O Teste da Deusa

20 Capítulo Dezenove – Ouço a voz na minha cabeça


Notas iniciais
Oii amores! EU SEI que eu prometi que ia postar rápido, MAS acabei fazendo uma viagem de última hora e passei mais de uma semana fora, dai não consegui trabalhar né. Quem me acompanha a mais tempo sabe que eu curto muito uns conteúdos extras, então achei esse site legal e fiz o meu próprio modelo de como é o chalé do Percy em Montauk. O nome do site está na foto, ele é online, não precisa instalar nada, caso alguém queira usar, fica a dica ;) Você vai poder encontrar o chalé no meu tumblr ou no link na fic) [ATUALIZADO 01/02/2017]

(Vocês podem ver o chalé aqui, a única coisa que me deixou chateada foi não conseguir fazer janelas de madeira também! Boa leitura)

Nico nos aterrissou na entrada do acampamento e eu pude ver. Era uma névoa densa vinda das nuvens que descia em espiral até o chalé de Nico.

Apertei com força a mão dele, que estava surpreendentemente calmo.

— O que é aquilo?

Nico lançou um olhar preocupado a nossa volta e me encarou.

— Aquilo o que?

— Me diga que você está vendo. Que eu não estou ficando maluca.

Ele parecia realmente preocupado.

— O que?

— Aquilo! – Apontei – Você não pode ver?

Nico negou com a cabeça e apertou seus dedos em sua testa.

— Preciso descer e buscar Percy, fique calma Annabeth.

— Não, Nico. – Ele estava apoiado em mim – Você ainda não se recuperou direito, tenho certeza que você está cansado. Você não está mais acostumado a ficar usando as sombras.

— Mas eu preciso ir até lá, não vou demorar nada.

De repente as nuvens mudaram de direção e eu instintivamente soube qual o destino seguinte.

— Não temos tempo Nico! Por favor, você não pode ver, mas eu posso! A gente precisa sair daqui agora! – Gritei as últimas palavras dando ênfase. – Se a gente ficar aqui mais um segundo vamos morrer!

Ele parecia contrariado e lançou um olhar significativo em direção ao chalé de Percy antes de deixar a escuridão nos levar.

A sensação de viajar nas trevas era cada vez mais incômoda, e acho que isso nunca vai melhorar.

Quando “aterrissamos” na areia macia na praia, Nico caiu sobre mim. A que distância estamos do acampamento?

À minha frente e abaixo das nuvens pesadas havia uma pequena construção de madeira, quase coberta pela areia das dunas.

Olhei para trás e pude ver, mesmo no escuro, a nuvem disforme que havia avistado no acampamento. Aquilo quer me pegar.

Entre na cabana. A voz na minha mente era clara. Tenho certeza de que já a ouvi antes há muito, muito tempo. Hesitei e não me movi. Não parecia muito lúcido confiar em uma voz na minha cabeça.

Nada vai conseguir chegar até você enquanto estiver lá dentro. Entre.

Respirei fundo e encarei a construção. Juntei as mochilas, colocando ambas nos meus ombros, e a bolsa improvisada de Nico em uma das mãos. O arrastei até a entrada da cabana o melhor que pude e comecei a escavar, mas ainda estava longe de conseguir abrir a porta e a tempestade se aproximava numa velocidade assustadora. Olhei para o lado e vi uma pequena janela. Comecei a afastar a areia da mesma, até liberar a passagem até ela, precisei forçar o trinco antes da janela finalmente se abrir. Joguei Nico para dentro e cai por cima dele.

— Droga, me desculpe Nico.

Levantei rapidamente e fechei a janela o melhor que pude, e logo uma luz amarelada se espalhou daquele ponto, contornando toda a casa e apagando-se em seguida. O vento lá fora sacudia o lugar e rugia contra as paredes e eu podia ouvir o rugido vindo das ondas agitadas do mar.

Colado na maçaneta da porta, um papel pequeno e uma frase simples:

Não abra a cabana em nenhuma circunstância.

O que....

E então eu ouvi o silêncio. O vento havia parado, bem como o mar.

Me voltei para Nico, que estava inconsciente no chão. Prendi o cabelo acima da minha cabeça e tentei me organizar. Saindo do cômodo onde eu estava, pude ver duas portas, uma delas estava entreaberta e dentro do quarto havia uma cama.

Comecei a arrastar Nico até lá e o puxei para cima da cama. Busquei por um interruptor, mas onde ele deveria estar, havia outro bilhete.

Forcei meus olhos para enxergar no escuro.

Não acenda as luzes.

— Mas o que... – Girei no meu próprio eixo e vi mais um papel grudado na porta.

