosso treinamento foi muito mais intensivo que no dia anterior e quando cheguei no chalé de Nico eu achei que fosse morrer.

O sol já havia sumido há um bom tempo e tudo o que eu queria era sentar por cinco minutos.

Tomei um banho na esperança de relaxar um pouco. Depois de dois dias com treinamentos intensos, invadir a casa grande, receber uma profecia que mais parecia um decreto de morte, o cansaço finalmente estava ganhando espaço no meu corpo.

Vesti um dos pijamas que havia comprado na lojinha do acampamento e esperei Nico, que não tardou a chegar.

— Você não acha que está passando muito tempo no meu chalé? Os outros filhos de Atena nem devem saber que você está no acampamento.

Fiz um gesto de desdém com a mão e neguei.

— Bobagem. Não podemos perder tempo. E temos que conversar.

— Ótimo. Me dê cinco minutos para tomar banho. Antes, só quero dizer uma coisa. Todos de acordo que Percy vá conosco?

— Se acontecer algo de perigoso, você tira ele de lá, mesmo que isso signifique me deixar sozinha por alguns minutos.

— Annabeth...

— Prometa. Se não, ele fica.

— Ótimo. Mas ele não vai deixar.

— Veremos.

— Certo. Então o cabeça-de-algas vai, e eu vou tomar um banho.

Eu gostaria de dizer que consegui me manter acordada, esperando Nico sair do banho, mas acho que cai no sono assim que ele fechou a porta. Era difícil dizer.

Mas aí eu acordei.

Acordei com Nico me sacudindo e Quíron acima de nós.

— Vocês têm que ser rápidos, corram, saiam daqui agora. — A voz dele era urgente e seu olhar, assustado, indo para a porta e voltando para nós.

— O que está acontecendo... Quíron, o que...

Minha mente estava lenta, e ao olhar para fora pela porta, parecia faltar muito para amanhecer.

Enquanto eu ainda estava sentada na cama, Nico já estava de pé, vestindo alguma roupa e pegando algo para mim usar, mas por ora, só me jogou sapatos.

Em um instante, fiquei de pé, vestindo os mesmos. Quíron pegou duas mochilas grandes que eu não havia visto e jogou uma para mim, e outra para Nico.

— Vocês precisam ir embora. Ela está atrás de você Annabeth. Nico, – Ele jogou algo que eu não vi – quero que vocês viagem nas sombras até chegarem naquele chalé, da família do Percy em Montauk. Vocês não vão poder usar o seu carro, sinto muito. Eu deixei instruções lá. Sejam discretos e rápidos.

— Quíron, o que está acontecendo? Quem está atrás de mim?

Nico ajeitou a mochila nos ombros e pegou algumas coisas, colocando-as em outra bolsa menor. As peças de roupa que ele havia pego para mim em uma mão, e na outra, a bolsa.

— Minha querida, eu sei que você conseguiu uma missão, e deve completá-la. Tive medo que você não entendesse que deveria ir mesmo sem a minha permissão. Caso você não consiga, o nosso universo vai se desestruturar de uma forma... catastrófica. Você precisa impedir. Eu não posso ajudar muito, mas grave isso: Juneau. Entendeu? Juneau. Vocês precisam ir. – Nico correu para o meu lado enquanto Quíron olhava para fora, parecendo muito preocupado. – Agora!

E então, as sombras nos engoliram.

Notas finais
ESSA É MINHA ÚLTIMA SEMANA e ai, adeus projetos, plantas de casa, organização de ambientes, vamos torcer pra não pegar recuperação em nenhuma matéria! Enfim gente, agora a coisa vai mudar de ritmo e eu espero que vocês gostem! Deixem ai nos comentários sugestões e opiniões! Obrigada ♥