E, mais importante do que tudo: não responda.

Batidas na porta.

Batidas altas e claras.

Encarei Nico que estava em um sono profundo e caminhei o mais silenciosamente possível até o local onde havia abandonado as mochilas. Abri a pequena bolsa preparada por Nico na esperança de que ele tivesse pego a minha adaga.

Batidas voltaram a ressoar na cabana enquanto tirei a arma da bolsa. Me posicionei em frente a porta. Eu posso encarar isso. Posso abrir essa porta. Eu posso derrotar o que quer que esteja aí.

Levei meus dedos até perto da maçaneta, mas me impedi. O bilhete. Ele me dizia para não abrir a cabana.

Seria isso que estava me perseguindo?

— Annabeth, me deixe entrar, por favor.

Abri a boca, mas a fechei logo em seguida. Agachei meu corpo e respirei lentamente. Ele tentou abrir a maçaneta algumas vezes e sacudiu a porta.

Percy? O que ele faz aqui?

— Eu ouvi Quíron falando com vocês, me deixe entrar. Aquela coisa está me seguindo. Você está aí? Você e Nico já entraram?

Hesitei. Eu quero responder. É Percy. Que mal pode haver?

Uma mão cobriu a minha boca e eu quis gritar, mas ao olhar para trás, vi que era apenas Nico, levando o dedo indicador a própria boca, um pedido mudo de silêncio.

Sua expressão estava cansada, como a de alguém que precisaria dormir mil anos até se recuperar. Do chão, ele levantou os dois bilhetes que eu vira no quarto.

Assenti e apontei para a maçaneta. Nico forçou um pouco os olhos para entender o que estava escrito e concordou.

Lentamente removeu a mão da minha boca e fez sua espada surgir.

Fiz um movimento com os lábios, uma pergunta silenciosa. “O que vamos fazer? ”.

— Vamos lá, eu sei que vocês estão aí. Abram.

Percy sacudiu a porta com mais força e me perguntei como ele havia conseguido tirar a areia do caminho.

— Vamos lá sabidinha, o que foi que eu disse? Que eu sempre te encontraria, não é? Abra a porta para mim Annabeth.

Minha cabeça começou a doer.

Percy sempre... me encontraria?

Nico recuou até a pequena parede entre a porta do quarto e a porta do banheiro e fez sinal para que eu lhe seguisse em silêncio. Suas costas estavam apoiadas na parede e sentei à sua frente, encostando minhas costas em seu peito.

— Aquele não é o Percy. – Sussurrou ele rente ao meu ouvido.

Até podia ser, mas minha cabeça estava a mil. Eu já ouvi isso antes. Eu vou te encontrar, me espere, por favor!

Onde? Talvez num sonho. Ou no sonho de um sonho. Se não era Percy, porque eu achava que poderia ser? Era coisa da minha cabeça achar que já havia ouvido aquilo antes? Franzi o cenho e apertei minha cabeça.

Encarei Nico e fiz uma pergunta muda: “O que isso significa? ”

Mas ele não disse nada, apertou ainda mais o cabo da espada e encarou a frente.

A porta sacudiu mais bruscamente que antes e ouvi um rugido rouco vindo do lado de fora e logo toda a construção tremia. Nico passou um braço envolta do meu corpo e me prendeu com mais força contra ele. Não nos movíamos mais que o necessário. Nem mesmo respirávamos.

A criatura pareceu desistir.

— Idiotas. Fugiram pra outro lugar.

Um estrondo retumbou do lado de fora e o silêncio retornou.

Tentei sussurrar o mais baixo que pude.

— Já foi embora?

— Eu não sei.

E se eu não estivesse grudada nele, provavelmente não conseguiria ter escutado sua resposta.

Nico e eu não nos movemos mais depois daquilo. Eu podia ouvir a respiração pesada dele e só isso. Nem mesmo o relógio acima de nós estava funcionando. Tudo em silêncio. Em algum momento adormecemos colados um ao outro, esperando que a criatura realmente tivesse ido embora.

Acordei quando Nico tentou se esticar.

— Me desculpe, – Ele murmurou, parecendo envergonhado – não quis acordar você.

Pequenos raios de sol entravam pelas frestas entre as madeiras e meu corpo todo estava dolorido. Adormeci com a cabeça apoiada contra o tronco de Nico, presa por seus braços. Levantar não estava sendo uma tarefa fácil.

— Como você está? – Perguntei a ele quando consegui me esticar.

— Um pouco dolorido. – Ele virou a cabeça para um lado, depois para o outro – Mas nada que me mexer um pouco não resolva.

Esfreguei meu rosto.

— Eu não sei se devemos abrir isso aqui.

— Acho melhor não. – Nico foi até perto da janela que entramos e tentou afastar um pouco da areia das bolsas. – Percy podia vir mais aqui, não é? Só tem... areia.

Assenti enquanto olhava em volta e me sentava no pequeno sofá junto à parede. Era um lugar bem simples, em vários tons de marrom, em um dos cantos haviam armários aéreos e de chão – vazios –, um fogão, geladeira e pia. Dei uma risadinha.

— Colheres azuis. Quem diria? – Apontei para o pequeno pote com os talheres antes de olhar para a mesa e avisar um pequeno bilhete sobre ela. Ele estava ali desde ontem?

— O que foi? – Nico murmurou as minhas costas enquanto eu levava o papel à uma das frestas de luz.

— Não sei. Mais um dos bilhetes misteriosos.

Querida Annabeth, espero que minhas informações tenham sido precisas e você e Nico estejam vivos, inteiros.
Principalmente vivos.
Eu sei das suas duas profecias e seus conteúdos. Isso precisa ser parado, não é normal. Mas cabe a você decidir, no final de tudo. Você decidirá em que mundo todos devem viver.
Não se esqueça do nome que eu lhe disse. Guarde-o bem.
Nas mochilas tem tudo o que vocês precisam, talvez mais.
Gostaria de poder ter ajudado mais, mas fiz o melhor que pude nas nossas circunstâncias. Me desculpem por não ser direto, mas nunca sei quando vocês estão lendo, ou se outros conseguiram antes de vocês.
Não se esqueçam: agasalhem-se bem, há roupas nos armários.

Q.

Levantei os olhos do bilhete e o entreguei a Nico, que leu rapidamente e me encarou.

— Como recuperar sua memória pode decidir “em que mundo todos devem viver”? O que você esqueceu de tão importante?

Levantei a sobrancelha e o encarei.

— Está falando sério? Se eu soubesse, não estaria sem memória, não é?

Ele pareceu envergonhado.

— É claro. Me desculpe. Bobeira a minha. Então, eu vou fazer um inventário com tudo o que temos, ok?

Assenti e puxei uma das mochilas para ajudá-lo.

Quíron havia nos dado dois sacos de dormir térmicos, duas mantas, garrafas de água, pedaços de ambrosia, algumas centenas de dólares, biscoitos e outras coisas não-perecíveis, além de duas camisetas e outra calça.

— Na minha ele ainda colocou alguns dracmas, documentos falsos para nós dois, e... Um boné. Um boné dos Yankees. Porque?

Nico arregalou os olhos e pegou o boné.

— É seu boné Annabeth, o que Atena te deu!

Virei a cabeça e tentei lembrar. E lembrei. Todas as vezes que ele já me ajudara a vencer uma batalha, a ser invisível.

— Eu não acredito! Eu achei que tivesse perdido.

— Eu acho que você tinha. Bom. O que o Quíron disse sobre os armários?

Dei as costas a Nico, enquanto ele organizava a minha mochila novamente e eu percebi que ainda estava de pijamas, desde que sai do chalé dele.

No único quarto, havia um pequeno guarda-roupa, ao abrir a porta, soltei um assovio.

— Quíron levou a sério a parte do frio do Norte, não é?

Uma calça justa estava no lado esquerdo, junto com um par de botas peluciadas, um casaco e blusas de lã. Do lado direito, havia a versão masculina do conjunto.

Peguei as peças e levei até onde Nico estava.

— Bom, acho que não vamos passar frio, não é?

Nico pegou um pouco da ambrosia que ele havia colocado na própria bolsa e pôs na sua mochila, assim como algumas camisetas.

— Na minha mochila tinha uma bússola, que divertido, e isso.

Ele levantou um conjunto de chaves e mostrou-as para mim.

— Quíron nos emprestou um carro. Se eu fosse você, já vestia essas roupas pesadas. Talvez o casaco não. Precisamos racionar o espaço, quero levar tudo nas duas mochilas.

Nico me jogou um cinto para suporte da adaga, e me mostrou um bilhete.

Nas portas do Olimpo, San Juan lhe aguarda.

— O que é isso?

— A localização do carro.

— E o que significa?

Nico suspirou e apertou as têmporas antes de me responder.

— Que vamos encontrar uma amiga.

Notas finais
Eu quero saber de quem vocês acham que é essa voz na cabeça dela, quem é essa amiga, para onde eles estão indo, qual o destino final. Qualquer coisa que vocês já sacaram, eu quero saber ;) Obrigada, até o próximo capítulo, beijos!